Claude chegou de volta ao seu carro, que estava estacionado em frente à estrada que levava para a casa de Guiga. Ao entrar, pegou seu celular e fez uma ligação.

— Mathias? Tarde demais. A garota não está mais lá.

— Droga, nós a perdemos... Não se preocupe, eu peço outro rastreamento. Ela não pode ter ido longe.

— Certo.

Claude já ia desligar, quando...

— A propósito, Claude... Eu não pude deixar de notar que você andou... Se expondo durante o dia.

Claude ficou em silêncio. Aparentemente Mathias já tinha a informação de que ele derrotou um mutante em público.

— Eu já disse o quanto isso é perigoso para nossa segurança!

— Era a coisa certa a se fazer. Aquele mutante estava incomodando um cidadão!

— Respondeu Claude, calmamente.

— Bem... Contanto que você não revele sobre nossas missões, eu vou deixar passar dessa vez. Mas não repita essas atitudes!

— Ok, eu não vou...

— Certo... Não precisa vir amanhã, Ok? Descanse por enquanto. Eu vou entrar em contato quando tivermos atualizações sobre a Renata. Você ainda acha que consegue matá-la?

— Sim.

— Perfeito. Se cuida.

Mathias desligou.

Claude estava se aproximando de casa. Ao olhar no relógio, viu que já era quase meia-noite.

— Bem... Foi um dia e tanto. Embora eu ainda não tenha encontrado a garota... Ou alguma informação sobre... Ele.

No entanto, ao chegar em sua rua, viu um carro da polícia parado em frente à sua casa.

— Essa não...

Claude parou o carro e desceu. Havia um policial em pé ao lado da viatura, como se estivesse esperando.

— Você é Claude Fernandes? — Perguntou o policial.

— Sim... E você?

O policial estendeu sua mão para cumprimentar Claude, que retribuiu o gesto.

— Eu me chamo Beto Montenegro. Prazer em conhecê-lo.

— Montenegro... Esse nome é familiar. E o que te traz aqui...?

Beto colocou as mãos em suas costas.

— O que você fez hoje à tarde chamou a atenção de muita gente.

— Ótimo... — Respondeu Claude, em voz baixa.

— Claude, eu sei que você tem algum tipo de habilidade especial... Mas eu queria apenas te dar alguns conselhos.

Claude cruzou os braços.

— Claude, eu sofri muito durante a batalha contra a Liga Bandida e a invasão dos Reptilianos. E eu pude notar que você sabe muito bem como enfrentar mutantes. Eu só queria te dizer para seguir o caminho certo.

Claude riu.

— Caminho certo... Quer dizer, o caminho que a Liga do Bem estava percorrendo?

— Sim... Eu estive com a Liga do Bem durante toda a guerra. E eu sei que no final a bondade sempre vence.

Claude se virou de costas para Beto.

— Então... Vocês acham que o caminho correto é permitir que pessoas inocentes paguem com a vida?

— O quê...? — Perguntou Beto confuso.

— Pense nisso... Os membros da Liga do Bem são todos inocentes? Todos os seus atos foram corretos?

Beto tentou responder, mas não conseguiu.

— Se você veio aqui pra me dar algum conselho, eu dispenso. Está perdendo tempo que poderia estar usando para coisas mais importantes. — Disse Claude, virando-se de costas para Beto.

Beto baixou a cabeça. Claude entrou.

— Eu tenho que ficar atento... Esse homem vai fazer alguma besteira... — Comentou Beto.

Assim que entrou em sua casa, Claude imediatamente retirou sua jaqueta, foi até seu quarto e se jogou na cama. Assim que pegou no sono, outro de seus sonhos recorrentes voltaram.

Claude era uma criança. Ele estava na cozinha, quando de repente.

— Aii!

Guilherme se aproximou correndo.

— Claude, o que aconteceu?!

— Eu cortei meu dedo com a faca.

Claude estava preparando um sanduíche, mas acabou ferindo seu dedo, causando um pequeno sangramento.

— Isso não é nada! — Disse Guilherme, rindo.

Guilherme foi até o armário e pegou um esparadrapo. Em seguida, levou Claude até a pia, ligou a torneira e colocou seu dedo na água corrente. Depois, aplicou gentilmente o esparadrapo no ferimento.

— Ei... Você é muito bom nisso... — Disse Claude, segurando seu dedo.

— Eu quero ser médico um dia. Você já sabe disso.

— É, eu sei...

— Mas e você? Já decidiu o que vai ser quando crescer?

Claude pensou.

