Orion

7 Nightmare


Notas iniciais
Ok, este capítulo não estava previsto para fazer parte da história, mas como eu não sou de negar um surto de inspiração, escrevi assim mesmo e espero que vcs gostem.

Ele vai dar um ritmo um pouco mais alucinante e vai amarrar algumas pontas soltas da história.

Aguardo os comentários...

Ele sabia que precisava correr. O mais rápido que suas pernas aguentassem. Correr, correr, correr, sem parar, sem olhar para trás, sem respirar se possível. Sentia a típica dor abaixo das costelas após correr no frio.

Os corredores da escola estavam vazios e ele não ouvia nada além da própria respiração e de seu coração martelando no peito. A temperatura havia caído tanto que ele não se espantaria se quando alcançasse a porta da frente tivesse neve na rua.

Via as nuvens de vapor que escapavam de sua boca à medida que se deixava guiar pelo instinto, correndo cada vez mais. Fez uma curva para a direita e então parou de correr de uma vez. Ele SEMPRE virava para a direita. Desde que começou a correr, tudo o que seu corpo simplesmente fazia era virar a direita. Mas isso não fazia sentido, se ele fizesse isso de fato na escola, acabaria em algum momento dando com a cara da parede ou saindo do prédio. E isso não aconteceu.

“Corra!” – uma voz ordenou dentro dele.

Não era a sua voz. Não era uma voz sequer conhecida, mas inspirava medo.

Stiles olhou para os lados tentando saber de onde vinha o som, mas notou que a voz falava dentro de si.

“Corra agora!” – a ordem era mais feroz.

Ele ergueu o pé para dar o primeiro impulso na corrida, mas resistiu. Colocou os pés no chão e respirou fundo, sentindo o corpo formigar de medo.

“Não se arrisque por nada, rapaz. Continue correndo!” – a voz mudava de tom, tentando ser menos agressiva e mais amistosa, mas o rapaz sabia que as intenções por trás daquela ordem não eram as melhores.

Então, em vez de correr, ele apenas caminhou para frente, respirando fundo e concentrando toda a sua magia como Orion em suas mãos, tal qual Morrell o ensinou a fazer.

Algumas janelas explodiram perto dele e portas de armário começaram a se abrir do nada, com fortes estrondos que o faziam saltar e sentir seu coração disparar com o susto. Mas ele não apressou os passos. Uivos, gemidos de dor, gritos histéricos ecoavam ao longo do corredor a medida que ele passava. Uma gota de suor frio brotou em seu pescoço e escorreu por sua coluna, mas ele continuou em frente, até o local em que deveria virar a direita novamente.

Mas em vez de virar à direita, desta vez ele olhou para a esquerda. E só então caiu com o susto que levou.

Ali não havia nada a não ser uma escuridão pontuada por olhos vermelhos brilhantes. Diferente dos olhos de alfa que ele conhecia bem, onde apenas as pupilas tomavam a cor do sangue, estes olhos pareciam totalmente tomados da vermelhidão, como se a ausência de pupilas fizesse a energia do alfa se espalhar ainda mais pelos orbes.

Foi se arrastando para trás até bater as costas na parede e conseguiu se levantar, sentindo o corpo todo tremer de medo. Aquele vermelho era mais do que a cor de um alfa, era a cor do mal.

A respiração em seu peito começou a ficar difícil, apertada e ele notou estar prestes a ter um ataque de pânico. Fechou os olhos com força e quando os abriu novamente notou a aura de um dourado suave que envolvia suas mãos. Abraçou o próprio corpo e imaginou que aquela luz morna entrava em cada parte de seu corpo.

Funcionou. O pânico passou e ele pode erguer a cabeça e perceber que os olhos vermelhos haviam desaparecido. No lugar deles, uma imensa porta de ferro, como um cofre, estava bem diante de seus olhos e ele não estava mais na escola.

