Os Anjos da Minha Vida

3 Capítulo 3 - Richard


Notas iniciais
Olá! Faz um tempinho, hein?
Quero mandar um super beijo para a Raqueel17, por ter deixado um review *-*
Espero que gostem.
Beijos :*

Não preciso nem dizer com o que sonhei, mas preciso acrescentar que, desta vez, não era apenas um rapaz. Eram dois. Um me perseguia e o outro continuava no mesmo lugar de sempre. Com o mesmo sorriso assustador de sempre.

Apesar de ter dormido ultra — cedo, acordei novamente às cinco da manhã. Levantei e fui até o quarto de meus pais, nenhum deles havia regressado.

Fiz minha rotina e, quando estava saindo, minha mãe entrou em casa. Estava horrível. Olheiras fundas, cabelos oleosos e olhos um tanto quanto esbugalhados.

- Mãe! – exclamei, abraçando-a — Você está horrível!Está tudo bem?

Ela sorriu.

- Estou bem, só bastante cansada. Vou dormir,depois nós conversamos.

Assenti e ela foi para seu quarto. Eu sabia que, apesar das noites insones e tudo o mais, ela amava seu trabalho. Sorte a dela.

Como se eu tivesse alguma alternativa, fui para a escola. Pensando que, mesmo se eu quisesse, não poderia seguir os passos de minha mãe. E Nora ainda chamava aquilo de “dom”, até parece!

Assim que cheguei, Hayley veio me cumprimentar:

- Angeline! Meu deus, eu fiquei tão preocupada!Aquele tempo maluco... parecia inverno. E você com aquela camiseta de manga curta.

- Nem estressa. Sou dura na queda. – brinquei – Admito que quase virei picolé, mas aí...

- Mas aí o super herói Paul Smith, irmão do maravilhoso Adam, apareceu e salvou o dia. Agora, o lindo irmão de Paul vem pedir a jaqueta de volta.

Eu bufei, virando-me para Adam e, por um instante perdendo-me em seus – assustadores e magníficos – olhos azuis. Por sorte, logo recuperei o fio da meada.

- Infelizmente, o idiota do irmão do super herói não vai conseguir a jaqueta. – falei

Ele sorriu.

- E por que não?

- Simples. Paul me emprestou. Vou devolver a ele.

Adam deu de ombros e eu me virei para Hayley murmurando um “idiota”. Ela riu e Adam colocou-se atrás de mim, segurando meus ombros com firmeza e roçando os lábios em minha orelha (o que me fez tremer) enquanto sussurrava:

- Eu ouvi isso, mon ange. Cuidado, um dia eu posso me irritar.

- Já conheci gente muito mais assustadora que você, então vê se me larga. E volte para Marte. – falei, me sacudindo.

- Eu volto para Marte, mas só se você for junto. – disse ele, me largando e sorrindo de lado.

- Nem morta. – eu disse e, pegando Hayley pelo braço, caminhei para longe dele.

O que havia comigo, afinal? Ele era sinistro. Obscuro. Misterioso. E com certeza perigoso. Se bem que, pensando por esse lado, eu sabia o que estava acontecendo. A maioria dos anos de minha vida eu passara assim: a base de adrenalina e perigo. Ah! E de socos, machucados e sangue. Não que eu quisesse, eu simplesmente não tinha escolha.

Só que agora, depois de tanto tempo, eu estava percebendo o que estava acontecendo. Sempre me perguntavam por que eu não namorava ninguém, os humilhava, até. Mas eu não sabia a resposta. Agora sim: a calmaria não me atraia. A mansidão também não. Eu gostava da ação, do mistério, do perigo. Acho que depois de tantos anos cara a cara com ele, acabei desenvolvendo uma cera “afeição” por tudo que produzisse adrenalina no meu corpo e quer saber? Aquilo era uma droga.

- Impressão minha ou aquele garoto está a fim de você? – perguntou Hayley, assim que nos distanciamos de Adam.

- Não sei. E não quero saber. Gosto do meu status “offline” para garotos. – respondi, calmamente.

Ela riu.

- Gostando ou não, você ainda senta com ele. – falou.

- Dane-se. – disse, indiferente – Eu não preciso falar com ele só por que o idiota do professor colocou-o lá.

- Você tem razão. Nos falamos no almoço. Até mais. – Hayley foi para seu lugar e eu para o meu.

Depois de um tempo, os irmãos Smith entraram na sala. Eu peguei a jaqueta de Paul – que estava em minha mochila – e fui até eles, a contragosto.

— Obrigada. – murmurei, devolvendo a jaqueta em questão.

- Disponha. – respondeu, indo sentar-se.

Fiz o mesmo, sendo seguida por Adam.

Eu sentei.

Ele sentou.

Eu não disse nada.

Ele falou:

- Você está brava. E confusa.

Bufei.

- Sabe, Adam, você não é capaz de provocar minha ira.

Ele sorriu largamente – e provocadoramente.

