Notas iniciais
Link da música do capítulo de hoje: https://m.youtube.com/watch?v=lD4sxxoJGkA . Consegui fazer um capítulo grande pra vocês.


Marina chegou em casa com um sorriso estranho no rosto e uma sensação boa que não tinha há tempos. Tomou um banho rápido e ficou deitada em sua cama, apenas pensando na vida. Não havia conversado com nenhuma das amigas depois da aula de literatura, e não sabia se alguma delas iria querer ir à festa. Mas tinha certeza de que ela queria. Era estranho como as coisas tinham saído fora do controle, e como isso tinha sido bom. Não lembrava exatamente da última vez em que tinha passado momentos tão agradáveis ao lado de Clara. Então, interrompendo seus devaneios, o telefone tocou.
– Alô.
– Fala Piranha! – Fernanda disse animada. – Bora na festa hoje?
– Festa? – Marina tentou manter um tom desentendida na voz – Do colégio?
– E qual mais seria?
– Por quê? – Marina estava feliz por não ter que explicar nada. Aquilo estava saindo melhor que o esperado.
– Porque a Cindy, a líder de torcida que eu passei a aula de literatura – Fernanda riu sozinha – Vai estar lá. Cara, se eu te contar da minha aula você nem acredita...
– AHHHH PEGADORA! – Meirelles gritou e Fernanda riu.
– Ela é muito linda. A gente tem que ir.
– Tudo bem, eu vou com você.
– Sério? – Fernanda parecia admirada com a resposta – Achei que teria que te subornar pra você vir comigo.
– Opa, eu aceito suborno! – Marina gargalhou.
– Nem vem, você já aceitou de primeira! Agora eu vou ligar pra Vanessa, a Gisele não quis ir... – Fernanda fez um barulho estranho com a boca – Aquela vaquinha. Ela teve uma aula péssima com a Roberta e... Espera aí. Você tava com a Clara! – Fernanda percebeu e Marina caiu para trás na cama, derrotada. – Seu humor não está tão ruim.
– Nós não nos matamos. – Marina sorriu para si mesma.
– Ah, fala sério. Vai dizer que as duas crianças conseguiram passar duas horas sem a ambulância ser chamada? Não creio! – Fernanda fez uma voz afetada e Marina riu.
– Nós podemos ser civilizadas de vez em quando. – Marina queria parecer indiferente, mas mantinha um sorriso idiota no rosto. Ficou feliz daquela conversa estar sendo via telefone, não queria que Fernanda visse sua cara.
– Esse é o tipo de coisa que eu só acredito VENDO. – Fernanda estava pasma. – Conta como foi. Anda logo.
– Deixa de ser chata, cara! – Marina riu alto e Fernanda a acompanhou. – Eu não vou te contar nada. Agora liga logo pra Vanessa e para de encher meu saco. Eu quero dormir.
– Dormir pra ficar gatinha pra CLARINHA? – Fernanda fez uma voz estranha e as duas tiveram um ataque de riso.
– Vai se fuder, Fernanda. Passa aqui em casa antes de ir pra festa.
– Fechado. 20h eu to aí.

Fernanda desligou o telefone rindo. Não sabia o que havia acontecido, mas tinha certeza que a aula de Marina e Clara não havia sido normal e estava bastante curiosa. Conhecia muito bem Marina, e ali tinha coisa. Discou rapidamente para a casa das Fernandes , e logo no segundo toque, Clara atendeu rindo.
– Alô. – A voz dela estava fraca, mas ela ria alto.
– Clarinha, é a Fernanda. – Ela riu junto – Qual a piada?
– Oi amor! – Clara disse alto e riu de novo – Eu estou assistindo The Big Bang Theory.
– Sua viciada em seriados! – Fernanda riu e ela também. – Tudo bem?
– Tudo ótimo e com você amor?
– Também. – Fernanda franziu a testa. – Animada pra festa? Eu vou.
– SÉRIO? Que máximo, até que enfim você resolveu dar o ar da graça nos meus discursos micados! – Clara riu verdadeiramente, pensando em seus discursos – Aposto que tem dedo da Cindy.
– Não só o dedo como a Cindy inteira! – Fernanda gargalhou.
– TARADA! – Clara fez uma voz indignada e as duas riram em conjunto.
Fernanda ia pedir para que ela chamasse Vanessa quando teve um estalo. Marina não comentaria nada, mas Clada, essa sim, falaria tudo. A curiosidade tomou conta dela novamente. Clara estava super animada, o que não seria normal depois de algumas horas ao lado de Marina Meirelles.
– Clarinha, sabe quem vai comigo? – Fernanda jogou verde, mas a garota não entendeu.
– A Cindy, lógico. – Ela disse num tom óbvio e Fernanda riu.
– Além dela. – Fernanda sorria para o própria pergunta.
– Hm... Er... Não sei. – Clara levantou-se do sofá e começou a andar de um lado para o outro. “Como você é ridícula, Clara. Fique quieta! Pare de agir assim. E daí que deve ser ela? Deixe de ser idiota.” Clara pensava, esperando resposta.
– Marina.
– Ah. – Clara soltou um barulho com a boca e um surto de emoções estranhas começou a tomar conta dela. Algo que ela não queria admitir que estivesse sentindo. – Legal. – Ela disse sem animação.
– Foi legal a aula de vocês hoje? – Fernanda estava quase rindo.
– Epa, aonde você quer chegar Fernanda Rodrigues? – Clara rolou os olhos – Você já falou com a Meirelles, então devia ter perguntado pra ela e...
– ... ELA NÃO ME DISSE NADA! – Fernanda gritou no alto da sua curiosidade e Clada riu.
– Nós não nos matamos.
– Eu acabei de ouvir isso, que merda.
– Ela disse isso?
– Disse.
– Hm. – Clada franziu a testa. Não sabia mais o que falar.
– Não vai me dizer?
– Não tem nada a ser dito.
– Chata.
Clara riu do jeito com que Fernanda falava. As duas conversaram mais um pouco, enquanto Fernanda tentava arrancar de Clara algum detalhe oculto da aula, sem sucesso. Então ela passou o aparelho para Vanessa, porque já estava atrasada e tinha que chegar bem cedo para preparar algumas coisas que estavam faltando na festa.

