Os Desenhos Secretos E Perdidos De Sokka
3 Capítulo 3
Era de manhã na cidade da nação da terra. O sol estava próximo ao horizonte, e já era possível ver os contornos dos telhados das casas por entre os morros verdes e pequenos que circulavam a cidade. As pessoas ainda dormiam e poucos estavam de pé, andando entre as ruas ou dentro das casas. Um dessas pessoas acordadas era Aang.
O Avatar abriu a porta de madeira do seu quarto vagarosamente, tentando evitar que o objeto rangesse. Ele olhou para um lado, para o outro, mas havia apenas um corredor de paredes brancas e piso de pedra, completamente vazio. Ele então entrou no corredor, legando uma pequena e misteriosa maleta de meio metro, feito de bambu, com uma alça que apenas sua mão cabia nela. Ele foi caminhando lentamente pelo caminho, tentando esgueirar-se de vistas de curiosos.
Porem, ao virar a direita, na esquina do corredor, um curioso colocou a cabeça para o lado de fora do quarto. Ele era Sokka.
- Que raios é aquela maleta que ele está levando? Hum, já sei! Eu posso até ver. O Avatar encontrou os meus desenhos escondidos e, ao invés de jogar fora, ele pegou para ele e decidiu ele aproveitar para ver as mulheres nuas. Mas que sem vergonha, ficando vendo desenhos de nus. Parece um tarado depravado e sem vergonha. Quem é que teria tal depravação? Quem seria tão pornográfico e sujo de sair escondido para ver tais desenhos. E escondido numa maleta?
Ele parou um pouco, pensou, e então, enquanto fingia sorrir por causa da resposta, mas avermelhando a bochecha de vergonha, ele respondeu a sua própria vergonha:
- Eu!
- Bem de qualquer forma, eu vou pegar o Avatar no pulo. Vou seguir o Aang e quando ele for ver os meus desenhos, vou aparecer e o assustar. Nunca mais ele vai querer ver desenho algum – planejou Sokka, terminando de colocar sua corrente branca e grossa no pescoço e partindo pelo corredor.
Sokka o seguiu até a sua saída da estalagem. Aang continuava a carregar a maleta, com um enorme sorriso no rosto e com os olhos brilhantes de alegria. O seu perseguidor sabia o motivo disso, sabia que o que lhe deixava alegra era alguns papeis roubados e escondidos nesta maleta.
Aang continuou a andar, sempre olhando em volta, para ter certeza que não era seguido. As ruas eram apertadas e tinham casas pequenas e algumas de pedras, outras de madeiras, uma ao lado da outra, com janelas fechadas e portas trancadas. Não existia ninguém andando nela alem do Aang e Sokka. Esse, por sua vez, escondia-se atrás das toras de madeira que segurava o telhado da varanda de uma casa. Depois corria e se escondia atrás de uma estátua de um tigre em pedra enorme. Em seguida corria e se escondia atrás de uma carroça com feno.
Após alguns minutos, Aang chegou a uma pequena praça. Na verdade, a praça mais parecia um parquinho para as crianças. Havia nele um escorregador de bambu de tora de madeira marrom escuro, uma trepa-trepa de madeira, balanços presos com corda grossa em árvores, essas árvores eram meia dúzias e enormes com galhos espalhados e fortes, gangorra também de madeira, mas este pintado na cor verde. Havia também um grande poço de areia cor amarela claro, bancos de pedra e canteiros com plantinhas e flores de várias cores.
O menino se sentou em um dos bancos, de costa para a rua e de frente para um dos canteiros de plantinhas que havia atrás deste banco, e ele colocou o que carregava sobre a mureta de pedra que segurava a terra adubada das plantas.
Sokka via todo o seu movimento escondido atrás do escorregados de bambu, olhando por entre os degrais da escada usada para subir no brinquedo. Ele esfregou uma mão na outra rapidamente e sorriu maliciosamente, enquanto comentava para si mesmo e elogiava-se pelo seu plano:
- Sokka, você realmente é genial. O susto que você vai dar no Aang fará com que ele nunca, jamais tenha outra idéia de roubar minhas pornografias para ele ver sozinho. Isso será uma lição que jamais esquecerá.
O garoto esperou Aang retirar o dois pinos de madeira que prendia a tampa nas paredes da maleta, e quando ele retirava lentamente a tampa olhando com um sorriso infantil e olhos brilhantes para dentro dessa, Sokka correu em direção do garoto, pisando sobre a areia do parquinho, parou próximo e falou, com o dedo indicador apontando para ele como se fosse uma arma pronta para disparar, e com a voz intimidadora:
- Aha, eu te peguei Avatar.
