Os Cânticos de Prime
3 O Condenado I [3.0]
Notas iniciais
Do outro lado das grades o dia irradiava uma beleza idílica e singular. Fosse por ser a primeira manhã sem chuva em dias, ou por sentir que nunca mais veria uma manhã como aquela, o prisioneiro fitava o horizonte com olhos perdidos e lamuriosos. Por toda a vida caminhou livre por Ellrouh, sentindo o orvalho e a terra sob os pés, com o sol lhe queimando a pele escura e mulheres de todas as tribos lhe aquecendo a cama. Agora estava sendo levado para um lugar onde nada disso faria mais parte de sua rotina e de sua vida — se é que poderia se chamar de vivo, o estado de espírito que tinha agora era de um homem já a muito morto.
Terror do Norte, Predador Negro, Mãos Vermelhas. Nomes que conquistara em vida, e que agora nada mais significavam. Homens de verdade aceitam a sentença de seus crimes. Homens de verdade vestem seu destino como um manto de justiça. O prisioneiro havia maculado as próprias mãos com o único sangue que um homem jamais poderia derramar. Não devi; sim, devia, o fez, e saciou-se disso, não poderia apenas não ter feito. Não recordava-se do momento em que o Sangue subira por sua alma controlando seus instintos, mas a cena que vislumbrara anteriormente ainda ardia vivida nos espelhos de sua mente e sabia que queimaria em seus sonhos por um longo tempo.
A carroça enveredava em direção ao sul, rumo a Rota do Mercador. Puxada por dois jumentos cinzentos, guiados por um homem encolhido que parecia já ter passado dos quinhentos anos de idade. Não emitia nenhum som e se não fosse pelas vezes que enxotava os mosquitos com a mão, o prisioneiro já o teria dado como morto. Os dias e as noites anteriores haviam sido frias e úmidas, mas em nenhum momento ouviu o velho cocheiro murmurar ou fraquejar. Fosse sob chuva ou fosse sob sol, o ancião mantinha sempre as rédeas em mãos, mesmo que de forma insegura.
Logo a frente, seus três algozes mantinham o passo, escoltando a carroça pelos grandes bosques e florestas do norte. Paravam duas vezes ao dia para descansar e alimentar os cavalos. Quando a caça era farta, repartiam com os prisioneiros. Mas quando Qodoro não tinha muito êxito — ou simplesmente não se incomodava em esforçava-se para isso, o que acontecia com bastante frequência — o prisioneiro e seus cinco consortes não eram alimentados.
Haviam deixado Qarapia às pressas e sem sequer um julgamento. O Qarh logo o declarara culpado. No dia seguinte já havia sido despachado com seus três algozes a escoltá-lo em direção à Dazmorra. Saíram com o mínimo de peso possível para que chegassem logo ao seu destino. Os jumentos e seus consortes pareceram vir como parte do castigo. Queriam humilhá-lo e envergonha-lo. Terror do Norte, Predador Negro, Mãos Vermelhas, nenhum desses nomes importava mais, agora era apenas um homem morto preso a outros simplórios homens mortos; homens que sequer mereciam Dazmorra, duvidava que eles tinham feito mais do que roubar algumas galinhas e cebolas.
O sol luzia no céu e os feixes atravessavam as folhas da árvores como se elas fossem aqueles vestidos de ceda que as donzelas usavam no leste. O canto dos rouxinóis enchia o ar e carregava o prisioneiro para um profundo recôndito de sua mente, onde ele guardava seu passado.
Quando recebeu sua marca, no dia que o chamaram pela primeira vez de Terror do Norte, ninguém havia crido que ele retornaria do Além Norte com uma fera das neves, mas ele retornou, depois de muitas luas e muitos sóis. Se foi menino e retornou um homem, com pêlos na face, músculos definidos e uma virilidade de suar as coxas de qualquer mulher. Todas o queriam, todas desejavam o homem que trouxera para Qarapia a pele de uma fera branca. De repente as imagens se tumultuaram, e onde a nostalgia lhe enchia o âmago, agora apenas sangue e dor fluía em seus pensamentos. Mordeu os lábios em uma tentativa de dissipar os pensamentos e sentiu o gosto do próprio sangue. Os homens ao seu lado o fitavam com olhos curiosos. Ao se virar para eles, todos desviaram os olhares e fingiram indiferença.