– Clarinha, o Dj já está com o equipamento montado, a fogueira já está quase pronta, eu acho que está tudo certo! – Luiza dizia animada.
– Perfeito! – Clara sorriu – Estamos ficando cada vez melhores nisso!
– Também acho! – Robby se intrometeu na conversa. – Eu falei com os nossos fornecedores de bebidinhas impróprias para adolescentes – A menina falou baixo e ria a cada palavra. – Tá tudo no esquema.
– Ah, nós somos ou não somos foda? – Flavinha disse e as quatro riram.
– SOMOS!
As meninas foram para suas respectivas casas se arrumarem para a última festa antes do verão. Luuh foi junto com Clarinha para a casa dela, onde passaria aquela noite, após a festa. As duas se arrumaram empolgadíssimas com o som alto. Clara colocou um short curto e uma blusa comprida que deixava um ombro à mostra, assim como suas costas. Luiza colocara um vestidinho floral curto que Clara adorava. As duas estavam lindas e matadoras, quando passaram pela sala para irem embora. Eram seis e meia da tarde.
– Já vão? – Vanessa disse sem ânimo algum, pausando o videogame.
– As organizadoras chegam antes. – Luuh disse e Clara riu.
– Wow. – Vanessa olhou para as garotas – Vocês estão lindas!
– Obrigada, chuchu! – Clara agradeceu o elogio com um beijo no rosto da irmã, e Luiza fez o mesmo. – Tem certeza que você não vai?
– Tenho sim! A Gisele vai vir aqui, a gente vai ficar conversando...
– Programinha loser, hein Vanessa? – Luuh provocou e Clara riu alto.
– Vocês adoram me chamar de loser, meu deus... – Vanessa rolou os olhos.
– Você devia aparecer, chuchu. Arraste a chatinha da Gisele com você – Clara sorriu – Eu vou gostar de ter você lá.
– Se estiver entediante aqui, talvez eu vá. – Vanessa sorriu verdadeiramente.
– Olha lá hein! – Clara disse puxando a amiga pela mão – Vamos perua, já estamos atrasadas!
– Tchau Vanessa! – Luiza disse sendo puxada porta a fora.

Clara e as amigas estavam maravilhadas com o sucesso da festa da praia. A maior parte da elite do colégio estava lá, o que era garantia de muitas fofocas e diversão. Alunos desconhecidos também estavam presentes, deixando o local lotado. A grande fogueira ainda não estava acesa, esse era um ritual que aconteceria mais tarde. Clara estava ansiosa e queria simplesmente se afogar por causa disso. Clara não queria, mas de fato estava esperando por ela. E entre uma risada e outra, lembrava disso. Aquilo estava ficando profundamente irritante.
– Meninas, vou pegar mais bebida alguém quer? – Clara sugeriu andando por entre as pessoas.
– Eu quero amor! – Flavinha estendeu o copo para a amiga, que já estava indo para o bar.
Clara encheu os dois copos até a boca com a bebida e olhou mais uma vez em volta. Estava sentindo-se patética.
– Procurando alguém, gata? – Cadu disse ao lado da garota, que deu um leve pulo.
– Que susto, cacete!
– Passou de ano? – Cadu perguntava com uma voz sexy. Já estava bêbado. Clara reconheceria aquelas atitudes em qualquer lugar.
– Graças a Deus. Ficar de recuperação junto com você seria a destruição completa da minha vida. – Clara disse num sorriso maroto, e Cadu riu.
– Você fica tão sexy brava... – Ele disse acariciando os cabelos de Clara.
– Sai pra lá, Carlos Eduardo. Sinto informar, mas você é carta fora do meu baralho. – Clara disse saindo do bar, quando o garoto a puxou novamente.
– Só mais uma coisinha, Clara... – Ele sorriu com seus dentes brancos perfeitos – Vai ter volta.
– Nossa, que medo de você Carlos Eduardo! – Clara riu alto. – Me deixa em paz. – Ela disse, indo em direção as amigas.
Assim que Clara se distanciou, deixando Cadu sozinho no bar, Ian, amigo dele, chegou a seu lado, eufórico- Brow, consegui! – Ian dizia sorridente e algumas garotas babavam por ele um pouco mais adiante.
– Bom garoto! – Cadu brincou – Então quer dizer que estamos passados? Sem recuperação esse ano?
– Tudo no esquema, já disse! – O garoto dizia orgulhoso – Entrei na sala e mudei as notas, férias garantidas!
– Ah, mas isso merece um brinde! – Cadu disse pegando duas vodkas.
– Calma, ainda tem mais...
– Mais? – Cadu estava radiante. – Fala logo!
– Bom, quando eu fui mudar as nossas notas em literatura...

