Notas iniciais
Olha eu de novo :) Gostaria de agradecer os comentários, vocês são demais!!! Hoje não tem música e eu gastei todos os meus neurônios no capítulo anterior mas consegui fazer o cap de hoje pq provavelmente eu não poste semana que vem. Então vamos parar de enrolar. Enjoy!

– Ah eu não acredito, em algumas horas estaremos na Riviera Francesa! – Flávia pulava de um lado para o outro, enquanto Clara e Roberta riam.
– Vai ser muito perfeito! – Luiza disse enquanto organizava algumas coisas na bolsa.
Estavam todas no quarto de Luuh, as malas estavam no andar debaixo e o pai de Luiza as levaria de carro até o aeroporto. O tempo estava feio, e isso estava deixando Clara um pouco preocupada, mas nada que sobressaísse sobre a vontade de viajar logo e começar as férias que tinham tudo para serem as melhores.
– Quase perfeito, né? – Robby revirou os olhos e Luuh tacou uma almofada na cara da amiga.
– Pára de frescura, Roberta ! Aceite o seguinte fato: Você verá seu amor secreto, Gisele , durante toda a viagem. Isso vale pra você também, Clara!
– Eu não tenho problemas em ver a Gisele a viagem toda. – Clara brincou e Luiza mostrou o dedo, rindo.
– Você entendeu!


As quatro garotas cortaram a extensão do aeroporto com suas quinhentas malas até o guichê onde fariam o check-in. Estava chovendo e elas já estavam preparadas para possíveis atrasos, mas nada muito preocupante, até porque estavam juntas, e acabariam se divertindo de um jeito ou outro. O vôo da Vanessa sairia três horas após o de Clara, isso fora decidido no par ou ímpar porque queriam poupar o máximo de tempo de todas juntas. Depois de meia hora de atraso, Clara começou a perceber que a chuva caía muito mais forte, e que a maior parte dos vôos estavam sendo atrasados por isso.
– Puta merda, eu não agüento mais ficar aqui! – Robby reclamou e Clara fez careta.
– Eu também não, eu quero ir pra França!
– Ah, jura? – Flavinha olhava para o aeroporto cada vez mais lotado e cheio de passageiros indignados com a demora com um olhar desanimado.
– Gente, gente! – Luuh chegou correndo – Falei com um cara da companhia aérea, ele disse que tá impossível voar com essa chuva! Vão atrasar e cancelar todos os vôos até que isso seja normalizado!
– AH NÃO! – Roberta berrou e levantou. – Nosso vôo era duas da tarde, já são quase quatro!
– Daqui a pouco as outras estão aqui... – Flávia disse com uma voz afetada e Clara levantou a cabeça rapidamente, percebendo o que a amiga havia dito. Incrivelmente, seu coração começou a bater descompassado quando encarou essa possibilidade.
– Não é, Clarinha? – Ela ouviu a voz de Luiza e chacoalhou a cabeça, retornando à realidade.
– Desculpa amor, eu tava viajando aqui! – Disse sincera e a amiga riu.
Então sentiu seu celular vibrando na bolsa e pegou rapidamente o aparelho. Era uma ligação de Vanessa.
– Fala chuchu!
– Vocês já estão na França? – Van perguntou e Clarabufou, tentando rir.
– Todos os vôos estão atrasados, ou sendo cancelados, Vanessa! Ainda estamos no aeroporto!
– Sério? Acabamos de chegar aqui, e nossa! Isso tá uma loucura! – Vanessa dizia olhando para os lados e esbarrando em umas pessoas. Marina estava logo ao seu lado, prestando atenção na conversa.
– Eu sei que está! Já fizeram o check-in? – Clara perguntou andando de um lado para o outro. Estava ficando ansiosa, de novo. Uma sensação boa estava tomando conta dela, ao lembrar da noite anterior. “É só um novo começo. O nosso começo.” A voz de Marina parecia sussurrar aquelas palavras em seus ouvidos fazendo sua respiração falhar.
