Os Mutantes: Duplo Destino
3 O Vingador - Parte 3
Já de volta em seu apartamento, Claude retirou as injeções de MX de seu bolso e as jogou na mesa. Novamente, seu dia encerrava com ele se jogando na cama.
— Eu ainda tenho que matar aquela garota... A mutante do fogo... Vai ser um teste pra mim.
Dito isso, Claude fechou os olhos e procurou se concentrar em dormir.
Claude teve um sonho. Ele era uma criança de oito anos de idade em um parque. Havia um garoto maior do que ele segurando um brinquedo.
— Ei!! Me devolve!! — Gritou Claude.
O garoto ergueu o brinquedo no alto, para que Claude não o alcançasse.
— Ei, o que é isso? Você brinca com brinquedos de meninas?! — Debochou o garoto.
O brinquedo em questão era um boneco articulado de uma garota que usava uma roupa branca, e uma saia alaranjada. Aparentemente uma lutadora.
— Não! Ela é minha heroína dos desenhos! Devolve!!
Naquele instante, um outro garoto, mais velho que Claude se aproximou.
— Ei!! Devolva o brinquedo do meu irmão! — Disse ele se aproximando.
— Guilherme!! — Gritou Claude — Me ajude!!
O garoto encarou Guilherme.
— Hehe... E vai fazer o quê?!
Guilherme correu em direção ao garoto e lhe empurrou, fazendo-o cair de costas no chão. O brinquedo voou de sua mão.
— Ai!! Ei, que ideia é essa?! — Gritou o garoto.
— Nunca mais se atreva a chegar perto do Claude, entendeu?! — Gritou Guilherme, apontando para o garoto.
O garoto se levantou e, ameaçando chorar, saiu correndo. Guilherme pegou a boneca do chão e limpou seus cabelos.
— Ei, Claude... Aqui está. — Disse Guilherme.
Claude pegou o brinquedo e o segurou com força.
— Snif... Obrigado, Guilherme...
Guilherme riu.
— Ei, irmãos mais velhos servem pra isso, não é? Mas você um dia terá que ser forte, pra superar seus inimigos!
Claude olhou fixamente para Guilherme.
— Mas eu sou fraco... Eu não consigo ser forte como você.
— Ei, não diga isso! Eu sinto que um dia você será mais forte do que eu!
Claude riu.
— Quem sabe um dia eu vou estar em perigo, e você terá que me ajudar? O que acha, Claude?
— Hehe... Eu vou praticar bastante então! — Respondeu Claude, rindo.
Guilherme riu. Os dois pegaram o caminho de volta para casa.
A manhã seguinte chegou. Claude acordou. Após se sentar na cama e esfregar o rosto, notou que havia uma mensagem em seu celular, que repousava na cabeceira da cama. Era do Rafael.
— "Sem reunião hoje. Dia livre."
Claude checou a hora. Sete da manhã. Após se arrumar, resolveu sair de casa para uma caminhada.
— Uma volta pela cidade... Talvez eu precise esfriar um pouco a cabeça... Muita coisa aconteceu nos últimos dias.
Claude caminhou pelas calçadas, enquanto pensava.
— "Cinco anos atrás era humano contra mutante nas ruas... Mas depois da grande guerra contra os reptilianos, a população passou a aceitá-los num convívio pacífico. Mas ainda tem aqueles que usam seus poderes para causar o mal. Claro, estão em número bem menor agora, mas temos que ficar espertos. A polícia consegue dar conta da maioria, mas o Mathias resolveu criar a NEO-Depecom... Eu tenho certeza que a população ia se revoltar se descobrisse isso..."
Claude caminhava em direção à uma praça.
— "E além do mais... Eu sou diferente. Eu não estou na NEO-Depecom para salvar a cidade e me tornar um herói... Eu quero ficar forte. Mais forte do que qualquer mutante. E quando chegar o dia... Eu vou vingar meu irmão..."
Claude parou na rua e observou a praça.
— O que é aquilo...?
Naquele instante, ele notou alguma coisa estranha na praça. Em uma área aberta, um homem estava parado em frente à outro que parecia estar fazendo algo suspeito.
— Aquele homem... Ele está...
Claude correu até a calçada da praça. Um homem de roupas escuras estava parado com sua mão em direção à cabeça de outro homem que parecia estar sentindo dor.
— Pare... Não faça isso comigo... — Disse o homem que parecia estar sofrendo.
— Vamos... Revele tudo que você sabe... — Disse o homem suspeito.