– É, nunca pensei que ia dizer isso... Mas essa festa tá foda hein Clarinha? – Fernanda apareceu do lado da amiga, que sorriu.
– Fernanda, você veio! – Clara disse, pulando em seu pescoço – Cadê a Cindy?
– Foi ao banheiro – Fernanda riu
– Por que, está procurando por quem? – Luuh se fez de boba e Clara riu.
– A Cindy. – Fernanda disse presunçosa.
– Ouvi dizer que ela deu pra metade do colégio. – Luuh revirou os olhos e Clara olhou assustada pra ela.
– Luuh!
– Tudo bem... – Fernanda sorriu simpática – Eu não me importo. Eu conheço garotas como a Cindy. Mas nós estamos nos divertindo, e amanhã eu vou pra França com vocês. Não tem porque eu me preocupar com a fama dela. – Fernanda piscou para Luuh que riu, sem graça.
– Ah.
– Fernanda, sabe se minha irmã vem? – Clara perguntou enrolando os cabelos. Não era isso que queria perguntar. Fernanda riu.
– Não sei, ela não me disse nada. Mas a Marina está por aí, nós viemos juntas. – Fê sorriu maliciosa e Clara fez um careta que fez as amigas rirem.
– Obrigada pela notícia, mas eu não tinha perguntado isso, Fernanda.
– Só pro caso de você ficar curiosa sobre isso, mesmo. – Fernanda ria – Acho que a Mari foi pegar uma bebida.
– Eu não perguntei nada, Fernanda! – Clara disse com a voz um pouco mais alta, rolando os olhos. Mas sentiu um frio estranho na espinha ao saber que ela realmente tinha vindo. – Eu vou na cabine do Dj ver algumas coisas. Já volto.
– Se quiser me trazer uma bebida... – Fernanda disse e Luiza riu alto.
– Vá a merda, Fernanda Rodrigues!

Marina andava perdida por entre as pessoas. Algumas patricinhas a encaravam curiosas. Mas em geral, as pessoas estavam dançando, conversando e bebendo, e sua presença não fora muito percebida por lá. Já havia dado duas voltas no local e ainda não tinha encontrado Clara, e isso a estava deixando nervosa, ainda mais agora que tinha se perdido de Fernanda. Então sentiu seu celular vibrar no bolso.
– Marina, sou eu, Gisele!
– Oii! – Marina gritou um pouco alto, devido ao som.
– Outch, meu ouvido porra! – Gisele reclamou e Vanessa riu ao lado dela. – A festa tá da hora?
– Tá bem cheia – Marina olhava para os lados – Nada de interessante. Quer dizer, tem muitas garotas aqui.
– bonitas? – Gisele estava ficando interessada.
– Aham! – Marina riu, olhando a saia minúscula de uma menina que passou em sua frente.
– Eu e a Vanessa estamos indo pra aí, ligo quando a gente chegar! – Gisele disse rapidamente e desligou o telefone, antes que Meirelles pudesse responder alguma coisa.
Marina riu sozinha colocando o celular novamente no bolso, e alguém esbarrou com força em seu braço. Antes que virasse pra olhar, a pessoa estava em sua frente.
– Marina Meirelles... – Cadu riu rolando os olhos – Você por aqui.
– Carlos Eduardo – Marina riu, sem nenhum humor – Você por aqui. – Meirelles ainda se perguntava porque diabos aquele cara sabia seu nome.
– É raro ver você em festas decentes – Cadu riu. – Seja bem-vinda . Garanto que essa festa será a melhor, especialmente pra você. – O garoto disse, e alguns amigos que estavam ali, riram.
– Como é? – Meirelles franziu a testa.
– Na hora certa você vai saber. Ou não. Vai depender do meu bom humor... – Cadu soltou um riso alto e saiu andando na direção de um grupo de garotas perto da fogueira.
– Fique esperta. – Ian disse rindo, antes de seguir o amigo.

Clara estava voltado ao encontro de suas amigas quando sentiu um braço pousando em seu ombro, e ouviu aquela risada que já era muito conhecida. Pela primeira vez em anos, em vez de ter um surto de raiva, sentiu sua nuca arrepiar ao ouvi-la.
– Difícil achar você por aqui!
Marina sorriu largamente, fazendo com que a garota em sua frente quase desmontasse. Marina estava vestindo um short xadrez e uma camiseta preta, sem muitos detalhes. Mas ainda assim estava linda. Aquele cabelo solto e o perfume de Meirelles fizeram com que Clara abrisse um sorriso enorme quando viu Marina. E ela não teve vontade de reprimir esse sorriso.
– É difícil de encontrar qualquer um aqui – Clara sorriu – Que bom que você veio. – Clara sorriu sincera, e Marina riu.
– Eu disse que viria.
– Está gostando?
– Bom, está tudo muito legal – Meirelles torceu o nariz – Só não é muito a minha praia. – Clara riu do comentário.
– Entendo.
– Sua irmã está vindo!
– Sério? Que máximo, todas as losers virão! – Clara bateu palminhas e Meirelles fechou a cara. – Opa. Eu não quis te ofender, é que eu estou acostumada a...
– Desencana. – Marina sorriu levemente – Eu também não me acostumei com essa relação civilizada ainda. – Marina disse e as duas riram.
– Clarinha, até que enfim te encontrei! – Flavinha chegou correndo – Tá na hora do discurso garota! E a Vanessa está aí!
– Ah, minha chuchu já chegou? – Clara disse e Marina riu – Tudo bem, deveres são deveres. Estarei lá em um minuto.
Clara disse e Flávia deu uma piscadinha pra ela, indo em direção à fogueira.
– Bom, está na hora do meu mico anual! – Clara riu de si mesma, e Marina a acompanhou. – Depois do meu discurso, a gente poderia tomar alguma coisa, sei lá... – Ela estava tímida. Marina sentiu um calor por dentro. Sabia o quanto era difícil deixar Clara naquela situação, e ela ficava uma graça daquela forma. Parecia mais humana, menos intocável.
– Claro – Marina deu seu melhor sorriso – Vou esperar você ali nas pedras, tá?
– Está bem! Me deseje sorte! – Ela riu, como se soubesse que não precisaria daquilo, e saiu correndo, sem esperar resposta. Marina ficou rindo ao olhar a garota quase tropeçando seguir seu caminho.

