Os Últimos Hérois - Fic Interativa

12 Aves estranhas estragam meu passeio


Notas iniciais
Olá pessoal, Red aqui. Antes de mais nada quero me desculpar pela demora. Mas enfim... deixemos a lamentação para depois. Mais um capítulo para vocês,eu realmente espero que gostem.
Abraços

The Rembrandts — I'll be there for you

http://www.youtube.com/watch?v=835DW5oYbzE

Sophie

Convencer meu pai a me deixar acampar não foi uma tarefa muito fácil. Não que ele se importasse muito. Ele ainda parecia me culpar pela morte da minha mãe, já que ela morreu no mesmo dia em que eu nasci.

Para ele, o mais importante era servir o país com honra, como um bom militar, eu não estava em sua lista de prioridades. Só quando o assunto era uma bronca por causa de uma nota baixa, uma briga com alguém na escola ou quando eu estava protestando com meus amigos contra a derrubada de árvores.

Meu pai e eu não nos víamos muito, já que ele passava a maior parte do tempo em missões para a marinha. Washington para ele era uma espécie de segunda casa, a base militar do Arizona era seu verdadeiro lar. Eu só via ele uma vez por semana, quando via. Eu não me importava, tenho 17 anos, aquela idade em que fingimos que o que nossos pais fazem não nos afeta. No meu caso, acho que é mais um mecanismo de sobrevivência.

Ele é tenente do Décimo Segundo Batalhão da Marinha dos Estados Unidos. Acho que é importante. Para falar a verdade, nunca procurei me inteirar muito sobre hierarquia militar. Preferia cuidar do jardim com Tia Mary. Plantávamos alfaces, morangos, abóboras e também havia outros tipos de árvores frutíferas. E Armas.

Bom, pelo menos ela estava lá no meu último aniversário, escondida entre os arbustos. Uma caixa, feita de uma madeira antiga, toda estilizada com desenhos clássicos. Os desenhos entalhados na caixa representavam cenas de mitos gregos. Assim que vi a caixa, larguei o regador no chão e corri fascinada até ela. Dentro havia uma linda espada, feita de um material que eu não pude definir. Além da espada havia um bilhete “Um dia você a empunhará com honra”

No inicio pensei que fosse meu pai que havia me presenteado. Ele era militar, uma arma seria um ótimo by CouponDropDown\">presenteem sua opinião. Depois descartei a Hipótese. Poderia ter sido tia Mary. Mas como ninguém falou nada, decidi que manteria segredo sobre isso.

O que não foi fácil, já que eu tenho uma leve tendência a falar demais. A única que adora me ouvir é Tia Mary. Enquanto cuidávamos do jardim ela ouvia interessada meus monólogos sobre professores chatos, garotos bonitos da escola, como os ônibus escolares deveriam ser melhores, enfim, tudo o que me vinha na telha. Ela sempre tem algo interessante a dizer sobre o que quer que estejamos conversando.

Tia Mary parece uma daquelas hippies antigas. Não por causa das roupas, era mais na forma de pensar e ver o mundo, ideologia mesmo. Ela se dá bem com meu pai, mas eu sei que ele reprova o jeito livre dela. Ela vota no partido verde, meu pai é um republicano nato. Os dois viviam discutindo política. Era engraçado ver eles se alfinetando e fazendo as pazes. Eu sei que, embora eles tenham visões de mundo totalmente diferentes, há muito respeito entre os dois.

Foi graças a minha tia que consegui acampar com meus amigos. Sem a boa intervenção de tia Mary, duvido que eu conseguisse convencer meu pai. Provavelmente, ele jamais me deixaria fazer o que ele considera uma atividade sem sentido. Para o tenente O’Hanoly, usufruir da natureza só servia quando era para aprender técnicas de sobrevivência.

- Por que você quer acampar? Você vai entrar na faculdade semestre que vem, deveria estar mais preocupada com isso.

-Papai, eu estou preocupada. É por isso mesmo. Acampar com meus amigos vai me ajudar a...

-A ter mais responsabilidade, aumentar habilidades sociais e....

-Ok, já entendi Mary, mas não creio que Sophie esteja interessada nisso tudo.

-Eu estou – disse veemente- Papai, por favor, vai ser bom para mim.

-Ok, vou pensar no assunto.

Ele demorou cinco dias pensando no assunto. Bom, não pensando no assunto, já que passou o resto da semana na base militar da Arizona. O fato é que, quando perguntei se poderia ir no domingo, ele me olhou com uma expressão estranha, como se tivesse tentando se lembrar de algo.