Eram homens de terra e não de ferro. Pobres coitados desafortunados, vítimas de um tempo onde os fortes vencem e os fracos alimentam os insetos e os corvos. Não sentia pena deles, ele mesmo já havia cortado a cabeça de muitos como eles, era seu trabalho manter a Justiça do Qarh. Ladrões não eram permitidos em Qirarr, não importava se roubavam em nome da fome ou da família. O norte era justo e íntegro, nenhum homem preto se tornaria como a casta imunda do leste. Nenhum. Se fosse Alistar que tivesse os caçado, teriam sido poupados de tamanha desgraça e encontrariam uma morte rápida e limpa; não Dazmorra. O medo em seus olhos deixava claro que não estavam preparados para o findar daquele caminho. Fediam a terra, mijo e lágrimas. Nunca se imaginaria preso a gente daquela estirpe, homens que sequer eram capazes de manter o coração resoluto diante da morte eminente. Talvez estivessem preparados para morrer de fome, abandonados nas masmorras de Qarapia, ou até preparados para morrer em um combate sem honra, brandindo uma foice ou um cutelo contra um qaeregui. Mas Dazmorra? Não esperavam por uma sentença tão severa, não estavam preparados para isso.
— E que homem está preparado para o ferro que sorve sangue? — pensou alto.
À beira da estrada, um rouxinol pousava ao lado de um sulco, mergulhando o bico na água empossada e soerguendo-o. O prisioneiro nunca havia se prezado a admirar os pássaros, eram animais frágeis e escusos. Vez e outra serviam como uma fraca refeição, mas agora, sentindo cada vez mais o peso dos seus últimos momentos, conseguia ver certo encanto nas aves. Seu fascínio por elas aumentava conforme as vislumbrava ruflando as asas e voando em direção ao largo céu azul em direção a liberdade. E o canto; uma canção suave e matreira, feito uma gargalhada cínica e desdenhosa. A risada de um ser livre frente a outro preso em uma gaiola. Poderia cantar para elas em resposta, mas não conhecia nenhuma canção. Se um dia as reencontra-se, cantaria para elas, uma canção sobre grades e asas que ele mesmo comporia; mesmo que ninguém nunca tivesse ouvido um qirarriano cantar.
Após um longo período serpenteando por árvores e raízes, quando o sol já estava no meio do céu, alcançaram um vale de vegetação rasteira e desprovido de árvores. Não havia mais pássaros cantando, sulcos e sequer havia sombra. Um silêncio tímido tomou conta, preenchido apenas pelo barulho da carroça e seus animais de tração puxando-a pelo caminho delineado na grama.
Os mosquitos eram os únicos determinados a acompanhá-los. Esvoaçavam ao redor de suas cabeças, buscando um local sobre a pele suada para repousar e picar. Os prisioneiros já não se importavam mais com eles; ou criaram uma certa resistência e paciência invejável até aos grandes sábios da noite. Já havia percorrido toda Qirarr em épocas de muito calor, muita chuva e muita geada. Já havia se acostumado com a vida na estrada, enrijecido seus músculos e seu espírito desde muito jovem. Insetos para ele nunca foram problema, agora para seus companheiros? Quatro deles já estavam empolados e vermelhos logo no segundo dia de viagem. Um — o mancebo que sequer parecia ter realizado sua primeira caçada — foi o mais resoluto. Manteve a postura firme desde o principio, ao contrário dos demais, nunca abriu a boca para reclamar, clamar por água ou lamentar sua desgraça. Era um rapaz esguio, de ombros encolhidos e alto o bastante para intimidar aos mais franzinos. Tinha na face uma expressão compenetrada. O prisioneiro não gostava dele.