Foi então que Claude entendeu: Aquele homem era um mutante com poderes mentais que estava torturando alguém para conseguir informações. Rapidamente, Claude sacou uma seringa de seu bolso e injetou em seu braço, fazendo o famoso barulho que parece um pequeno tiro. Em seguida guardou a seringa e correu até o local.
— Está cheio de gente aqui... Mas eu não posso deixar isso acontecer! Eu tenho que parar aquele mutante!
As pessoas curiosas se aproximaram do local.
— Ei você aí! Pare de torturar esse cidadão! — Gritou Claude parando em frente à dupla.
O mutante baixou sua mão, deixando que o outro corresse.
— Ah, cara, qual é? Aquele homem tinha muito dinheiro, sabia? — Lamentou o mutante.
— Eu imaginei... Você é um mutante, não é? Uma aberração que usa seus poderes para o mal.
O mutante se aproximou de Claude.
— Aberração... Eu não gosto de ser chamado assim, meu caro. E o que você quer comigo?
— Eu vou te derrotar aqui mesmo.
As pessoas se aproximavam cada vez mais, deixando Claude e o Mutante praticamente em uma arena. Alguns filmavam com celular.
— Ah é? Vamos ver do que você é capaz então! — Disse o mutante, se preparando para o confronto.
O mutante ergueu sua mão em direção à cabeça de Claude. Uma onda de choque voou em direção à ele. Porém...
— O que está acontecendo?! Por que não está funcionando?! — Gritou o mutante, assustado.
Claude pegou seu celular e mexeu nele por alguns segundos. As pessoas ao redor começaram os comentários.
— Ele não sente nada?
— Esse cara é imune?
— Eu não acredito nisso!
Claude guardou o celular.
— Desiste? Porque se for esse o caso, agora é a minha vez!
O mutante parecia assustado.
— ...Eu vou embora!
O mutante se virou e tentou correr, mas Claude rapidamente se jogou em cima dele e o derrubou.
— Me solta!! — Gritou o mutante.
— Não, eu não vou te soltar... Você é um criminoso não é? Usa seus poderes para roubar pessoas.
— E o que você tem a ver com isso?!
— Eu não vou deixar que você continue a machucar outras pessoas! Simples assim.
Claude retirou uma injeção de sua jaqueta. Em seguida, virou o mutante de frente para ele e injetou em seu peito. O mesmo dormiu em questão de segundos. A população estava impressionada.
— Ele venceu?! — Gritou um homem?
— Mas como?! — Gritou uma mulher.
Claude se levantou.
— Alguém chame a polícia... Esse aí não incomoda mais.
Em seguida, Claude arrumou sua jaqueta, passou direto pela multidão e saiu da praça. Enquanto voltava para a calçada, alguns pensamentos vinham em sua mente.
— "Aquele mutante nem resistiu... Viu que seus poderes não funcionariam e tentou fugir... Será que aquela garota vai fazer a mesma coisa?"
Já na parte da tarde, Claude estava em seu apartamento comendo um sanduíche. Até que algo na TV lhe chamou a atenção.
— Hoje de manhã na Praça da Esperança, um homem enfrentou um mutante que estava torturando um cidadão. — Disse um repórter na TV — Várias pessoas se juntaram no local e filmaram o ocorrido.
Um vídeo de Claude derrotando o mutante foi exibido.
— As pessoas ficaram impressionadas com o desempenho desse homem, mas o mais incrível é que ele parecia não ser afetado pelos poderes mentais do mutante. Estamos aqui com uma testemunha.
O repórter se aproximou de uma mulher.
— O que você pode nos dizer sobre esse homem? — Perguntou o repórter.
— É impressionante, porque ele não mostrou nenhuma reação quando o mutante tentou entrar na mente dele. Foi incrível! — Respondeu a mulher, que parecia impressionada.
— Você acha que ele pode ser um herói para a cidade?
— Eu não sei, mas espero que sim!
Claude comia seu lanche.
— Desculpe, minha jovem, mas... Eu não sou nenhum herói. Eu faço essas coisas porque preciso ser forte...
O celular de Claude tocou. Após deixar o lanche no sofá, checou o visor.
— É o Mathias... Será que estou encrencado?
Claude atendeu.
— Alô, Chefia?
— Claude, é urgente! Nós conseguimos informações sobre o paradeiro da Renata, seu alvo. Lembra?
Claude se levantou.
— Sim, claro.
— Excelente... Eu vou te mandar por mensagem de texto com o local onde ela foi vista.
Mathias desligou.
— Acho que ele ainda não ficou sabendo do que eu fiz essa manhã...
Uma mensagem de texto chegou no celular. Claude a abriu.
— Hum... Interessante... Vamos ver se eu posso encontrá-la...
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