Claude parou seu carro em frente à uma estrada que levava até uma grande casa na beira de um penhasco. A noite começava a cair.

— Esse é o endereço que o Mathias me passou... Espero que eu não precise causar muito barulho.

Claude desceu do carro e seguiu a estrada. Foram quase cinco minutos até chegar em frente à casa. Era possível avistar todo o mar no horizonte. E parecia um local bem perigoso.

— Chegou a hora... — Disse ele enquanto se aproximava da porta.

Claude bateu na porta três vezes. Alguns segundos depois, uma jovem de cabelos loiros surgiu em frente à ele.

— ...Quem é você? — Perguntou a garota, em tom de voz sério.

Claude colocou as mãos em suas costas.

— Meu nome é Claude... Eu estou procurando por Renata Sabine. Ela foi vista por aqui... Você pode me ajudar?

A garota o olhou friamente.

— Ela não está.

Após dizer isso, a garota tentou fechar a porta, mas Claude a impediu de fazer isso.

— Acalme-se... Pra quê essa recepção? — Perguntou Claude.

Naquele instante, um homem se aproximou da porta.

— Tudo bem, Ângela... Deixe ele entrar.

Ângela obedeceu o homem. Claude entrou na sala, onde havia um casal de jovens observando a cena de longe.

— Meu nome é Claude Fernandes. Eu sou um ex-policial. Estou aqui à trabalho.

Claude estendeu sua mão e cumprimentou o homem.

— Eu sou Guiga e essa é minha filha Ângela. Aqueles são meus filhos Eugênio e Clara.

Aqueles nomes soaram familiares para Claude.

— Não posso dizer que nunca ouvi falar de vocês... Nomes importantes para os eventos que aconteceram cinco anos atrás, não é?

O garoto cruzou os braços.

— Nós sabemos o que você veio fazer aqui, senhor Claude... — Disse Eugênio.

— Pro seu azar, a Renata não está mais aqui. — Disse Clara, em um tom sério.

Claude baixou a cabeça.

— Uau... Essa é uma forma nada sutil de me expulsar, não é?

— Por favor, deixem que eu cuido disso... Então, Claude... Se você está procurando pela Renata, ela não está mais aqui. E nós não sabemos pra onde ela foi... — Disse Guiga, mantendo a calma.

Claude pensou por alguns segundos.

— Certo... Você aí, garoto. — Disse ele apontando para Eugênio.

Eugênio olhou para Claude.

— Eu sei muito bem da sua história... Você é o mutante com a super-inteligência, não é? E essa garota do seu lado possui poderes de cura. E se eu estiver correto, você é Ângela, a garota que possui asas... Isso explica sua corcunda.

Guiga parecia estar ficando incomodado.

— Onde você quer chegar?

— Não é óbvio? Todos os seus filhos são mutantes. E eles tiveram papel importante naquela tal de Liga do Bem. É óbvio que vocês estão me escondendo alguma coisa. — Respondeu Claude.

Clara interrompeu.

— Nós já falamos... A Renata não está mais aqui e nós não sabemos pra onde ela foi!

— Calma, Clara... — Disse Guiga.

— Ela disse que estava sendo perseguida. Mesmo que nós soubéssemos onde ela foi, não iríamos te revelar! — Disse Eugênio, de braços cruzados.

Claude esfregou o rosto.

— Eu agradeço pela hospitalidade, mas já que querem tanto que eu vá embora... Com licença.

Claude se virou e saiu pela porta. Guiga a trancou assim que ele saiu.

A noite já havia caído. Claude caminhava de volta pela estrada.

— Eu demorei muito... Devia ter vindo pra cá imediatamente! Dei tempo para a garota fugir.

De repente, um forte vento bateu no rosto de Claude, que se protegeu com a mão.

— Droga!

Naquele instante, um vulto passou correndo em sua frente.

— O... O que foi isso?! Tem alguém por aqui?!