- Que porra é essa? – sussurrou andando até a porta e esticando os dedos para tocá-la.

E quando finalmente sentiu o frio do metal contra seus dedos, uma sequencia de imagens bizarras correu seus olhos.

Havia sangue por todo lado, e cheiro de medo e desespero. Os mesmo uivos, gritos e gemidos que ouviu antes pelo corredor da escola agora estavam ali, trancados naquela sala silenciosa.

Sepultados. A palavra passou por sua cabeça causando-lhe uma sensação de mal estar ao ver, mesmo de olhos fechados, as mechas de cabelo loiro espalhadas sobre o chão pegajoso de sangue velho. Do corpo, partido ao meio, um braço se estendia, a mão entrelaçada a outra mais escura e também sem vida. Por fim, a imagem de olhos opacos emoldurados por uma expressão de completo pavor. E ele reconheceu quem eram os mortos trancados naquele estranho cofre.

- Boyd? – o nome saiu baixo, mas logo ele estava gritando – Boyd? Érica? Oh não! Por favor, não!

Ele tentou sair dali e correr novamente, mas estava preso no que parecia ser uma sala que só havia três sólidas paredes e a porta do cofre. E ele gritava apavorado, o cheiro de morte invadindo seu nariz, tomando conta da sua pele, como se ele mesmo estivesse morrendo aos poucos.

“Abra a porta e veja!” – a mesma voz que lhe mandava correr agora falava para que ele abrisse o cofre.

- Não! – ele berrou o mais forte que conseguiu.

“Manter a porta fechada não vai mudar a realidade...”

- Não posso... Eles eram... – ele não sabia como classificar Erica e Boyd. Eles não eram seus amigos, sumiram antes mesmo que ele e Derek se entendessem, mas havia alguma coisa, algo no cheiro da morte dos dois que exalava do cofre que fazia aquilo tudo doer em Stiles e ele precisou de alguns segundos para entender – Eles eram do bando.

“Abra a porta e dê a eles a dignidade de um enterro então” – a voz era calma, quase satisfeita – “ou os deixe apodrecer aí mesmo.”

- Afaste-se de mim! – Stiles gritou e empurrou as mãos na direção de onde intuía que a voz estava vindo.

Um clarão dourado estourou a sua frente, acompanhado do grito de alguém que certamente foi surpreendido. A escuridão da sala foi consumida pela claridade dourada das mãos de Stiles e assim como os olhos vermelhos, as paredes ao redor e a porta do cofre também sumiram.

Stiles sentiu as costas doendo e percebeu que estava no chão de seu quarto, as roupas ensopadas de suor, os lençóis da cama embolados a seus pés e a claridade do sol entrando sorrateira por sua janela.

Era o primeiro dia de aula depois de se descobrir um Orion. O primeiro momento de se encontrar com o resto do bando, de encarar Scott e Isaac. E ele sentiu um calafrio ao pensar que Erica e Boyd não estariam com eles. Os dois estavam mortos e trancados em algum lugar da cidade e Stiles sentia-se impotente por não ter conseguido manter a calma para identificar onde estavam.

Saltou do chão, assustado, com o barulho de seu celular vibrando sobre o criado mudo. Esticou a mão atendendo sem olhar o identificador de chamada, enquanto sentava na cama e tentava secar o suor frio com o lençol.

- Abra a porta. – A voz de Derek era urgente – Não posso entrar pela sua janela em plena luz do dia.

Stiles desceu as escadas, satisfeito por seu pai ainda estar dormindo e abriu a porta para Derek, que sequer esperou que a porta se fechasse atrás de si e abraçou Stiles com força.

- O que você tem? – ele perguntou, enquanto acariciava as costas nuas do rapaz.

Só então Stiles notou que ainda estava tremendo e o cheiro de morte que havia notado durante o sonho voltou com tanta força que ele sentiu os joelhos falharem e um nó se formar em sua garganta.

