Notas iniciais
Uma descoberta surpreendente. O passado retorna mais uma vez.

Brian estava sentado ao lado de Justin no sofá em seu loft, observando atentamente o detetive Carl Horvath enquanto este lhes relatava os eventos que levaram a prisão de Charles Sanders.

Justin havia obtido a sua alta naquela manhã, depois de passar o final de semana no hospital. O jovem estava se restabelecendo dos danos físicos que Hobbs havia lhe infringido, porém Brian continuava preocupado com a extensão dos danos psicológicos que o artista poderia estar sofrendo.

As mãos dos dois homens estavam entrelaçadas e Brian sentia que somente a mão de Justin nas suas, segurando-o firme em busca do apoio tão necessário e a sua permanência ao seu lado o impediam de explodir toda a ira ao ter a certeza, que o ressentimento que Sanders tinha por ele, colocou Justin em perigo quando o cretino se associou a Chris Hobbs para a execução do plano deste contra o loiro.

Hovarth continuava a relatar os eventos ocorridos durante a noite de sexta-feira e do final de semana até a manhã daquela segunda-feira.

“Depois que Ted me passou sua desconfiança em relação a Sanders, como também todos os dados que Kinnetik tinha dele, eu e mais dois policiais fomos até a sua casa e soubemos pelo seu parceiro que ele tinha uma viagem de negócios e estaria de volta depois de alguns dias. Quando dissemos a ele que Sanders havia sido despedido, portanto não havia nenhuma viagem de negócios, e que ele estava sendo investigado por suspeita de participação e colaboração num crime de sequestro e tentativa de homicídio, o homem desabou e começou a chorar pois sabia que havia sido abandonado pelo seu amante. Depois que o acalmamos, ele foi capaz de nos dizer que Sanders não tinha parentes no país, pois seus pais são falecidos e ele tem apenas uma irmã que vive há mais de dez anos na Inglaterra.” Hovarth dizia calmamente em seu papel de investigador policial, procurando deixar de lado os sentimentos de amizade e proteção que tinha pelos dois homens.

Brian apertava com força sua mandíbula. Ele não podia compreender porque Sanders o odiava tanto. Brian era um chefe exigente, que queria o melhor de todos os seus empregados, mas Sanders sempre obteve todo o apoio e incentivo que poderia ter como Diretor do Departamento de Artes. Inicialmente, ele era competente e talentoso, fazendo um bom trabalho, pois se não fosse assim jamais trabalharia em Kinnetik, porém ao longo do tempo, apesar de seu trabalho continuar bom, ele não demonstrava o entusiasmo inicial e estava sempre reclamando dos artistas do departamento, causando a insatisfação da maioria das pessoas que trabalhavam com ele. Embora Brian exigisse um melhor desempenho do Departamento de Artes, porque que vinha perdendo a sua qualidade anterior nos últimos meses, ele sempre respeitou o comando de Sanders e lhe deu toda a liberdade de criação e execução no seu trabalho.

Justin tentava entender as razões que levaram o chefe do Departamento de Artes de Kinnetik a se envolver na trama sórdida criada por Chris Hobbs. Ele achava muito estranho que alguém que não o conhecia e que não tinha nenhuma ligação com o ex-atleta da sua escola, havia se envolvido em tudo o que aconteceu. Justin não podia deixar de se perguntar o que estava por trás de tudo isso? O que mais Carl sabia e não estava falando para os dois?

Ao perceber que Brian estava lutando contra toda a incredulidade e raiva que sentia nesse momento, Justin resolveu questionar Carl.

“ Carl, o que você não está nos dizendo?” Justin perguntou calmamente ao seu amigo detetive.

Carl observava atentamente os dois homens. Ele precisava contar-lhes toda a verdade, mas se preocupava com as suas reações. Ele teria que usar toda a sua calma para deixá-los a par de tudo que estava envolvido nas ações de Hobbs. Carl precisou usar toda a sua capacidade de persuasão para impedir que Debbie o acompanhasse quando ele a colocou a par de todos os desdobramentos do caso. Ele a fez prometer que não contaria nada para ninguém, especialmente para Michael, enquanto ele não falasse com Brian e Justin primeiro. Ele precisava que Justin e Brian se mantivessem calmos e capazes de esclarecer os pontos obscuros que ainda existiam na investigação e para isso, ele precisava conversar com os dois sem a presença de qualquer outra pessoa da “família.”

“Bem, depois que nós saímos do apartamento de Sanders, emitimos um alerta para toda a Força na tentativa de encontrá-lo e mais tarde, na manhã de sábado, nós conseguimos prendê-lo no aeroporto antes de embarcar em um voo para a Inglaterra. Mas, para mim havia algo mais em tudo isso e designei uma patrulha disfarçada para vigiar o apartamento do seu namorado. Eu sentia que havia algo estranho com ele. Ele estava muito cooperativo para entregar o homem por quem ele dizia estar apaixonado. Em nenhum momento, ele tentou proteger o seu amante ou diminuir a sua culpa, pelo contrário, ele não se absteve de culpar Sanders e ainda ofereceu detalhadamente todas as pistas que precisávamos para encontrá-lo.” Carl continuou captando toda a atenção dos dois homens.

Brian olhou para o detetive que estava sentado à sua frente. Ele percebia que Horvath tinha algo para dizer-lhes, mas estava adiando. Ele ficando impaciente, além disso ele sentia Justin apertar as suas mãos percebendo o desconforto que a situação estava causando ao homem mais jovem.