– A Fernanda e a Gisele estão na fila, eu e a Marina estamos indo para lá! – Van respondeu simplesmente – Quando terminarmos, eu te ligo! Beijo!
Vanessa desligou o telefone e deu um passo para trás quando percebeu que Marina estava quase colado nela. Meirelles chacoalhou a cabeça e riu.
– Elas conseguiram viajar?
Marina colocou as mãos nos bolsos. Estava extremamente curiosa, e mais ainda, torcendo para que não tivessem conseguido. Mal podia acreditar na aproximação que ela e Clara tiveram na noite anterior, mas queria sentir aquilo de novo. Era estranho, surreal, mas ela queria mais.
– Não, elas estão aqui ainda. – Vanessa disse calma e saiu andando até onde e estavam. Marina ficou paralisada, com um sorriso idiota se formando no rosto e mesmo sem entender nada, subitamente ansiosa.
– Vem, Marina! – Vanessa gritou e ela voltou à realidade, seguindo Vanessa.

Clara e as amigas estavam sentadas no chão em um canto do aeroporto. Tinham levantado para darem uma volta pelo local, e quando voltaram não encontraram mais cadeiras disponíveis. Roberta estava quase dormindo, enquanto lia uma revista. Luuh estava com o Ipod nos ouvidos e também parecia estar longe dali. Clarinha e Flavinha dividiam os fones de um outro aparelho, enquanto Clara batucava insistentemente na própria perna, deixando Flavinha nervosa.
– Pára com isso, louca! – Ela segurou a mão da amiga, que riu sem graça.
– Desculpa.
– Tá ansiosa por quê? – Flavinha perguntou sem nenhuma cerimônia e Clarinha engoliu seco.
– Pra... Pra viajar, ué. – Mentiu e Flávia riu alto.
– Pra viajar ou para ver uma certa Marina Meirelles que está aqui no mesmo aeroporto que você? – A garota tirou seu fone e sentou-se de frente para a amiga, com um olhar malicioso.
– Pirou, Flávia ? – Clara quase berrou – Nada a ver, porque eu estaria ansiosa pra isso? Eu vejo a Meirelles todo dia, não tem nem mais graça!
– Ah sim, mas agora vocês estão se dando bem e...
– Cala a boca! – Clara a interrompeu olhando para as duas amigas. Ela não tinha conversado sobre isso com Roberta e Luiza, ainda que Robby soubesse da aula de Literatura, por alto.
– Ah, vê se me erra Clara Fernandes! Elas não tão ouvindo nada! – Flavinha bufou e Clarinha riu baixo.
– Mesmo assim!
– Mas você tá nervosa por isso que EU SEI. – Flávia afirmou cheia de certeza e Clara bateu a mão na testa, em sinal de desaprovação.
– Ah, vá a merda, Flávia ! Dane-se, eu não tô nem ligando pro fato da Marina estar aqui, você bebe, sabia? Tô bem tranqüila em relação a isso, inclusive!
– Ah é?
– É.
– Então beleza, ela tá quase atrás de você.
Clara arregalou os olhos e tentou fazer sua melhor cara para olhar para trás. Inclinou suavemente o pescoço, sem levantar, e viu as quatro garotas se aproximando. Primeiramente, seu olhar bateu em Gisele, que vinha mais à frente com sua irmã. Em seguida, Viu Fernanda e Marina rindo animadas e voltou seu olhar pra frente.
– Nossa amiga, que cara! – Flavinha disse e Clara deu o dedo, ambas rindo.

– As meninas tão ali, Vanessa! – Gisele disse alto e apontando, fazendo Fernanda e Marina pararem de andar atrás delas. Marina procurou rapidamente e viu Flavinha, que sorriu para ela. Clara estava de costas, então Flávia também apontou para as meninas, à medida que se aproximavam, e Clara virou o pescoço para trás. Seu olhar encontrou o de Marina diretamente, e por mais que ela quisesse olhar para baixo, virar a cabeça, se jogar de um precipício, nada conseguia lhe fazer desviar daquele olhar. Fernanda percebeu e riu sozinha, mas ninguém estava prestando atenção nela.