O sol havia aquecido as barras de ferro, levando todos — exceto ele — a se afastarem e se amotinarem próximos ao centro da carroça. Não se importava em ter a pele queimada, estava acostumado a dor e ansioso pelo calor, permaneceu com as costas nuas escoradas as grades enquanto todos os demais estavam próximos o bastante para sentirem o hálito um do outro. Uma nuvem de mosquitos esvoaçavam ao redor dos cinco homens que já se sentiam incomodados e inquietos. Até o rapaz fazia caretas para tentar afastar os mosquitos que pousavam em seu rosto crestado. Não importava como tentasse aparentar, o prisioneiro tinha talento para ver por trás das carrancas de homens que fingiam ser mais homens do que eram. Via nele uma total inabilidade, na certa era um rapaz desengonçado. Alto demais entre os baixos, baixo demais entre os altos. Esguio demais para ter alguma força nos braços, os ombros curvados de uma garotinha tímida e nenhum pêlo no rosto. Não era um qaeregui, por mais que fingisse, nunca seria. Era apenas um garoto do campo sentenciado a ser mais homem do que estava preparado para ser.
Perguntava-se se devia se sentir humilhado e insultado, preso a homens feito aqueles. Buscava em si o orgulho da noite, o orgulho qaeregui, o orgulho do norte, mas não encontrava mais nada. Estava quebrado demais para conseguir juntar os cacos do próprio orgulho. O Qarh não precisava tê-lo enviado para a perdição, ele já estava perdido em si mesmo. Mergulhado sem sua própria culpa. O caminho que ele tinha seguido não havia volta, mas ele tinha que segui-lo, era o único caminho que restava.
Tinha os lábios cerrados e secos, e até os mosquitos haviam dissipado-se a certa altura. O sol reinava sozinho no azul límpido do céu, as nuvens negras da noite anterior eram vistas ao sul. À sua frente, um dos prisioneiros murmurava enfurecido.
— Não nos darão água? Não vejo água desde sabe-se lá quando — havia chovido naquela manhã. Ele tinha a pele descascando-se e os lábios rachados. Aparentava ser o mais velho deles, com o cabelo raleando nas têmporas e com a barba tomando seus primeiros tons grisalhos. Voltou a clamar por água até lhe faltar fôlego, mas ninguém se importou. Então ele ergueu-se na cela sobre rodas e chutou as grades.
— Malditos, estou morrendo de sede aqui.
— Você já está morto, só não percebeu ainda — disse Altoro pelos ombros alguns metros à frente. — Se ainda se considera vivo, morrerá em poucos dias, não tem motivo para desperdiçarmos água com você.
Achou graça naquilo, por que faria o mesmo. Vieram com recursos limitados para serem mais ágeis, não poderiam desperdiçar a água que tinham com homens já mortos. O Rabeira era o único rio onde poderiam encher os odres e tonéis e ainda faltavam dias naquele ritmo para chegarem alcança-lo. A esperança que deveriam ter era da Dama da Noite ser misericordiosa e mandar novamente a chuva para banhá-los e nutri-los.
De qualquer maneira, o velho não desistiu de bradar pragas e maldições. Uma grande veia subia em seu pescoço enquanto ele chutava as grades, fazendo a carroça e o cocheiro balançarem. Então os três cavalos logo a frente estacaram sob o sol ardente.
— Eu deveria cortar sua cabeça aqui agora e deixar seu sangue regar essa terra — disse Bardoqe aproximando-se com seu cavalo.
Retirou o odre que tinha preso à cintura e ofereceu para o homem através das grades. Antes do velho homem agarrar o odre com as mãos algemadas, ele o puxou de volta, abriu a tampa e sorveu alguns goles. Então, quando pareceu que tomaria toda a água, parou e cuspiu dentro do recipiente.
— Tome, faça durar até sua morte — disse jogando o odre através das grades e trotando de volta para junto dos outros dois qaereguis.
A carroça voltou ao seu ritmo e o homem tomou toda a água sem hesitar.
