Orgulho E Sedução.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa Leitura!
Cap. 1
Isabella Swan.
Olhando para Alice, sentada à minha frente no tradicional e antigo Café Port Angeles, eu bebericava devagar um delicioso capuccino com creme extra, esperando com certa dose de ansiedade que ela terminasse de ler o meu artigo sobre profissões independentes. Sempre tive facilidade para escrever, mas nunca havia feito um artigo direcionado especificamente para o público feminino. Meu nome é Isabella Marie Swan, tenho vinte e dois anos e sou tradutora, formada em História pela Universidade George Washington, em Washigton dc, a poucos quarteirões da Casa Branca.
-Hum... Interessante...
A garota esperta, linda, inteligente, de cabelos curtos e desfiados murmurou. Minha amiga. Alice. Ela era a Editora Chefe de uma nova revista de moda que havia entrado no mercado no ano anterior e minha amiga há algum tempo. Sempre curtia baladas e festas sociais, mas há quase um ano estava numa rotina mais tranqüila, namorando Jasper Whitlock, um executivo de sucesso, que iria completar 30 anos em breve, por quem eu nutria uma grande e sincera amizade.
As vantagens de ser uma tradutora? Vejamos... Como tradutora eu não precisava ficar presa a um escritório sem graça, atrás de uma mesa e nem presa a um horário fixo. Administrava o meu tempo livremente, podendo atuar nas mais diversas áreas e em diversos setores distintos como: Turismo, Segmento literário, Político, Cinema, Indústria, Esportes, Congressos médicos, etc. Poderia também dar aulas particulares cobrando em média vinte e cinco dólares a hora, o que não era nada mal em tempos de recessão, crise econômica ou desemprego.
-E aí?
Perguntei. Alice sequer levantou os olhos.
-Ainda não terminei, falou com o rosto enfiado no texto. Sorri discretamente.
A garçonete veio até a mesa perguntar se nós queríamos mais alguma coisa, mas eu recusei e ela também. A moça então sorriu polidamente e afastou-se em seguida, dando-nos um pouco de privacidade. Tomei mais um gole do café, aguardando com expectativa. Ela ergueu os olhos um instante, voltando em seguida à atenção para o papel já meio amassado em suas mãos, sorrindo amplamente. Piscando os olhos castanhos amarelados, que lhe conferiam um ar mais que exótico e especial, ela deu um pequeno pigarro, começando a ler empolgada o trecho final do que eu havia escrito:
“Apesar da profissão ser encarada por muitos como um hobbie, ainda não haver regulamentação e da remuneração variar de acordo com a produção de cada profissional, não me arrependo em nenhum momento da escolha que fiz. Nunca me faltou trabalho, dinheiro ou oportunidades. Para ser um (a) tradutor(a) é necessário apenas ter disponibilidade de tempo, um bom domínio de dois idiomas ao menos, determinação e força de vontade para vencer na vida”.
I.S.
-E então?
Perguntei sem conseguir esconder a ansiedade. Ela me deu um sorriso que falava mais que mil palavras.
-Está ótimo Bella. Melhor do que eu poderia imaginar. Você colocou a sua alma nesse artigo e as leitoras da Beleza e Moda vão adorar. Meus parabéns.
As palavras funcionaram como um bálsamo na minha alma ansiosa.
-Você gostou mesmo Alice? Está falando sério?!
Questionei duvidando um pouco.
-Seríssimo. Vai estar na próxima edição, pode esperar. Bella, você tem um dom especial para escrever sabia?!
Sorri em resposta.
-Rose me disse a mesma coisa, respondi depositando a xícara no pires de porcelana colorida, sobre a mesa de madeira escura.
-E por que não explora isso?!
-Quem sabe no futuro. Por enquanto estou satisfeita em ser tradutora, respondi satisfeita por ter atingido meu objetivo com o artigo.
-Você me manda por email ainda hoje?
Perguntou dobrando o papel, guardando-o na bolsa.
-Claro que sim, prometi satisfeita e feliz. Ela encostou as costas na cadeira e me fitou fixamente.
-E o Jacob? Como estão as coisas entre vocês?
-Tudo bem, respondi casualmente.
-Você está feliz Bella?
O seu olhar era perscrutador.
-Sim, respondi prontamente.
-Pois não parece, comentou. Suspirei longamente.
