Os Mutantes: Duplo Destino
5 O Vingador - Parte 5
Claude chegou de volta ao seu carro, que estava estacionado em frente à estrada que levava para a casa de Guiga. Ao entrar, pegou seu celular e fez uma ligação.
— Mathias? Tarde demais. A garota não está mais lá.
— Droga, nós a perdemos... Não se preocupe, eu peço outro rastreamento. Ela não pode ter ido longe.
— Certo.
Claude já ia desligar, quando...
— A propósito, Claude... Eu não pude deixar de notar que você andou... Se expondo durante o dia.
Claude ficou em silêncio. Aparentemente Mathias já tinha a informação de que ele derrotou um mutante em público.
— Eu já disse o quanto isso é perigoso para nossa segurança!
— Era a coisa certa a se fazer. Aquele mutante estava incomodando um cidadão!
— Respondeu Claude, calmamente.
— Bem... Contanto que você não revele sobre nossas missões, eu vou deixar passar dessa vez. Mas não repita essas atitudes!
— Ok, eu não vou...
— Certo... Não precisa vir amanhã, Ok? Descanse por enquanto. Eu vou entrar em contato quando tivermos atualizações sobre a Renata. Você ainda acha que consegue matá-la?
— Sim.
— Perfeito. Se cuida.
Mathias desligou.
Claude estava se aproximando de casa. Ao olhar no relógio, viu que já era quase meia-noite.
— Bem... Foi um dia e tanto. Embora eu ainda não tenha encontrado a garota... Ou alguma informação sobre... Ele.
No entanto, ao chegar em sua rua, viu um carro da polícia parado em frente à sua casa.
— Essa não...
Claude parou o carro e desceu. Havia um policial em pé ao lado da viatura, como se estivesse esperando.
— Você é Claude Fernandes? — Perguntou o policial.
— Sim... E você?
O policial estendeu sua mão para cumprimentar Claude, que retribuiu o gesto.
— Eu me chamo Beto Montenegro. Prazer em conhecê-lo.
— Montenegro... Esse nome é familiar. E o que te traz aqui...?
Beto colocou as mãos em suas costas.
— O que você fez hoje à tarde chamou a atenção de muita gente.
— Ótimo... — Respondeu Claude, em voz baixa.
— Claude, eu sei que você tem algum tipo de habilidade especial... Mas eu queria apenas te dar alguns conselhos.
Claude cruzou os braços.
— Claude, eu sofri muito durante a batalha contra a Liga Bandida e a invasão dos Reptilianos. E eu pude notar que você sabe muito bem como enfrentar mutantes. Eu só queria te dizer para seguir o caminho certo.
Claude riu.
— Caminho certo... Quer dizer, o caminho que a Liga do Bem estava percorrendo?
— Sim... Eu estive com a Liga do Bem durante toda a guerra. E eu sei que no final a bondade sempre vence.
Claude se virou de costas para Beto.
— Então... Vocês acham que o caminho correto é permitir que pessoas inocentes paguem com a vida?
— O quê...? — Perguntou Beto confuso.
— Pense nisso... Os membros da Liga do Bem são todos inocentes? Todos os seus atos foram corretos?
Beto tentou responder, mas não conseguiu.
— Se você veio aqui pra me dar algum conselho, eu dispenso. Está perdendo tempo que poderia estar usando para coisas mais importantes. — Disse Claude, virando-se de costas para Beto.
Beto baixou a cabeça. Claude entrou.
— Eu tenho que ficar atento... Esse homem vai fazer alguma besteira... — Comentou Beto.
Assim que entrou em sua casa, Claude imediatamente retirou sua jaqueta, foi até seu quarto e se jogou na cama. Assim que pegou no sono, outro de seus sonhos recorrentes voltaram.
Claude era uma criança. Ele estava na cozinha, quando de repente.
— Aii!
Guilherme se aproximou correndo.
— Claude, o que aconteceu?!
— Eu cortei meu dedo com a faca.
Claude estava preparando um sanduíche, mas acabou ferindo seu dedo, causando um pequeno sangramento.
— Isso não é nada! — Disse Guilherme, rindo.
Guilherme foi até o armário e pegou um esparadrapo. Em seguida, levou Claude até a pia, ligou a torneira e colocou seu dedo na água corrente. Depois, aplicou gentilmente o esparadrapo no ferimento.
— Ei... Você é muito bom nisso... — Disse Claude, segurando seu dedo.
— Eu quero ser médico um dia. Você já sabe disso.
— É, eu sei...
— Mas e você? Já decidiu o que vai ser quando crescer?