“Carl, você irá dizer de uma vez o que está acontecendo ou nós teremos que esperar pelo próximo século para sabermos.” Brian demonstrou a sua impaciência.

“Brian… Por favor, vamos esperar o que Carl tem a dizer.” Justin tentou acalmá-lo.

Brian olhou para Justin. Ele percebeu que a situação era extremamente desconfortável para o homem mais jovem e sua impaciência só iria piorar a situação. Brian, se acalma e espera Carl continuar a explicar-lhes o que aconteceu.

“ Como eu lhes disse antes, eu desconfiei da forma como o namorado de Sanders estava muito cooperativo. Ele parecia querer que nós pegássemos Sanders o mais rápido possível.” Carl tentava explicar o seu raciocínio para os dois homens que o olhavam cada vez mais atentos.

“Talvez ele quisesse apenas não se envolver em algum problema com a polícia.” Justin tentou encontrar uma explicação para o que Carl estava lhes contando, o que rendeu a ele um olhar incrédulo de Brian.

“ Pouco provável. Se um de vocês dois estivesse nessa situação seriam tão cooperativos com a polícia para entregar o paradeiro do seu parceiro?” Hovarth perguntou aos dois homens que trocaram um olhar entre eles, mas nada responderam.

“Foi exatamente o que eu pensei.” Horvath exclamou animadamente por provar o seu ponto de vista.

“Por que uma bicha ajudaria a polícia, quando muitos que estão nela nos desprezam?” Brian disse a Horvath começando a compreender o que o detetive tentava dizer.

“Era isso que eu não conseguia compreender. Por esse motivo eu resolvi vigiar o namorado de Sanders e quando o vimos sair sorrateiramente no meio da noite, nós o prendemos para averiguações.” Carl parou de falar por um momento, ele respirou profundamente antes de continuar a falar e contar quem era o namorado de Sanders. Ele ainda podia ouvir as palavras de Debbie: “Cuidado como você fala isso para Sunshine. Ele não espera por isso. E Brian irá enlouquecer quando ele souber que esse filho da mãe está afundado nessa merda, também.” Carl olhou mais uma vez para os dois homens que mantinham as suas mãos unidas e o olhavam cheios de curiosidade e expectativa. “ Nós o levamos para a delegacia e tomamos o seu depoimento novamente. Ele nos disse que estava muito abalado por tudo que havia acontecido, por isso havia resolvido retornar para Chicago onde vive a família dele .”

“A família do namorado de Sanders mora em Chicago?” Justin pergunta a Carl sem conseguir esconder seu espanto. Justin sente um calafrio percorrer por seu corpo, pressentindo que o plano de Chris para atingi-lo tinha muitas outras implicações que nenhum deles havia ainda suspeitado.

“Qual o problema com Chicago, Sunshine?” Brian indaga Justin, preocupado ao ver a reação do homem mais jovem.

“Chris estava morando em Chicago durante um tempo após eu ter ido para a Europa. Ele esteve em New York me perseguindo e vigiando, esperando uma oportunidade para me sequestrar, mas não conseguiu fazer isso, a oportunidade não apareceu pois sempre havia muitas pessoas perto de mim e ele não queria testemunhas. Então, depois que eu fui para a Europa, ele precisou sair de New York pois estava devendo dinheiro para traficantes que o ameaçaram de morte e precisou fugir. Ele foi para Chicago e pelo que me disse, ficou por lá até que ele descobriu que eu havia voltado para os USA há cinco meses atrás.” Carl tomava notas do que Justin estava dizendo, as informações que o jovem estava passando, estavam de acordo com os interrogatórios e as investigações que haviam sido feitas até o momento.

“Por que você não disse isso antes?” Brian pergunta a Justin para logo depois se arrepender quando vê o homem mais jovem fazer uma careta e apertar as têmporas, numa clara expressão que estava sentindo dor. Brian levantou-se e pegou o remédio para dor que o médico havia receitado, entregando-o a Justin juntamente com um copo de água.

“Obrigado.” Justin toma o remédio e depois de respirar profundamente, volta-se para Brian e Carl, explicando para eles. ” Eu me esqueci disso. Chris falou que havia estado me perseguindo durante todo esse tempo e eu percebi todo o perigo que estive correndo. Isso realmente me assustou. Ele poderia ter me sequestrado e me matado e ninguém iria perceber. E quando eu acordei e dei o depoimento para Carl, eu estava mais preocupado com quem poderia ser o traidor em Kinnetik, por isso eu me esqueci de mencionar que Chris havia vigiado os meus passos em New York e depois disso, esteve em Chicago durante todo esse tempo. Eu também não conseguia me lembrar com clareza de tudo o que ele havia me dito, mas agora quando Carl falou sobre Chicago, eu me lembrei que Chris havia dito que ficou escondido lá por quase dois anos.”

Carl bate levemente no joelho de Justin, tentando tranquilizá-lo. “Tudo bem, Justin. É normal não lembrar de todos os detalhes considerando o trauma que você passou. Mas, caso você se lembre de mais alguma coisa, basta me informar imediatamente, certo filho?”

“Eu o farei, Carl. Pode ter certeza disso.” Justin esboçou um leve sorriso para o detetive que o olhava com tanta compreensão e bondade.