-O que mais eu posso querer Alice?! Ele é atleta, carinhoso, bonito, tem um mega contrato assinado até o final da próxima temporada, é companheiro e...
-E?
-Me faz rir.
Alice revirou os olhos como se pedisse paciência aos céus, antes de alcançar minha mão sobre a mesa.
-Isso não basta.
-Para mim, basta, devolvi. Ela bufou.
-Isso é comodidade Bella. Não é amor.
A dureza expressa nos olhos dela me incomodou.
-Contos de fadas não existem no mundo real Alice. Jacob é um bom homem, rebati desejando mudar de assunto o quanto antes. Eu não gostava realmente de falar sobre aquilo. Me incomodava por alguma razão desconhecida. Ela apertou os lábios numa linha fina antes de retrucar.
-Só por ter salvo você de um ataque, não quer dizer que ele seja um bom homem, Bella... Quando você vai acordar e descobrir que o que sente por ele é gratidão?!
Sua voz era carregada de tristeza e eu estremeci involuntariamente com a simples menção ao ataque. As lembranças vieram fortes sem que eu conseguisse evitar...
Alice e eu estávamos numa festa de aniversário de um amigo em comum ali mesmo em Washington e saímos juntas do elegante edifício no início da madrugada. Ainda não eram nem duas da manhã. Um vento frio e cortante nos atingiu em cheio quando pisamos na calçada. E foi aí que eu senti. Uma sensação esquisita, um arrepio frio percorreu minha espinha... Uma sensação desagradável. Olhei para os lados com a nítida sensação de que éramos observadas, mas no meu campo de visão não havia ninguém. Alice tropeçou tombando e eu esqueci os meus temores. Como ela estava um pouco “alta” e seu Porshe amarelo na revisão, insisti em levá-la para casa, mas ela não quis me incomodar e recusou, resolvendo pegar um táxi. O veículo amarelo parou logo depois. Nós nos despedimos, Alice entrou, forneci o endereço ao motorista, e o carro se afastou, indo embora.
Olhei para os lados mais uma vez, aquela sensação perturbadora me incomodando como um alerta vermelho. Caminhei com certa pressa até a rua lateral ao edifício, onde o meu carro estava estacionado. Mas antes que eu pudesse alcançar a porta e abrir o veículo, alguém me agarrou por trás, tapando minha boca, sussurrando palavras arrepiantes em minha orelha, puxando minha blusa de seda para fora da saia. Gelei. A imagem nítida das notícias nos jornais sobre moças jovens sendo estupradas naquela região povoaram minha mente. A mão masculina tateando minha barriga, prensando-me contra o corpo duro. Ele fizera oito vítimas ao todo e estava sendo chamado pela imprensa de “ice eyes”... Olhos de gelo. Cada uma das moças afirmou que ele tinha olhos azuis gelados e era desprovido de qualquer emoção. Os olhos eram a única coisa que elas conseguiam ver, pois ele usava uma máscara de esqui grossa e preta enquanto as atacava sexualmente.
Minha vida passou diante dos meus olhos como um filme e num impulso súbito de sobrevivência tentei me desvencilhar do agressor, mas foi inútil. Achei que o meu destino estava selado. Até que a porta de um bar no final da rua foi aberta, um homem moreno e musculoso saiu caminhando em minha direção, aproximando-se. Comecei a me debater e ele gritou, começando a correr, aproximando-se cada vez mais, fazendo com que o agressor me soltasse abruptamente com um safanão. Me desequilibrei e caí. Ele me alcançou em segundos, me ajudou a levantar, apresentou-se e insistiu em levar ao hospital, onde foi constatado que eu não havia quebrado nenhum osso. Os únicos danos eram arranhões superficiais, um corte no joelho esquerdo e os danos emocionais, mas esses, a terapia me ajudaria a superar. Foi assim que eu conheci e dois meses depois me tornei noiva de Jacob Black.
-Você sempre será grata a ele por aquela noite, mas isso não é amor. Vamos Bella, Admita!
Dei um longo suspiro.
-Já tomei minha decisão, Alice.
-Vocês não casaram ainda. Pode romper esse compromisso antes de fazer uma besteira ainda maior.
Sua voz era suplicante.
-Agradeço seus conselhos, mas não. Vou seguir com isso até o fim, respondi com firmeza, fitando-a diretamente nos olhos. Ela balançou a cabeça em sinal iminente de derrota.
