Notas iniciais
Brian e Justin se reencontram após um longo período de separação.

Será que tudo o que viveram faz realmente parte do seu passado?


Brian abriu a porta do loft e se deparou com Justin. O cabelo muito longo, como ele nunca havia visto antes, a expressão tão séria e o olhar mais triste que Brian já tinha visto naquele oceano que eram seus olhos azuis. Mas mesmo assim, ele estava lindo, muito mais lindo do que jamais esteve antes. Brian precisou reunir todas as suas forças para não abraçá-lo naquele momento, colar sua boca na dele e invadi-la com sua língua.


Durante o trajeto da casa de sua mãe para o loft de Brian, Justin se repetia que não era nada demais, iria apenas conversar nada iria acontecer, ele estava curado da febre chamada Brian Kinney. Afinal, ele tinha vinte e seis anos e era um adulto, não mais um adolescente bobo e apaixonado. Conhecia quase todas as grandes cidades dos EUA, havia exposto seus trabalhos em grandes galerias, viveu e viajou pela Europa durante dois anos, era reconhecido nacionalmente como o grande fenômeno da pintura da nova geração, seus quadros estavam atingindo valores altíssimos no mercado das artes e sua carreira internacional não era mais uma possibilidade e sim uma realidade. Estava há dois meses com Luke, três anos mais velho que ele, não havia a ilusão romântica que aconteceu com Ethan ou todo a paixão e amor incondicional que viveu com Brian; estavam indo devagar, se conhecendo aos poucos, pois assim como Justin, Luke também havia se decepcionado várias vezes. Então, porque, ao estacionar seu carro em frente ao prédio de Brian, Justin estava suando frio e mal conseguindo respirar? Foi necessário um grande autocontrole para apertar o interfone, já que não tinha mais a chave, e anunciar que tinha chegado.


Quando Brian abriu a porta, foi como se o tempo deixasse de existir. As recordações invadiram em turbilhão a mente de Justin. Todas as lembranças dos momentos que ele viveu ali, bons e maus, estavam lhe aguardando. O menino que ele foi, o jovem que ele se tornou e o homem que partiu para Nova York e diversas vezes retornou, estavam todos ali, escondidos nas sombras, como fantasmas lhe assombrando, quebrando suas barreiras, expondo suas fraquezas. E Brian. Será que a distância afeta a nossa memória e nos faz esquecer como o outro é tão lindo? Os olhos cor de avelã, profundos, adentrando sua alma, a boca, quanta saudade daquela boca, daqueles braços envolvendo seu corpo, daquele corpo...


- Justin não vai entrar?

- Obrigado.

- Quer beber alguma coisa?

- Cerveja.

- Tenho acompanhado sua carreira... Parabéns pelo sucesso!

- Obrigado! Brian, eu estou aqui só porque a Debbie me fez prometer e a Molly ameaçou fazer uma greve de fome se eu não viesse falar com você.

- Eu acho que tenho um efeito estranho sobre os membros da família Taylor quando eles têm dezessete anos. É uma pena que você não tem mais dezessete anos.

- Brian...

- Eu soube que veio à Pittsburgh com alguém? Puck?

- Luke!

- O que ele faz? É também artista plástico?

- Não. Ele é músico! Toca na Orquestra Filarmônica de Nova York.

- Deixe-me adivinhar... Violino?

- Não, piano.

- Você realmente irá fazer com que eu odeie música clássica.

- Nunca soube que você gostava.

- Você não sabe tudo sobre mim. — O olhar quente de Brian tirou o fôlego de Justin. Ele precisava mudar o rumo da conversa.

- O que você quer comigo, Brian?

- Quando você volta para Nova York?

- Eu não volto! Estou voltando para Pittsburgh. Comprei um loft,um pouco menor que esse, para me servir de casa e estúdio e vou viajar para cumprir meus compromissos. Nesse momento, Nova York seria apenas um local onde eu produziria minhas telas. Posso fazer isso aqui, com mais tranquilidade, perto da minha família, dos meus amigos e longe da cidade que eu odeio.

- E o seu namorado? E o seu agente?

- Eles entendem. Eles também odeiam Nova York. Brian, afinal, o que você tem para me dizer? Não é para saber sobre minha vida que você me chamou aqui! Por qual razão Debbie está tão assustada?

- Você não pode ficar aqui! Você tem que sair de Pittsburgh!

