Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês

O tempo passou rápido e logo uma massa de novas fofocas fez todos esquecerem sobre a festa em que Clara havia armado o barraco. Faltava apenas uma semana para o fim das aulas e para as tão sonhadas férias de verão. Todos já tinham planos de viagem com os amigos, muitas festas e diversão. Clara e Vanessa haviam acabado de chegar do colégio e a mãe deles as esperava na sala, o que não era muito comum. Vanessa logo achou que havia feito algo de errado e buscou em sua mente se havia deixado a toalha em cima da cama ou esquecido de alimentar os cachorros. Clara, por sua vez, achou que os boatos da sua noite de tequila no sábado já haviam chegado aos ouvidos da mãe e formulava desculpas boas para se livrar da bronca mais uma vez.

– Não fui eu. – Vanessa disse levantando as mãos.

– Eu também não fiz nada! – Clara sentou no sofá e a mãe delas riu.

– Fiquem calmas, dessa vez a culpa não é de vocês. – Chica sorriu e as duas suspiraram aliviadas seguiram sua voz. – Eu tenho uma notícia para vocês.

– Você não vai casar com aquele cara, vai? – Vanessa arqueou a sobrancelha.

– Claro que não, Vanessa. – Ela riu.

– Não tem nenhum parente vindo se hospedar aqui, tem? – Clara franziu o nariz.

– Não, Clara... – Ela bufou. – Me deixem falar, seas tagarelas.

– Desculpe. – Elas responderam em uníssono.

– Sem problemas. Bom, sabe a tia de vocês, a Janice?

– Ela vem pra cá? – Vanessa interrompeu e recebeu um olhar furioso da mãe. – Opa, continua... – Ela riu.

– Bem, ela é bem rica, mas isso não é novidade para vocês. – Chica revirou os olhos. – Enfim, ela vai viajar com o novo marido nessas férias de verão para algum lugar distante... E ofereceu a mansão da Riviera Francesa para vocês passarem uns dias.

– O QUÊ? – Clara arregalou os olhos.

– COMO É QUE É? – Vanessa a acompanhou.

– É isso mesmo! Acho que ela não tem juízo, todo esse dinheiro deve ter feito com que ela perdesse o senso, mas ela disse que prefere ter algum parente na casa do que deixa-la só com os caseiros ou com empregados. Eu não posso ir, vou trabalhar, então se vocês quiserem...

– EU VOU! – As duas gritaram rapidamente, fazendo a mãe rir.

– Tudo bem então, vou mandar que ela dê férias aos empregados.

– Posso levar minhas amigas? – Clara perguntou rapidamente.

– Claro. A casa deve ter milhares de quartos, mesmo...

– Eu vou levar as minhas então. – Vanessa sorriu. – EPA! Perai... – Ela olhou rapidamente para a irmã, que entendeu o recado.

– NEM VEM , EU VOU PRA LÁ! – Clara berrou.

– Só se for no seu sonho! Você vai pra praia com as suas amigas, eu vou pra França com as meninas e...

– HÁ-HÁ-HÁ. Só porque você quer, chuchuzinho.

– Mas já começaram? – Chica bufou. – Vejam bem, porque não vão todas logo? Tem um caseiro lá, peço pra tomarem conta de vocês para não fazerem nenhuma besteira...

– Nem que eu quisesse! – Clara riu. – Fique tranqüila mãe, eu não quero e acredito que nenhuma das minhas amigas quer nenhum tipo de envolvimento com as amiguinhas da Vanessa! Até por isso, quem vai pra lá sou EU.

– Não inventa Clara, eu não quero ter que bater em você. – Vanessa disse e viu o olhar de reprovação da mãe.

– Você não mata nem uma mosca, chuchu! – Clara debochou fazendo a irmã mostrar o dedo pra ela.

– Ah, cansei de vocês duas! Subam para os quartos, depois eu penso em uma maneira sensata de resolver esse problema de vocês! – A mãe delas disse e as duas obedeceram, subindo as escadas discutindo.

– Então é GUERRA que você quer, maninha? – Vanessa debochou e Clara riu alto, rolando os olhos.

– Não tenha dúvidas disso. – Ela respondeu prontamente.