— Hum... Eu estava pensando em virar um policial. Sabe, prender bandidos, e manter a população segura.

— Mas... Você não consegue nem derrotar os valentões que roubam seus brinquedos no parque!

— Ei, você mesmo disse que um dia eu vou ser mais forte que você! E eu acredito nisso.

Guilherme riu.

— Tá bom... Então eu vou ser um médico, e você um policial...

— Vamos formar uma excelente dupla! — Comentou Claude.

O dia seguinte chegou. Claude repetiu sua rotina matinal. Durante a tarde, alguém bateu na porta de seu apartamento. Claude foi atender.

— Rafael?

— Boa tarde, Claude. Posso entrar?

Claude fez um gesto para que Rafael entrasse. O mesmo entrou e se sentou no sofá. Claude se sentou ao lado dele.

— Então... Você agora é o herói da cidade? — Comentou Rafael.

— Eu não sou herói, Rafael... Já te disse isso várias vezes.

— Não é o que a população está achando. Pra eles, você agora é um justiceiro.

— Eu não me importo com o que pensam sobre mim. — Respondeu Claude.

Claude cruzou os braços.

— Ontem à noite um policial veio até aqui.

Rafael se espantou.

— Policial?

— Sim... Um tal de Beto Montenegro. Ele parece ter ligação com a Liga do Bem.

Rafael pensou.

— Beto... Acho que sei quem ele é...

— Hum...

— Ele é irmão do Marcelo, que lutou com a Maria na guerra contra os Reptilianos...

Claude cruzou os braços e baixou a cabeça. Ele sabia que já tinha ouvido falar sobre algum "Montenegro" antes.

— Então, além de mutantes eu também posso conseguir inimigos humanos? Isso pode ser ruim... Mas pode ser divertido também.

— Tinha um outro policial que se destacou lutando com a Liga do Bem... O nome dele era Ernesto. Só que ele foi abduzido pelos Reptilianos, e nunca mais foi visto. — Comentou Rafael.

Rafael olhou fixamente para Claude.

— Claude, o que você fez hoje pode colocar todos nós em perigo!

— E também pode fazer com que meu nome seja conhecido por todos. Incluindo meu maior inimigo.

Rafael balançou a cabeça.

— Claude, eu sou seu amigo. Eu quero te ajudar! Você tem que parar de pensar tanto nessa história de se vingar!

— Você não precisa se preocupar comigo, eu sei o que estou fazendo... E além do mais, eu não tenho nada à perder.

Vendo que não tinha escolha, Rafael trocou de assunto.

— E quanto à garota?

Claude apontou para a mesa, onde estava a foto dela. Rafael a pegou.

— ...Você acha mesmo que pode matá-la, Claude?

— Eu preciso! É a única forma de saber se posso mesmo enfrentar um mutante mais poderoso... Ontem eu fui procurá-la na casa do Guiga, mas ela já tinha ido embora. E eu fui atacado.

Rafael se assustou.

— Atacado?

— Eu falei com ele e seus filhos, mas não consegui encontrar a Renata. Na saída, eu fui atacado pelo Vavá.

Rafael colocou a foto de volta na mesa.

— Vavá, o menino lobisomem?

— Sim, ele já não é mais um simples menino... Cinco anos se passaram.

— Ele te machucou?

— Não, nem um arranhão. Eu consegui neutralizá-lo.

Naquele instante, o celular de Claude tocou. O visor dizia "NEO-Depecom".

— É o Mathias...

Claude atendeu.

— Alô?

— Claude, tenho novidades... Conseguimos novamente rastrear a garota.

— Perfeito! Onde ela está?

— Ela foi vista na Mansão Mayer.

Aquele nome fez Claude se espantar.

— Mansão Mayer...?

— Sim, e parece que a Mansão está ativa novamente... Muita gente foi vista lá dentro. Tome cuidado, Claude!

— Entendi...

A ligação se encerrou. Rafael olhou espantado para Claude.

— Ela está na Mansão do Aristóteles?

— Parece que sim... E mais gente foi vista lá... Acho que a tal da Liga do Bem está planejando um retorno. Isso vai ser muito interessante.

Rafael esfregou o rosto.

— Claude... Tome cuidado... Se eles se juntarem de novo e você perturbá-los, vai ser muito perigoso!

— Mas também pode ser um teste pra mim... Eu não tenho nenhum medo dessa tal Liga do Bem.

Claude pegou a foto de Renata e a encarou.

— Essa garota logo vai se encontrar comigo... Eu estou sentindo isso...