Os Jardins Da Babilônia

4 Revelações preocupantes


Notas iniciais
São tomadas as medidas necessárias para a proteção de todos.

Outro acontecimento trágico, aumenta a tensão no ar.


Carl Horvath era policial há muito tempo, ia completar trinta e cinco anos de serviço. Viveu muita coisa durante esse tempo e sempre acreditou que a sua ficha limpa era o seu maior orgulho até conhecer Debbie. Aquela mulher fantástica, colorida, uma força da natureza, maior do que a própria vida, com uma boca enorme e um coração maior ainda, lhe apresentou um mundo que ele não conhecia e muito menos entendia e lhe deu lições de vida naqueles últimos sete anos que mudaram todas as perspectivas, conceitos e preconceitos de Carl; e se ela se considerava a mãe daqueles "meninos perdidos", ele passou a se considerar, com o tempo, um pouco pai de cada um deles. Agora ele estava diante de dois desses meninos. Ele conhecia sua história através de Debbie e presenciou os últimos anos de seu relacionamento e se perguntava quando eles teriam a paz necessária para poderem viver o seu amor que era tão evidente para qualquer um, quer estivessem juntos ou separados. Mas Carl, antes de tudo, era um policial e por mais difícil que fosse ele tinha um trabalho a fazer.


– Justin, o que você sabe atualmente, da vida de Hobbs?

– Nada! A última vez que o vi foi há seis anos... Bem...

– É melhor você contar tudo. — Brian segurou sua mão, ele sabia que isso seria difícil para Justin.

– Durante o período da Patrulha Rosa, o Cody soube da história da agressão, ele encontrou o Hobbs e me levou onde ele estava trabalhando. Quando o vi, fiquei paralisado, com medo... O Cody dizia que eu tinha que me vingar, ensinar ao Hobbs que não tinha o direito de perseguir homossexuais. Então, seguimos o Hobbs à noite, até a sua casa e eu coloquei uma arma na sua boca, o obriguei a se ajoelhar e me pedir desculpas. O Cody queria que eu atirasse, mas eu virei as costas, fui embora e ele ficou me xingando.

O pavor de Jennifer se tornou mais palpável: — Meu Deus, Justin!

– Cody está preso desde junho de 2005 por posse ilegal de armas de fogo e quatro acusações de agressão. Deve cumprir dez anos de detenção. Quanto a Chris Hobbs, os registros policiais que descobrimos dele são preocupantes.

– O que você descobriu? — Brian, perguntou preocupado.

– Em 2001, quando estava cumprindo as 500 horas de serviço no Hospital, dois pacientes, jovens e loiros, morreram por insuficiência respiratória. Eles estavam se recuperando e a morte dos dois surpreendeu a todos. Ainda em 2002, um aluno da turma da Faculdade de Hobbs, loiro e de olhos azuis, o acusou de estupro uma semana depois, o rapaz saiu da Faculdade e retirou a queixa. Em 2003, Hobbs se envolveu num caso de perseguição a um casal gay juntamente com dois amigos. O casal recebeu uma compensação pelo incômodo. Também nesse período, ele foi internado por dependência de drogas pesadas e diagnosticado como maníaco e psicótico. Em 2004, Hobbs estava trabalhando na construtora do seu pai, que foi onde você e Cody o encontraram, há vários registros de denúncias de empregados o acusando de abuso e de tratamento ofensivo, porém todas as acusações foram retiradas através de compensações dadas pelo Senhor Hobbs, além disso, há o registro de socorro médico de algumas namoradas de Hobbs que tem uma grande tendência de cair de escadas, bater em portas e móveis. Em 2005, ele voltou para reabilitação por duas vezes, sendo que desapareceu dois meses antes do atentado à Babilônia e ninguém sabe onde se encontra. Ele está desaparecido há quatro anos, oficialmente. O último registro de Hobbs é a foto do atentado da Babilônia, que Brian viu e Debbie, Michael e Jennifer fizeram o reconhecimento. Seu pai está oferecendo uma recompensa de duzentos mil dólares para quem encontrar o filho.

– Se eu pudesse, eu daria o dobro para quem me trouxesse a cabeça dele numa bandeja.

–Debbie! O mais preocupante, Justin é que ele parece ter uma fixação em você. A maioria das vítimas de Hobbs são rapazes com idades próximas a sua, loiros e de olhos azuis.

– O que devo fazer?

– Você vai ficar comigo, em nossa casa e com sua irmã.

– Me desculpe Jennifer, mas não acho prudente. Acho que o lugar mais seguro, no momento, para Justin é aqui, com Brian. Se Brian, estiver de acordo.

– Não tem problema.

– Mas, eu não estou de acordo. Vou voltar para Nova York.

– Nova York não é viável no momento. Não sabemos onde ele está. Não sabemos o que ele quer de você. As últimas informações que temos dele são de mais de quatro anos atrás, ele pode estar até morto. Até termos certeza de alguma coisa é melhor você se manter seguro. E, além disso, você está sozinho em Nova York. Aqui podemos lhe proteger. E, Jennifer, seria mais seguro, durante o período da investigação, você e Molly também saírem de casa.

