Ao abrir os olhos, Renata se assustou. Ela estava deitada em um sofá que parecia ser da sala de uma enorme mansão. Assim que se sentou, ainda ofegante, notou que havia um homem aparentemente de certa idade sentado em uma mesa atrás dela.

— Ela acordou... Batista, ela acordou!!

Um homem de cabelo raspado entrou na sala e se aproximou de Renata, que não sabia como reagir.

— Graças a Deus, bicho... Está tudo bem com você? Está sentindo alguma dor?

Renata ainda não sabia quem eram aqueles homens, mas percebeu que podia confiar neles.

— Nã... Não... Eu estou bem...

Batista juntou as mãos e olhou para o alto, com uma expressão aliviada.

— Ótimo!!

Naquele instante, dois rapazes e uma moça também entraram na sala e se aproximaram de Renata.

— Olha lá, Ágata! Ela acordou! — Disse um dos rapazes

— Ela está bem? — Perguntou Ágata.

— Sim, felizmente tá tudo certo com ela. — Respondeu Batista.

— Que bom!! Eu me chamo Danilo! — Disse o outro rapaz, se aproximando.

Aristóteles se levantou da mesa.

— Ágata, Aquiles, Danilo... Dêem espaço pra ela.

O grupo se dispersou um pouco. No entanto, outras duas pessoas chegaram na sala, descendo as escadas. Uma bela mulher e um homem.

— Olha lá, Meta... Parece que a mutante que falavam está aqui. — Disse a mulher.

— Legal! E parece que está bem. — Disse Metamorfo.

À essa altura, Renata se sentia uma peça de exposição. A mulher e Metamorfo se aproximaram.

— Meu nome é Gór... Eu posso controlar as pessoas com meu olhar.

— E eu sou Metamorfo, também conhecido como "Meta". E posso fazer isso aqui.

Metamorfo estalou os dedos. Em questão de segundos, sua aparência se tornou a mesma de Aristóteles.

— Vamos lá, Meta... Eu já falei que não gosto disso. — Disse Aristóteles.

— Foi mal, coroa.

Metamorfo voltou ao normal.

— Mas... Espera um pouco... Que eu me lembre, a Liga do Bem se dispersou depois da guerra... — Disse Renata.

— Exatamente. — Disse Metamorfo.

— Depois da guerra com os Reptilianos, nós começamos uma nova fase da nossa vida. — Disse Gór.

Renata pensou.

— Como chegaram aqui tão rápido?

Batista riu.

— Isso você já vai saber...

— Hã? — Perguntou Renata, confusa.

Batista olhou em seu relógio de pulso.

— Cinco... Quatro... Três... Dois... Um...

No momento em que Batista terminou a contagem, um homem usando um capuz surgiu no ar, bem em frente à Renata, lhe dando um pequeno susto.

— Demorei?!

O homem retirou seu capuz.

— Não, Tarso. Exatamente na hora como sempre. — Disse Batista.

Ágata riu.

— Bem-vindo, Tarso!

— A Renata já está aqui. — Disse Danilo.

Tarso olhou para Renata.

— Eu fico feliz que você esteja bem!

— Todos nós ficamos. — Disse Aristóteles.

— Obrigada... — Disse Renata em voz baixa.

Aquiles se aproximou.

— Você sabe onde está, Renata?

Renata olhou para Aquiles e Ágata.

— Eu conheço vocês... Vocês estiveram com a Liga do Bem, não é?

— Sim, eu me chamo Aquiles. Eu tenho o poder da super velocidade.

— E eu sou a irmã dele, Ágata. Os meus olhos podem enxergar até a poeira das estrelas.

Renata olhou ao redor.

— E esse lugar... É a Mansão Mayer?

Aristóteles acenou positivamente.

— Aqui foi durante muito tempo o local que serviu como sede para a Liga do Bem.

— Esse lugar tem uma energia muito positiva. — Disse Ágata.

— Pode apostar! — Disse Aquiles.

Renata baixou a cabeça.

— Mas... Vocês todos se juntaram... Por minha causa?

Danilo se aproximou.

— Renata, se tem um mutante em perigo, nós temos que agir. Durante a guerra muitos mutantes inocentes foram mortos. Não queremos mais injustiça.