-Posso te fazer uma pergunta?
-Claro que sim. Somo amigas, retruquei.
-E quanto à fidelidade? Se o Jacob te traísse? Você tem certeza de que ele é fiel, amiga?
Estreitei os olhos intrigada com o assunto. Era a segunda vez que Alice me fazia aquela mesma pergunta.
-Por que? Você está sabendo de algo que eu não sei?
Pausa de cinco segundos. Se ela queria me deixar intrigada, estava conseguindo.
-Os atletas do time dele têm fama de serem conquistadores, farristas, pegadores, Bella. Não quero que você sofra, falou desconversando.
-Confio nele até provarem o contrário, Alice. Jacob salvou minha vida. Estou noiva dele e vamos nos casar.
Falei taxativa, colocando um ponto final naquela conversa. Ela sacudiu a cabeça num gesto inconformado e não falou mais no assunto, levantando a mão e pedindo a conta a garçonete.
-Vai para casa?
-Sim. Cheguei hoje do Canadá e espero fazer uma surpresa a ele, respondi. Jacob e eu estávamos morando juntos a cerca de um mês.
-E como foi o jogo ontem?
-Eles ganharam, respondi sorrindo.
Nesse instante a garçonete trouxe a conta e Alice não me deixou pagar. Levantamos e saímos juntas do local. Chamei um táxi e acenei com a mão, despedindo-me dela que permaneceu na calçada olhando o táxi se afastar. Como ainda era cedo e o tráfego estava tranqüilo, em menos de vinte minutos eu cheguei a minha nova casa. A fachada grande com colunas de madeira deu-me uma gloriosa sensação de paz. Era tão bom estar em casa outra vez...
Paguei ao motorista, saltei do veículo segurando minha valise preta e retirei a chave do bolso do blazer rosa. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios. Eu tinha ligado para ele na noite anterior, depois de ter assistido pela TV no meu quarto no hotel Jacob fazer o ponto final que garantiu a vitória do seu time. Os rapazes o carregaram e eu senti muito orgulho dele que estava eufórico. Quando nos falamos ele disse mais uma vez que me amava, que estava com saudades e que não via a hora de eu voltar. E que naquela noite sairia com os rapazes para comemorar a magnífica vitória. Eu já sabia que minha volta seria antecipada, mas ao escutar tais palavras, resolvi não falar nada e fazer uma surpresa ao meu futuro marido, chegando sem que ele soubesse. Desci até o lobby do hotel onde havia algumas lojas e comprei uma lingerie nova, de seda e renda, com uma calcinha fio dental. Foi uma despesa grande, mas iria valer a pena. O sexo com o Jacob era bom, confortável e sem muitas surpresas, totalmente diferente do que eu vivi numa tarde, a beira do lago em Montana com um demônio lindo e sedutor de olhos verdes intensos.
Disposta a tomar um banho, vestir a roupa íntima e depois acordá-lo, inseri a chave na fechadura, girando duas vezes. A porta de carvalho maciço abriu e eu entrei, colocando a valise no chão, fechando a porta atrás de mim, caminhando alguns passos, estacando paralisada com a cena diante de mim.
Parecia que um furacão havia passado dentro de casa. Tudo espalhado, um monte de coisas pelo chão, roupas, sapatos, lingeries, guardanapos, copos, pratos plásticos... Um pandemônio! Jacob dormia de cuecas no sofá, com duas mulheres nuas, uma loira e uma oriental. Uma estava deitada sobre ele e a outra ao seu lado. Meu estômago revirou.
Dois dos rapazes do time estavam largados no chão, um completamente nu, ao lado de uma pilha de garrafas de cerveja vazias. Cada um tinha uma mulher nua ao lado. Relanceei meus olhos sobre todo o ambiente e vi que havia ainda mais uma mulher dormindo na “minha” poltrona de veludo. Esta vestia uma calcinha transparente com os dizeres: “Me coma” na frente.