-Acampar? Ah sim, claro, claro.

Então eu corri satisfeita para contar a novidade para minha melhor amiga Lori.

Lori era o tipo de garota que valia a pena ter por perto. Simplesmente não tinha tempo ruim com ela. Se havia algo com que eu podia contar no mundo era o seu sorriso. Eu me mudava muito, já que meu pai era militar, mas, depois de alguns anos, meu pai decidiu que eu precisava de um lar permanente. O que foi uma sorte. Morar com Tia Mary no Tucson, a cidade onde nasci, era o melhor que poderia me acontecer.

Assim que mudei para a St. Patrick High School, fui recebida com um sorriso amigável de Lori.

-Sua camisa é legal- disse a garota observando a frase estampada na minha camisa verde “The Earth first”. E assim começou uma bela amizade.

Quando falei que havia conseguido permissão, minha amiga aproveitou para soltar uma de suas típicas frases Lorianas:

- O velho liberou!

E começamos os preparativos: comprar barracas e repelentes, checar as mochilas, convidar o resto do pessoal, o tempo simplesmente passou voando. Quando me dei conta, duas semanas haviam se passado e eu estava entrando no velho Corsa azul de David, o namorado de Lori. Seriamos oito adolescentes no total. Meus amigos e as velhas montanhas no Arizona, eu não podia pensar em nada melhor.

Demoramos cerca de duas horas para chegar à área de Camping de um Parque ecológico que ficava perto da fronteira do estado, nas famosas Montanhas do Arizona. Assim que chegamos, minha euforia foi substituída por desapontamento. Kate, uma das garotas mais irritantes do universo, estava lá.

Kate viva implicando comigo. Ela sempre fazia questão de deixar claro sua opinião sobre mim.

“- Ah Sophie querida, por que você não dá um jeito nesse cabelo? As pessoas vão pensar que você tem problemas, andando com essas camisetas estranhas e com esse cabelo desgrenhado.

-Sério? Bom elas vão estar certas. Eu tenho problemas Kate.

- “Ah Sophie, só por que você não tem mãe não significa que você tenha que andar desse jeito.”

E esse é só um exemplo dos grandes diálogos que tínhamos. Eu secretamente já havia matado Kate de diversas maneiras. Pode apostar, eu sou bem criativa nisso. Assim que nos encaramos fiz o possível para manter uma postura amigável. Não iria deixar aquela garota estragar minha diversão.

-Oi Kate — disse Lori se aproximando com um meio sorriso — O que você está fazendo aqui?

-Ah, ouvimos vocês combinando de acampar eu achei uma ideia genial. Achei que seria legal se pudéssemos passar um tempo juntos. Sabe, a turma toda reunida.

Lori fez um som estranho e algo que parecia uma careta.

-Com certeza. Seria suuuper legal.

Definitivamente minha amiga também não gostava de Kate. Apesar da presença desagradável da Patricinha e sua turma eu estava me divertindo com meus amigos. Passamos o dia arrumando as coisas, explorando, observando os diferentes animais. Eu havia perdido a conta de quantos esquilos eu já havia visto. Aquele lugar era magnífico.

Quando nos sentamos à noite, fizemos uma fogueira e começamos a cantar. Eu sei que isso pode parecer meio patético, mas acampar sem fazer uma cantoria ao redor de uma fogueira é como ir a Praia e reclamar do calor, não faz sentido.

Depois da décima música já estávamos rindo feito malucos. Ninguém ali tinha vocação para ser cantor e era divertido ver todo mundo desafinando. Quando cansamos de cantar começamos a falar sobre o futuro. O que faríamos, que faculdade escolheríamos. Alguns disseram que não iriam fazer faculdade, o que meio que me chocou um pouco, afinal, sendo filha do Sr. O’Hanoly isso era quase que inadmissível.

- Então Sophie, seu pai vai fazer você seguir carreira militar também?

Ótimo! Lá vamos nós. Por que essa garota simplesmente não me deixa em paz?

-Não, Kate. Eu estou pensando em fazer Biologia.

- Ah interessante. Sua tia não é formada em Biologia também? Aquela Hippie meio estranha?

Sinto a raiva se formando como ondas dentro de mim. Uma coisa era essa garota me atacar e outra bem diferente era atacar Tia Mary

- Deixe Sophie em paz Kate- diz David tentando apaziguar.