“Isso não pode ser a porra de uma coincidência, Carl!” Brian olhava Carl , buscando uma explicação que ele sabia que o homem mais velho ainda não havia compartilhado com eles. “O namorado de Sanders tem alguma ligação com o maldito do Chris Hobbs?” Brian questionava o detetive.

“Eles eram primos. A mãe de Chris Hobbs e a mãe do amante de Sanders são irmãs.” Carl confirmou a ligação.

“Por que o desgraçado do primo de Hobbs estava com Sanders? O que tudo isso tem a ver com o que aconteceu com Justin?” Brian estava gritando querendo respostas. Ele queria saber o que estava por trás daquilo tudo. Sua impaciência já havia ultrapassado todos os seus limites e se Carl não dissesse logo o que estava protelando, ele sabia que não iria mais se conter.

Justin ouvia incrédulo tudo o que Carl estava dizendo. O primo de Chris? Ele tentava se lembrar dos membros da família Hobbs que havia conhecido na época de Saint James e do clube que sua família e a família Hobbs sempre frequentaram. Ele nunca soube da existência desse primo. Chris Hobbs tinha um primo gay? Um primo que certamente o ajudou enquanto esteve morando em Chicago? Um primo que ajudou Chris no seu plano contra ele e Brian? Justin sentia algo incomodando-o. Ele se sentia como se fosse ficar doente e a sua cabeça que vinha martelando continuamente nos últimos dias, começava a doer com muito mais intensidade, mesmo depois de ter tomado a sua medicação.

“O primo de Hobbs também tinha motivos para buscar uma vingança contra vocês dois.” Os dois homens apertaram ainda mais forte as suas mãos. Eles olharam para Carl ansiosamente.

“Quem é o primo de Chris, Carl?” Justin perguntou com a voz muito baixa. Sua cabeça estava doendo cada vez mais e ele sentia que estava prestes a perder todo o controle que vinha tentando manter até esse momento.

Brian olhava para Carl com os olhos em chama. Ele tentava manter sua fúria sob controle para o benefício de Justin. Ele aguardava a revelação que o detetive mantinha em suspenso durante toda a conversa que vinham mantendo. Brian não suportava mais a expectativa de saber quem era o cúmplice de Sanders e Hobbs. Ele sentia que fosse quem fosse, devido a atitude de Carl, a revelação seria um choque para ele e Justin.

Brian perguntou a Carl com a voz muito baixa, controlando com muita dificuldade a raiva que estava sentindo. “Quem é o desgraçado, Carl?”

“Kip Thomas.” Carl disse calmamente. Os dois homens olharam para ele em estado de choque.



“Você só pode estar brincando!” Brian gritou para Carl, não conseguindo acreditar no que o homem mais velho estava lhe dizendo.



“Como isso é possível? Eu nunca soube que Chris tinha um primo e muito menos que esse primo seria Kip Thomas.” Justin estava perplexo.



“A família de Kip Thomas sempre viveu na Philadelphia. Mesmo sendo irmãs, as senhoras Hobbs e Thomas tinham pouco contato, pois seus maridos não se davam bem. Chris Hobbs e Kip Thomas tiveram uma pequena convivência quando mais jovens, mas devido a distância e a rivalidade entre os seus pais, eles nunca estiveram sempre próximos . Após terminar a Universidade, Thomas conseguiu emprego na antiga agência onde Brian trabalhava e promoveu o processo de assédio contra Brian. Foi dessa maneira que a família de Chris Hobbs, descobriu que Kip era gay e cortaram qualquer tipo de ligação com ele. Chris Hobbs culpava as pessoas gays por não poder mais falar com seu primo, com quem havia estabelecido uma grande amizade, apesar da distância em seu convívio. Ele acreditava que seu primo havia sido influenciado e por causa disso se tornado gay. O fato de sua família rejeitar Thomas por ser gay, fez com que Chris Hobbs temesse ainda mais que seus pais descobrissem o que aconteceu entre ele e Justin na escola e aumentou mais ainda o seu medo pelos reais sentimentos que tinha por Justin.” Carl parou por um momento de falar ao perceber como Justin estremeceu quando ele falou sobre Hobbs.



“Está tudo bem, Justin? Você está se sentindo bem?” O detetive perguntou ao jovem com grande preocupação.



“Eu estou bem Carl, pode continuar.” Justin assegurou ao detetive.



“Quando Hobbs soube que Kip havia processando Brian e precisou retirar o processo por causa de Justin, ele passou a culpar vocês dois pelo afastamento entre ele e seu primo. Sem que os seus pais soubessem, Hobbs continuou mantendo contato com Thomas e quando ele fugiu para Chicago, após sair de New York, ele entrou em contato com Thomas e os dois começaram a planejar uma vingança em conjunto contra Brian.” Carl aceitou a água que Justin lhe oferecia. O jovem não conseguia mais ficar parado e mesmo ainda sentindo as dores em consequência dos seus ferimentos, ele passou a se movimentar pelo loft tentando aliviar toda a tensão que sentia.



“Então, eu era o alvo?” Brian interrogava Carl, incisivamente.