– Então é isso que você vai ter! – Vanessa disse antes de bater a porta do quarto. — Cara, a gente TEM QUE IR. – Marina sorria abobalhada para a idéia de passar as férias em uma mansão na França.

– Eu sei Mari, eu sei. Mas deixa estar, eu não vou deixar a Clara ganhar nossas férias. – Vanessa riu.

– Vai fazer o que? – Gisele perguntou interessada.

– Eu ainda não sei. Minha mãe tá querendo fazer alguma competição louca e idiota de perguntas e respostas para ver quem ganha. Aí tipo, a vencedora vai com as amigas. Mas eu preciso de uma carta na manga, pro caso da Clara ganhar... – Vanessa olhava para o nada, pensativa.

– Você pode contar os podres dela pra sua mãe! – Marina riu marotamente com a idéia, e Gisele a acompanhou.

– Golpe baixo. – Fernanda riu. – E infantil.

– De que lado você está, Fê? – Marina falou mais alto e Fernanda deu de ombros.

– Do de vocês, é com vocês que eu vou.

– Não parece. – Meirelles bufou.

– A Clara disse que eu posso ir se elas ganharem. – Fernanda caiu na risada quando viu os olhares de susto das amigas.

– Jogada dupla é mancada, Fernanda! – Vanessa disse fazendo a amiga rir ainda mais.

– Eu sei... – Ela jogou uma bolinha pro teto – Eu disse pra ela que só iria com vocês, aí ela mandou eu ir a merda. Sua irmã é um amor, Vanessinha.

– Eu sei que é. – Vanessa riu.

– Okay meninas, FOCO! A gente precisa dar um jeito de ganhar essa viagem! – Clara dizia andando de um lado para o outro no quarto.

– Aposto que elas lá vão jogar sujo! – Luiza comia umas balinhas enquanto tentava pensar.

– Não podemos perder DE JEITO NENHUM! – Flavinha falou mais alto e as três riram.

– Tá, respira amiga! – Clara riu e Flavinha deu o dedo.

– Clarinha, você sabe como vai ser esse negócio que a sua mãe inventou? – Luiza perguntou com um olhar malicioso.

– Perguntas e respostas. Sobre o que eu não sei, whatever. – Clara fez careta.

– E se... – Luiza riu sozinha – E se a gente roubasse as perguntas e decorasse?

– ÓTIMA IDÉIA! – Flávia concordou de imediato e Robby virou os olhos.

– Não acho justo. – Ela disse simplesmente.

– Robby meu amorzinho – Flávia soletrava as palavras como se falasse com um bebê – Põe uma coisinha na sua cabeça... Elas NÃO VÃO jogar limpo.

– Isso não significa que temos que ser iguais a elas! – Roberta retrucou.

– Argh! Esse negócio de ser boazinha 24h às vezes enjoa, amorzinho! – Flavinha reclamou.

– Ela tá certa, eu acho. – Clara pensou. – Ah, sei lá.

– A escolha é sua, Clarinha. – Luiza disse e Clara ia rebater, quando a porta abriu.

– Meninas, o jantar está pronto, venham comer! – Chica disse com um sorriso doce.

– Nós já vamos, mãe. – Clara sorriu ao ver a porta fechando. – Ok, eu não quero ter que decidir isso!

– A tia é sua, Clarinha. A irmã é tua também e tudo mais. Você quem sabe. Se quiser jogar limpo – Luuh revirou os olhos pra idéia – tudo bem. Mas se não... Bem, você já sabe. – Ela riu maliciosa e Clara a acompanhou.

– Vou pensar. – Clara disse abrindo a porta para descerem.

– Eu acho a idéia do roubo das questões super válida! – Flavinha riu, parada no corredor.

– Cala a boca, menina! Vai que elas ouvem! – Robby deu bronca na amiga que riu baixo.

– Tem razão. Acho que você está vindo pro nosso lado, não? – Flávia perguntou e Roberta negou, mas ria muito alto e todas perceberam que ela começara a apoiar a idéia da trapaça.

– Certo. – Clara cochichou. – Elas já estão lá embaixo, não tem problema. – Ela parou e todas escutaram as risadas altas que vinham da cozinha. – Se todas estão de acordo, vai ser assim então. Vou descobrir onde estão as perguntas e roubá-las. A gente tira xérox delas e decora. – Clara sorriu marota e Luiza riu.

