Os Cavaleiros do Zodíaco: de volta a 1747
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Rudolf tentava escrever, acompanhado apenas pelos silêncios de seu quarto.
“Então Ayesha chegou até o esconderijo...”
“Ibrahim pousou a mão no ombro do amigo e começou a lhe dizer os motivos pelo qual...”
“Ronald começou a revelar seu plano para...”
Ele finalmente largou a caneta sobre o papel e ficou olhando para o teto. Não era de hoje que ele se sentia dentro do conceito de “bloqueio criativo” – mas, nos últimos tempos, esse bloqueio se fazia cada vez mais presente em sua rotina.
Sem ter ideia de como prosseguir em sua narrativa, mesmo contando com o fator de que sua história contava com vários núcleos e várias tramas paralelas ocorrendo, ele se deixava vencer pelo cansaço e se limitava a olhar o teto, como se esperasse que uma inspiração caísse do alto, diretamente para seu cérebro.
A essa altura, Rudolf não sabia se estava com mais raiva de si mesmo ou dos personagens; o que era irônico, considerando que os personagens eram criação sua. Mas ele se queixava internamente de não conseguir dar um direcionamento aos personagens, que ele mesmo criara, e que, ao mesmo tempo, o deixasse satisfeito com o que estava escrevendo; algo que, com o tempo, pudesse lapidar ou melhorar, ou, até mesmo, sentir confiança em lançar e apresentar aos leitores.
Antes que sequer pudesse conjecturar mais alguma coisa que o pudesse tirar daquele marasmo marcado pela ausência de ideias, seu celular tocou.
- Alô.
- Rudolf? Sou eu, Joana.
Ele estranhou. Joana, do Santuário? A amazona de Águia? A voz era mesmo de Joana, mas ele não podia imaginar que motivos levariam a garota a telefonar para ele.
- Sim, sou eu, Joana. O que manda?
- É urgente. Acabei de sair do consultório da nossa psicóloga e estou indo atender um chamado na área montanhosa do Santuário. Você acha que consegue vir para o Santuário ainda hoje?
O professor de História começou a sentir a pele formigar. Ir para o Santuário? Ainda HOJE? O que está acontecendo??
É bem verdade que o Santuário gostava de resolver suas próprias pendências dentro de seus próprios limites, mas, sempre que ocorria alguma crise envolvendo o Santuário, geralmente alguma coisa respingava no “mundo real” que fazia com que Rudolf prestasse mais atenção aos noticiários e rapidamente, pudesse deduzir que aquilo teria alguma relação com o Santuário, ainda que minúscula. Mas, recentemente, não ouvira nada nos canais de notícia que pudesse fazer remeter ao Santuário. Tudo estava calmo...
Calmo até demais...
Subitamente, Rudolf se deu conta de que, se as coisas estavam tão calmas assim, ou pareciam estar, simplesmente poderia ser apenas a calmaria antes de uma tempestade estourar de vez. O olho do furacão...
Ele notou que havia passado tempo demais em silêncio.
- Alô? Rudolf, você está...
- Sim, estou aqui ainda. Estou ouvindo, Joana... Olha, não posso prometer muita coisa, por enquanto, mas vou dar um jeito, tá? Vou tentar chegar ao Santuário em... bom, o mais cedo possível.
- Perfeito. Muito obrigada, Rudolf. Eu explico quando você chegar e...
- Não pode nem ao menos me adiantar alguma coisa? – interpôs o historiador brasileiro. – Sei que uma convocação do Santuário, mesmo para uma pessoa de fora, como eu, é bem importante, mas eu me sentiria melhor se eu soubesse do que se tra...
- Rudolf, é importante. Basta você saber disso. E olha – Joana baixou o tom de voz, como se estivesse sussurrando. – Você é amigo de todos por aqui. Por isso, vou adiantar só uma coisa... Matt e os outros estão desaparecidos. Estamos procurando por todo lugar.
Rudolf se levantou de um supetão. Esqueceu-se de bloqueio criativo, personagens e de tudo o que estava pensando antes.
Matt e os outros Cavaleiros de Bronze estão desaparecidos??
Era como se houvesse ligado o cérebro do professor numa tomada. A prioridade tinha que ser encontrar seus amigos, aonde quer que eles estejam.
- Certo. Eu... Joana, estou me organizando agora mesmo. Farei o possível para chegar ao Santuário o quanto antes.
- Certooo! Muito obrigada, Rudolf. Até logo!!
Rudolf correu até sua mala e começou a jogar suas roupas nela. Além de várias coisas: varinha, mapas, cartões de crédito, tinteiro, canetas, pena, vários artefatos tantos do mundo bruxo quanto do mundo trouxa.
Como não sabia o que iria encontrar, no caminho até o Santuário e até mesmo lá, decidiu que era melhor se preparar para quaisquer das coisas que pudesse ser ameaça... seja de um lado, seja de outro.
Desde que falara com Joana, só conseguiu se concentrar em um ponto norteador em seu pensamento: Matt e os outros Cavaleiros de Bronze estavam desaparecidos. Encontrar seus amigos se tornara seu principal objetivo naquele momento, seja lá aonde estivessem. Personagens e bloqueios criativos podiam esperar...
Em poucos minutos, já estava em um uber se dirigindo para o aeroporto – e rezando para que conseguisse chegar a tempo a ponto de contribuir ativamente com as buscas. Apesar de saber que eles se arriscavam muito nas missões do Santuário, ele tinha um carinho enorme e uma consideração pelo grupo de cinco jovens guerreiros. Independente do que pudesse ter ocorrido, Rudolf não descansaria, prometendo a si mesmo em seu íntimo que se empenharia para trazer os meninos de volta para casa.
Esses meninos sempre se metem em apuros... Uma hora eles não iriam mais conseguir depender somente da sorte. Mesmo assim... farei o possível e o impossível para acha-los.
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