Claude olhou ao redor. No momento em que se virou de costas, havia o que parecia ser um homem usando uma jaqueta marrom com um capuz que cobria seu rosto.

— Quem é você?! — Gritou Claude.

Claude se preparou para pegar sua arma. Rapidamente, aquele homem correu em sua direção e pulou. Um pulo tão alto que Claude teve que olhar pra cima para vê-lo. O mesmo caiu bem em sua frente e tentou atingí-lo com um soco.

— O quê?! Você é um...

Claude desviou e tentou socá-lo de volta, mas o homem desviava com uma incrível velocidade. Os dois trocaram tentativas de soco por alguns segundos, até que a mesma se afastou e correu em direção à uma árvore.

— Parado!! — Gritou Claude.

Claude sacou sua arma. O homem subiu a árvore com uma velocidade impressionante, e se ocultou em meio as folhas.

— Eu sabia... É um mutante... E ele quer me pegar. Eu vou ter que neutralizá-lo de algum jeito!

Claude apontou a arma para a árvore. Mas era impossível saber onde seu alvo estava. De tempo em tempo algum galho se movia fazendo-o apontar para o mesmo. Após algum tempo, o homem pulou da árvore com extrema rapidez e caiu em cima de Claude.

— Urgh!! — Gritou Claude.

A arma voou de sua mão e caiu à alguns metros. Rapidamente, Claude se levantou e tentou atingi-lo com um soco, mas o homem desviou e, com um belo pulo, tomou distância.

— Quem é você?! Droga!!

Claude correu em direção à arma e a pegou. Assim que se virou de volta, notou que o alvo não estava mais naquele lugar.

— Apareça! Covarde!!

Claude procurava desesperadamente pelo homem. Mas ele não aparentava estar em nenhum lugar. Foi então que o barulho de arbustos se movendo o fez se virar.

— Te encontrei!!

Claude mirou em um arbusto, mas aparentemente seu alvo estava correndo entre eles em alta velocidade. Jamais ele ia conseguir acertar um tiro. Após vários segundos se movendo, Claude percebeu que ele estava chegando mais perto.

— Parado! Eu vou atirar!

Claude tentou atirar. Porém, os arbustos continuavam se movendo, desviando sua atenção. Até que em fração de segundos, o homem saiu do meio de um dos arbustos e se jogou em direção à Claude.

— Te peguei agora! — Gritou Claude.

O homem tentou agarrar Claude, mas ele foi mais rápido, conseguindo segurá-lo com força pelo braço e derrubá-lo no chão. Em seguida, pegou seu revólver e apontou bem em sua cabeça.

— Fale logo! Quem é você?!

Lentamente, o homem retirou seu capuz revelando ser um jovem rapaz.

— Eu não devia brincar tanto com minhas presas... — Disse o jovem.

— Pois é... Brincar com o inimigo costuma não ser uma boa ideia, meu jovem.

Claude deixou que o jovem se levantasse.

— Quem é você afinal?

O jovem arrumou sua jaqueta.

— Eu me chamo Vavá... Sou amigo da família que mora naquela casa. Quando te vi se aproximando de lá, desconfiei que estava com más intenções e fiquei na espreita.

Claude tentou se lembrar.

— Vavá... Genes de lobo, não?

Vavá acenou positivamente.

— Então é você que está correndo atrás da Renata, não é? Tarde demais. Ela se foi faz tempo. Você não vai alcançá-la.

— Bem, obrigado por me fazer perder mais tempo ainda. — Disse Claude, guardando sua arma.

Claude se virou e se preparou para continuar.

— Espera... Eu não sei seu nome ainda.

— Claude!

— Certo, Claude... Só se lembre de uma coisa: A Liga do Bem é uma força que você não vai conseguir enfrentar.

— Isso ainda precisamos ver. Eu não contaria com a sorte.

Vavá colocou as mãos nos bolsos de sua jaqueta e apenas observou Claude se distanciando.