Os Mutantes de Rineerland
5 Última palavra.
Por Lizaynd, atual rainha.
Era atormentante não poder dar a ultima palavra, de braços cruzados escutei meu marido decidir o destino da criaturinha mutante:
— Diremos a todos quatro ventos que foi um engano e você, Lizaynd... — Ouvi meu nome, e fiquei impaciente diante disso.
— Não me diga que vou ter que apagar lembranças de novo!
— De novo? — Julieta indagou. Ela nem Hector sabiam da existência do irmão. Olhei nos olhos de ambos.
Doía ter que fazer isso em meus próprios filhos, mas era o que eu deveria fazer para protegê-los. Mesmo que fosse terrível.
— Vai colocar na mente da Bonbs — Augusto prosseguiu sem me importar com o que eu havia feito. Não era mais novidade. Apagar as memórias dos meus filhos à cada vez que eu cometia uma besteira, falava algo que não devia, se tornava cada vez mais recente — vai fazê-la ingerir a realidade que ela não foi cantada. E fez tudo porque quis.
— E com isso — Hector parecia alegre por algum motivo, que eu não ia interferir em sua mente para descobrir. Apesar que eu fosse muito controladora, tinha que manter um espaço agradável dos pensamentos dos meus filhos — a garota Rubra irá ser lembrada como uma farsa e um simples mal entendido, ficando presa na masmorra.
— Que garoto esperto, temos de filho, não? — Hector, arrumo o casaco escuro no corpo.
— Muitooo esperto. Claro. Mas porque não podemos matá-la?
— No tempo que ela ficará presa, iremos interrogá-la e descobrir se ela sabe de algo. E se tiverem outros iguais à ela? Podem ser uma organização secreta!
— Mamãe já revistou a mente dela, Hector. — Bufou.
— Ela é uma Rubra-meio-Silveira. Podemos esperar um pouco mais disso, não?
— Poderíamos esperar um pouco mais de você! — Ela acusou, apontando seu dedo indicador na testa do irmão — Não é você que arma cada centímetro do que vai acontecer em frente de batalha? Você não pensa nas vidas que vai tirar! E você vai poupar a dela? Só porque cantou? E daí?! Você tem é que escutar umas verdades. Você está defendendo demais quem não deve. Você mal conhece ela. Aonde isso vai dar? Uma hora, quando ela mostrar não saber de algo, vai ser inútil, e vamos matá-la. E o que você vai fazer, irmão? Vai se jogar na frente do corpo dela e vai falar para que paremos porque o potencial dela não pode ser ignorado?
Ficamos todos calados. Nem Augusto disse algo. Ela estava certa, mas ao mesmo tempo, errada.
— Não vai falar nada, Hector? Vai esperar papai te defender? QUANDO ELE MORRER E VOCÊ SE TORNAR REI, ELE NÃO VAI PODER DE DEFENDER.
— Chega. — Augusto quebrou seu silêncio. — Saíam, crianças.
— Ah pai! — Julieta, ainda teve a audácia de bufar — Ele precisava escutar a verdade!
— Ah nada. — Ele indicou a porta, de cara fechada.
Hector saiu na frente, mas com a cabeça pra cima, mesmo que soubesse que seu astral estava mais baixo que seus pés.
— Você fica. — Ele disse, quando percebeu que eu também já estava me retirando.
— Olha como fala comigo... Augusto. — Atrás das câmeras e por trás dos olhos das crianças, nós tratávamos com ódio mútuo. Não convivíamos bem em união, aliás, nunca estivemos unidos.
— Falo com você da forma que eu quiser. — Eu sabia o que se passava na mente dele, eu sabia o que ele achava de mim; eu podia torturar, deter, matar, destruir. Fazer tudo isso não só com ele, mas com o país todo. Porém, Augusto era a única pessoa que sabia me derrotar, ele sabia me provocar. Ele tinha o fogo. Ele sabia brincar comigo, mas eu não sabia brincar com ele. Sei controlá-lo, mas não brincar com os sentimentos dele. Não, eu não sabia.
— O que quer?
— Seu silêncio.
— Minha boca sempre se manteve fechada diante de tudo que me dizia.
— Ela sempre se manteve fechada, pois caso contrário, você afundava junto comigo, estávamos no mesmo barco.
— Não estamos mais?
— Estamos, mas talvez você queira da uma de espertinha e eliminar algumas lembranças do povo... E adicionar outras.
— Se eu quisesse isso, já teria feito. Eu tenho meus planos.
— Planos se modificam.
— Pois é... Se modificam.
Sai batendo a porta, sem esperar que ele me impedisse ou algo do tipo. A única coisa que era ouvida no corredor era o barulho dos meus saltos afiados e prateados batendo contra o carpete limpo, apenas via alguns guardas reais se curvando enquanto eu passava. Me senti aliviada ao chegar ao meu quarto. Diferente do que muitas pessoas fazem, não cheguei tirando os sapatos. Continuei com os sapatos totalmente altos, indo para trás das cortinas para sacada. Daquele mesmo lugar, captei onde estaria a garota Bonbs, cujo nome acho que era Francesca, no dia da Seleção. Dei ordens a fazendo pensar que tinha controlado a faca em todos os momentos. Só depois disso que sai da sacadas, e sem tirar os sapatos, me deitei na cama de casal que eu não compartilhava com ninguém.

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