- Você enlouqueceu? Você não tem mais nada a ver com a minha vida! Eu faço o que eu quero! Eu moro onde eu quero e com quem eu quero! Minha vida não gira mais na órbita de Brian Kinney! Eu tenho minha carreira e muito mais dinheiro que um dia eu sonhei ter! Eu não dependo de mais ninguém: do meu pai, da minha mãe ou de você! Eu tomo as minhas próprias decisões e não é você senhor Kinney quem vai me dizer onde eu irei viver e o que eu tenho que fazer!


A explosão de raiva expulsou as lágrimas que Justin teimava em segurar desde que tinha visto Brian. Brian se aproximou dele e o envolveu em seus braços, beijando o alto de sua cabeça e permitindo que Justin chorasse toda a mágoa e ressentimento que estavam retidos em seu peito. Justin tentou resistir, porém não conseguiu e abraçou a cintura de Brian, se entregando naquele abraço. Era como se agora, realmente, estivesse voltando para casa. Quando os soluços diminuíram, Brian tomou o rosto de Justin com as duas mãos e olhou profundamente em seus olhos. A dor estava ali. A dor que ele sabia que foi ele quem causou e da qual ele se arrependia a cada dia. Mais uma vez Brian resistiu ao impulso de beijar Justin, ele sabia que se o beijasse todo o desejo retornaria intenso, como sempre foi, mas agora, a única coisa que lhe interessava era a segurança de Justin.


- Me ouça, Sunshine! Você está me ouvindo? Eu não quero controlar a sua vida, nem dizer onde você deve viver, só que agora Pittsburgh está perigosa demais para você, por isso, para sua segurança é melhor você voltar para Nova York.

- Vamos sentar?

- Você chegou a ver alguma foto do resgate das vítimas do atentado na Babilônia?

- Algumas. Não vi nada de estranho. As pessoas eram todas conhecidas. Frequentadoras da Babilônia, do GLC, do Woody... nenhum estranho. Depois eu fui para Nova York, fui chamado outras vezes, não pude vir, mas o Michael disse que o Ben foi e que as fotos não tinham nada de anormal.

- Ben não poderia ver o que eu vi.

- O que você quer me dizer?

- Eu fui na delegacia hoje e falei com Horvath, vi as fotos pela primeira vez e em uma delas, ao fundo observando o trabalho dos bombeiros estava Chris Hobbs.

- Não pode ser! Você está enganado!

- Eu queria estar! Mas se há nesse mundo algum desgraçado que eu jamais esquecerei a cara; esse é Chris Hobbs.

- Brian, eu não consigo respirar...

- Calma! Respire e expire comigo, com calma.


Justin estava gelado e extremamente pálido. Seu corpo era tomado de calafrios e tremores. Brian começou a ficar preocupado, Justin estava tendo uma crise de pânico semelhante às que tinha após o ataque. Brian, o abraçou e o levou para cama, cobrindo-o com o edredom. Quando tentou levantar-se, Justin segurou sua mão e pediu que ficasse. Brian deitou ao seu lado e estendeu seu braço aonde o loiro veio repousar sua cabeça. A proximidade, o cheiro de cada um, a respiração se misturando foi demais para manter qualquer tipo de controle.