– E aí galera, estão curtindo a festa? – O Dj perguntou e vários gritos animados responderam. – Ótimo, então é hora de dar aquela pausa na música, pra aquela gata ali em frente a fogueira dizer algumas coisas! Vai lá Clarinha!
Clara riu junto com Luiza da introdução que o garoto havia feito. Depois de tantas festas, era de se esperar que ele já fosse amigo delas. Vanessa, Gisele e Marina estavam sentadas nas pedras com uma visão privilegiada do tal discurso. Fernanda havia sumido com Cindy e as meninas apostavam que as duas já estavam longe dali.
– Hey galera! – Clara deu um grito com um copo na mão – Bem, eu acho que todo mundo aqui quer dançar, e não sei nem porque eu tenho que ficar aqui pagando mico – Ela disse e Vanessa riu – mas vamos lá, né? Bom, esse ano foi difícil pra muitos de nós! Não vamos negar que aquele colégio é complicado, e sei que muitos espertinhos aqui nem devem ter passado de ano...
– Eu passei! – Ian gritou e alguns garotos riram.
– Que bom, Ian. Isso é realmente um milagre! – Clara riu alto junto com várias pessoas. O garoto ficou sem resposta. – Mas férias de verão é tudo o que nós esperamos durante o ano todo. E só fazemos aquelas provas difíceis pensando na praia, na pegação e na diversão que teremos um tempo depois! E isso chegou! – Clara disse em meio a aplausos, em especial das amigas. Marina olhava para os lados, rindo. – E agora eu vou acender essa fogueira, em comemoração a esse tão esperado momento! FÉRIAS!
Ela gritou e todos aplaudiram. Pegou uma tocha acesa da mão de Flavinha e acendeu, sob o som de gritos altíssimos, a enorme fogueira montada no centro da festa, com um mar de aplausos.
– É isso aí! Declaro iniciadas as nossas amadas... FÉRIAS DE VERÃO!
Clara desceu do palco improvisado rindo do que tinha dito. Simplesmente achava aqueles discursos horríveis, e tinha ataques de riso todas as vezes que lembrava das coisas que normalmente dizia. Pegou Robby pela mão e puxou-a em direção ao grupo de amigas da irmã.
– Wow, você realmente sabe animar esses animais! – Vanessa bateu palmas e levou um tapa da irmã, que riu.
– Eu disse que era péssimo!
– Você foi ótima, Clarinha. – Marina disse sorrindo e todos pararam para olhar para ela, incluindo Clara. Droga, havia pensado alto de novo.
– Como é Mari? – Gisele perguntou incrédula.
– ... Ótima eu digo... no nível que esses animais merecem. – Meirelles “consertou” rapidamente e Clara fez uma careta estranha.
– Tava demorando. – Robby reclamou. – Vanessa, vamos pegar alguma coisa pra beber?
– Okay! – Vanessa concordou rapidamente, levantando.
– Eu também vou. – Gisele disse rapidamente.
– Eu não te chamei! – Roberta retrucou.
– Desculpe, o bar não é seu, até onde eu sei!
– Mas eu organizei e...
– Cacete, andem logo vocês duas! Parecem duas certas pessoas que eu conheço! – Vanessa disse olhando pra Clara, que riu e mostrou o dedo, quando ela se distanciava.
– Então quer dizer que meus discursos são bons para animais? – Clara disse rapidamente, virando-se para Marina.
– Desculpe, é que a Gisele...
– ... Tá, esquece. Acho que vai ser sempre assim, mesmo. – Clara murchou e deu de ombros. No fundo havia imaginado que as coisas estavam dando certo. Virou-se para sair quando Marina segurou seu braço.
– Ei, Clarinha. – Marina disse com o olhar baixo, ainda a segurando – Me... desculpe.
Meirelles disse incrivelmente corada e Clara se virou para ela. Aquela cena realmente era inédita.
– Você pediu... desculpas? – Clara olhava de rabo de olho, ainda sem acreditar.
– Você não vai aceitar? – Marina olhou nos olhos dela, que abaixou rapidamente o olhar, com um sorriso quase se formando no rosto.
– Tá. Desculpas aceitas. – Clara sorriu olhando pra baixo.
– Aquele convite pra uma bebida ainda está de pé? – Meirelles perguntou com um sorriso animado no rosto, e Clara riu baixo.
– Claro! Vem comigo!
Clara puxou Marina pela mão e foi correndo na direção oposta do bar. Marina não estava entendendo muita coisa, mas estava rindo da situação. Clara pegou uma chave no bolso rapidamente e abriu uma Van branca que estava parada no estacionamento. Dentro dela havia um freezer grande. Meirelles arregalou os olhos fazendo com que Clara risse mais alto.
– Cerveja, Ice, Vodka, Vinho... Whisky? – Clara perguntava olhando com a luz do celular para dentro do freezer.
– Cerveja!
– Então duas cervejas para nós! – Clada pegou as duas garrafinhas verdes e fechou a Van. – O fornecedor mandou eu pegar mais aqui quando precisasse. É que tem que ser por baixo dos panos, sabe? Se a polícia descobre esse bando de menores de idade bebendo... – Clara riu marota.
– Clara é da máfia, baby! – Marina disse mais alto e as duas riram. – Vamos sentar ali? – Marina apontou para algumas pedras que davam visão para toda a área da festa. Clara sorriu e a acompanhou, em silêncio.
– Quem diria... – Clara sorriu, olhando para a fogueira, que estava linda vista de cima – Eu nunca imaginaria que um dia ia tomar uma cerveja com você vendo a festa que eu organizei.
– Nem eu! – Marina sorriu, olhando para Clara – Um brinde a isso!
As duas bateram as garrafas e riram, bebendo. Ficaram lá por quase uma hora, conversando como velhas amigas e rindo sobre as coisas que aconteciam na festa. Ninguém parecia perceber a presença das duas, ali em cima.
– Wow, acho que tenho que descer! – Clara disse, olhando no visor do celular. – As meninas devem estar loucas atrás de mim!
– Ah! – Marina resmungou e Clara olhou para Marina – Fica aqui. É tão mais legal!
– Eu sei... – Clara disse meio mole – Muito mais legal, mas...
– Não, nada de “mas”! – Marina disse e as duas riram. – Cinco minutos! Eu ainda acho que aquele cara vai despencar da ponta do palco!
– Tadinho! – Clara disse alto e as duas riram – Tudo bem, cinco minutos!