– Olá! – Vanessa disse alto e Luiza tirou os fones de ouvido.
– Fazendo o que jogadas no canto? – Fernanda perguntou e Flávia rolou os olhos, levantando e puxando Clara pela mão.
– A gente tava esperando vocês, sabe? Não vivemos sem vocês, ! – A garota disse com uma voz afetada e Fernanda riu.
Clara virou para frente e estava a poucos centímetros de Marina. As duas se encararam em silêncio, enquanto Roberta, que acordou subitamente, contava a história do atraso de vôos. Clara abaixou o olhar, sem graça, e olhou para os pés de Meirelles. Ela estava calçando um Vans quadriculado, e seu olhar foi subindo pela calça jeans e pela camiseta preta, até chegar em seus olhos novamente. Marina abriu um sorriso encantador, e Clara não pode evitar fazer o mesmo. O que diabos estava acontecendo?
– Oi. – Marina disse com a voz baixa – Pensei que só fosse te ver na França.
– Eu também. – Clara sorriu sem jeito. Nenhuma das duas reparou o olhar curioso sobre elas. Dois minutos de silêncio.
– Chata essa chuva, né? – Marina disse do nada e Clara riu, fazendo-a corar. Estava se sentindo idiota, era melhor que tivesse ficado calada.
– Também acho. – Clara respondeu com um sorriso de canto, e Meirelles não soube explicar, mas sentiu sua nuca arrepiar instantaneamente.
– Clarinha, eu tô com fome, vamos procurar algo pra comer? – Luuh chegou e encarou as duas, que se olhavam de forma estranha. – Eu hein. – Luiza disse e Clara riu, sem graça.
– Claro amor, vamos lá! – Ela concordou e Luiza a puxou pela mão.
Marina as acompanhou com o olhar até que as perdeu de vista, o que não demorou muito. Ficou parada e olhando para o nada, imersa em seus pensamentos.
– O que diabos foi aquilo? – Gisele perguntou e Marina quase deu um pulo de susto.
– Puta que pariu, vai assustar... A Vanessa! – Meirelles disse e as duas gargalharam.
– Não desconversa! – cutucou e Marina coçou a cabeça, sentindo o rosto queimar.
– Não foi nada. – Mentiu.
– Ah sim! “Chata essa chuva, né?”- Gisele imitou a voz da amiga, que deu o dedo — Vocês duas estavam me assustando!
– Já disse que não é nada, Gisele! Não enche, vai! – Marina disse e foi para onde Roberta e Fernanda estavam.


Estavam as oito sentadas no chão do aeroporto. Marina, Gisele e Luiza estavam jogando Uno pela milésima vez, Clara estava deitada na barriga de Vanessa, ambas quase cochilando, Flávia estava quase quebrando o Ipod por não conseguir achar nada que agradasse, e Roberta estava conversando com Fernanda. Clara olhou para o rosto da irmã, que agora dormia tranquilamente e sorriu. Voltou seu olhar para as amigas, mais especificamente para Marina, que olhou de volta, sorrindo. Luuh também viu.
– Vem jogar, amiga! – Luuh disse e Meirelles sorriu involuntariamente, fazendo Gisele rir sozinha.
– Ah, eu tô com sono! – Clara disse bocejando e as três riram. – Acho que vou comprar um café, alguém quer?
– Eu quero! – Flávia logo gritou e Clara arqueou a sobrancelha, rindo.
– Eu também! – Gisele respondeu.
– Traz um pra mim também amiga? – Luiza pediu com carinha de anjo.
– Eu não sou um polvo, coleguinhas! – Clara respondeu e todas riram.