Filhos da puta! Um dos rapazes também era noivo de uma modelo loira da Elite. Senti nojo daquilo tudo. Um asco profundo. Alice tinha razão. Apertei a chave em minhas mãos, ouvindo um barulho discreto vindo da cozinha e inclinei meu corpo involuntariamente naquela direção, no lado oposto da sala, arregalando meus olhos quando vi o técnico do time, que era casado, saindo de lá, com uma xícara de café nas mãos. Minha boca abriu sem que eu pudesse evitar. Empalideci mortalmente. Como um homem tão respeitado no meio esportivo andava metido nas aventuras e farras dos seus atletas?! Ele arregalou os olhos quando me viu, totalmente desconcertado. Se houvesse um buraco no chão com certeza ele teria se enfiado lá dentro!
Se eu não estivesse vendo com meus próprios olhos, acho que não acreditaria. Eu havia ido à sua casa duas semanas antes para jantar, tinha conhecido sua esposa, Claire e seus dois filhos.
-Bella! Pelo amor de Deus, não é o que você está pensando!
Sussurrava em pânico e apressado, gesticulando nervosamente com as mãos. Meu olhar surpreso mudou de repente, traduzindo agora todo o desprezo que inundava minha alma e o meu ser.
-Eu posso explicar, disse baixinho, olhando atabalhoadamente para todos os lados, apertando com firmeza a toalha em torno da sua cintura, com as minhas inicias I. S. apareciam bordadas em alto relevo. A náusea subiu fortemente. Nojo. Repulsa. Repugnância. Quantas vezes aquilo havia acontecido anteriormente?! Quantas vezes esses homens promíscuos tinham usado as minhas coisa sem que eu soubesse?! Precisei respirar fundo a fazer um grande esforço para não vomitar. Ele começou a se aproximar. Fiz um sinal para que ele calasse imediatamente. Ele concordou, balançou a cabeça e caminhou até o hall de entrada onde eu estava, ainda paralisada pelo choque.
-Marcus.
Meu olhar acusatório fez com que ele baixasse sua cabeça.
-Bella, escute, eu...
Disse segurando ansioso no meu braço. A voz dele me irritou. Eu queria gritar, esbravejar, explodir com aquela situação, mas não consegui. Olhei para ele friamente e disse:
-Se você der mais uma palavra eu juro que vou tirar uma foto sua, pegar um táxi e mostrar para sua esposa que tipo de homem você é!
-Por favor, não! Eu imploro para que não faça isso. Você iria destruir minha família se a Claire soubesse.
“Deveria ter pensado nisso antes”, pensei comigo mesma.
-Tenho nojo de você e de todos eles, falei retirando meu anel do dedo e entregando-o a ele, que me olhou com os olhos quase saltando das órbitas.
-Não faça isso, o Jake te ama!
-Quem ama não trai, Marcus, retruquei com frieza.
-Nós somos homens, Bella. Esqueça o que viu aqui, você consegue. Não estrague um relacionamento perfeito como o de vocês...
Minha vontade era de esbofeteá-lo.
-Você enlouqueceu! Isso não é desculpa, Marcus! Essa história de que os homens podem tudo e as mulheres não, é uma coisa ultrapassada, ridícula e machista! Estamos no século XXI, somos humanos e temos as mesmas necessidades.
Falei entre dentes.
-Bella, por favor... Suplicou.
-Vamos fazer um acordo, propus.
Ele me fitou com uma ponta de esperança.
-O que você quiser, respondeu solícito, enquanto um dos rapazes que estava no chão roncava alto, chutando um copo plástico com um dos pés. Torci o nariz diante da cena, pegando meu celular no bolso da saia, tirando uma foto dele que estremeceu de cima a baixo e mais duas fotos do ambiente: Uma em que Jacob aparecia e outra com os outros dois atletas e as mulheres no cenário principal.
-Entregue o anel ao Jacob, e diga a ele que acabou. E que, por favor, não me procure nunca mais. Mandarei alguém pegar as minhas coisas depois.
-Jacob não vai aceitar, ele disse com pesar, os braços largados ao longo do corpo de meia idade, mas ainda viril.
-Jacob que vá para o inferno! Faça isto e eu lhe dou a minha palavra de que ninguém além de mim, você e eles saberão o que aconteceu aqui. Direi a todos que me perguntarem que nós rompemos porque não tínhamos certeza dos nossos sentimentos. Tudo aconteceu de forma rápida e nós nos envolvemos demais, falei sentindo meus olhos ficarem úmidos.
-Você voltou mais cedo, ele falou desanimado.
-Eu queria fazer uma surpresa para ele. Como pude ser tão idiota?!