Os cinco minutos se tornaram mais vinte quando Marina finalmente se deu por vencida e acompanhou Clara de volta para a festa. Nesse meio tempo, tinham apostado sobre a queda do garoto do palco, e Clara devia cinco libras para Meirelles por causa disso.
– Nossa, essas pedrinhas escorregam! – Clara reclamava enquanto Marina ria.
– Vem, dá sua mão! – Marina disse sorridente e Clara estendeu, sem pensar duas vezes, a mão para segurar na de Marina. – Cuidado, não pisa ali...
– Tá, eu não vou pi...
Clara ia dizendo quando escorregou, puxando Marina para baixo. As duas caíram de bunda no chão e tiveram um ataque de riso.
– Eu disse pra você não pisar! – Marina segurava a barriga de tanto rir.
Clara não conseguia responder porque estava rindo muito ainda. Cadu estava passando com uma garrafa de Whisky na mão quando viu Marina e Clara rindo feito loucas nas pedras. Uma súbita raiva tomou conta do garoto, que já estava completamente bêbado. Cadu saiu em passos largos e decidido até a cabine do Dj, arrastando Ian e mais dois amigos. Esses amigos fizeram com que o Dj parasse a música rapidamente. Clara ouviu os gritos e reclamações repentinas e saiu correndo em direção a festa. Marina foi logo atrás.
– O que diabos está acontecendo? – Clara quase berrou com Luiza, que deu de ombros.
– Não sei amor, eu acho que deu algum problema na cabine...
– Eu vou ver! – Clara virou-se decidida quando ouviu uma voz conhecida vinda do palco.
– Olá, meus queridos amigos! – Cadu cambaleava e vários olhares assustados o fitavam – Que tal um pouco mais de diversão essa noite?
– Yeah! – Os capangas de Cadu gritaram e Clara saiu com as mãos fechadas em direção ao palco.
– Carlos Eduardo, desce daí AGORA! – Ela berrou, mas ele apenas riu.
– Nossa gente, calma... Eu tenho uma surpresinha pra vocês.
Vanessa, Gisele e Fernanda se aproximaram de onde Marina e Luiza estavam. Não demorou muito para que Roberta também chegasse ali. Flávia foi direto ajudar Clara.
– O que esse idiota tá fazendo? – Vanessa perguntou e Marina franziu a testa.
– Não deve ser coisa boa.
– Carlos Eduardo, eu vou chamar os seguranças! – Flávia gritava ameaçadora, mas o garoto não moveu um centímetro.
– Vamos lá, antes que as pessoas se estressem comigo. Me dá aquilo lá, Ian. – Cadu ordenou e rindo alto, o amigo entregou alguns envelopes em suas mãos. Os envelopes da aula de literatura.
– Puta merda. – Roberta logo reconheceu os papéis, e saiu correndo até as amigas.
– Eu vou falar com a segurança! – Luuh disse prontamente.
– Eu vou com você! – Fernanda a seguiu.
– “Kelly Newman sobre Paul Prescott” – Cadu começou a ler, presunçoso, e todos agora prestavam absoluta atenção, rindo sobre as coisas lidas.
– Cadu, onde você arrumou isso? – Robby gritou e Ian prontamente respondeu.
– Ah, um bom mágico nunca revela seus truques, Viana!
– Cadu, deixa de ser ridículo, os seguranças estão vindo, desce daí! – Clara estava absolutamente nervosa.
– Mas estão gostando, não estão? – Cadu perguntou e várias pessoas gritaram – Viu só? Eu também sei chamar atenção! E eu nem cheguei na melhor parte, gatinha! – Cadu riu sozinho e Clara teve um surto. – Vamos pra outro envelope... “Katie Stern sobre Jennah Roberts”
Cadu começou a ler o papel e Clara olhou para o lado. Jennah estava chorando pelas coisas que a outra garota havia escrito sobre ela. Aquilo não daria certo, não mesmo.
– Chega! Eu vou até a cabine ligar esse som eu mesma, aí esse idiota vai calar a boca! – Clara berrou para as amigas e abriu passagem, passando por Marina e empurrando algumas pessoas pelo caminho.
– “Clara Fernandes sobre Marina Meirelles” – Cadu anunciou alto. Clara parou, de costas, com as mãos fechadas em punhos. Aquilo não podia estar acontecendo. – Esse envelope é meu preferido! – Cadu continuou sob olhares atentos.
Marina olhou para trás e viu que Clara estava paralisada, de costas para o palco. Deu dois passos a frente e juntou-se com Roberta e Flavinha.
– Façam esse cara parar! – Meirelles disse um tanto alterada, quando Cadu começara a ler, imitando uma voz feminina. E de repente toda a festa estava prestando atenção.