“Naquele momento, sim. Justin havia ido para a Europa e Kip queria se vingar apenas de você, Brian. Ele estava convencido que as ações de Justin foram influenciadas por você, por isso ele não pretendia se vingar de Justin. Hobbs, porém tinha Justin como seu maior alvo e os dois então estabeleceram um acordo de que um ajudaria o outro em sua vingança. O que Thomas desconhecia era o quanto Chris Hobbs estava louco. Então, os dois se uniram e planejaram um meio de poder atingi-lo.” Carl olhou para Brian avaliando as reações do homem, buscando a certeza que o homem estava preparado para ouvir o que ele ainda tinha para lhe dizer.



“O que eles pretendiam fazer contra Brian, Carl?” Justin se aproximou e sentou-se novamente no sofá em frente ao detetive. Ele estava cada vez mais assustado com todas as informações que estavam sendo dadas para eles.



“Eles imaginaram um meio de retirar uma grande quantia em dinheiro de Brian, então eles sairiam do país e fugiriam para algum país tropical.” Carl bebeu mais um pouco de água. Ele também estava muito tenso e gostaria de beber alguma coisa mais forte, nesse momento, se não estivesse trabalhando.



“E como eles pensavam em conseguir todo esse dinheiro? Eles acharam que eu daria dinheiro para eles por qualquer motivo? Ou eles pensavam em me pedir uma contribuição em benefício à sua família fodida?” Brian deu uma risada cheia de sarcasmo para disfarçar o seu nervosismo. Brian olhou para o rosto de Carl, a sua expressão grave lhe dava uma sensação muito desconfortável.



“Eles pretendiam sequestrar Gus.” Carl falou para os dois homens que reagiram imediatamente à informação.



Brian socou violentamente a mesa à sua frente levando o detetive e Justin sobressaltarem com seu gesto. Justin sentiu a náusea que vinha lhe ameaçando atacá-lo em força total, mas ele precisou se conter usando todas as suas forças ao ver que Brian estava começando a destruir todo o loft na tentativa de extravasar a sua fúria.



Justin pulou imediatamente do sofá, agarrando-se ao homem mais velho. Ele abraçava Brian com força repetindo em voz baixa tentando tranquilizá-lo: “Gus está bem… Ele está seguro… Nada de mal vai acontecer com ele…” As palavras soavam como um mantra. Em algum momento, o loiro já não podia reconhecer se tentava acalmar Brian ou a si mesmo.



Aos poucos, Brian foi dominando a sua raiva. Ele abraçou Justin e beijou o alto de sua cabeça, demonstrando ao homem que tremia em seus braços que havia se acalmado, no momento. Ele envolveu Justin em um abraço apertado para depois conduzi-lo até o sofá, aguardando o que mais havia para Carl Hovarth lhes dizer.



Carl olhava para os dois homens preocupado. Eles já haviam passado por tantas coisas nas últimas horas. O homem mais velho estava tentando explicar tudo o que havia descoberto aos dois homens de uma forma que não lhes causaria mais dores do que as inevitáveis diante de todas as informações que havia recolhido.



“Me desculpe por dizer isso tudo isso assim, mas vocês tinham que saber. “ Hovarth continuava a olhar os homens com preocupação, tentando perceber se ele poderia continuar contando suas descobertas para os dois homens sentados na sua frente.



Brian balança lentamente a cabeça em compreensão e mantém o silêncio. Ele não consegue encontrar as palavras corretas para dizer nesse momento.



“Por favor, Carl, continue a dizer o que mais você descobriu.” Justin pede ao detetive.



“Quando eles descobriram que Gus estava vivendo no Canadá, eles desistiram desse plano. Eles pensaram em um outro modo de retirar dinheiro de Brian, então eles elaboraram um plano para prejudicar Kinnetik e lucrar com isso, então decidiram encontrara alguém que pudesse espionar a sua agência , roubando as ideias para as campanhas e vendendo para os seus concorrentes foi nesse momento que Sanders entrou no esquema deles.” Horvath continuou.



“Mas porque Sanders queria prejudicar Brian? O que ele tinha contra Brian e eu?” Justin continuou questionando Carl.



“Sanders não sabia nada sobre você, Justin. Ele só o conheceu há alguns dias atrás e ele desconhecia todo o plano de vingança de Hobbs e Thomas. Sanders conheceu Thomas quando o homem foi trabalhar na antiga agência que Sanders trabalhava em Chicago, a Nexus Publicidade, ele se interessou por Thomas, porém sempre foi rejeitado até que Kip Thomas descobriu que Sanders iria trabalhar em Kinnetik, a partir daí ele deu início a um relacionamento com Sanders, pois pretendia usá-lo para prejudicar Brian e Kinnetik e ganhar algum dinheiro com isso. Ele pensou em usar Sanders como um meio de se aproximar de Brian, poder vigiá-lo e encontrar meios que pudesse prejudicá-lo. Nesse momento, Thomas estava apenas focado na sua vingança pessoal contra Brian, pois Hobbs estava novamente buscando um meio de chegar até Justin, mesmo ele estando na Europa. Segundo nós constatamos ao longo da investigação, Hobbs esteve pronto para viajar para Paris, no mínimo três vezes, ao longo do tempo que Justin esteve lá. Ele só não foi em frente, pois Thomas queria tirar proveito da ligação de vocês dois em seu benefício e convenceu Hobbs a esperar por uma oportunidade onde ele poderia atingir vocês dois.” Os dois homens olhavam para Hovarth com atenção, tomando consciência de todo o perigo que os havia rondado ao longo do tempo.



