Notas iniciais
Bem, parte 2/2 aqui. Lembrando que o texto foi exibido em outra fic, também minha, e o link é esse: https://www.fanfiction.com.br/historia/193803/Melanie_E_Os_Guardioes/capitulo/2 não é plágio nem qualquer outra coisa, ok?

– Tisc, tisc... Alicia, Alicia... Você e seus discursos... — A minha esquerda um garoto, este praticamente albino. Sua pele era estranhamente branca, olhos de um cinza quase indentificados como brancos, seu cabelo não tinha cor e era ralo. Como a garota, as vestimentas eram o oposto. Sua camiseta negra continha um par de asas igualmente escuras e estranhas, sua calça-jeans rasgadas e seus tênis pretos lhe davam um ar de adolescente rebelde, deveria ter 13 anos, pelo tamanho e voz, que deveria estar em mudança decorrente dos hormônios.

– Ele se acha adulto... — Sussurrou para mim Alícia, a garotinha.

– Qual é seu nome, garoto? — Perguntei já não achava tudo tão estranho, afinal, pior não poderia ficar... Poderia?

– Doug. — Ele respondeu se sentando e pegando um video-game no bolso da calça.

– Na verdade, é Douglas, mas ele é um aborrescênte. — Falou Alícia e eu me segurei pra não rir. Doug desligou o aparelho, e se eu não o tivesse segurado teria avançado nela.

– Fique quieta garota! Quer que eu destrua suas bonecas de novo? — Falou lançando-lhe um olhar mortal e voltando sua atenção ao eletrônico no seu colo.

– O que vocês são? — Perguntei curiosa.

– Crianças, o que mais? — Falou Alícia dando de ombros e me lançando um olhar inocênte.

– Não, você é uma criança. Eu sou um... adolescente. — Respondeu Doug com ar de superioridade.

– Era um adolescente, Doug. Antes disso acontecer.

– Disso o que? — Os dois voltaram a atenção pra mim.

– Você tinha que abrir sua boca grande, não é Ana Licia? — Falou o garoto.

– Ela tinha que saber! Eu a escolhi! Você mesmo disse que não ia se meter! Olha só onde está agora! Se metendo! — Foi a primeira vez que ela levantou seu tom de voz.

– Mas o escolhido tinha que ser forte e corajoso! Ela é uma covarde! Ia se matar! Deixe que morra! — Senti um aperto no coração, covarde. Nunca me chamaram assim. Mas é isso mesmo que sou, ou era, por que agora vou provar que não sou fraca nem covarde!

– Escute aqui, pirralho. Ela me ajudou, quem você pensa que é pra falar assim com uma garotinha? Não são irmãos, suponho. Então, você pode abaixar seu tom de voz ou eu te jogo daqui de cima, ouviu? — Falei, digo, berrei me levantando.

– Quem eu penso que sou? — Ele olhou pra mim zombeteiro e se levantou. — Quem eupenso que sou? Quem você pensa que é! Uma inútil! Olhe só, ia se matar por que? Pode dizer pra mim ou só ela pode saber, ah, esqueci! ELA É UMA ABERRAÇÃO, POR ISSO SABE! — De repente a terra tremeu, e eu me vi em outro lugar... Mas, não podia ser, será mesmo?

– O lago... — Me permeti sussurrar, Alícia estava chorando na mesma posição de antes. — Não, querida, está tudo bem. Você não é uma aberração.

– É claro que é! Olhe onde nos trouxe! Que tipo de lixo é esse lugar? — Ele gritou chutando a grama arrancando um pedaço de terra.

– Ele... Ele... — começou a dizer a garota entre soluços. — Me cha-chamou de abe-berração. Mas... Mas... E-ele tam-também é. — E então se permitiu chorar no meu ombro, a confortei até que ela se contentou e deu um último suspiro antes de me abraçar e sussurrar um obrigada.

– Agora, com calma, o que vocês são?

– Sobrenaturais! Idiota! — Falou Doug como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

– Ah, claro. Eu converso com sobrenaturais todos os dias! Ontem mesmo estava falando com uma garota que lê mentes!

– Ah, sério? Que nem eu? — Falou Alicia limpando o nariz na manga e já sorrindo contente. Como as crianças mudam de humor rápido e... Espera! Como ela? Me afastei rapidamente dela e olhei para os dois com um tremor na voz.

– O... o que vocês fazem? Matam gente? — Estava assustada. Eram apenas crianças. Como poderiam ser monstros?

– Você está morrendo de medo! Está em pânico! Se tivesse uma faca nos mataria! Ou se mataria! — Doug estava prestes a ter um ataque de risos.

– Não, ela não faria isso, certo? — Alícia me tocou e eu senti um choque, mais nada.

– Para! Você me deu um choque! — Ela ficou de olhos abertos.

– Você não sentiu alívio? Nenhum um pouquinho? — Juntei as sobrancelhas franzindo a testa e balancei a cabeça negativamente. Não tinha medo dela, mas o garoto...

– Ela está com medo de mim, certo? — Alícia fechou os olhos e fez força, mas começou a gritar de desespero e ficar ofegante. Nós dois nos aproximamos, havia perdido o medo.

– Eu... não consigo... Ela, ela me assusta, não consigo tocá-la, não consigo senti-lá, não consigo lê-la, mais nada, agora que ela sabe, ficou indescritível!

– Vou tentar. — Ele olhou para mim. Mas me olhou profundamente, como se tentasse me fritar com os olhos e me explodir por dentro. Lhe devolvi um olhar de deboche, como se ele fosse maluco... Só podia ser essa a explicação! — Não consigo! O que é você e o que quer conosco? — Doug estava... com medo de mim?

– Eu não sei. Primeiro vocês aparecem, me impedem de me matar, me trazem pra esse lugar que só eu conheço e agora vêm me dizer que o problema sou eu? — Falei despejando tudo que havia acontecido nos últimos minutos. — Bem, eu não sei nada sobre sobrenaturais. Mas se quiserem minha ajuda, eu não tenho programas mais pra hoje. Nem pro resto da minha vida. — Dei um sorriso do canto da boca. — Quero dizer, tinha planejado me matar, mas essa garotinha não quer me deixar... então, estou livre pelo resto da minha existência.

Alícia sorriu contente e me abraçou. Doug colocou a mão no meu ombro e me imitou, sorrindo com o canto da boca.

– Bom, isso não vai durar muito, contando que você vai andar com a gente. — Falou ele.

– Ia ser mais curto ainda se eu não tivesse os conhecido, certo? Então, vamos.

– Mas, quem é você? — Ele perguntou.

– Sou... Melanie, Melanie Superna.

– Superna? O que significa? — Perguntou Alícia enquanto caminhavamos tranquilamente em direção ao nada

– Você não quer nem saber... — Respondi me lembrando do significado. Então, desaparecemos no nada. É, eu nem sabia onde estava me metendo, e acho que se soubesse, não iria ter ido. Então, foi bom que eu não tivesse conhecimento, já que nunca me diverti tanto quanto me arrisquei.

Notas finais
1 review pra me dar ânimo pra continuar? O que acham?