“Marina Meirelles é um garota completamente diferente de mim. Diferente do que eu esperava sobre ela... Marina é a única capaz de entender o que eu realmente penso ou sinto, e acho que é por isso que nós brigamos tanto. Eu simplesmente odeio estar desarmada em frente às pessoas. Eu gosto de ser a Clara Fernandes que todos vêem por aí. Mas essa não é a Clara que Marina vê. Quando ela olha pra mim eu tenho absoluta certeza de que ela vê através, e isso me deixa desconcertada...” – Cadu parou para rir – “Agora vou confessar... Eu adoro a risada dela e aquele sorriso tímido e aquele batom vermelho que ela usa, acho que o mundo fica mais leve com isso. O jeito que ela...”

As lágrimas escorriam pelo rosto de Clara, que estava parada, agora olhando para Cadu, que ria a cada palavra da maldita carta da aula de literatura. Marina olhou para trás e seu olhar se encontrou com o de Clara. Foi quando ela percebeu que Clara estava chorando. Em meio segundo, deu mais alguns passos e puxou Cadu para baixo do palco, dando um soco certeiro em seu rosto. O garoto caiu na areia.
– Sua lésbica Filha da puta! – Cadu gritou — Você vai ser só mais uma vítima na mão dela!
Meirelles nada respondeu, mas tinha raiva no olhar. Clara já estava ao lado das amigas gritando por socorro.
– Eu disse que ia ter volta, Clarinha! – Cadu gritava tentando se soltar dos braços de um desconhecido. – Me solta, porra! Eu ainda quero acertar uma essa vadia...
– Solta, deixa ele vir! – Marina provocava, chamando-o com o dedo, enquanto também tentava se soltar de Fernanda.
– Marina, fica na sua! – Fernanda segurava a amiga com mais força.
– Já chega vocês dois! – Clara gritou com os olhos vermelhos. – Você é podre, Cadu. Muito pior do que eu esperava!
O som alto de uma música do Strokes tomou conta da festa e as pessoas abriram espaço para que Clara saísse correndo dali.

– Ela não está em lugar nenhum! – Flavinha chegou correndo ao lado de Gisele. Vanessa colocou a mão na cabeça, preocupada.
– A Robby também não achou nada. A Fernanda e a Luiza estão procurando ainda. – Van colocou as mãos na cabeça – Caralho! Eu vou quebrar esse Bicha!
– Você não vai nada, Vanessa. – Flávia logo advertiu – Tudo o que nós não precisamos agora é que você se machuque. E a Marina?
– Ainda está procurando. – Vanessa disse desanimada.
– Vai ficar tudo bem, amiga. – Gisele consolou Vanessa que forçou um sorriso.
– É verdade, Vanessa. Eu conheço a Clarinha... Ela só deve estar por aí pensando na vida. Não vai fazer nada de errado! – Flavinha sorriu e Vanessa ficou mais aliviada.