Justin ergueu sua cabeça e encontrou os lábios de Brian, suas línguas se encontraram explorando o interior de suas bocas chupando e matando toda a sede e saudade que sentiam um do outro. Suas roupas foram retiradas com a urgência que necessitavam naquele momento. Brian lambia o pescoço de Justin e passou a dar pequenas mordidas, arrancando suspiros e gemidos, desceu para o seu peito e chupou seu mamilo direito deixando-o muito duro, depois ele utilizou seus dentes para excitar também o mamilo esquerdo, desceu para o abdômen do garoto, depositando lambidas, beijos e mordidas, deixando-o enlouquecido. Brian lambeu e mordeu o interior das coxas de Justin que tentava alcançar seu pênis, mas foi impedido por Brian que passou a lamber lentamente os testículos de Justin colocando cada um deles na boca, um de cada vez; ele ergueu as pernas de Justin e passou a estimular a pele fina do períneo, quando sua língua tocou a abertura, o garoto soltou um gemido profundo. Brian deu dois dedos para Justin chupar, depois juntou-os a sua língua e os introduziu dentro de seu amante. Com seus dedos dentro de Justin, Brian pegou o pênis do loiro e lambeu a cabeça, passando a língua na fenda, saboreando o pré-gozo. Depois, passou sua língua lentamente por toda a extensão do pênis, e colocou-o na boca tocando o fundo de sua garganta, segurando a base começou a chupá-lo enquanto massageava com seus dedos a próstata de Justin. Brian sentiu que o orgasmo do seu SonnyBoy estava próximo e acelerou seus movimentos, recebendo todo o gozo no fundo de sua garganta, arrancando um gemido profundo do seu outro. Justin agarrou os cabelos de Brian e puxou-o para ele procurando sua boca para encontrar um novo beijo, provando seu gosto na boca do homem que ele não queria admitir, mas era toda a sua vida. Justin olhou para Brian com todo o seu tesão à flor da pele e pediu-lhe: "Me fode, Brian! Eu quero você dentro de mim!" Brian pegou o lubrificante e espalhou na abertura de Justin, introduzindo dois dedos dentro dele, deu um preservativo para o garoto pedindo-lhe: "Coloca em mim! Eu quero ter você!" Justin colocou o preservativo no pênis de Brian e espalhou o lubrificante por toda a extensão. Com as pernas do loiro em seus ombros, o moreno introduziu profundamente seu pênis nele, os dois gemeram ao sentir a união de seus corpos depois de tanto tempo de separação. Brian, não conseguia acreditar como depois de tanto tempo, Justin era ainda tão apertado e cada vez que eles transavam sempre era invadido por sentimentos inexplicáveis. Ele sabia que o amava, já admitiu isso para si mesmo, para Justin e para todos que os conheciam, mas o que ele sentia por Sunshine era um amor tão profundo que em momentos como esse o assustava. Os corpos estavam suados e Brian dava estocadas ritmadas e profundas enquanto masturbava Justin com sua mão entrelaçada à dele. Com a voz rouca de tanto tesão, disse no ouvido de Justin: "Agora Sunshine! Vem para mim!" Justin não aguentando mais, gozou como nunca havia acontecido nos últimos dois anos, seu corpo tremia sob o corpo de Brian, levando-o a encontrar também seu orgasmo com os dois abafando seus gemidos em um beijo, com suas línguas explorando o interior da boca um do outro.


Para Justin, foi difícil explicar para ele mesmo o que havia ocorrido. Por que Brian tinha esse poder sobre ele? Ele precisava para conservar a sua sanidade, acabar com isso.


- Brian, não deveríamos ter feito isso. Estou saindo com alguém. E ainda estou com muita raiva de você.

- Você tinha raiva de mim a maior parte do tempo e isso nunca o impediu de foder comigo. Você ama o Puck?

- Luke! Qual o seu problema com nomes? Não o amo, mas gosto dele, o respeito e ele me respeita.

- Quando você virou uma lésbica?

- Vá se foder, Brian!

- Não, mas vou foder você de novo!

- Não, Brian, eu não quero!

- Não é isso o que o seu corpo está me dizendo.


Brian se vira sobre Justin, que tenta resistir, mas sua resistência se torna inútil quando ele olha para aqueles olhos cor de avelã que tem o poder de derretê-lo e de tornar líquido todos os seus ossos. O beijo foi intenso e forte, destruindo qualquer vestígio de resistência que ainda pudesse existir na mente de Justin, porém a batida persistente na porta os interrompeu.


- Você não vai atender?

- Eu não tenho boas recordações das vezes em que atendi a porta quando estava fodendo com você.

- Você está fazendo campanha para algum candidato homofóbico? Sua mãe tem alguma esperança que você se torne hétero?

- Não, nenhuma das duas.

- Então não deve acontecer nenhuma tragédia se você atender a porta... Você não vai se vestir?

- Por quê? Toda Pittsburgh já me viu nu. Até a sua mãe!

- Grosso!

Ao abrir a porta, o loft é invadido por rostos muito preocupados.

- Ei, Sunshine! É a Debbie! Oi, Debbie!

- Oi, querido! Oi, Sunshine! Brian, onde estão as suas calças?

- O detetive Horvath! Oi, detetive!

- Kinney! Justin! Me desculpem! — Hovart entrou no loft, extremamente constrangido com a nudez de Brian.

- Oi Michael!

- Eu sabia que isso ia acontecer! Vai começar tudo de novo!

- Olá, para você também, Mikey.

- E a sua mãe. Oi, Mamãe Taylor!

- Oi, Brian... Oh, Meu Deus! — Jennifer sentiu-se corar, mas sua preocupação nesse momento era seu filho. — Justin, meu filho!


Jennifer Taylor apertou Justin em um abraço típico de Debbie, seu olhar era de puro pavor. Justin, mal teve tempo de colocar sua calça quando foi agarrado por sua mãe. Brian passou pelos dois e olhou para os outros muito intrigado, ele sentia a tensão no ar e sabia que não eram boas notícias que trouxeram todos até a sua casa.

Brian vestiu-se e foi chamado por Carl:

- Brian! Justin! Precisamos conversar!