Logo após sair do consultório da psicóloga, Joana praticamente esbarrou com outra das amazonas, Júlia da armadura de Gato.

-Joana! Que bom que te encontrei, os meninos encontraram um local promissor em meio aos rochedos... Achamos que pode ser o ponto de conexão com o caminho dimensional do Leandro.

-Mesmo??

-Sim! Venha rápido... Precisamos de todos. Reunimos a turma toda.

-Pra já.

-Espero que eles tenham acertado... Quero muito que eles encontrem Rina e os outros, logo!

Era surpreendente vê-la falando assim de Rina, já que as duas haviam sido rivais anteriormente.

Eu quero encontrar logo o Betinho, pensou Joana para si mesma.

-Eu também espero que nós os encontremos logo — afirmou Joana. — Leandro é casca grossa... Não será fácil enfrentar o que quer que ele tenha preparado para os garotos e para nós.

-Absurdo isso tudo o que ocorreu com ele... Nunca íamos imaginar que ele despencaria pro outro lado, não é mesmo?? Ele parecia tão legal! Veterano de batalhas, um bom professor, amigo de todos... É muito estranho como tudo isso aconteceu...!

Joana assentia, mas, em seu íntimo, sabia que não podia concordar de todo com Júlia. Ela pressentira algumas coisas sobre Leandro — e se culpava por não ter percebido antes, antes da revelação de que ele estava atuando por si mesmo, ao invés de pelas forças de Atena. Se ela o encontrasse, ele ouviria poucas e boas, além, é claro, de receber uma boa dose de porrada. Era chegada a hora do acerto de contas de todos com Leandro — cortar o mal pela raiz, de uma vez.

-É... muito estranho, mesmo.

-Marília e Bianca já estão lá no sopé do rochedo, nos esperando — avisou Júlia. — Vamos nos apressar!!

A amazona de Gato começou a correr mais rápido, e a amazona de Águia a imitou.

-Sim... estou contigo! — exclamou ela.

Leandro... seus dias de paz estão contados. Você não perde por esperar, disse Joana em pensamento, fazendo uma promessa silenciosa a si mesma.

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Ao ouvir a fala de Matt, Scott soltou uma risada colossal.

-O que me denunciou, pequeno Fênix? Foram minhas armas? Meu visual de galã? Ou talvez...

Scott flexionou os ombros para trás, e, quase instantaneamente, surgiram asas de suas costas.

-Talvez tenha sido minha aparência alada?

Matt limitou-se a cerrar os punhos.

-Diga logo o que você quer, o que veio fazer aqui. Chega de enigmas.

-Eu vim ajudá-lo, rapazinho — afirmou o deus do amor. — Já disse. Só preciso que você tenha um pouco mais de paciência.

Ele estalou os dedos. Suas asas se recolheram, presumivelmente para dentro de sua camisa, que, talvez devido às regras que os próprios deuses tinham para si mesmos ao se manifestar em "corpos", não se rasgara em nenhum momento quando ele estava exibindo suas asas. Ao mesmo tempo, uma cadeira se materializou ali em meio à escadaria, e Scott sentou-se nela. Logo em seguida, tirou uma flecha de sua aljava e a posicionou no arco, mas deixou o arco pousado sobre suas pernas.

-Vai me atacar, então? — questionou o cavaleiro de Fênix.

-Ah, não, meu jovem. Isto não é para você. Acontece que, além de seu amigo Leandro, há outras forças de olho no que acontece no Santuário... especialmente nessa época. Eu ficarei de olho para impedir que essas forças interfiram demais na missão de vocês. A questão aqui é entre vocês e Leandro. Qualquer terceiro player estaria sobrando... seria um péssimo exemplo de espírito esportivo. Não quero ninguém atrapalhando vocês. Deuses não podem interferir diretamente, mas, quando se trata de equilibrar o plano de jogo... Tem alguns tipos de intervenção que nos são permitidos.

-Sempre com enigmas — resmungou Matt. — Eu posso então ir em frente pelos degraus?

-Deve — afirmou o deus do amor. — Seu palpite está certo. Deve subir a escadaria. Voltar, nesse momento, só te atrasaria.

Matt deu de ombros. Mas, enquanto subia as escadas, parou perto do deus.

-Seja como for, obrigado. Se não é um oponente, pelo menos não está nos atrapalhando.

-Atrapalhar vocês? Longe de mim, caríssimo Fênix. O amor pode ser surpreendente e às vezes um pouco confuso... Mas ele sempre se mostra disposto a somar, a ajudar. Basta enxergar direitinho... É como dizer: "Eu estava aqui esse tempo todo, e só você não viu".

Matt olhou para o alto, reflexivo, tentando entender as palavras de Scott.

O deus do amor balançou a cabeça e fez um gesto para que o garoto continuasse pela escadaria.

-Não é o momento agora para você tentar entender. Siga sua missão e... no momento oportuno, pequeno Fênix, voltaremos a conversar.

-Tudo bem.

Matt havia dado uns cinco passos subindo, quando parou e se virou de volta para Scott.

-Por que é o deus do amor quem está se dispondo a nos ajudar?

Scott virou a cabeça para ele e o fitou.

-O mundo precisa de mais amor, rapazinho. É fato. Leandro está espalhando o caos... Ele precisa ser detido de todas as formas. Mas, respondendo mesmo à sua pergunta... O amor está sempre em todos os lugares, e em lugar nenhum. Eu estou onde se menos espera... E a ajuda de que vocês necessitam também está onde se menos espera. Como sempre acontece com o amor. Vá em paz, cavaleiro.

Ainda tentando entender o significado daquelas palavras, Matt assentiu e continuou subindo a escadaria, deixando Scott sentado em sua cadeira, guardando o caminho para ficar de olho nos tais "outros players" que havia mencionado, seja lá quem eles fossem.