Marina estava andando ao longe na praia, já pensando em voltar, quando avistou Clara sentada próxima ao mar. Antes que ela a visse, pegou o celular rapidamente e discou para Vanessa.
– Achei, Van. Vou lá falar com ela. Mas relaxa que ela está bem. – Marina disse simplesmente, e desligou o aparelho.
Meirelles andou devagar até onde a garota estava. Clara estava distraída, desenhando na areia.
– Hey. – Marina disse, sentando-se ao lado dela – Posso ficar aqui?
– Aham.
Clara respondeu olhando pra baixo e dois minutos de silêncio pairaram ali. Marina estava olhando para o mar, quando Clara virou-se bruscamente para ela.
– Me desculpe! – Marina parecia lembrar-se disso somente agora. Meirelles riu
– Está tudo bem...
– Ah Marina, sinto muito...
– Ei, já disse que está tudo bem! – Marina sorriu olhando nos olhos vermelhos de Clara – Acredito que ele não poderia fazer nada comigo. – Marina riu e Clara sorriu, rolando os olhos.
– Metida.
– Realista.
– Ah, fica quieta! – Clara riu baixo.
Marina olhou para Clara novamente e sentiu um arrepio na espinha. Estavam longe da orla, o local era pouquíssimo iluminado, mas Clara estava incrivelmente linda ali. Era realmente estranho tudo aquilo.
– Posso falar uma coisa? – Marina sorriu tímida e Clara assentiu. – Eu fiquei curiosa pra saber o resto da carta... Não me bate! – Marina disse rapidamente e Clara tentou não rir.
– Você e o resto do colégio... Eu não precisava disso.
– Eu sei, desculpe.
– Não tem porque se desculpar. – Ela suspirou abraçando os braços.
– Frio? – Marina perguntou e sorriu, quando ela afirmou com a cabeça. Então Marina tirou o casaco fino que estava vestindo e colocou nas costas dela.
– Você não estava vestindo isso. – Clara franziu a testa e Marina riu.
– Peguei no carro depois da briga.
– Ah. – Clara abaixou os olhos ao lembrar da cena – Obrigada, de qualquer forma.
– Por nada.
– Marina, promete uma coisa pra mim? – Clara perguntou do nada e Meirelles franziu a testa, sem entender.
– O que?
– Não vá ficar se achando pelas coisas que você ouviu. Aliás, finja que não ouviu nada. – Clara pediu com um olhar suplicante e Meirelles sorriu levemente.
– Eu não posso fingir que não ouvi, Clara... – Marina disse calma e ela a olhou – Até porque eu gostei do que eu ouvi, de verdade.
– Mas...
– ... Mas relaxa, eu não vou ficar me achando. Eu não vou comentar mais nada sobre isso, prometo. – Marina sorriu, fazendo com que Clara a acompanhasse.
– Obrigada. E desculpe pelo o que Cadu fez. Eu juro que vai ter volta! Ele não perde por esperar! – Clara estava ficando nervosa novamente. Fechou as mãos e os olhos já estavam marejando de novo, enquanto ela olhava para o nada.
– Clara, eu já disse que está tudo bem! – Marina disse olhando nos olhos da garota – De verdade.
– Eu não precisava passar por isso. Muito menos você. Eu fico me perguntando porque eu fiquei com esse cara... – Uma lágrima do rosto de Clara caiu e Marina sem pensar duas vezes a enxugou num toque leve, e Clara olhou nos olhos dela, involuntariamente.
– Não pense assim. – Marina sorriu passando a mão de leve nos cabelos de Clara – Ele que devia ter orgulho de... – Meirelles parou para medir as palavras – Orgulho de ter namorado uma garota como você.
Clara olhava fixamente nos olhos de Marina, que estavam refletindo a pouca luz do lugar e o silêncio tomou conta do lugar. Só podiam ouvir o quebrar das ondas mais adiante. Clara simplesmente não sabia o que dizer, mas estava sentindo-se reconfortada. Apenas por estar ali, com Marina Meirelles, que poucos dias antes era motivo de sua fúria.
– Marina...
– Eu...
– Eu posso... – Clara olhava para baixo com um sorriso quase infantil no rosto – Ah, esquece.
– Ah não! – Marina virou de frente pra ela, curiosa – Agora fala.
– Não! – Clara riu.
– Ah, por favor! – Marina fez cara de cão sem dono e Clara rolou os olhos, rindo.
– Eu não sei porque eu estou pedindo isso, que fique claro – A garota voltara a olhar para os pés, visivelmente tímida – Isso é estranho.
– Você ainda não pediu nada.
– Você vai achar estranho.
– Tente.
Clara rolou os olhos numa risada baixa e sincera. Sentou-se de frente para Marina e sorriu.
– Posso abraçar você? – Clara olhou para baixo e não viu o sorriso que Marina abriu – É que não sei, fiquei com vontade. Eu preciso abraçar alguém e...
Clara ia atropelando as palavras tentando consertar o que acabara de dizer, e tinha a sensação que não devia ter dito nada. Estava falando sem parar quando Marina soltou uma risada muito alta.
– O que foi, tá louca? – Clara parou do nada vendo Marina rir. – Para de rir, Marina Meirelles! O que aconteceu?
– Caramba, você fala demais! – Marina riu e continuou, antes que ela pudesse se manifestar – Vem cá!
Marina a puxou para mais perto e abraçou com força. Clara respirou fundo sentindo o perfume do pescoço de Marina. Pousou sua cabeça sobre o peito dela a segurando com toda força que podia. Meirelles mantinha os olhos fechados ao acariciar os cabelos e o rosto frio de Clara. Ficaram ali, sem dizer nada por alguns minutos, mas sentindo-se incrivelmente bem. Com um pouco de esforço, Clara saiu dali, contra a própria vontade. Estava com vergonha, mas sentia-se muito bem. Era como se nada tivesse acontecido. Aquele momento havia apagado todos os outros daquela noite. Marina abriu um sorriso encantador e Clara quase teve certeza que suas pernas nunca mais obedeceriam.
– Você não precisa pedir. – Meirelles disse, ainda sorrindo.
– Bom saber.
Clara sorriu mais largamente e apoiou sua cabeça no ombro de Marina, que envolveu sua cintura com a mão. Ficaram olhando o mar sem dizer nada, por mais um tempo, ignorando o quanto estranha era aquela situação para as duas.
– Eu acho que tenho que ir pra casa. – Clara disse, quebrando o silêncio.
– Porque?
– Porque eu tenho casa! – Ela respondeu e as duas riram.
– Mas você não precisa ir agora!
– É, acho que não... – Clara sorriu meio torto – Mas ainda tenho algumas coisas da bagagem pra ver e...
– Eu vou te levar pra casa. – Marina disse levantando.
– Não, não precisa Marina! – Clara continuava sentada, estendendo a mão para que Marina a ajudasse – Não precisa se incomodar.
– Eu faço questão. – Marina sorriu – Vou ficar com você até a noite terminar. Só pra ter certeza.
– Certeza de que? – Clara já estava em pé, olhando desconfiada.
– Certeza de que isso realmente está acontecendo. – Marina riu, tímida, e Clada sentiu as pernas bambearem de verdade.
– Já que é assim... – Clara sorriu – Aceito sua carona.
Clara e Marina foram conversando sobre coisas aleatórias no caminho até o carro. A festa estava sendo desmontada, devia ser tarde, mas Clara não se preocupou em conferir. Não estava com cabeça para aquilo, mas estava feliz. Em alguns minutos pararam em frente ao carro de Marina. Clara sentou-se e olhou de rabo de olho para o rádio. O caminho era curto, chegariam rápido. Mas mesmo assim uma música cairia bem.
– Posso? – Clara perguntou, já ligando o aparelho. Marina riu.
Um Cd do Beach Boys começou a tocar e Clara sorriu.
– Sem chance de Snow Patrol ser sua banda favorita! Clara disse e Marina riu.
– Não é. – Marina disse, batucando no volante – Mas aquela música estava pedindo pra ser ouvida.
– Faz sentido! – Clara riu baixo – Eu adoro essa música!
Clara fez da própria mão um microfone e começou a cantar junto com o Cd. Marina teve um ataque de riso olhando para Clara balançando a cabeça de um lado para o outro ao seu lado.

Wouldn't it be nice if we were older? (Não seria legal se nós fossemos mais velhos?)
Then we wouldn't have to wait so long (Então nós não teríamos que esperar tanto)
And wouldn't it be nice to live together (E não seria legal se vivêssemos juntos)
In the kind of world where we belong (Em algum tipo de mundo em que nós pertencemos)

Clara olhava para Marina rindo junto da própria cena. Afinou a voz e continuou cantando.