- Achei... – ele tentava falar – Foi um sonho ruim... Tinha olhos vermelhos e uma voz... Uma voz que me mandava fazer coisas que eu não queria. E acabei achando Boyd e Erica e eles estavam... Cortados ao meio. Não os vi, mas sabia que se abrisse o cofre, eles estariam assim. E então eu gritei e minhas mãos explodiram e eu caí da cama. Mas não foi um sonho, Derek. Eu sei que não foi. Ainda consigo sentir o cheiro, como se estivesse na minha pele, como se a morte deles e o medo que eles sentiram tivesse grudado no meu corpo e eu não sei o que fazer.

Stiles soluçava sem nem ao menos perceber que havia começado a chorar. Nem mesmo o calor de Derek a seu lado foi capaz de fazê-lo se acalmar.

Antes que o xerife acordasse com todo aquele barulho, Derek pegou Stiles no colo e subiu com ele para o quarto.

- Vamos arrumar uma roupa para você e depois ligar para Deaton. E depois deixo que Scott o leve para a escola, você não está em condições de dirigir.

Stiles apenas obedeceu. Vestiu uma camiseta comum, calças jeans, pegou um casaco de moletom e a mochila. Acenou para Derek e desceu atrás dele. Apenas quando estavam na varanda é que o alfa ligou para o veterinário.

Em poucas palavras contou sobre o sonho de Stiles e como encontrou o rapaz quando chegou a casa dele.

- E como você se sentiu? – Deaton perguntou.

- Eu? Angustiado, eu acho. – Derek respondeu, a cara fechada e toda atenção ao trânsito até a casa de Scott que não ficava tão longe assim.

- Só angustiado?

- Como assim?

- Digo, você só ficou angustiado da maneira comum de angústia, como se algo ruim fosse acontecer, ou foi alguma coisa diferente?

- Oh... – Derek pensou um pouco, manobrando o carro para estacionar – Um pouco vazio, eu acho. Para ser honesto acordei umas duas da manhã sentindo como se... Como se minha alma estivesse se partindo ao meio. Parecia faltar alguma coisa. Saí com o carro e verifique que Stiles estava bem, dormindo, e voltei para casa.

O rapaz a seu lado finalmente esboçou uma reação quase feliz ao saber que Derek já havia estado em sua casa antes, enquanto ele dormia. Seu coração se acalmou um pouco, um formigamento agradável correndo todo seu corpo com a informação.

- Onde vocês estão? – Deaton perguntou depois de um momento em silêncio.

- Em frente a casa de Scott. Vou deixar Stiles com ele para ir a escola.

- Traga os dois para cá.

- Deaton, hoje é o primeiro dia de aula. Se os dois faltarem, podem desconfiar.

- Tarde demais, Derek. Eles já sabem sobre Stiles. Eles já sabem que ele é o Orion.

- Como assim? Você diz isso só por causa de um pesadelo? – Derek se sentia dividido entre a raiva e o pavor da afirmação de Deaton ser verdade.

- Isso não foi um simples pesadelo, Derek! Isso foi um sequestro. Sequestraram a consciência de Stiles e o testaram através de seus próprios medos. E o fato dele conseguir resistir aos comandos só confirmou o que eles já suspeitavam. Traga Scott e Stiles aqui. E se possível sua irmã e Isaac também. Precisamos nos preparar para a guerra.

O veterinário desligou e Derek olhou para a janela, sem ter coragem de encarar o rapaz a seu lado. A porta da varanda dos McCall se abriu e Scott saía com a mochila, mas ao cruzar os olhos com os do alfa e vendo o estado em que Stiles se encontrava, apenas balançou a cabeça e se dirigiu para o banco de trás do camaro, sem fazer uma pergunta durante todo o trajeto.

Notas finais
No próximo capítulo pretendo colocar a primeira batalha de verdade...

Mas só se vcs comentarem bastante (sim, sou chantagista e carente hauhauhauhau)