Claude pensou.
— Hum... Eu estava pensando em virar um policial. Sabe, prender bandidos, e manter a população segura.
— Mas... Você não consegue nem derrotar os valentões que roubam seus brinquedos no parque!
— Ei, você mesmo disse que um dia eu vou ser mais forte que você! E eu acredito nisso.
Guilherme riu.
— Tá bom... Então eu vou ser um médico, e você um policial...
— Vamos formar uma excelente dupla! — Comentou Claude.
O dia seguinte chegou. Claude repetiu sua rotina matinal. Durante a tarde, alguém bateu na porta de seu apartamento. Claude foi atender.
— Rafael?
— Boa tarde, Claude. Posso entrar?
Claude fez um gesto para que Rafael entrasse. O mesmo entrou e se sentou no sofá. Claude se sentou ao lado dele.
— Então... Você agora é o herói da cidade? — Comentou Rafael.
— Eu não sou herói, Rafael... Já te disse isso várias vezes.
— Não é o que a população está achando. Pra eles, você agora é um justiceiro.
— Eu não me importo com o que pensam sobre mim. — Respondeu Claude.
Claude cruzou os braços.
— Ontem à noite um policial veio até aqui.
Rafael se espantou.
— Policial?
— Sim... Um tal de Beto Montenegro. Ele parece ter ligação com a Liga do Bem.
Rafael pensou.
— Beto... Acho que sei quem ele é...
— Hum...
— Ele é irmão do Marcelo, que lutou com a Maria na guerra contra os Reptilianos...
Claude cruzou os braços e baixou a cabeça. Ele sabia que já tinha ouvido falar sobre algum "Montenegro" antes.
— Então, além de mutantes eu também posso conseguir inimigos humanos? Isso pode ser ruim... Mas pode ser divertido também.
— Tinha um outro policial que se destacou lutando com a Liga do Bem... O nome dele era Ernesto. Só que ele foi abduzido pelos Reptilianos, e nunca mais foi visto. — Comentou Rafael.
Rafael olhou fixamente para Claude.
— Claude, o que você fez hoje pode colocar todos nós em perigo!
— E também pode fazer com que meu nome seja conhecido por todos. Incluindo meu maior inimigo.
Rafael balançou a cabeça.
— Claude, eu sou seu amigo. Eu quero te ajudar! Você tem que parar de pensar tanto nessa história de se vingar!
— Você não precisa se preocupar comigo, eu sei o que estou fazendo... E além do mais, eu não tenho nada à perder.
Vendo que não tinha escolha, Rafael trocou de assunto.
— E quanto à garota?
Claude apontou para a mesa, onde estava a foto dela. Rafael a pegou.
— ...Você acha mesmo que pode matá-la, Claude?
— Eu preciso! É a única forma de saber se posso mesmo enfrentar um mutante mais poderoso... Ontem eu fui procurá-la na casa do Guiga, mas ela já tinha ido embora. E eu fui atacado.
Rafael se assustou.
— Atacado?
— Eu falei com ele e seus filhos, mas não consegui encontrar a Renata. Na saída, eu fui atacado pelo Vavá.
Rafael colocou a foto de volta na mesa.
— Vavá, o menino lobisomem?
— Sim, ele já não é mais um simples menino... Cinco anos se passaram.
— Ele te machucou?
— Não, nem um arranhão. Eu consegui neutralizá-lo.
Naquele instante, o celular de Claude tocou. O visor dizia "NEO-Depecom".
— É o Mathias...
Claude atendeu.
— Alô?
— Claude, tenho novidades... Conseguimos novamente rastrear a garota.
— Perfeito! Onde ela está?
— Ela foi vista na Mansão Mayer.
Aquele nome fez Claude se espantar.
— Mansão Mayer...?
— Sim, e parece que a Mansão está ativa novamente... Muita gente foi vista lá dentro. Tome cuidado, Claude!
— Entendi...
A ligação se encerrou. Rafael olhou espantado para Claude.
— Ela está na Mansão do Aristóteles?
— Parece que sim... E mais gente foi vista lá... Acho que a tal da Liga do Bem está planejando um retorno. Isso vai ser muito interessante.
Rafael esfregou o rosto.
— Claude... Tome cuidado... Se eles se juntarem de novo e você perturbá-los, vai ser muito perigoso!
— Mas também pode ser um teste pra mim... Eu não tenho nenhum medo dessa tal Liga do Bem.
Claude pegou a foto de Renata e a encarou.
— Essa garota logo vai se encontrar comigo... Eu estou sentindo isso...
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