A menção do nome de Hobbs e suas tentativas de chegar até Justin quando ele estava em Paris, levou o jovem a empalidecer. Hovarth sabia que tudo era muito recente e que o loiro ainda tinha muito vívido em sua lembrança tudo o que havia passado, porém ele precisava continuar a relatar os fatos descobertos.

O detetive suspirou devido o cansaço que o havia tomado após todo o esforço da investigação que havia feito ao longo dos dias. Ele olhou para os homens que o observavam atentamente, após beber mais um gole de água, ele continuou o relato dos acontecimentos.



“No início, Sanders não tinha nada contra você Brian, mas Thomas foi envenenando o homem e sempre o colocando contra você. Thomas dizia para Sanders que você não valorizava o seu trabalho, que você tinha atitudes arbitrárias, que ele não tinha a autonomia necessária para dirigir o Departamento de Artes, enfim ele conhecia muito bem as fraquezas de Sanders e sua grande vaidade, então ele usou isso para colocar o homem contra você.” Hovarth deu mais um suspiro. Ele estava mais cansado do que esperava. Ele começou a se perguntar se já não era hora de dar ouvidos para Debbie e começar a pensar na sua aposentadoria.



“E então?” Brian perguntou com a voz muito baixa e rouca. A fúria presa sob a superfície da sua calma forçada.



“ Kip Thomas pretendia enfraquecer o Departamento de Artes alimentando o descontentamento de Sanders e fazer Kinnetik perder as suas contas mais importantes. Ele tentava convencer Sanders a vender as ideias para as campanhas para os seus concorrentes, com a intenção de levar Kinnetik à falência. Ele só não contava que Sanders ainda tivesse princípios e mantivesse segredo sobre as campanhas, não repassando para Thomas os detalhes que ele precisava para poder vender as campanhas. Isso causou muitas discussões entre os dois. Foi dessa forma que ocorreu mais uma mudança de planos e Chris Hobbs foi apresentado a Sanders como o primo de Thomas que precisava de um favor.” Os olhos dos dois homens não se desviavam do rosto do detetive. As suas mãos continuavam firmemente unidas e Brian abraçou Justin de forma protetora, puxando-o para junto do seu corpo.

O detetive continuou a falar se dirigindo para Brian.

“Hobbs pediu que Sanders o vigiasse e dissesse para ele todos os seus passos. Ele acreditava que Justin e você ainda estavam juntos. Nesse momento, ele já sabia que Justin havia retornado de Paris e pretendia pegar Justin quando estivesse com você, para que você se sentisse culpado. Mas, ele não sabia que vocês não estavam mais se falando e não contava com o fato que Justin estivesse namorando Lucas Carnahan, quando ele descobriu isso tudo ele não se importou, pois estava tão obcecado em atingir Justin que não estava mais interessado em Brian. Brian era o alvo de Thomas e os dois viam Sanders apenas como uma peça no seu plano.” Hovarth para por um momento para se certificar que os dois homens ainda estão prestando atenção no seu relato. “Thomas mantinha o controle sobre Sanders, porém a crescente insatisfação de Sanders se tornou tão grande que ele passou a negligenciar o seu trabalho e você o ameaçou algumas vezes de demissão e, caso ele fosse demitido, o plano de Thomas de prejudicar Kinnetik estaria acabado.”



“Você quer dizer que Sanders não sabia desse esquema?” Brian perguntou a Carl.

“ Não, ele não sabia. Quando Sanders se envolveu com Thomas, ele realmente acreditou que o homem estava apaixonado por ele. Essa ideia foi reforçada quando três meses depois que Sanders estava morando em Pittsburgh e acreditando que manteria uma relação à distância com Thomas, o homem lhe disse que havia deixado o seu emprego em Chicago para viver aqui com ele. Thomas conseguiu um trabalho na agência Vanguard e tinha planos de utilizar as informações que conseguisse de Sanders sobre os clientes de Kinnetik para levá-los a trocar de agência, aceitando fazer um contrato com Vanguard e tendo Thomas como o seu homem de anúncio. O plano não deu certo porque Sanders se recusou a passar as informações de Kinnetik para ele.” Hovarth continuou com a sua explicação.



“Mas como Vance não sabia nada sobre Kip Thomas? Ele não pesquisou as suas referências?” Justin perguntou para Hovarth.



“Justin, todas as acusações que Thomas havia feito contra Brian foram retiradas, não havia ninguém em Vanguard que conhecesse Thomas, então, ninguém sabia o que aconteceu. Segundo os depoimentos que obtivemos, para o Sr. Garden, Thomas era muito competente no que fazia e ele se impressionou com o currículo e a experiência do homem, apesar de não compreender porque ele não estava ocupando uma posição de destaque na agência que ele trabalhava. Gardens, estava muito animado com o novo contratado e acreditava que tinha alguém que ajudaria a agência na competição com Kinnetik e recuperar o prestígio que sua agência havia perdido para Kinnetik.” O detetive informou. “O Sr. Garden, lamentou que sua empresa foi indiretamente envolvida em tudo isso e também por tudo que aconteceu com vocês dois. Ele fez questão de me pedir para dizer a você, Brian, que o admira muito e lamenta a forma como saiu de sua agência. Ele também me fez saber que é um grande fã de Justin e já compareceu em algumas de suas exposições. Ele me mostrou um quadro de Justin que havia adquirido em uma dessas exposições e está exposto no hall de entrada da agência Vanguard.” Ao ouvir essa informação, Brian não pode conter o seu riso.



