Orion

8 J'Adoube


Notas iniciais
Um pouco de demora, mas capítulo fresco. O título do capítulo é uma expressão usada no jogo de xadrez, quando um jogador precisa tocar suas peças para posicioná-las no tabuleiro. Vocês vão entender o motivo desse título no decorrer do capítulo. Aguardo os comentários...

Inteirar o bando sobre o que estava acontecendo. Esta foi a primeira atitude que Deaton tomou ao perceber o que estavam enfrentando. Marcou uma reunião com todos: Scott, Isaac, Peter, Allison e Chris, além de Derek e Cora. O objetivo era falar o que o bando de alfas queria em Beacon Hills, discutir um meio de resgatar os corpos de Boyd e Erica e ainda encontrar uma maneira de deixar Stiles seguro até que o Deucalion fosse derrotado. Stiles queria participar do encontro, mas Morrell o convenceu a ficar na fazenda e treinar novas habilidades.

Com seu jeito calmo e firme, Deaton explicou a todos que Stiles era um orion e o que isso representava para o bando. Era muita informação para assimilar, mas nem Scott e nem Isaac, os únicos que estavam 100% por fora de toda a transformação, questionaram a veracidade do fato. O emissário não ficou surpreso com a reação dos rapazes, imaginava que a energia do Orion que Derek compartilhava com Stiles tinha sido capaz de serenar a alma dos outros membros do bando.

Graças às informações da emissária de Deucalion, eles sabiam com quantos alfas estavam lidando e, foi com surpresa, que Isaac mencionou que já havia esbarrado em dois deles.

– Duas aberrações! – ele rosnou – Gêmeos. Da nossa idade.

– Foi com eles que você brigou no fim de semana? – Peter questionou, curioso com o rumo que as coisas estavam tomando.

– Sim. E se Scott não tivesse aparecido na hora, acho que não estaria aqui para contar. Eles não são apenas alfas, eles são dois monstros. – o olhar de Lahey pareceu meio apavorado enquanto ele descrevia – É como um freakshow, o corpo deles se mistura... E eles viram um só com o dobro do tamanho, o dobro de força...

– O lobo de duas cabeças! – Deaton murmurou, observando enquanto Derek, Allison e Chris balançavam a cabeça, concordando com ele.

– Vamos nos concentrar em uma coisa de cada vez. Primeiro, resgatar Erica e Boyd. – Chris sugeriu, ganhando os olhares do grupo – Eles merecem... Vocês sabem, um enterro digno.

– Vocês estão mesmo achando que os dois estão mortos? – Isaac questionou, não com petulância, mas ainda sem conseguir compreender o momento – Quer dizer, Stiles teve um sonho e agora, além de Orion, ele é um profeta também?

– Não! – Derek rosnou quase ao mesmo tempo que Peter, ambos encarando o rapaz que se encolheu em sua cadeira – Stiles não é um profeta e o que ele teve não foi um sonho.

– O que o Derek quer dizer é que, dadas as novas habilidades que comprovamos que Stiles possui, ele teve uma projeção astral. Um estado raro em que a pessoa projeta sua alma ou seu consciente para outro lugar diferente de seu corpo.

– Mas você se referiu a isso como um sequestro antes, Deaton! – Scott lembrou.

– Sim. A projeção de Stiles não foi controlada. Ele foi forçado a fazer isso, pelo próprio Deucalion. Ele veio no rastro de Stiles, com certeza obteve informações sobre o bando e cercou quem poderia ser. Deve ter tentado com vocês, mas o alvo da magia que ele usou era o Qhímmer.

– Quem? – Scott pareceu ainda mais confuso.

– Qhímmer é o estado da pessoa antes de se tornar um Orion.

– Mas o Stiles já não é um Qhímmer. – Allison ajuntou.

– Não. Mas Deucalion não sabe disso.

– Como pode ter certeza? – Chris indagou com um leve tom de insegurança em sua voz.

– Se Deucalion soubesse que Stiles já era um Orion, ele teria atacado Derek ou Scott. – Peter quem respondeu – É uma suposição simples. Deucalion veio atrás do Qhímmer, porque com um orion, ele pode abrir mão de sua preciosa mandala.

