Na manhã seguinte, Renata, Clara e Ângela estavam perto do penhasco, observando o horizonte.

— Esse lugar é lindo... — Disse Renata.

— Aqui foi onde eu voei pela primeira vez. — Comentou Ângela.

— Você parecia tão feliz! — Disse Clara, rindo.

Renata baixou a cabeça.

— Voar... Isso me lembra liberdade. E parece que eu a perdi...

— Não diga isso, Renata. Nós estamos aqui para te ajudar. — Disse Clara.

As três voltaram para frente da casa.

— Ei, você quer comer alguma coisa? — Perguntou Clara.

— Ah, eu... Gostaria sim... — Respondeu Renata.

— Vamos buscar bastante comida. Aí fazemos um piquenique. Que tal? — Sugeriu Ângela.

— Parece ótimo! Espera pela gente, Renata. — Disse Clara.

— Tudo bem...

As duas entraram na casa. Renata observou por alguns segundos.

— Elas querem mesmo me ajudar...

Renata não percebeu mas havia alguém se aproximando por trás dela em alta velocidade.

— O... O quê?! — Disse Renata, assustada.

O que parecia ser um homem encapuzado estava bem atrás de Renata e tentou socá-la. Rapidamente, Renata desviou e fechou seu punho, criando uma chama ao redor dele.

— Quem é você?! — Gritou Renata.

O homem não respondeu. Apenas avançou em direção à ela e tentou socá-la novamente. Renata o agarrou pelo braço, mas ele rapidamente conseguiu escapar e se afastou.

— Ele é muito ágil... Você não é humano, não é?!

O homem deu um enorme salto em direção à Renata. Rapidamente, ela correu para se esquivar.

— Eu também sei lutar... Quer tentar a sorte? — Perguntou Renata.

O homem aterrissou e rapidamente se virou para ela. Não era possível ver seu rosto.

— Até que isso está sendo um bom exercício... Me lembra das lutas com a Carol!

Rapidamente, o homem correu em direção à uma árvore e com um grande salto, se ocultou em meio às folhas.

— Certo... Vamos brincar de tiro ao alvo então! — Disse Renata.

Renata abriu suas mãos e criou duas bolas de fogo. Porém, assim que foi dispará-las, percebeu uma coisa.

— Espera!! Eu não posso queimar as árvores do Guiga!!

Devido ao seu erro, o homem encapuzado teve tempo para saltar da árvore e voar em sua direção. Imediatamente, Renata esticou seus braços para tentar agarrá-lo.

— Não!! — Gritou Renata.

Renata conseguiu agarrá-lo, mas os dois caíram no chão e rolaram por alguns segundos.

— O que você quer comigo afinal?! Fale de uma vez!!

Finalmente, o homem falou.

— O que você está fazendo na casa das minhas amigas?!

Renata estranhou aquela fala.

— Co... Como é?!

O homem empurrou renata, e os dois se levantaram, ficando frente-a-frente. Renata novamente criou chamas em suas mãos.

— Eu não sei o que você está pensando, mas eu vou tentar colocar um pouco de juízo em sua cabeça. — Disse Renata.

— Vamos ver... — Respondeu o homem.

Os dois correram e começaram a trocar tentativas de socos e chutes. Ambos tinham grande velocidade em seus movimentos.

— Droga, você é ágil!! — Disse Renata.

— Eu sempre fui... — Respondeu o homem.

Enquanto lutavam, Ângela e Clara saíram da casa carregando várias cestas com comida.

— Mas o quê...?! — Gritou Ângela.

— Vavá!! Pare com isso!! — Gritou Clara.

No grito de Clara, os dois pararam. O homem tirou seu capuz, revelando ser um jovem rapaz.

— Vocês à conhecem? — Perguntou ele.

— Sim, ela é nossa amiga! — Respondeu Clara.

— Parem de brigar!! — Gritou Ângela.

Os dois se separaram.

Algum tempo depois, Ângela, Clara, Vavá e Renata estavam juntos sentados no gramado, com uma toalha no chão e bastante comida ao redor, incluindo sanduíches, bolo, e refrigerante.

— Então, Renata... Desculpe pelo ataque. — Disse Vavá.

Renata segurava um sanduíche.

— Tudo bem! Pra falar a verdade, distraiu minha mente. Eu gosto de lutar.

— Você luta? — Perguntou Clara.

— Sim... O que é meio irônico, já que não gosto de machucar pessoas.

Vavá estranhou.

— Então como você luta?

— Eu sempre tomo cuidado para apenas imobilizar ou derrubar meus adversários. Nunca fiz sequer um arranhão sério em alguém. — Respondeu Renata.

Ângela pegava um pedaço de bolo.