“Será que Vance colocou uma placa informando que o artista que pintou a obra é o seu ex-estagiário que conseguiu derrubar a maior campanha que Vanguard já havia feito?” Brian dá um sorriso enquanto coloca a sua língua de encontro a sua bochecha fazendo Justin sorrir para ele.



“Ele deveria colocar que o artista em questão, é um dos seus ex-estagiários que fodeu com o seu ex-sócio e que após chutar a bunda dos dois, esse ex-sócio se tornou o dono da maior agência publicitária de Pittsburgh, levando Vanguard a colecionar fracasso após fracasso e que também o seu ex-estagiário se tornou um dos artistas mais valorizados da nova geração no mundo da arte ao ponto que ele não resistiu e acabou pagando uma quantia absurda por uma de suas obras.” Justin abriu um sorriso sol feliz ao ver a expressão de orgulho no rosto de Brian.



“Eu gosto mais dessa descrição.” Brian continuava a sorrir, enquanto olhava para os olhos de Justin e tinha vislumbres do menino prepotente de dezessete que roubou o seu coração .



“Eu também.” Justin agora sorria amplamente e suspirou feliz quando seus lábios foram arrebatados em um beijo exigente de Brian.



Hovarth pigarreia, levando os dois homens a se separarem com pedidos nada sinceros de desculpas que o detetive responde com um sorriso compreensivo.



“Eu nunca imaginei que Kip Thomas me odiasse tanto. Na verdade, ele era uma foda medíocre que nunca valeu tanto esforço assim.” Brian retoma a conversa interrompida sem poder esconder o sentimento de raiva que sente por Thomas nesse momento.



“Você certamente não é a sua pessoa favorita, assim como Justin também está longe de ser. Mas, essa não foi a primeira vez que ele lhe prejudicou, Brian. Thomas também foi o responsável por você não ter conseguido a vaga na agência…” Carl começa a folhear seu bloco de notas em busca da informação. “ Isso! Agência Kennedy & Collins de New York, eles não formalizaram a sua contratação quando tudo já estava pronto para ser feito há aproximadamente oito anos atrás. Eles lhe deram uma desculpa para isso, mas nunca informaram a você as verdadeiras razões.” Carl olha para os dois homens após lhes dar mais essa informação, percebendo o choque na expressão de ambos.



“O que você está dizendo, Carl? Ele foi responsável por isso? Como ele conseguiu me fazer perder a vaga? Como ele pode ter feito isso?” Brian questiona o detetive pedindo as respostas para mais essa informação que o surpreende.

“Thomas conseguiu que um colega de faculdade, que trabalhava na Agência Kennedy & Collins, espalhasse entre os empregados da Agência o que aconteceu entre vocês e também sobre as acusações que ele havia feito contra você. Quando os donos ouviram as fofocas de escritório sobre o candidato ao cargo na agência, buscaram mais informações sobre a sua vida pessoal e eles decidiram que mesmo você sendo um profissional brilhante, eles não queriam se arriscar em ter o Stud da Avenida Liberdade no seu quadro de funcionários. “Carl fechou seu bloco de anotações mais uma vez após ler as informações que havia anotado durante o interrogatório de Kip Thomas.

“Isso explica muita coisa.” Brian resmungou irritado.

“Você pode chamar isso de justiça poética, mas o estratagema que Thomas usou para você perder a vaga, também foi prejudicial para ele. A notícia continuou a correr no meio da publicidade e ele jamais conseguiu o sucesso em sua carreira, pois aonde ele encontrava trabalho, sempre havia alguém que ouviu falar alguma coisa sobre ele. Por causa disso, ele jamais conseguiu a confiança plena de seus empregadores e ele culpava Brian da sua atual situação profissional. ” Carl continuou a passar as suas informações para os dois homens.

“Ele nunca foi muito inteligente, mesmo.” Justin disse com desprezo em sua voz.

“Com toda certeza, já que um Twink de dezessete anos conseguiu enganá-lo.” Brian passou o braço pelos ombros de Justin e o puxou para perto de seu corpo.

“Hey! Eu não era apenas um Twink de dezessete anos. Eu sou um gênio! Ele não tinha a menor chance contra mim.” Justin sorriu para Brian.



“Sei… Um gênio capaz das coisas mais idiotas.” Brian respondeu para o loiro.

“Mas, eu salvei a sua bunda.” Justin continuou com sua bravata.

“Você defendeu os seus interesses. você gosta da minha bunda.” Brian continuou a sorrir para o homem mais jovem.

“Não só a sua bunda, mas também todas as outras partes do conjunto.” Justin sorria para Brian.

“Eu também gosto do seu conjunto.” Brian disse para Justin.

“Rapazes…” Hovarth interrompeu os dois amantes antes que os dois começassem a lhe dar uma amostra de como gostavam das partes do corpo de cada um na sua frente.

“Carl, como você conseguiu descobrir tudo isso? Eles confessaram?” Justin perguntou para o detetive.

“Inicialmente, não. Nós descobrimos onde Hobbs estava vivendo nos últimos meses em que estava vivendo aqui. Encontramos diversos diários onde ele escreveu todos os seus planos e tudo o que ele havia feito para atingir você, Justin, desde que vocês estudavam em Saint James. Estava muito claro o quanto ele era obsessivo em relação a você e como a loucura foi dominando-o ao longo dos anos.” Carl explicou para Justin.