– Mas ele não desconfia de nada? Vocês falaram que o cheiro de Stiles mudou depois da transformação. – uma dúvida justa, levantada por Scott, que tinha os ombros tensos pensando nos riscos que seu melhor amigo corria.

– Ele não conhece o cheiro do orion. Ninguém conhece. – Peter quem assumiu mais uma vez a palavra – Órion era uma lenda para a nossa geração, Scott. Apenas uma lenda... Sem dados precisos, sem elementos concretos para validar qualquer suposição. Os únicos que possuem dados mais precisos são os Dhiemy e eles não compartilham com mais ninguém.

– Morrell é uma Dhiemy. E é emissária de Deucalion. – Scott retrucou, irritado.

– Não. Morrell não é uma Dhiemy. – Deaton esclareceu – Morrell, apesar de minha irmã, não é uma Dhiemy. Há apenas um Dhiemy na família por geração. Ela é uma Heutere.

– E isso faz o quê, exatamente? – Scott tinha o olhar desconfiado.

– Ela é como uma tutora. Ela guia os passos do Qhímmer para que ele se aperfeiçoe até se tornar um Orion.

– Mas isso todo emissário faz! – Cora quase rosnou a resposta de volta.

– Não! Os emissários aconselham os alfas. As Heuteres iluminam os caminhos do Qhímmer. Como um catalisador, que acelera o processo de amadurecimento. Neste momento, minha irmã está com Stiles forçando a magia dele a aflorar.

– Ok, concordando que Stiles realmente viu que Erica e Boyd estão mortos, como vamos encontrá-los? – Isaac questionou mais uma vez, levantando do sofá de um jeito quase ansioso.

Deaton puxou um pedaço de papel do bolso interno da jaqueta e mostrou aos demais.

– Stiles rabiscou isso logo depois que acordou. Disse que viu esse desenho na parede, acima da porta do cofre.

No papel, linhas e curvas se entrelaçavam formando um desenho que parecia um símbolo celta. os olhos de todos se estreitaram observando o desenho até que Chris se lembrou:

– É o Banco Meridional. Ele foi fechado há uns quatro anos depois de uma tentativa de assalto. Fizeram um túnel para o cofre, chegaram a entrar no banco e mantiveram cinco funcionários, o gerente e alguns clientes como refém.

– Foi uma tragédia. Os três assaltantes morreram, mas balearam dois reféns e o gerente também acabou morto. — Deaton completou — O lugar é ideal para o que Deucalion pretende.

– Se Stiles tiver certo, o banco virou um cemitério. — Isaac resmungou, a voz cheia de amargura.

– Exato! Lembrem-se, Deucalion é um necromante. Todas essas mortes o fortalecem de alguma forma. — o emissário suspirou antes de prosseguir — Agora que sabemos com o que estamos lidando, podemos dar atenção a um plano de ação.

– Precisamos descobrir um jeito de entrar no banco. Sem chamar atenção tanto do bando de alfas quanto do resto do mundo. O prédio ainda é uma propriedade privada e acho que invadir um lugar assim pode nos causar problemas. — Cora ponderou.

– Stiles poderia conseguir as plantas do prédio. — Scott sugeriu — Deve ter na delegacia, junto com o resto do arquivo do assalto.

– Mas para isso teríamos que tirar Stiles da fazenda. E isso pode colocá-lo em risco. — Derek tinha a voz receosa.

A ideia de tirar Stiles da proteção da fazenda de Deaton provocou um debate acalorado entre o bando e depois de quase meia hora de discussão eles aceitaram trazer o rapaz de volta para a cidade. Mesmo porque, na semana seguinte, as aulas já começariam e sua ausência poderia chamar mais atenção.

– Ok, então é isso. Trazemos Stiles de volta e ele consegue as plantas. Depois que cuidarmos da situação de Erica e Boyd, conversamos novamente. — Deaton propôs.

Quase todos se levantaram para sair do loft, quando Peter chamou a atenção:

– Acho que esta estratégia tem um pequeno furo. — todos se viraram para ele que sorriu, enigmático, e continuou — Não se esqueçam que em 58% dos casos as peças brancas ganham o jogo.