Cuspi levando uma mão à testa e dando um tapinha leve.
-Bella...
-Faça isso Marcus, e ninguém sairá prejudicado.
-Bella, por favor, você não está pensando com clareza. A noite passada não significou nada, foi apenas sexo com um bando de fãs, nada mais. Jake nem vai lembrar o nome delas e...
O cinismo dele chegava a ser hilário.
-Adeus.
Respondi dando-lhe as costas e voltando pelo mesmo caminho por onde havia entrado. Não sei como minhas pernas trêmulas alcançaram à calçada. Consegui chamar um táxi e entrei, querendo deletar, excluir, apagar de vez aquela cena horrível da minha mente para sempre. Liguei para Alice que atendeu no terceiro toque.
-Alô.
-Você tinha razão, falei deixando que as lágrimas escorressem livremente. Conversamos de forma breve, pois ela estava no trabalho. Contei tudo resumidamente. Ela me consolou, me confortou e pediu que eu ficasse em sua casa, antes de tomar qualquer decisão precipitada, já que eu havia alugado meu antigo apartamento quando aceitei ir morar na casa do meu noivo, digo, ex-noivo. Combinamos de nos encontrar no jantar. Assim que entrei na casa de Alice liguei para o meu pai em Montana e para minha prima irmã, Rosalie, contando apenas que Jacob havia me traído e que não iria mais haver casamento. Não entrei em detalhes. Eles então me convenceram a voltar para o meu lar, a centenária fazenda Breaking Dawn, em Montana, terra das montanhas rochosas, residência da tradicional família do senador Carlisle Cullen, onde eu havia praticamente sido criada. Engoli em seco. Voltar para casa era tentador. Eu amava a vida no campo e estava fora há longos cindo anos. Mas retornar significava voltar a ver Edward, filho mais novo dos Cullen, por quem secretamente eu sempre havia tido uma queda.
Edward... Olhos verdes, sobrancelhas grossas, cabelos bagunçados, um corpo magro definido capaz de tirar o fôlego de qualquer garota, independente da idade.
http://atrevida.uol.com.br/idolos/conta-tudo/quotnao-tenho-sexappealquot-revela-robert-pattinson/70
Lindo, rebelde, selvagem, sexy. Ele era seis anos mais velho do que eu e tinha um ar indomável. E fora o primeiro homem da minha vida. Desde aquele dia, na beira do lago que eu havia reunido as poucas forças que me restavam, juntado as minhas coisas e partido “teoricamente” para faculdade, alguns meses antes do primeiro semestre começar. Era fora gentil, mas em nenhum momento havia dito que me amava ou que nós ficaríamos juntos. E eu sabia que havia sempre uma mulher envolvida com ele. Nunca consegui entender por que ele havia me tornado mulher. Nós brigávamos como cão e gato muitas vezes. Edward implicava comigo e fazia questão de me irritar sempre que podia. Emmett seu irmão mais velho sempre saía em minha defesa e eu o considerava meu herói e melhor amigo até hoje, mas o passar do tempo e as obrigações da vida cotidiana acabaram por nos afastar. Voltar seria realmente maravilhoso, mas eu estaria preparada para lidar com todas as emoções conflitantes que permaneciam adormecidas e trancafiadas em meu peito?! Honestamente, não saberia dizer.
Narrador.
Depois de atender ao telefonema de sua única filha e ouvir angustiado a tristeza permeando sua voz, Charlie Swan, capataz da fazenda Breaking Dawn há mais de quinze anos procurou no mesmo instante o seu velho amigo e proprietário do local, Carlisle. Ele explicou por alto que Bella havia sofrido um decepção com o noivo e que gostaria de que a filha voltasse, que gostaria de tê-la ao seu lado novamente. Carlisle ouviu a tudo com o interesse que lhe era peculiar, mas nada perguntou, expressando em solidariedade ao amigo um enorme sorriso ao saber que Bella voltaria em breve para casa.
As meninas haviam sido criadas junto dos seus dois filhos e ele no fundo sempre acalentara a esperança de que ambas com o tempo se tornassem oficialmente suas noras. Com Emmett ele já conseguira. Mas, faltava Edward, seu filho mais novo, geralmente sinônimo de confusão freqüente até alguns anos atrás. Após a conversa breve ele garantiu a Charlie que Edward iria buscar Isabella no dia seguinte e que o retorno dela só traria felicidade para todos ali na fazenda.