Justin sente-se mal ao pensar em todos os anos que Chris Hobbs alimentou um ódio contra ele. O loiro olha para Brian buscando o conforto que necessita no momento, o moreno o abraça forte, estreitando-o em seus braços.

“Depois que confiscamos os diários, confrontamos Thomas e Sanders e eles confessaram. Thomas disse que não sabia que seu primo estava tão louco e não sabia que Hobbs pretendia matar Justin. Ele acreditava que Hobbs sequestraria Justin e pediria o resgate para Brian, como eles haviam combinado. Após conseguir o dinheiro, segundo o plano original, Thomas pegaria com Hobbs a sua parte e fugiria para a Itália, onde encontraria com o seu verdadeiro amante que está vivendo nesse país há mais de um ano.” Hovarth continuou a esclarecer os fatos.

“Então, Kip realmente não se importava com Sanders?” Justin continuou a questionar Hovarth.

“Não. Sanders era apenas uma peça no esquema dos dois. Thomas usou o sentimento que Sanders tinha por ele para manipulá-lo e levá-lo a fazer o que ele e Hobbs queriam.” Horvath continuou explicando toda a situação para os dois homens.

“E quanto a Sanders? O que ele disse sobre tudo isso?” Brian questiona Hovarth.

“ Ele contou tudo o que sabia sobre o plano de Hobbs e Thomas. Ele será indiciado como cúmplice dos dois pois tinha o conhecimento de que Thomas e Hobbs planejavam algo contra Brian. Ele recebeu 10 mil dólares pelo celular que roubou de Brian quando o entregou a Hobbs. No momento em que Thomas lhe apresentou ao seu primo, Sanders ficou sabendo que Hobbs tinha algum plano para prejudicar Brian e ele não se incomodou em ajudá-lo. Com relação à Thomas, o seu envolvimento está muito bem retratado nos diários de Hobbs, por isso ele está sendo indiciado em vários crimes, entre os quais sequestro e tentativa de homicídio. Ambos permaneceram muito tempo na prisão por tudo o que fizeram e planejaram fazer contra vocês.” Hovarth termina o relato de suas descobertas.

Carl Hovarth observa os dois homens que permanecem em silêncio, nos braços um do outro, após o término de seu relato. Ele sabe que nesse momento, os dois precisam ficar sozinhos. A sua experiência lhe ensinou que nessas situações, apenas o tempo é capaz de fechar todas as feridas. Ele sabe que os dois são fortes e tem um ao outro e, desse modo, Carl espera que os dois amantes superem os momentos difíceis que passaram e possam ser felizes, finalmente.

Carl se levanta do sofá e abraça Justin que se levanta para corresponder ao abraço. O detetive aperta a mão de Brian e lhe dá um leve tapa no ombro, na tentativa de conforto. O velho detetive gostaria de fazer mais pelos dois meninos perdidos de Debbie que após todos esses anos, também se tornaram os seus meninos.

Três meses depois.

Brian olha exasperado para a porta de seu escritório, observando o ultimo candidato que sai obviamente indignado e ofendido.

Ele apoia a sua cabeça entre as mãos e se questiona mais uma vez porquê está fazendo isso? Ele suspira resignado. Por mais que ele odeie lidar com todos esses pretensos artistas que se candidataram ao cargo de Diretor do Departamento de artes de Kinnetik, isso se fazia necessário.

Nos últimos meses, Justin esteve à frente do Departamento e as campanhas de Kinnetik adquiriram uma qualidade artística que há muitos anos, Brian desejava que elas apresentassem, mas que ele ainda não havia conseguido. As campanhas estavam espetaculares e os clientes de Kinnetik estavam cada vez mais satisfeitos com o layout das campanhas. Mas, apesar de todo sucesso que estavam alcançando, Brian jamais poderia permitir que o trabalho de Justin em Kinnetik atrapalhasse a sua carreira como artista. O loiro tinha uma exposição com estreia marcada para dentro de três meses e Brian não iria permitir que Justin tivesse seu tempo para pintar reduzido por estar ajudando-o com o Departamento de Artes.

Os dois homens estavam vivendo juntos no loft desde que Justin havia recebido alta do hospital. O relacionamento deles estava cada vez mais sólido e havia adquirido uma nova dinâmica onde cada um se esforçava para expressar seus sentimentos e não permitir que os mal-entendidos e as palavras não-ditas atrapalhasse a relação dos dois.

Brian havia se espantado quando percebeu que não havia dormido com ninguém, além de Justin desde que o loiro voltou para sua vida e, seu espanto foi maior quando percebeu que essa constatação não o incomodava de forma nenhuma, como teria acontecido em um outro momento. Brian não poderia afirmar com certeza, mas ele acreditava que Justin também não havia tido também nenhum truque desde que ele estava com Brian, novamente.

Eles decidiram morar no loft, desde que Justin não queria retornar para Britin. Brian se ressentia dessa decisão de Justin, pois temia que o loiro ainda guardasse alguma mágoa em relação aos acontecimentos que envolveram Mark e levou Justin a partir para a Europa.

Inicialmente, o loft que Justin havia comprado seria transformado em seu estúdio, mas Molly havia sido aceita no curso de Teatro de PIFA e agora iria ocupar o loft e dividi-lo com duas amigas. Brian não podia deixar de sorrir ao imaginar a irritação de Craig Taylor, quando descobriu que sua filha também estava abraçando a carreira artística e desprezando o seu negócio.