– Essa é minha garota! – Luuh disse, rindo, enquanto desciam as escadas.

E então a porta do banheiro abriu vagarosamente. Uma risada maldosa e baixa tomou conta do corredor.

– Então quer dizer que é assim? – Gisele disse a si mesma. – Deixem estar, meninas. Vocês não perdem por esperar. – Gi riu novamente e desceu as escadas correndo em direção à cozinha.

– Hum, que delícia! Adoro macarronada! – Luiza saltitava ao redor da mesa, fazendo Marina rir.

– Ótimo, minha dieta vai pro espaço! – Flavinha reclamou e Vanessa fez careta. – Tia, isso é maldade! Sua comida é a melhor, é mancada você estragar minha dieta assim!

– Eu sei que você gosta, meu bem! – Chica deu uma piscadinha e Flavinha riu.

– AI MEU DEUS. – Clara gritou e Meirelles derrubou refrigerante na mesa.

– O que foi amiga? – Roberta arregalou os olhos.

– Ah, que susto porra! – Marina virou os olhos e Fernanda estava rindo dela.

– Um, dois, três. TRÊS. Puta merda. – Clara olhava ao redor da mesa sussurrando. Ninguém estava entendendo nada do que ela dizia.

– Fala logo, Clara! – Robby chacoalhou a amiga.

– Robby meu amor, vem cá. – Ela puxou a amiga para a outra sala. – A Gisele não está na cozinha!

– E? – Robby não acompanhou o raciocínio de primeira. – CACETE! – Ela berrou alguns segundos depois.

– O que foi, suas loucas?- Vanessa apareceu na sala com a boca suja de molho de tomate. Clara riu, mas ainda estava inquieta.

– Nada, chuchu. Vá limpar sua boca! – Ela disse e Robby riu.

Gisele desceu as escadas cantarolando baixo alguma música que nenhuma das garotas entendeu qual era. Os olhares fixos das duas na garota tinham uma mistura de medo e curiosidade.

– Hey, Gi. – Clarinha deu um passo a frente.

– Hey, Fernandes. – Ela entrou na brincadeira, rindo.

– Onde você estava? – Robby perguntou com a voz falha. Clara rolou os olhos.

– No banheiro. – Gisele fingiu não entender. Passou a mão pelos cabelos e sorriu. – Porque?

– Por nada. – Robby abaixou os olhos.

– Que banheiro? – Clarinha perguntou rapidamente e só depois percebeu a burrada que tinha feito. Gisele riu alto.

– Vocês são estranhas. MUITO estranhas. – Ela andou em direção a cozinha. – Eu estava no quarto da Vanessa, se isso importa tanto pra vocês. – Ela mentiu e riu baixo. As duas suspiraram aliviadas.

– Ah, que bacana. Eu gosto do banheiro da Van. – Clarinha tentou disfarçar e Robby riu alto, quando Gisele entrou na cozinha.

– Nossa, essa foi péssima! – Ela ria e Clara a acompanhou.

– ELAS VÃO O QUE? – Vanessa berrou e Gisele tacou uma almofada na cara dela.

– Para de gritar, maluca! É isso mesmo que vocês ouviram, elas vão roubar o questionário. – Gisele dizia relativamente baixo, dentro do quarto.

– AHÁ, eu sabia que elas iam aprontar alguma! – Marina disse olhando diretamente pra Fernanda, que rolou os olhos.

– O que vamos fazer? – Fernanda disse e Vanessa riu.

– O óbvio, ué. Vamos roubar primeiro do que elas. – Vanessa completou e Gisele riu.

– Mas e se... – Os olhos de Marina brilhavam. Ela ria abobalhada e sozinha.

– E se o que, louca? – Gisele perguntou, curiosa. Marina ainda ria sozinha.

– Fala logo porra! – Vanessa gritou e Fernanda riu.

– Vanessinha, você está muito descontrolada ultimamente! – Ela disse e todas riram.

– Melhor do que roubar o questionário, seria mudar o questionário! – Marina dizia sob olhares atentos. – Nós roubamos o questionário original e falsificamos um pra colocar no lugar. Um com as respostas erradas! – Ela ria maliciosa. – Elas vão decorar tudo errado e a vitória será NOSSA! Elas não terão como provar.