— Vavá, você tem que parar de atacar as pessoas assim.

— Desculpe, garotas... Acho que meus genes de lobo às vezes falam por si próprios.

— Então... Você é um menino-lobo? — Perguntou Renata.

Vavá colocou seu capuz.

— Pode me chamar assim se quiser...

— O Vavá perdeu os pais durante a guerra... Mas ele tem a gente, certo? — Comentou Ângela.

— Sim, é verdade. Eu gosto muito de passar o tempo aqui.

— Nós sempre fomos grandes amigos. — Disse Clara.

Renata baixou a cabeça.

— Parece que nós mutantes estamos sempre fadados a encarar algum problema...

— Sim... Mas sempre superamos. — Disse Clara.

— É verdade! Se ficarmos juntos, nada pode nos deter. — Disse Ângela.

— Eu conheci muitos mutantes legais durante esses anos. — Disse Vavá.

— Sim, eu também tenho uma amiga mutante... Droga, eu espero que ela não esteja pensando que eu sou uma criminosa agora... — Comentou Renata.

Vavá se espantou.

— Criminosa?

— Sim... Eles pensam que eu incendiei o prédio onde eu moro...

— Que coisa horrível! Eu tenho certeza que você é inocente! — Disse Vavá.

— Eu perdi meus pais nesse incêndio...

Vavá baixou a cabeça.

— Eu entendo como você se sente... Minha mãe foi morta por um homem que tentava me capturar também... E o meu pai foi levado pelos reptilianos.

— Eu sinto muito... — Disse Renata, de cabeça baixa.

— Tudo bem... Agora eu moro com o Pepe e a Érica. Eles são muito bons comigo.

Renata riu. O grupo resolveu deixar essas conversas de lado e continuar o piquenique.

Após passar um tempo na casa de Guiga, Renata estava na sala conversando com ele em uma noite...

— Guiga... Obrigada pela hospitalidade... Mas eu não posso ficar aqui pra sempre.

Guiga coçou a cabeça.

— Mas você não tem pra onde ir...

— Eu sei! Mas se eu ficar aqui eu vou acabar chamando a atenção da polícia... E eu não quero que sua família entre em problemas por minha causa.

Naquele instante, Vavá, Clara, Eugênio e Ângela entraram correndo.

— Pessoal!! Tem um homem vindo pra cá! — Disse Vavá.

— Um homem estranho usando uma jaqueta! — Disse Ângela assustada.

— E se ele estiver vindo atrás da Renata? — Perguntou Clara.

— É muito provável que seja isso! — Disse Eugênio.

Guiga se assustou.

— Um homem?!

— Eu tenho que ir embora... Pelo bem de vocês! — Disse Renata, assustada.

Vavá se aproximou de Renata.

— Renata, vem comigo! Eu conheço um caminho pela floresta. Eu posso lutar com ele pra ganhar tempo.

— Rápido, ele não pode chegar aqui e encontrar a Renata. — Disse Clara.

— Por favor, tomem cuidado! — Disse Ângela.

Guiga tentou interromper.

— Espera, Vavá! E se ele te atacar?!

— Não tem outro jeito, Guiga!

Vavá e Renata correram para fora. Imediatamente, os dois entraram na floresta e seguiram em meio às árvores.

— Ali está ele! Olha! — Disse Vavá em voz baixa.

Vavá apontou para a trilha. Um homem que usava calça e jaqueta estava subindo a trilha em direção à casa de Guiga.

— Ele... Ele está atrás de mim? Mas ele não é um policial... — Disse Renata.

— Não importa... Continua seguindo essa trilha que você vai voltar pra rua. Eu vou esperar aqui e atacá-lo se ele voltar.

Renata olhou para Vavá.

— Você vai ficar bem?

Vavá colocou seu capuz.

— Vou! Mas você tem que ir logo!

Renata acenou com a cabeça. Em seguida correu pelas árvores. Após cerca de três minutos, encontrou um pequeno barranco. Assim que o desceu, estava de volta no meio da rua. Ela pôde notar um carro parado na beira da trilha, provavelmente do homem que a perseguia.

— Eu tenho que correr...

Renata correu o mais rápido que conseguiu. Até chegar perto de um túnel.

— Eu... Eu tenho que descansar...

Renata parou no acostamento do túnel onde não havia muitos carros passando e se sentou. Não havia mais chance dela continuar correndo, então apenas fechou os olhos e acabou dormindo devido ao cansaço.

Algum tempo depois, um carro se aproximou dela e parou, sem que ela acordasse. Um homem desceu, se aproximou de Renata e lentamente a carregou nos braços. Em seguida, levou-a pra dentro e a repousou nos bancos de trás.