Mas, antes que ela pudesse responder, meu olhar se concentra nos seus tornozelos. Pequenos ramos de violetas estão se enrolando através deles e subindo por suas pernas. Sem pensar desejo que as flores de algum modo a machuquem.

- Minhas pernas, elas estão doendo. Tirem essas flores de mim.

Sinto um tremor trespassar todo o meu corpo quando vejo gotas de sangue saindo pela perna dela. Não percebi até agora, mas eu estava encarando fixamente o local onde as flores prenderam os pés de Kate.

Eu não podia ter feito isso podia? Era óbvio que não tinha sido eu. Mas por que então eu estava me sentindo tão culpada? O restante dos meus amigos não deu muita importância ao fato, então, decidi que não era nada demais. Eu estava quase conseguindo me acalmar quando senti algo diferente na floresta. Meus amigos não pareciam notar, mas eu sabia. Algo estava errado.

De repente três criaturas de asas negras saem por de trás das árvores, perto de onde eu estava sentada. Elas tinham o rosto de mulher, mas o corpo me lembrava estranhas aves de rapina. Aves de rapina gigantes. Sem pensar duas vezes dou um grito. Meus amigos me olham intrigados.

-Sophie, você está bem? — Pergunta Lori com uma expressão estranha.

-Eu ... vocês não estão vendo? Elas são monstros — Grito tentando fazer com que eles vejam o mesmo que eu.

Nenhum deles se move. Então, em completo desespero, pego um pedaço grande de madeira que usaríamos para fazer fogo e vou em direção aos monstros. Começo a bater nelas com toda a força que possuo. Elas parecem entediadas com meus golpes, mas assim que acerto uma na asa, as harpias me atacam com vontade.

-Sophie, pare com isso — Diz Lori — O que você está fazendo?

-Ela ficou louquinha — diz Kate numa voz quase alegre.

Não me importo. As harpias estão cada vez mais furiosas e me concentro em me defender de seus ataques. Uma delas consegue enfiar suas garras fundas no meu braço.

- Ora, vai ser tão divertido quando chegar sua hora semideusa. Nos veremos em breve — diz uma delas batendo as asas e indo para longe da minha visão.

Então assim como apareceram elas se vão. Olho em volta. Não há sinal dos meus amigos. Há só um homem parado me observando.

- Você foi muito bem — diz ele sorrindo para mim — Mas acho que esqueceu isso.

Ele me entrega a espada que eu ganhei de aniversário e deixei em casa.

- Quem é você?- É a única coisa que me ocorre perguntar.

- Etnos, o sátiro. Muito prazer.

- O que eram aquelas coisas?

- Harpias. Monstros muito irritantes se quer saber. Venha não temos muito tempo.

- Onde estão meus amigos?

- Ah, não se preocupe. Eles ficarão bem. Quando chegarmos eu explico tudo.

- Espera! Ir para onde? Eu nem te conheço direito, eu.... Você disse que é um sátiro?

- Menina, alguém já disse que você fala demais?

- Sim, o tempo todo.

- Ótimo. Seus amigos ficarão bem. Agora temos que ir. É uma longa viagem para o acampamento meio sangue — diz ele pegando meu braço e me arrastando até uma clareira.

-Acampamento meio... Uau!

Parada na minha frente havia uma carruagem. Ela era linda, mas não foi exatamente a carruagem que me chamou a atenção. Foram os cavalos. Bem, eles não eram... Cavalos, eram Pégasos.

- Isso é...

- Estanho? É melhor ir se acostumando.

A única reação que consigo esboçar é ficar observando abobalhada os magníficos animais. Depois de alguns segundos meus olhos vão em direção a um pequeno brilho localizado perto das patas de um dos pégasos. Com toda a calma do mundo me aproximo do local. Há uma correntinha dourada, com um pequeno pingente de morango.

-O que é isso? É lindo.

Dou uma pressionada de leve no pingente analisando, de repente ele se transforma na minha espada.

-Parece que você ganhou mais um presente Sophie.

-O que? De quem? Cara o que está acontecendo?

- Eu disse, a partir de agora é melhor você se acostumar com coisas estranhas. Vamos — diz ele me empurrando para dentro da carruagem.

Assim que sento e levantamos voo, ele me dá um sorriso e na hora sinto que seremos ótimos amigos.

Após certo tempo de voo começamos a descer e Etnos olha para mim sorrindo e fala:

- Bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue, Sophie! Escolhida de Deméter.

Sophie

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Notas finais
E ae pessoal gostaram? Espero que sim. Beijos e não esqueçam de nos dizer o que estão achando da fic XD