– Eu te ajudo. – Marina respondeu sem nem pensar e ficou de pé, ao lado de Clara que a encarava boquiaberta, assim com as demais. – Também quero um café.
– Tudo bem. – Clara tentou não sorrir, mas estava feliz. As duas seguiram lado a lado por entre as pessoas, ambas tentando ignorar os comentários que as amigas estavam fazendo disso.
– Você parece cansada. – Marina quebrou o silêncio e Clara sorriu.
– Estou tão acabada assim? – Clara escondeu o rosto, fazendo Marina rir e tirar suas mãos dali.
– Eu não disse isso! – Marina completou, rindo um pouco.
– Eu sei que não! Mas eu realmente devo estar um bagaço, eu tô com sono, com dor nas costas, com a bunda quadrada, eu não agüento mais essa chuva, esse aeroporto, nada disso! – Clara disparou e Marina parou de andar, deixando que Clara seguisse sozinha.
– O que você tá fazendo? – Clara virou pra trás com cara de espanto e Marina arqueou a sobrancelha, respondendo normalmente:
– Não há nada de errado com a tua bunda.
– Marina Meirelles! – Clara ficou subitamente corada e estapeou Marina, que começou a rir alto, e Clara acabou fazendo o mesmo. – Você é retardado, só pode!

– Posso ajudar? – A moça interrompeu e as duas olharam para a frente.
– Dois cafés fortes, dois capuccinos com creme extra, e um descafeinado! – Clara disse e a moça sorriu, anotando os pedidos.
Clara e Marina foram para o lado do balcão esperar os pedidos. – Porque diabos a Luiza precisa de um descafeinado pra ACORDAR? – Marina disse do nada e Clara teve um acesso de riso, que a fez sorrir idiotamente.
– Não tente entender a Luiza, eu venho tentando há anos, acho que nunca vou conseguir! – Clara respondeu e Marina riu. As duas pegaram os copos e seguiram de volta.
– AE! – Gisele gritou indo até as duas, rindo. – Qual é o meu?
– Esse aqui! – Clara estendeu o outro copo e começou a beber o seu. Marina entregou os demais cafés e olhou para ela.
Estava se sentindo estranha, era como se precisasse, de alguma maneira, ficar sozinha com Clara. Porque só quando estavam sozinhas elas podiam agir da maneira que fizeram na praia. Porque ela ainda queria ver se tudo o que fora dito era verdade. Meirelles encarava o copo, desanimada, quando ouviu a voz de Clara um pouco mais à frente.
– Ah, que merda, não foi isso que eu pedi! – Ela reclamava fazendo careta. – Vou lá trocar.
– Espera, Clara. – Marina disse e todas a olharam.
– Eu paguei no meu cartão, vou ter que ir junto. – Marina disse e Clara sorriu de uma maneira estranha, que Meirelles não conseguiu decifrar.

As duas estavam andando devagar e novamente em silêncio.
– O que você tem aí? – Marina perguntou apontando para o copo, e Clara corou, chacoalhando a cabeça.
– Capuccino com creme extra. – Clara respondeu olhando para frente, sentindo seu coração bater mais acelerado. Não tinha a mínima noção do porque estava fazendo aquilo.
– Mas você tinha pedido isso! – Marina parou e a encarou, bastante confusa. Clara riu um pouco nervosa.
– Eu sei. – Clara disse andando e Marina a seguiu.
– Não entendi.
– Lerda.
– Que?
Clara começou a rir e Marina finalmente entendeu o que ela fizera, ao mesmo tempo que sentia borboletas fazendo festa em seu estômago. Então ela também pensava da mesma forma que Marina, e isso era realmente bom. Marina sorriu largamente e Clara fez o mesmo.
– Tá marota, hein? – Marina perguntou e Clara riu alto.
– Não estou, eu sou marota!
– Bom saber! – Marina disse com um olhar tarada e recebeu um tapa na testa.