Dias se passaram sem que uma gota de chuva caísse do céu. Naquele dia o sol cálido já espreguiçava-se a extremo oeste, e ainda não haviam recebido comida e nem água, apenas um longo e monótono caminho através de uma floresta erma que seguia para a Estrada do Mercador.
O prisioneiro já sentia-se zonzo e com a boca no mesmo estado de um deserto. O gosto amargo havia se intensificado e seus lábios eram uma linha fina ansiosa por água. Mesmo sob a sombra das densas árvores, sua pele ardia queimada, mas isso pouco importava. Mantinha-se quieto e silencioso a maior parte do tempo, enquanto ouvia seus companheiros cochichando de tempos em tempos. Falavam de assuntos triviais. De suas famílias, amantes, caçadas e os motivo de estarem ali. Exceto o rapaz, que manteve-se reservado e guardando seu passado para si, todos trocaram histórias. Rálio era o mais velho; aquele que havia tomado o muco de Bardoqe. Foi pego roubando ovelhas de um Arh e enviado para as masmorras de Qarapia. Os outros três haviam dito seus nomes, mas Alistar não se prezou a lembrar-se. Estava enfarado e ávido por chegar logo a algum riacho — ou à morte derradeira, o que viesse primeiro.
Quando o sol se pôs e o céu foi tomado pela abundância de estrelas, a carroça estacou em uma clareira e logo à frente Qodoro, Altoro e Bardoqe desceram de seus baios negros. Era rara as vezes que faziam isso, a última vez que pararam para dormir fora há três dias, na maioria das vezes dormiam sobre as celas; para chegarem em Dazmorra o mais rápido possível. Altoro preparava suas pederneiras e buscava galhos secos para fazer a fogueira, Qodoro armava seu arco e observava entre as árvores com olhos aguçados. Bardoqe se mantinha atento à carroça, fazendo vigília enquanto o velho cocheiro soltava os jumentos para pastarem juntos aos cavalos.
O prisioneiro sentia seu estômago revirando-se em um nó e a consciência cada vez mais distante de sua mente. O ardor da tarde ainda era sensível, mas o frescor da noite vinha aos poucos, cobrindo-o como um emplastro de gelo, curando suas queimaduras; ou ao menos era como se sentia. Então reclinou a cabeça para um lado e sonhou.
Acordou com Bardoqe lhe cutucando as feridas com um graveto longo e rígido. Em uma mão lhe oferecia uma cuia com água.
— Beba logo, se não usarei essa água para refrescar minhas bolas. Ah, como elas estão assadas — murmurou ele.
Alistar logo esticou as mãos algemadas e agarrou a cuia da melhor maneira que pôde. Tomou aos poucos, deixando os lábios ressecados banharem-se e recuperarem um pouco da sensibilidade. Quando acabou ansiou por mais, mas não esperava que lhe fosse dado tanto privilégio. Os demais também haviam tomado suas porções e estavam reclinados nas grades, sentindo a brisa e o ferro gelado lhes resfriar a pele. Qodoro, Altoro e o cocheiro estavam ao redor da fogueira esperando por um pequeno tatu que assava sobre as chamas, pequeno demais para quatro homens, quem dirá para onze.
Mais um dia sem comida, e com a barriga a grasnar.
Bardoqe ainda estava ao seu lado nas grades.
— Já tenho homens demais próximos de mim, não preciso de mais um — disse a ele com sua voz cava e debilitada.
— Você se acha não é Terror do Norte? Um homem como você, criado rodeado por gente que te trazia comida quente e limpava sua bunda. Um qaeregui mimado, cheio de requintes — cuspiu aos seus pés na cela —, um homem como você nunca deveria ter superado o passe.
— Sim, eu superei o maldito passe e me tornei um qaeregui, vai mesmo chorar por isso? — respondeu com a voz fraca.
Bardoqe apenas sorriu com desdém.
— É você que tem motivos para prantos moleque. Vou esperar ansioso pelo momento de seu choro, o Qarh vai adorar ouvir essa história.
— Não acho que você seja tão criativo assim para criar uma história tão fantasiosa — retorquiu com a voz falhando.
Uma veia subiu na testa de Bardoqe.
