Notas iniciais
Gente, esse texto está exibido também no link: https://www.fanfiction.com.br/historia/193803/Melanie_E_Os_Guardioes/capitulo/1
A história é totalmente minha, mas está nesse outro link porque o primeiro foi um teste de enredo ;)

No alto do viaduto eu refletia sobre a minha vida, ignorando completamente os pedidos e ofertas para que eu saísse dali.

Ficava me perguntando porque ninguém se aproximava, um piscicólogo, pisiquiatra talvez. Isso acontecia nos filmes, será que minha vida não é tão importante quanto a daqueles personagens egocêntricos?

Ninguém. Mais ofertas. Me lembrei do que me fez chegar aquele ponto.

– Sabe, não te culpo. Também queria ter coragem pra desistir da vida. É uma droga. — Olhei para a direção da voz, minha direita. Uma garotinha, oito, talvez nove anos. O que ela faria aqui? — Posso? — Sua voz doce e infantil me tirou do transe apontando para o meu lado, afirmei com a cabeça e ela se sentou. Saí da posição desconfortável de joelhos em que estava e me sentei ao seu lado. Nós duas com as pernas penduradas para baixo. A menina se apoiou nos cotovelos e recostou sua cabeça para trás. Como que para sentir a brisa dos carros que passavam em alta velocidade na rodovia.

– Quem...? O que...? — Comecei, mas não soube formular as perguntas com tudo que gostaria de saber. A menina me interromepeu, como se eu nunca tivesse abrido a boca ela disse simplesmente uma palavra.

– Sente? — Fiquei confusa, era pra eu sentir algo? Ela me tocou? Ela respirou profundamente como se estivesse sentindo algo muito confortante.

– O que? — Não sentia nada.

– A chuva. — Nesse momento começou a garoar. Por impulso me distanciei alguns centimetros da garota que no momento que me respondeu dirigiu a mim um olhar intenso. O cheiro embragante da grama molhada era inalado por mim com gosto. Não seria mais a última vez que eu sentiria aquele cheiro, havia desistido de desistir da vida.

– Quantos anos têm? — Perguntei mais pra mim mesma que para a criança.

– Quem? Eu? — Ela me olhou confusa, rosto delicado e olhos como o céu naquela noite incomum, boca rosada e fiel ao sorriso inocente de uma criança, pele somente um pouco menos negra que os olhos. Estava se vestindo como se fosse ao cinema, mas incrivelmente e impecavelmente brancas eram suas vestimentas. Uma blusa branca com um par de asas perfeitamente claras, belas e bem feitas em suas costas. Infelizmente, era possível observar a costura na roupa e eram pequenas de mais, se não, juraria estar na presença de um anjo de calça-jeans e all star também brancos. Seu cabelo, de um cacheado natural, era negro e estava amarrado alto com uma fita creme de cetim.

– Sim, quantos anos tens?

– Não me lembro. Quantos anos têm Jesus Cristo?

– Tinha, você quer dizer. — Falei assustada, seria mesmo um anjo?

– Não. Têm.– Ela disse dando ênfase. Só podia estar maluca! Onde estaria a mãe dessa criança? Porcurei em meio a multidão, todos estavam com expressões confusas.

– Bom... — Fiz rapidamente as contas. — Dois mil e dez, digo, teria dois mil e dez anos se estivesse vivo... — Ela estava deixando até eu maluca!

– Não, eu tenho menos, sem dúvida... Bem menos. — Disse ela contando nos dedos.

– Tipo, você deve ter oito anos, certo? Quero dizer... dois mil e dois anos a menos? — Ela parou imediatamente e me olhou em uma mistura confusa de dúvida e fúria, que logo se desfez

– E importa?

– Um pouco... — Falei desconfortável.

– Importaria se Cristo morresse com 21 anos? Ou Hércules tivesse apenas 4 desafios? Se o número da sorte dos romanos fosse 7, não 3? Se fosse 20 discípulos? 5 mandamentos? 4 pés? 9 olhos? — Antes que eu pudesse responder percebi que ela só havia dado uma pequena pausa para respirar. — Os números não importam, e sim seus significados e utilidades. A minha idade não importa, só o emu caracter. Se eu fosse você não falariam nada, a idade para ser punível pelos seus atos é apenas uma média para definir quando os jovens começam a ter responsabilidade. Você já atingiu a idade, mas faz parte dos que estão fora da média. Do contrário, não estaria nessa situação, sendo aconselhada por uma criança. — "Sem dúvida, eu sou uma fora da média.", pensei, "Mas sendo assim, ela também é, ou estaria jogando amarelinha, não impedindo que pessoas problemáticas se jogassem de viadutos!" Já ia usar isso em minha defesa, mas uma voz interrompeu meu protesto.

Notas finais
Bem, é isso. Posto a segunda parte daqui a pouco e com 1 review, pelo menos, eu posto o 1º capítulo oficial da história ;)