Horas mais tarde...
-Eu desconfiava há muito tempo Bella, disse Alice entregando à amiga um envelope amarelo pardo com diversas fotos de Jacob beijando ou abraçado a outras mulheres e uma específica dele saindo em companhia de um amigo de uma famosa casa de prostituição em Nova York.
Bella olhava para as imagens sem sentir nada. Era como se ela estivesse anestesiada. Era a dor da decepção. No fundo Alice também tinha razão ao afirmar que ele não amava Jacob, mas confiava nele. Como poderia amá-lo se nunca havia esquecido Edward?!
-Mandou segui-lo?
-Sim. Recebi o envelope hoje pela manhã quando cheguei ao escritório da revista, ela completou.
-Foi melhor assim.
-E aqui tem um vídeo dele com uma moça transando dentro de um carro, mas eu no seu lugar não assistiria, completou entregando a Bella um DVD prateado, dentro de um invólucro estreito de papel. Ela pegou e colocou no meio das suas coisas, fitando Alice logo depois.
-Agora eu vou sair da cidade. Preciso dar um tempo, emendou.
-Concordo. Então está decidido, Bella. Você vai para Montana. Estar junto da sua família vai lhe fazer muito bem.
-Você parece o meu pai falando, mas acho que no momento essa é a melhor solução, Alice.
A amiga concordou.
-Tome.
Falou entregando-lhe um pequeno envelope branco.
-O que é isso?
-O pagamento antecipado pelo seu artigo. Todos na minha equipa adoraram, ela disse sorrindo. Bella pegou o envelope e sem abrir, colocou-o na bolsa.
-E quanto as suas coisas?
-Vou contratar uma empresa de mudanças para ir lá buscar tudo.
-Posso ir junto se você quiser. Ajudei na mudança, faço questão de ajudar na “desmudança”.
Mesmo triste, Bella não pode deixar de sorrir.
-Que raio de palavra é essa?!
-Não sei. Acabei de inventar.
Alice tinha uma veia cômica e um tanto teatral às vezes, mas era uma excelente amiga.
-Espero que nenhum dos seus contratos de trabalho a ouça falar deste jeito!
-Não esquenta, estamos na minha casa e sozinha. Agora me dê o seu celular que vou passar as fotos para o meu notebook agora mesmo e salvar numa pasta.
-Não quero falar com ele, Allie.
-Você não vai. Já providenciou a passagem?
Perguntou devolvendo o celular, instantes depois. Bella guardou o aparelho em seu bolso, mas não apagou as fotos.
-Não, mas não deve ser tão difícil conseguir uma. Não estamos na época das altas temporadas, retrucou conformada com a mudança que sua vida tomaria.
-Se quiser, eu posso tentar resolver isso também, disse Alice solidária. Bella sorriu para a amiga em agradecimento.
-Ótimo. Resolva, Allie. Vai me poupar tempo e trabalho, respondeu rindo.
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Deitado em seu quarto, com as mãos sob a cabeça, ouvindo o barulho da chuva batendo contra os vidros da janela, Edward não conseguia deixar de pensar nas palavras de seu pai, o Senador dos Estados Unidos da América, Carlisle Cullen, durante o jantar, mais cedo na Fazenda Breaking Dawn, em Montana.
Bella...
A lembrança da tarde em que a possuíra a beira do lago, cinco anos antes voltou a torturá-lo incessantemente. Seu pênis reagiu de imediato e ele gemeu rolando na cama... Tentou esconder aquele episódio jogando-o para o fundo de sua mente, mas sua consciência não permitiu. As imagens vieram nítidas e fortes para atormentá-lo sem descanso.
Numa doce tarde de verão, tudo havia mudado. Edward havia cedido ao impulso do momento, sido seduzido pela paixão e pela inocência da jovem de dezessete anos, tornando-a então mulher. Bella era ao mesmo tempo doce e ardente. Tímida e ousada. Ingênua e Sedutora. Ela o encantou, derrubando todas as suas defesas, deixando-o zonzo, nocauteando-o como um adolescente. Mas na semana seguinte Bella partira para a faculdade e nunca, jamais voltara a por os pés em Breaking Dawn outra vez. Até o dia de hoje. Deixando-o para trás amargurado, lutando contra os seus fantasmas, remoendo a sua culpa, arrependido por não ter refreado seus impulsos naquele dia, por não ter conseguido se controlar. Descobrira tarde demais, depois que Bella fugira, que ela não estava preparada para o quem havia acontecido. Mas infelizmente o tempo não retrocede e o passado não pode ser desfeito.
