Os Mistérios do Amor
3 Temos um encontro
Notas iniciais
Era quarta-feira, o dia do jogo de basquete na escola, e eu participaria do show do intervalo. Eu era parte da equipe de dança da escola, alguns dos poucos momentos em que eu e Emma ficávamos separadas. Entretanto, quando o jogo começou, lá estavam Ally, Emma, Nate e Nick nas arquibancadas. Era reconfortante ter pessoas torcendo por mim.
Por favor, não me confunda com uma cheerleader, são coisas diferentes. Nós entretemos os espectadores dos jogos que estão nas arquibancadas, não importando para quem estão torcendo. As cheerleaders, como a Ashley, namorada de Cam, torcem para o que nosso time ganhe e para que os adversários quebrem as pernas durante os jogos.
A cada minuto em que o jogo avançava, o frio na minha barriga aumentava. Assim que o arbitro apitou, olhei para os meus amigos. Nate me mandou um sinal de positivo, o que me fez sorrir.
Parei no meio da quadra enquanto os os jogadores, incluindo Cam, seguiam para o vestiário para fazer uma pausa e conversar com o treinador.
A música começou. Ela me deu a energia que eu precisava para iniciar. Me entreguei de corpo e alma, seguindo exatamente a coreografia que havíamos preparado e ensaiado tantas vezes. Quando acabou, eu estava ofegante, mas realizada. Durante aqueles três minutos, só haviam existido eu e as minhas colegas no mundo. Voltei a realidade quando ouvi as palmas. Meus amigos estavam aplaudindo de pé. Fizemos a reverencia e saímos da quadra, logo antes das líderes de torcida entrarem para o seu show.
Como era de se esperar, as palmas foram bem mais fervorosas para as líderes de torcida, mas o que importa é que meus amigos tinham ido me ver.
Quando o árbitro apitou o final da partida, Cam correu até Ashley e a beijou, comemorando a vitória, enquanto eu voltei para o vestiário para tomar banho e tirar o excesso de maquiagem, antes de seguir para a festa de comemoração.
Entretanto, quando estava saindo do banho, ouvi uma conversa no vestiário. Por algum motivo, as vozes me fizeram parar e prestar atenção no que diziam:
—Cam é lindo e um cara legal. — Era a voz de Ashley. Fiz uma careta espontaneamente ao ouvir aquela frase. "Cara legal" não é um elogio que eu utilizaria para falar dele.- E, as vezes, até sinto um leve peso na consciência de fazer isso com ele, mas Jason é tão mais interessante. Pena que é um canalha. — Jason? Sério? O babaca mor? Estamos pensando na mesma pessoa?
—Mas porque não fica com ele logo de uma vez? — Era uma outra garota que não reconheci. Eu fazia o máximo de silêncio que podia. Se me descobrissem ali, estaria ferrada.
—É divertido. Posso escolher com que estar dessa forma. — As duas riram. — Além disso, o Jason disse que só vai namorar se for a irmã de Cam. O que, honestamente, não entendo. Aquela garota é tão sem sal. -Senti meu sangue ferver e precisei me segurar muito pra não sai do box e pular no pescoço dela. A sorte foi que ouvi o barulho da porta e um silêncio o seguiu, me dando coragem de sair do meu esconderijo em direção aos armários.
Tinha colocado apenas a calcinha e o sutiã, quando a porta do vestiário se abriu. Era Cam, com metade do corpo para dentro. Ele percebeu seu erro assim que eu tentei, em vão, cobrir meu corpo com os braços:
-Desculpa, eu estava procurando a Ashley. — Disse enquanto me encarava. Senti seu olhar passando pelo meu corpo, antes de encontrar meus olhos.
-Ela já foi. Agora suma antes que eu comece a gritar. — Respondi, me sentindo vulnerável.
-Maluca! — Disse ele antes de fechar a porta.
-PERVERTIDO. — Retruquei gritando.
Saí do banheiro já pronta para a festa de comemoração. Estávamos na primavera, o que significava que, mesmo a noite, a temperatura chegava facilmente a 25ºC. Por isso, estava vestida com um shorts jeans, uma blusinha colorida, e uma camisa escura bem fininha. Como não conseguira tirar toda a maquiagem, meus olhos estavam levemente delineados e minha boca levemente rosada.
Meus amigos me aguardavam na porta da escola e quando Nate me viu, abriu um sorriso. Ele moveu os lábios, falando um “uau” sem som. Me derreti levemente:
—Prontos? — Perguntei quando passava por eles.
—Tem certeza que quer dirigir? — Perguntou Nate para Nick, que assentiu.
—Não vou beber, de qualquer forma.
A festa estava animada quando chegamos. Muitas pessoas já estavam bêbadas e a música estava alta:
—Posso pegar algo pra você beber? — Perguntou Nate para mim.
—Uma coca-cola, se tiver- Disse com um sorriso. Ele assentiu e olhou para Emma.
—O mesmo. — Respondeu ela. Assim que ele e Nick se afastaram em direção a cozinha, Emma me encarou.- O que está rolando entre vocês hoje?
—Não fique brava comigo, mas não tive tempo de te contar por conta da correria da apresentação. — Ela levantou uma sobrancelha.- Nate me chamou para sair.- Ela sorriu e demos pulinhos discretos juntas.