Justin estava apoiando a irmã e se responsabilizando por todas as suas despesas durante o seu tempo em PIFA, o que certamente deve ter ainda irritado mais Craig. Brian se sentia orgulhoso ao ver que o seu Twink loiro havia se tornado um homem forte e um artista bem sucedido, que agora mostrava claramente a Craig Taylor que havia alcançado o sucesso e a realização profissional sem dever nada ao seu pai homofóbico.

Agora, Justin havia organizado o seu estúdio em uma das amplas salas do segundo andar do prédio de Kinnetik. Brian havia reformado o espaço há alguns anos e ele era usado ocasionalmente como área de recepção para convidados quando a agência organizava festas para o lançamento de suas maiores campanhas ou para alguma comemoração.

O espaço era muito amplo, com janelas que iam do chão ao teto e era dividido em três grandes ambientes. Brian convenceu Justin a ocupar um desses espaços e fazer dele o seu estúdio. esse arranjo se mostrou muito útil pois o jovem poderia trabalhar no Departamento de Artes, pintar em seu estúdio e os dois poderiam ir ao encontro do outro sempre que a necessidade que sentiam de estar com seu amante se tornava urgente. Nesses momentos, o sofá no escritório de Brian e a chaise no estúdio de Justin eram muito bem utilizados.

Agora, no entanto, com a data da exposição de Justin se aproximando, Brian precisava encontrar um novo diretor para o Departamento de Artes, pois ele não queria que o trabalho de Justin fosse prejudicado. Mesmo Justin lhe afirmando que seu trabalho em Kinnetik, não iria atrapalhá-lo com a sua pintura, Brian não queria que essa situação se tornasse permanente. Ele não queria que o amor de Justin por ele e a vontade que o artista tinha em ajudá-lo, prejudicasse a sua carreira, por isso, ele estava passando as duas últimas semanas entrevistando vários candidatos medíocres, mas com egos maiores que o Empire State e com a firme convicção que são a melhor coisa que aconteceu no mundo da arte desde Salvador Dali.

Brian suspira resignado ao ver Cynthia entrando em seu escritório com mais uma pasta de algum outro candidato ao cargo de chefe do Departamento de Artes em suas mãos.

“Quando eu lhe pedi para fazer as entrevistas prévias dos candidatos, eu esperava que seria poupado de ter que lidar com idiotas que acreditam ser a solução de todos os meus problemas.” Brian resmunga para Cynthia. “Onde você consegue encontrá-los?” O moreno pergunta para sua parceira de negócios sem conseguir esconder a sua irritação.

“Você deveria estar feliz pois eu só lhe enviei os melhores candidatos que apareceram. Quanto ao fato deles serem idiotas, não posso lhe ajudar já que você tem o dom de despertar o melhor de cada pessoa que entra em contato com você.” A loira responde para seu amigo e chefe, não permitindo que a irritação de Brian a atinja.

Brian bufa para ela enquanto estende sua mão para pegar a pasta que a loira lhe entrega.

“Mais um artista arrogante e cheio de si, que tem a absoluta certeza que é o novo Picasso?” Brian pergunta sem conter o seu aborrecimento.

“Eu acredito que esse é o melhor candidato. Ele tem muito talento, é muito quente, é um artista de sucesso e certamente sabe como lidar com você.” A loira responde com um sorriso, enquanto Brian levanta uma sobrancelha interrogativamente.

“Além disso…” Ela continua. “Foi você que o encontrou e certamente, ele é a solução de todos os seus problemas.” Cynthia pisca um olho para Brian e sai do escritório de seu chefe sem conseguir esconder a sua diversão.

Brian olha para a pasta desconfiado, sabendo o que vai encontrar quando abri-la. Ele a abre lentamente e vê o rosto bonito de Justin na ficha de entrevista para o cargo de Diretor do Departamento de Artes de Kinnetik.

“Que porra é essa?” Brian esbraveja ainda mais irritado do que antes.

Notas de uma Autora Muito Envergonhada:

Eu sei que sou uma autora muito má e que todos vocês me odeiam por estar escrevendo essa história há mais de um ano ( por favor, me desculpem por isso) e não ter chegado ainda ao seu final ( acreditem, eu me odiaria se fosse vocês), mas a vida real tem sido cruel e por mais que eu me esforce para terminar a história eu tenho encontrado vários impedimentos para fazê-lo ( o último, é uma pneumonia que adquiri nas há duas semanas).

Esse é um capítulo de transição. Em alguns momentos ele pode ser monótono (talvez o capítulo inteiro), porém era necessário para explicar muitas das razões por trás das atitudes de Chris Hobbs e Charles Sanders. Isso foi necessário para amarrar todas as pontas soltas antes do último capítulo ( que será o próximo. Viva!).

Eu não tenho nenhuma ideia sobre as leis na Pennsylvania. Por essa razão, me desculpe se eu escrevi algo que não corresponde a verdade.

Agradeço a todos os leitores que acompanham essa história e que não desistiram dela. Muito obrigada pelo seu tempo e por sua confiança. Vocês são maravilhosos!



Notas finais
Agradeço pela sua leitura. Isso me deixa muito feliz! Por favor, comentem. Eu sou uma autora carente que precisa saber o que vocês pensam sobre a minha história.