– Cacete Meirelles, acordou tarada hoje hein? – Clara disse e Marina riu.
– Na verdade eu sou. – Meirelles disse e as duas gargalharam.
– Vamos sentar em algum lugar, Don Juan? – Clara perguntou sorrindo e Marina riu.
– Pode ser ali?
Marina apontou para um canto próximo de uma livraria e Clara assentiu com a cabeça. As duas seguiam lado a lado tranquilamente, quando um homem passou correndo e esbarrou em Clara, quase a derrubando. Marina a segurou pelo braço e Clara derramou todo o café no chão.
– Ah, esse dia vai entrar pra história, droga! – Clara reclamou com um bico enorme no rosto e Marina sorriu.
– Relaxa, vamos comprar outro! – Marina disse e Clara encarou a enorme fila da cafeteria.
– Ah, deixa vai. – Ela murmurou e seguiu para onde Marina havia apontado, sentando-se no chão.
– Toma o meu então! – Meirelles estendeu a mão para a garota que sorriu de canto, mas negou. – Vai, Clarinha! Ou pelo menos me ajuda, eu não vou tomar tudo isso mesmo!
– Tá, eu te ajudo! – Clara sorriu pegando o copo.
– Sabe, nós precisamos conversar muito sério. – Clara tirou o sorriso do rosto e Meirelles franziu a testa, confusa e apreensiva.
– Sobre?
– Sobre quem vai ter a guarda da blusa vermelha. – Clara disse ainda com a voz séria e Marina gargalhou muito alto.
– Sinto informar, mas a blusa é minha e eu não abro mão disso!
– Então teremos um problema. – Clara arqueou a sobrancelha e as duas começaram a rir em conjunto.
– Ontem foi... Divertido. – Marina sorriu e olhou para baixo, um pouco corada. Clara sorriu ao perceber.
– Foi mesmo. Obrigada.
– Por?
– Por ter salvado minha noite, acho que eu teria cometido um homicídio se você não estivesse comigo – Clara disse e as duas riram.
Marina encostou na parede ao lado de Clara e a olhou de perto.
– Não precisa agradecer.
Clara sorriu para Marina que estava tão próximo de seu rosto que ela podia sentir sua respiração quente. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo por causa disso, olhando para frente novamente e encarando o painel de pousos e decolagens. Vi um vôo confirmado para a França e apertou o braço de Marina com força, que não entendeu e começou a olhar o painel também.
– Ufa, não é o nosso! – Clara largou o braço da Marina e suspirou aliviada. Marina verificou que não se tratava do vôo dela e das amigas também.
– Porque o ufa? – Ela a encarou e Clara rolou os olhos. – Putz! Você tem medo de altura! – Marina bateu na própria testa e Clara assentiu, apreensiva.
– É tenso, mas fazer o que né? Fico tremendo só de pensar! – Clara mostrou a mão trêmula para Meirelles, que a segurou e sorriu.
– Não vai acontecer nada, fique calma! – Marina disse acariciando a palma da mão de Clara, que olhou sorrindo.
– Eu sei que não, mas...
– Não tem mas, Clarinha. Vai dar tudo certo, eu prometo pra você. – Meirelles a encarou e sorriu de canto vendo o sorriso enorme que Clara abriu.
– Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas é uma pena que estamos em vôos separados. – Clara disse e Marina a encarou – Eu apertaria sua mão até quebrar seus ossos, isso é bem verdade. Tenho dó de quem for do meu lado! – Clara completou e Marina deu uma risada alta, fazendo com que ela risse junto.
– Vou aconselhar as meninas a viajarem com luvas de boxe! – Meirelles disse e Clara riu alto, mordendo o ombro de Marina.
– Boba!
– Linda!