Neste momento, os olhos de Aang brilharam fortemente em uma luz branca bem clara, junto com a sua seta que era azul, e agora parecia um show de luzes. Em volta dele começou a rodar uma forte corrente de ar, que levantava areia e folhas das árvores caídas do parquinho. Sokka retraiu o corpo, fez uma cara de surpreso e assustado e disse, antes da bola de ar o atingisse:
- Essa não...
Ele voou quase um metro de distância, caindo fortemente no fofo chão de areia do tanquinho, sentindo vários grãos entrando dentro da sua boca, lhe provocando um horrível sabor de areia suja.
O vento havia parado e o Aang havia saído do estado Avatar,quando Sokka se levantou da areia, guspindo a terra da sua boca para fora e passando a mão em volta dos seus lábios para tirar os grãos de areia que ficara grudado na sua pele.
- Sokka, que susto. O que você faz aqui no parquinho?
- O que eu faço? O que eu faço? – disse o garoto do pólo sul com o tom de voz desesperado e com os braços levantados para cima da cabeça, mostrando-se indignado. Ele continuou, aproximando-se do garoto, enquanto retirava a areia grudada da sua testa – eu estou aqui para pegar o que é meu. Você acha que eu não sei o que você tem escondido nesta maleta?
Aang respondeu com sobrancelhas curvadas e com a cara de dúvida:
- Eu realmente acho que você não sabe.
Sokka estava ao lado do amigo e na frente da maleta e do banco de pedra, com os joelhos encostados neste, quando esticou o braço na direção da tampa da maleta, a segurou, a retirou, colocou as mãos dentro dela para buscar o objeto que tinha dentro dela e falando:
- Sim, eu sei o que tem ai. Você está carregando dentro desta maleta os...
Quando Sokka retirou o objeto dentro da maleta, por entre os dedos da sua mão ele percebeu que não era nenhum papel que estava lá dentro. No meio da sua mão estava um boneco de madeira um pouco maior que o tamanho da sua palma da mão, com articulações no joelho, cotovelo e pescoço do boneco, com a cara e as roupas pintadas com tinta preta e amarela, mas bem desbotadas e quase saindo toda a tinta.
- ...bonecos? – terminou a frase com mais dúvidas do que certezas.
Aang pegou o brinquedo da mão do amigo em um ataque rápido e o colocou de volta à maleta, enquanto tinha a cara brava e dizia com a voz chateada:
- Sim, são os meus bonecos.
Sokka colocou o pé sobre o banco com o objetivo de apóia o corpo, dobrou o corpo para frente e viu dentro da maleta não apenas um brinquedo, mas vários bonecos de madeira.
- Isso são brinquedos, Aang?
- Sim, são brinquedos.
Sokka começou a sorrir, mas tentava segurar a risada. Os lábios estavam grudados um no outro, mas o músculo da face forçava Sokka a gargalhar.
- Eu não sei se você percebeu, mas eu sou um garoto de 12 anos. Doze! Eu devia estar brincando agora, e não com a responsabilidade de salvar o mundo, de aprender a dobrar quatros elementos em tempo Record, pensar em como derrotar um rei ou fugir de mulheres loucas e poderosas como a Azula. Como todo garoto na minha idade nós temos necessidades...
Ao ouvir as palavras necessidades, Sokka não agüentou e começou a gargalhar, enquanto falava:
- E nós, da minha idade, temos OUTRAS necessidades. Uhahahahahahahahahaha.
- Que necessidade? – perguntou o Aang, vendo o amigo sair de cima do banco e caminhando vagarosamente para fora do parquinho.
- Você não entenderia – respondeu o guerreiro, caminhando por entre a terra do chão e as folhas das árvores caídas e espalhadas pelo estado Avatar de Aang, e de costa para o amigo – você não entenderia.
O garotinho viu o amigo diminuindo o tamanho, a cada passo e distância que tomava. Quando ele sumiu da vista, perdendo-se por entre as ruas da cidade, pois ele voltava para a estalagem, Aang retirou uma boneca de madeira com pintura azula no corpo representando a roupa. Ele colocou os dois bonecos um de frente para o outro e falou, como se fosse o boneco quem dizia:
- Cheguei Katara. Como está em casa.
- Está tudo bem. Vamos fazer filhos? – falou novamente Aang, agora afinando a voz, tentando imitar a voz de Katara.
- Vamos – respondeu como se fosse o boneco, que o representa.
- E o meu irmão? – falou Aang novamente com a voz fina e imitando a Katara.
- Dane-se, ele é um bobão e nem sabe o que nós estamos fazendo aqui – respondeu pelo boneco, enquanto o balançava de um lado para outro como se ele tivesse vida.
Então o menino colocou a cabeça cilíndrica dos dois bonecos encostando uma na outra, como se eles se beijassem.
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