****
Não voltamos muito tarde da festa, pois, no dia seguinte, teríamos aula bem cedo. Quando cheguei em casa, meu pai ainda não estava lá.
Quinta-feira havia passado como um furacão e finalmente era sexta-feira, dia do meu encontro com Nate. Eu estava nervosa e ansiosa, mas não queria parecer desesperada, então me arrumei de forma simples, mas mais arrumada que o normal. Vesti uma calça jeans,uma regata branca e uma camisa xadrez rosa e azul escura. Passei rímel e prendi metade do cabelo.
Saí de casa e esperei na porta da casa de Emma. Logo ela desceu, com Cam bem atrás. Ele me olhou como se não me reconhecesse.
—Você está arrumada.- Disse ele.
—Isso foi um elogio? — Perguntei em resposta, com a sobrancelha arqueada.
—Isso foi apenas uma pessoa citando um fato. Não precisa ficar feliz.- Respondeu ele, rude como usual. Fiz uma careta em resposta.
—Por que vocês dois não podem se dar bem, pelo menos uma vez? — Disse Emma entrando no carro.
-Por que a sua amiga não vai a pé, pelo menos uma vez? — Retrucou apontando para mim.
-Tenho uma ideia melhor! — Respondeu Emma animadamente. — Nós vamos de carro e você vai a pé. Seu treinador vai gostar da ideia. — Em silêncio, entramos todos no carro e dessa forma permanecemos até chegar na escola.
***
Na hora do almoço, sentei com Nate, Ally e Nick, mas não encontrei Emma em lugar nenhum. Até mandei mensagem para ela, mas ela não me respondeu. Em algum ponto do almoço, ouvi a voz de Cameron do meu lado:
—Encosto, — Bufei e revirei os olhos ao ouvir sua voz. — não sei se você sabe, mas minha irmã teve enxaqueca, e, por isso, foi pra casa. — Virei levemente a cabeça para ele.- No final da aula, te encontro no meu carro. Não atrase.
—Não precisa. — Disse Nate. — É Cameron, né? — Cam se virou para ele com uma cara de poucos amigos.- Eu garanto que a Sam chegue sã e salva em casa mais tarde. — Disse antes de piscar pra mim. Eu sorri.
—Não vai ser problema nenhum te levar. — Disse Cam olhando pra mim.- Você praticamente mora em casa de qualquer forma. Eu nunca me livro de você. — Ele estava sendo parcialmente gentil ou era coisa da minha cabeça?
—Olha só! Hoje você vai ter essa chance única, aproveite! Tenho compromisso. — Disse me virando para Nate, que assentiu confirmando. — Mas pede para a Emma me avisar quando se sentir melhor, por favor, Cam? — Perguntei sem olhar para ele.
—Pergunta você, não tenho nada a ver com isso. — Ele se virou e saiu.
—Não sei como você deixa esse cara te tratar assim. — Disse Nick, o que me surpreendeu de certa forma, já que raramente falava.
—Acredite: Na maioria das vezes eu não deixo barato.- Dei de ombros.- Mas em grande parte aguento por causa de Em. Ela fica bem chateada quando a gente briga.
***
No final da aula, entrei no banco da frente do carro de Nate, já que deixaríamos Nick na casa deles antes de seguirmos para a sorveteria.
Eu nunca tinha visto a casa dos dois. Era simpática, grande e convidativa, pelo menos por fora.
-Divirtam-se. — Disse Nick saindo do carro. — E, se falar com a Emma, diz que eu estimo melhoras, por favor. — Assenti sorrindo em resposta.
***
Chegamos na sorveteria e eu pedi uma casquinha simples de baunilha com granulado. Não gostava de nada muito elaborado. Já Nate, pediu um sundae de chocolate com calda e diversos toppings:
—Como você sente o gosto do sorvete com esse tanto de coisa?- Perguntei brincalhona.
—Você não entende? — Retrucou ele. — Essa é a graça.
Conversamos sobre a escola, nossos hobbies e amigos. Ele me confessou que sempre se sentiu um pouco a sombra do irmão apesar dele ser fechado:
- Ele é quieto, mas todos dizem que vai ser o orgulho da família, por ser tão dedicado aos estudos.
—Ei! Pelo menos você tem um irmão. — Respondi.- Em é o mais próximo que tenho de uma.
—Vocês são muito apegadas, né? — Perguntou ele e eu assenti, colocando o último pedaço de casquinha na boca. Ele riu. — Você está suja. Bem aqui. -Disse ele, apontando para o canto da sua própria boca. Eu peguei um guardanapo e passei, tentando limpar.- Ainda não saiu.- Eu passei o guardanapo mais uma vez.- Aqui. Deixa que eu limpo.- Disse Nate logo antes de pegar o meu queixo e aproximar seu rosto do meu rapidamente, beijando o canto da minha boca.
Eu virei levemente meu rosto na direção dele, colando nossos lábios. Ele aprofundou o beijo e eu deixei. Nos afastamos quando ficamos sem ar. Ambos sorrindo. Ele aproximou a boca do meu ouvido:
—Já tinha saído na primeira vez que você limpou. — Eu sorri novamente, colocando os cabelos atrás da orelha. — Mas não podia deixar passar essa oportunidade.
Quando ele me deixou em casa, já eram cinco da tarde. Demos um beijo lento antes que eu pudesse sair do carro.
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