– Carl, você não está exagerando?

– Não, a proximidade do aniversário do atentado à Babilônia é um motivo de preocupação, nesse momento.

– Querida, você e Molly podem ficar na minha casa, no quarto que era de Michael e que Sunshine já usou.

– É! Vamos oficializar o meu antigo quarto como abrigo da Família Taylor.

– Cala a boca, Michael! –Debbie dá um tapa atrás da cabeça de Michael.

– Não, Debbie! Eu não quero atrapalhar.

– Você não está atrapalhando ninguém. E, não ligue para o que o meu filho fala. Ele é um grande drama queen.

– É tudo minha culpa! Pessoas morreram e se machucaram por minha causa. — Brian tenta abraçar Justin, mas ele o evita.

– Não, Sunshine! Você não tem culpa se um louco homofóbico e gay enrustido se apaixonou por você. Você não pode se responsabilizar pelas coisas ruins que as outras pessoas fazem. Chris Hobbs é um maldito que deveria estar apodrecendo na cadeia desde que atacou você. Se a lei tivesse sido cumprida, nada disso estaria acontecendo e não estaríamos tendo essa conversa. Você também se machucou. Nós também quase perdemos você. Não faça isso a você mesmo. Não assuma uma culpa que não é sua. — Debbie abraça aquele menino que ela ama tanto como um filho.


Justin se levanta e vai até a janela, de seus olhos as lágrimas caem, a dor em seu peito é enorme, tudo o que ele queria agora é que alguém o acordasse e lhe dissesse que o que está acontecendo é mais um dos infindáveis pesadelos que o atormentam desde o seu baile de formatura.

Brian e Jennifer se encaminham em sua direção, mas são impedidos por Debbie.


– Ele precisa ficar um pouco sozinho.


Poucos minutos depois, o celular de Justin toca.


– Oi, Johnny!

– Oi, Jus! Onde você está?

– Estou em Pittsburgh!

– Como você está?

– Estou bem! E você, a Tracy e a Samantha?

– Estamos bem, mas com saudades de você.

– Vocês podem vir em Pittsburgh me visitar e também a Daphne.

– É vamos combinar isso! Jus, que horas o Luke embarcou?

– O Luke embarcou hoje, às 10 horas da manhã. Aconteceu alguma coisa?

– Onde ele deixou o carro dele?

– Em uma garagem perto do aeroporto. Ele pagou por três dias. Fala logo, Johnny! O que está acontecendo, porra?


Brian tirou o celular de Justin.


– Johnny, aqui é o Brian. Você se lembra de mim?

– O ex-namorado do Jus?

– É, isso mesmo. — Brian se irrita em ter que admitir isso. — O que aconteceu?

– O Luke foi pegar o carro dele na garagem onde ele deixou por volta das 13 horas. O carro estava em um local mal iluminado e deserto e as câmeras de segurança foram depredadas ontem à noite. Bem... Segundo a polícia, ele foi atacado com um taco de baseball e recebeu vários golpes. Ele só foi encontrado às 14 horas e 45 minutos e já estava morto. — Brian empalidece terrivelmente e engasga:

– Tem... alguma coisa... que eu possa fazer?

– Não. A família dele já está providenciando tudo e a polícia está investigando. Qualquer novidade eu ligo para você. São os mesmos números?

– São os mesmos. Obrigado, Johnny.

– Por nada. Cuida do Jus, ok?

– Ok.

– Você vai falar o que aconteceu ou vai me enlouquecer antes?

– Calma Justin... Eu preciso beber alguma coisa primeiro.

– Nossa, Brian! Parece que você viu um fantasma! — Michael, segue Brian até a cozinha.

– Ou a própria morte. — Sussurra Debbie.

– Calma, querida! Mas acho que aconteceu mais uma tragédia. — Carl abraça Debbie.

– Deus, por favor, seja o que for, ajude meu filho a suportar! — Jennifer pediu.


Justin exigiu de Brian, agarrando seu braço: _ Brian, ou você me conta o que aconteceu ou eu ligo para o Johnny, agora mesmo.

– Sente-se, Justin.

Brian se serviu de outra dose de whisky.

– A garagem onde estava o carro do Luke, foi vandalizada ontem à noite e as câmeras foram danificadas. Quando o pianista foi pegar o carro hoje à tarde, ele foi atacado e ferido...

– Como assim atacado? O quanto ele está ferido? Brian, o que aconteceu?

– Ele recebeu vários golpes na cabeça, demoraram a encontrar ele e quando o acharam não puderam fazer mais nada.

– Ele está morto? — Justin chorava.

– Sim, ele está morto!

– Como ele foi atacado? — Justin já sabia a resposta que Brian lhe daria e a temia como nunca temeu nada antes, dessa mesma forma.

– Com um taco de baseball.


Justin gritou e começou a chorar compulsivamente. Brian o abraçou e tentou consolá-lo. Justin não suportou e desmaiou nos braços de Brian que o deitou no sofá.