– Do que ele está falando? — Isaac sussurrou, confuso, no ouvido de Scott.

– Xadrez! As peças brancas vencem mais vezes porque são elas que começam o jogo. — Peter explicou, como se fosse o óbvio — Ficar esperando que eles tomem a iniciativa só vai dar a eles a chance de ditar o ritmo dessa guerra. Pensem nisso. Da póxima vez que nos encontrarmos, é bom fazer algo mais que bancar os coveiros.

Ele saiu do loft antes que os outros pudessem responder.

***

Stiles permaneceu na fazenda a contra gosto. Se não estivesse envolvido no treinamento exaustivo que Morrell o submetia, já teria roído todas as unhas das mãos. Ele passou a manhã inteira de pé, sem poder sair do lugar, vendado e se concentrando para desviar os golpes que ela lançava em sua direção.

O rapaz estava desarmado, descalço coberto de suor, usando apenas as mãos para sua própria defesa. Sentia o corpo dolorido dos lugares em que a emissária o havia atingido com alguma coisa quente e forte que ele não conseguia discernir.

Morrell sorria com a capacidade que Stiles vinha demonstrando, mas não deixava que elogios escorressem a toa durante o treinamento. Palavras distraem, ela lhe dizia, enquanto o golpeava pelas costas, único momento em que ele podia se abaixar.

Pela hora do almoço, quando ele pôde tomar um banho frio e colocar uma roupa que não estava coberta de lama, folhas ou alguns respingos de sangue de um golpe certeiro na boca, a emissária notou uma chamada em seu celular, retornando a ligação.

Depois de alguma conversa, ela desligou no instante em que Stiles voltava para a cozinha. Ele abriu a geladeira, procurando o suficiente para um sanduíche ou uma fruta qualquer quando notou o olhar dela sobre si.

– Fala.

– Temos que ir. — ela mantinha o olhar baixo.

– Algo errado?

– Precisam de você em Beacon Hills. — ela informou rapidamente a ideia e tudo o que Stiles fez foi respirar fundo e sair da cozinha.

– Vou buscar minhas coisas.

Ele arrumou as poucas trocas de roupa que tinha ali, colocou tudo dentro da mochila que Morrell havia trazido e embrulhou a foice de cabo curto na fronha do travesseiro, acomodando-a entre as roupas.

Quando voltou para a varanda, encontrou a emissária com um pesado livro de capa de couro batido e páginas amareladas. Ela passou a mão pela capa, detendo-se no fecho dourado por um momento, antes de estendê-lo na direção do rapaz.

– O que é isso?

– Dever de casa. — ela sorriu — É o bestiário da minha família. Uma versão mais completa e detalhada do que os Argent possui. Acho que pode ser útil.

Stiles guardou o livro na mochila e já ia descer os degraus da varanda quando se virou e abraçou Morrell. A emissária foi pega de surpresa, mas logo respondeu ao gesto de carinho e se permitiu até mesmo passar a mão pelo cabelo do garoto.

– Obrigado. — ele murmurou.

Ambos seguiram para o local onde ela havia deixado sua moto. Pegou um capacete extra para Stiles e deixaram a proteção da fazenda. Stiles queria não ter saído dali de moto. Queria ter saído de carro ou mesmo andando, apenas para ter a possibilidade de olhar para trás. Sentia que da próxima vez que estivesse naquele local, tudo seria muito diferente.

Notas finais
Bom pessoal, o próximo capítulo deve ser meio corrido, como uma sequência de cenas acontecendo ao mesmo tempo com personagens diferentes. Cenas curtas e rápidas compondo um único momento que vai terminar numa cena da Season 3a. Mais uma vez peço desculpas pela demora na atualização das fics. Mas eu tive que viajar para Brasília para a premiação e logo que voltei fui susbtituir as férias da vice-gerente e minha vida virou de cabeça pra baixo. Chegava em casa sem cabeça pra nada. Mas agora estou de volta, com força total para terminar as fics que comecei e ideias novas para mais fics pra vcs. Beijos e espero que o capítulo tenha ficado bom, para compensar vcs pela demora!