— Morra maldito, e faça o favor de não encontrar o caminho das estrelas.
Alistar olhou para o céu através das grades. A lua crescia e as estrelas piscavam brilhantes.
— Não preciso de mais maldições, já carrego o bastante para várias vidas.
— Se a Dama da Noite for justa não te dará outra vida, mesmo que seja para vive-la em desgraça — sussurrou Bardoqe antes de cuspir em seu rosto e retornar para a fogueira.
É por isso que eu anseio, pensou sem limpar o rosto.
A noite transcorreu-se com um silêncio profundo que era interrompido apenas pelo farfalhar dos predadores noturnos através da mata. Ao redor da fogueira, três formas escuras jaziam deitadas a luz da fogueira quase extinta, enquanto uma quarta fazia guarda, observando as últimas brasas estalarem em um crepitar quase inaudível. À um canto onde o capim era mais verde, dormiam os jumentos e os cavalos, erguidos sobre suas patas. Nas grades sobre a carroça os prisioneiros dormiam, exceto um. Ele não havia fechado os olhos após o andar da noite e a chegada da madrugada, sentia-se insone e desconfortável com as palavras de Bardoqe. Por mais que sua vida tivesse ficado para trás, o homem que havia sido ainda vivia em seu corpo. Terror do Norte, Mãos Vermelhas, Predador Negro. Seus nomes poderiam ter morrido com ele e até serem esquecidos um dia, mas ainda ele ainda era o primogênito da noite; e não um bastardo como todos os outros. Talvez fosse essa a maior de suas maldições, sua maior iniquidade.
Mordeu os lábios para voltar a realidade. Não queria ser mais ninguém, apenas ansiava encontrar o abraço da morte e o beijo da Dama da Noite. Ele não seria benevolente com ele; ele mesmo não seria, se lhe fosse dado o poder de decidir o próprio destino.
Ao seu lado, deitado no piso da carroça, escutou um som plangente. Primeiro achou que era apenas sua mente perdendo-se no silêncio e criando barulhos em que se distrair, mas o som continuava e permaneceu até que ele não o suportou mais e o cutucou com o pé. O rapaz sobressaltou-se assustado, erguendo a cabeça em sua direção com olhos úmidos que brilhavam como as estrelas no céu. Pareceu envergonhado e enxugou as lágrimas nas costas das mãos. Ranho escorria por suas narinas e descia para sua boca dando a ele uma expressão idiota. Fitou-o com um olhar frio.
— Se chora sob as estrelas, não é digno do brilho delas menino — disse a ele num sussurro penetrante.
O rapaz abaixou os olhos e seu rosto se tornou oculto na noite.
— Não sou um menino — respondeu sem se preocupar com a altura da voz.
— Também não é um homem.
O rapaz pareceu ofendido, mesmo camuflado na escuridão.
— Sou homem o bastante para encarar a morte — sua voz rouca e grave era como um grito naquele silêncio. O prisioneiro manteve o tom baixo e respondeu:
— Se chora diante dela, não é um homem, muito menos um qirarriano.
Nisto o rapaz ergueu-se na carroça em um solavanco, sua cabeça bateu no teto produzindo um baque que chamou atenção do vigia que mando-os calarem. Pôde reconhecer a voz de Qodoro, o qaeregui anão, como o chamavam alguns. Ele não era um anão, mas era o mais baixo de todos eles, mesmo que isso não influência-se em em nada na sua pericia com a espada.
O rapaz sentou-se com as correntes balançando-se sonoramente.
— Parece ansioso por sua morte menino que se acha homem. Talvez ela te leve antes de mim — disse à ele.
— Eu não a temo — respondeu o jovem, tentando um sussurro.
— Então chora de felicidade por estar indo em sua direção? É mais idiota do que parece, todo homem a teme.
— Até você? — indagou-o.
Odiava lágrimas, e a morte era a mãe delas. Naquele dia seus olhos derramaram lágrimas vermelhas.
Até eu. Até mesmo eu, e aqueles rostos vieram em sua mente.
Chorou.
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