- Mon ange, eu sou capaz de provocar em você todos os sete pecados capitais. Ira, gula, avareza, vaidade, inveja, preguiça e, o mais importante, luxúria.

Eu ri, sem humor algum.

- Sonhe! E não me chame de mon ange. Eu não sou seu anjo. E nunca serei. – disse, friamente.

- Veremos. – falou ele, colocando um fio de cabelo rebelde atrás de minha orelha. Então ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido – Veremos, mon ange.

- Pode tentar, Idiota. E não me chame assim!

Ele riu e depois se virou para frente.

Eu torci para ele ficar mudo. Quem sabe?

O resto do dia correu e quando vi, já era hora de voltar para casa. Ah! Você deve estar se perguntando sobre Hayley... ela passou mal e teve de ir para casa no segundo tempo. Admito que fiquei preocupada.

De qualquer forma, quando o dia letivo acabou, fui quase correndo para casa. Objetivo? Saber com riqueza de detalhes coisas sobre o incêndio.

Abri a porta, já gritando por minha mãe. Que respondeu:

- Estou na cozinha!

É claro que sim. Minha mãe era conhecida por cozinhar divinamente bem. Estou falando sério, um chef de cozinha francês perdia feio para ela.

Fui até lá, provando um biscoito que estava em cima da mesa.

- Hum, muito bom, mãe. – murmurei, assim que dei a primeira mordida.

Ela sorriu para mim, desconfiada.

- Nem vem, Angeline. Conheço você bem demais. – falou ela – Você quer saber sobre o incêndio. A minha pergunta é: por quê?

Dei de ombros, tentando parecer sincera:

- Curiosidade.

Ela sacudiu a cabeça. Anos na delegacia de policia significava um faro sobre-humano para detectar mentiras.

- Você acha que me engana, mas eu sei, eu sempre soube que não é mera curiosidade. Angeline, eu ignorei por muito tempo esse seu interesse sobre cada morte que acontece na cidade, porém, acho que é hora de você contar a verdade.

A encarei e tentei não engolir em seco. Eu não podia dizer a verdade. Ela fora treinada para ser crítica. O que? Minha mãe jamais iria acreditar!

- Não sei sobre o que você está falando. – disse eu, com voz inocente.

Catarina suspirou.

- Quando estiver pronta para falar a verdade, é só dizer. – falou minha mãe, calma -Agora, haviam cinco pessoas na casa, durante o incêndio. Todas elas tinham de 18 á 24 anos. Duas garotas e três garotos, eles estavam na faculdade. Nenhum sobreviveu.

Engoli rapidamente o que sobrara de meu biscoito e perguntei:

- Alguma teoria sobre as causas do incêndio?

Ela me analisou, suspirando.

- Ao que tudo indica, foi acidental. O gás teria ficado ligado a noite toda, e na manhã seguinte, quando um rapaz foi fumar, acabou morrendo intoxicado e ali teria iniciado-se o incêndio.

A olhei, em duvida.

- Fala sério! Um cigarro? Então por que eles não fugiram?

Minha mãe deu de ombros.

- Eles estavam dormindo.

- Você não parece convencida disso. – palpitei – Mas, se não foi acidental, o que teria acontecido?

- Aí que está. Tudo foi consumido pelo fogo, os corpos, os papeis, os móveis. Tudo. – falou, frustrada.

- Tenho certeza que você vai descobrir o que de fato aconteceu. – disse eu, tentando passar convicção.

Catarina sorriu para mim.

- Obrigada.

- Imagine. Eu vou tomar banho e fazer os deveres, depois eu desço para ajudar na janta. – falei, indo para meu quarto.

Quando entrei, quase tive um ataque cardíaco. Prendi a respiração e perguntei, sussurrando:

- Quem é você?

O rapaz que estava deitado em minha cama me olhou, descrente.

- Você consegue me ver? – perguntou ele.

- Não, — respondi, irônica – estou falando com meu amigo imaginário. Agora, quem é você?

Ele fez cara de tédio.

- Meu nome é Richard, e você, quem é?

- Angeline, é um prazer. Mas será que pode explicar o que faz aqui? – perguntei, indignada.

Richard me olhou tristonho.

- Eu não sei, quando dei por mim já estava aqui. Não sei o que está acontecendo, ninguém consegue me ver, meus pais não param de chorar, e eu nem sei o por que!

Me aproximei, joguei a mochila no chão e disse, com toda a delicadeza que se pode ter em uma hora como essas:

— Desculpe, Richard. Isso pode ser um pouco duro de aceitar, mas você está morto.

Ele arfou. Eles sempre arfam e depois dão uma explosãozinha a parte, pelo menos a maioria deles. Parecia que Richard era uma exceção.

- Droga. – falou ele, dando um tapa na cabeça – Bem que minha mãe avisou que fumar faz mal para a saúde.

Tive que conter um sorriso, ao responder:

- Pois é, ela tinha razão.

Notas finais
E aí? *-*