You know it's gonna make it that much better (Você sabe que vai ser muito melhor)
When we can say goodnight and stay together… (Quando pudermos dizer "boa noite" e ficar juntos)

Marina ainda ria quando voltou a batucar no volante. Clara estendeu seu “microfone para Marina, e as duas começaram a cantar juntas.

Wouldn't it be nice if we could wake up (Não seria legal se pudéssemos acordar)
In the morning when the day is new (Na manhã de um dia novinho em folha)
And after having spent the day together (E depois de termos passado o dia juntos)
Hold each other close the whole night through (Ficaríamos abraçados a noite inteira)

– Ah, eu preciso respirar! – Marina estava em meio a um ataque de riso. Clara gargalhava mais ao olhar para Marina
– Fala se eu não sou a melhor cantora que você já ouviu? – Clara abaixou um pouco o volume do rádio, arfando.
– Nossa, você deveria ganhar o Grammy! – Marina riu sarcástica e levou um tapa no ombro – Outch! Eu não sou saco de pancadas, dona Clara!
Clara virou os olhos, rindo. Marina estacionou em frente ao jardim da casa dela, devagar.
– É, eu acho que é isso. – Marina parecia desanimada com a idéia, o que fez a Clara sorrir.
– Obrigada por esta noite, Marina. – Clara sorriu sincera e Marina a acompanhou.
– Acho que todas as coisas boas tem que ter um final, não é mesmo? – Marina sorriu desanimada. – Mas nos vemos na França! – Marina riu.
– É, a França que nos espere! – Clara e Marina bateram as mãos, e riram. – Vou entrar. Obrigada, de verdade. – Clara disse, estalando um beijo no rosto de Marina, que sorriu.
– Até mais tarde!
Marina esperou Clara entrar em casa e acelerou o carro, extremamente feliz. Voltou algumas faixas do Cd para a Wouldn’t it be Nice e foi cantando e rindo, até chegar em casa.

Clara fechou a porta atrás de si e estava tudo escuro. Sua mãe já estava dormindo e Vanessa provavelmente estava ajudando Luiza e as garotas com a arrumação da festa, coisa que ela devia estar fazendo. Mas não estava se importando. Colocou as mãos nos bolsos e subiu as escadas, sorridente. Só quando chegou ao quarto percebeu que ainda vestia a blusa vermelha que Marina havia emprestado. Riu sozinha e não tirou a blusa, jogando-se para trás na cama. Aquele perfume estava lhe fazendo bem.

A casa de Marina estava vazia – sua mãe havia saído com algumas amigas – Então ela se jogou no sofá ainda com um sorriso besta no rosto. Ficou olhando para o teto, sem acender a luz, quando sentiu o celular vibrar no bolso da bermuda. Pegou o aparelho rapidamente, e com um sorriso ainda maior no rosto, leu a mensagem que Clara havia enviado.

“Todas as coisas boas têm que ter um final, mas algumas coisas nem sempre tem fim.”

Marina estava se preparando para digitar uma resposta a altura quando uma nova mensagem chegou. Ela riu ao olhar para o texto.

“Ah, devolvo sua blusa na França... Ou não. Eu gostei dela, hahaha. xoxo, Clarinha :*”

Clara estava jogada na cama com o celular na mão quando ele vibrou. Achou que seria uma mensagem, então se assustou quando viu que era uma ligação. De Marina. Respirou fundo e atendeu, sorridente.
– Mas já está com saudades de mim? – Clara brincou e Marina riu de verdade.
– Pretenciosa.
– REALISTA.
– Fica quieta. – As duas riram juntas para a eterna piada entre elas. – Recebi seu SMS. E antes que você me zoe por ter ligado ao invés de ter respondido – Marina disse e Clara riu – Eu só liguei para dizer que vamos ter problemas sobre essa blusa, eu gosto muito dela. – Marina gargalhou.
– Ah, é realmente uma pena! – Clara enrolava os cabelos, rindo baixo – Ela fica melhor em mim do que em você.
– Isso é o que nós veremos, na França! É tão legal dizer isso! – Marina riu empolgada fazendo Clara sorrir e rir ao mesmo tempo.
– Melhor do que dizer vai ser ESTAR lá, docinho. – Clara fez uma voz afetada e as duas desataram a rir.
– Com certeza!
Clara ouviu o barulho do carro de Vanessa estacionando e fez uma careta estranha.
– Droga, vão descobrir que eu fugi da limpeza! – Clada murmurou e Marina riu. – Tenho que desligar Marina! Vou tentar fingir que estou dormindo! – Clara disse rapidamente.
– Boa sorte com isso! – Meirelles disse rindo. – Ah, só mais uma coisa!
– O que?
– Se algumas coisas não tem fim... – Marina parou no meio da frase e soltou um longo suspiro – Essa será uma delas. É só um novo começo. O nosso começo.
Clara voltou a sentar na cama e teve a nítida sensação de que tinha esquecido de respirar ou que suas pernas iriam fazer com que ela despencasse. Fechou os olhos, sorrindo, e ficou em silêncio até conseguir pensar algo suficientemente bom, ou pelo menos aceitável, para responder.
– Eu tenho certeza disso. – Clara disse com a voz baixa, e Marina abriu um imenso sorriso. – Não vou esquecer o que você acabou de dizer, dica. Eu vou cobrar. – Clara riu e Marina também.
– Pode cobrar. – Marina sorriu.
– Boa noite, Marina. Obrigada... De novo.
– Boa noite, Clarinha. Durma bem.

Notas finais
Huuum, o que será que vai rolar nessa viagem ? Até a próxima haha