Marina disse e ficou corada quando viu Clara a encarar com os olhos quase saltando do rosto. Tinha pensado alto de novo, porque diabos fazia isso? Queria enfiar a cara em um buraco. Clara encarou as mãos que ainda estavam entrelaçadas e nenhuma das duas se lembrava disso, e sorriu, acariciando a mão de Meirelles com o polegar, timidamente. Marina teve a nítida impressão de que aquilo não estava acontecendo, era tudo muito surreal para ela. Sorriu largamente e, também sem pensar muito, levou a mão de Clara, junto a sua, até próximo ao seu rosto, dando um beijo suave nas costas da mão dela, que não disse nada, só a encarou ainda mais sorridente.
– Isso é muito estranho. – Clara disse e Marina a interrompeu.
– Shhh, fica quieta! – Marina disse baixo e Clara a encarou, visivelmente confusa.
– O que foi?
– Só não estrague o momento. – Marina disse sorrindo e Clara não pode evitar de fazer o mesmo.

– Clarinha, acorda!
Marina sussurrou esfregando os olhos e ela o encarou. Estavam dormindo abraçadas no chão do aeroporto. Tinham passado horas conversando e comendo besteiras, enquanto riam das pessoas que passavam por ali, até que foram vencidos pelo cansaço. Tinham dormido abraçadas porque queriam e não estavam se sentindo envergonhadas por isso. Já estavam começando a aceitar o fato de que tudo era diferente quando era só as duas.
– Que horas são? – Clara murmurou soltando o abraço, mesmo que não quisesse fazer isso de fato. Sentia-se incrivelmente (e estranhamente) confortável ali.
– Dez da noite, e seu vôo acaba de ser confirmado! – Marina disse a olhando nos olhos e viu a menina tremer. – Ei, o que eu te disse? – Marina acariciou seu rosto timidamente.
– Que vai dar tudo certo. – Clara disse com um meio sorriso desconfiado e Meirelles sorriu largamente, a incentivando.
– E vai dar!
– Obrigada! – Clara sorriu de um jeito mais aliviado dessa vez – Estou muito acabada? – Clara disse esfregando a mão no rosto, e Marina riu.
– Está um bagaço, vai precisar até de plástica! – Marina disse sarcástico e as duas gargalharam.
– Idiota!
– Eu sei que você me ama, Clarinha! – Marina disse rindo e Clara gargalhou.
– Menos, bem menos, Marina!
– Vamos logo, temos que encontrar o pessoal ainda! – Meirelles disse animada pelo fato de estarem na França em algumas horas, e mais animada ainda por estar se sentindo extremamente feliz com toda aquela situação.
As duas se aproximaram de onde as amigas estavam, mas ninguém tinha os visto ainda. Clara olhou para Marina e sorriu.
– Até daqui a pouco! – Clara estalou um beijo na bochecha de Marina, que sorriu junto, e saiu andando.
– Clarinha! – Marina disse segurando o braço dela, que parou e olhou para trás.
– O que foi, Marina?
– Boa viagem! E tente não quebrar a mão de nenhuma das meninas, tadinhas! – Marina disse e as duas riram.
– Vou tentar!
– E só mais uma coisa! – Meirelles disse antes de largar o braço de Clara, que o encarou em silêncio. – Espero que tudo continue assim, digo, entre nós duas. – Marina disse incrivelmente corada e Clara sorriu, apertando a mão a sua mão.
– Eu também espero. Eu gosto da Clara Fernandes que eu sou quando estou com você, e também gosto da Marina Meirelles que você está sendo agora. — Clara disse também envergonhada.
– E eu adoro essa Clara Fernandes – Meirelles disse e as duas sorriram juntas – Quanto a Marina Meirelles, ela sempre foi maravilhosa assim, sabe? – Marina completou e Clara riu alto.
– Tava demorando! Quando você vai deixar de ser pretensiosa?
– No dia que você assumir que eu sou realista! – Marina disse e Clara rolou os olhos, ainda rindo.
– Te vejo na França, docinho!

Notas finais
@patydobrinescu COMENTEM !!!!