No momento em que Danilo terminou de falar, a campainha tocou. Todos olharam assustados para a porta.

— Mas... Quem pode ser? — Perguntou Aristóteles.

— É broca, bicho... Eu vou dar uma olhada... — Disse Batista.

— Cuidado, Batista! — Disse Aquiles.

— Tá, deixa comigo.

— Deixa que eu vou com você, pai! — Disse Tarso.

— Não, você fica, Tarso. Eu não quero colocar meu filho em perigo.

Tarso acabou sendo obrigado a ficar. Batista foi até a porta e saiu em direção ao portão.

— Pai, o que vamos fazer agora? — Perguntou Gór.

— A Renata pode ficar aqui. Nós temos que pensar em como provar a inocência dela. — Respondeu Aristóteles.

Metamorfo coçou a cabeça.

— Mas... Ela é inocente mesmo?

Renata olhou assustada para Metamorfo.

— Os meus pais morreram naquele acidente! Eu nunca ia querer uma coisa dessas!

— Eu tenho certeza que é verdade. — Disse Ágata.

— Dá pra ver que ela é sincera. — Disse Tarso.

De repente, um homem já de bastante idade entrou na sala acompanhado por Batista.

— Demorei?

— Pepe! Que surpresa agradável!

Aristóteles foi até Pepe e o abraçou.

— Pepe... Ele... — Disse Renata tentando se lembrar de algo.

— O dono do Circo Don Pepe. — Disse Aquiles.

— O pai adotivo da Maria. — Disse Ágata.

— Enquanto meu pai foi procurar pela Renata, eu fiz uma visita pro Pepe e contei a situação. Ele disse que assim que possível viria pra cá. — Disse Tarso.

Após o abraço em Aristóteles, Pepe se aproximou de Renata.

— Então... Você é a jovem mutante que está sendo perseguida injustamente, não é?

— Mas... Como você sabe que eu sou inocente...?

— Ah, minha cara... Eu tenho um bom olho para essas coisas. A Maria me ensinou muito durante todos esses anos. Eu posso enxergar a bondade nas pessoas.

Pepe pegou nas mãos de Renata.

— Pode ter certeza que eu farei tudo que for possível, tudo que estiver em meu alcance para te proteger.

— Nós também. — Disse Aristóteles.

— Todos nós! — Disse Aquiles.

Renata sentiu que aquele era um ambiente formado por humanos e mutantes do bem. Por enquanto, ela sabia que estava em segurança.

— Obrigada, pessoal...

Algum tempo depois, Ágata guiou Renata até um quarto no segundo andar.

— Você pode ficar aqui, Renata.

— Uau... Esse quarto é enorme!

O quarto em questão era bem luxuoso. Tinha uma grande cama com um belo lençol branco, além de várias mobílias aparentemente muito valiosas.

— Eu vou te arrumar algumas roupas pra você se trocar.

Renata riu.

— Estou precisando mesmo.

Ágata riu.

— Então... É aqui que foi a sede da Liga do Bem durante a guerra? — Perguntou Renata.

Ágata acenou positivamente.

— Sim... A Maria e o Marcelo transformaram essa mansão no local onde todos os mutantes do bem podiam se reunir.

— Onde eles estão agora?

Ágata pensou.

— Eles decidiram começar uma vida nova longe daqui... Maria, Marcelo, Tatiana e a pequena Samira.

— Samira? — Perguntou Renata.

— Sim, a irmã gêmea da Maria, que também era mutante... Ela morreu e acabou deixando sua filha recém-nascida, que leva o nome da mãe... Acho que eles também tiveram outro filho.

Renata pensou por alguns segundos.

— Você acha que... Uma nova guerra pode começar?

Ágata baixou a cabeça.

— Não! Mas se alguma coisa acontecer... Estamos prontos!

Renata baixou a cabeça.

— Eu perdi meus pais, e agora a polícia está atrás de mim por algo que eu não fiz... Eu não sei o que vai acontecer comigo.

Ágata olhou fixamente para Renata.

— Renata... Não desista! Seja lá o que acontecer, você tem toda a Liga do Bem do seu lado.

Renata olhou para Renata com um leve sorriso.

— Obrigada... Isso me deixa mais confortável.

Após a conversa, Ágata deixou Renata sozinha, que apagou as luzes e se deitou para dormir.