Rosto em formato de coração, nariz pequeno e empinado, cabelos castanhos escuros cor de mogno, olhos castanhos enevoados e misteriosos, um corpo proporcional de curvas suaves, pele alva macia, pernas magras e bem feitas... Sua ereção reclamou novamente e ele soltou um sonoro palavrão, batendo a cabeça contra o travesseiro fofo, a frustração crescendo cada vez mais.
Assustou-se com o toque inesperado do celular, pegando o aparelho ao lado de sua cabeça e vendo o nome de Tânia piscando no visor. Ignorou a chamada, desligando o aparelho em seguida. E daí se tinha marcado um jantar com ela?! Tânia que esperasse ou então encontrasse outro para lhe fazer companhia. Eles saíam de vez em quando, sem compromisso e o fato dela ser secretária do seu pai não mudava em nada a maneira de pensar ou a posição de Edward em relação a isto. Quando ele queria e ela também, ficavam juntos. Quando não, era cada um por si. Mas ele podia sentir que com a volta de Bella muita coisa por ali iria mudar.
Cap. 2
O pequeno Aeroporto Interestadual de Helena, uma das principais cidades de Montana estava completamente lotado. Era feriado local, dia do Aniversário da cidade e Bella suspirou longamente, empurrando a mala rosa Pink com o pé. A valise preta estava bem firme em uma de suas mãos, e ela esperava que a aquele montante de roupas fosse o suficiente. Não retornara a casa de Jacob para pegar as suas coisas e ignorara todas as suas ligações. Se ele continuasse insistindo e chegasse ao ponto de ir atrás de Alice, esta diria que Bella havia aceitado um emprego temporário em sua revista e saíra do país por seis meses, sem revelar no entanto o verdadeiro paradeiro da amiga. Tudo fora previamente combinado. Não decidira ainda quanto tempo ficaria na fazenda e não queria pensar ou preocupar-se com isso agora. Estava exausta física e principalmente mentalmente. Saiu do meio da multidão olhando para os lados, estreitando os olhos, mas sem reconhecer ninguém. Nenhum rosto ali lhe era familiar. Por um instante foi bruscamente tomada pelo receio... Será que seu pai esquecera de mandar alguém vir buscá-la?!
Meio triste e distraída continuou andando para lá e para cá, sem rumo certo, quando, de repente, se viu agarrada por duas mãos fortes, que a puxaram contra um corpo masculino e firme. Subitamente enrijeceu acometida pelas lembranças do ataque meses atrás. O pânico ameaçou tomá-la, sua respiração acelerou com a descarga de adrenalina e o coração bateu descompassado. Estremeceu violentamente ao ouvir uma voz grave pronunciar-lhe o nome num sussurro rouco e em seguida deparou-se com um par de olhos verdes intensos, inesquecíveis, perturbadores e penetrantes, complementados por grossas sobrancelhas castanho-acobreadas que só podiam pertencer a um único homem em todo Planeta: Edward Thomas Cullen.
O sentimento de medo foi imediatamente substituído pelo alívio. Dando-se conta de que estava nos braços de Edward e não de um sádico pervertido qualquer ela relaxou momentaneamente, sentindo sua pulsação voltar ao normal. Mas antes que pudesse dizer ou fazer alguma coisa, ele fez algo inesperado: Baixou sua cabeça e selou suas bocas. Choques elétricos e uma torrente de arrepios atingiram a pele de ambos. O beijo foi ardente, longo e saudoso, sensual, cheio de promessas que Bella não sabia se desejava. Recobrando a razão, empurrou-o, desvencilhou-se e protestou afobada:
-Edward!
-Seja bem vinda, falou com o olhar fixo no rosto feminino em formato de coração.
-O que pensa que está fazendo?!
Perguntou com os lábios inchados pela volúpia com que ele a beijara, levando as mãos para ajeitar os cabelos de forma inconsciente. O olhar verde jade profundo desceu dos olhos escuros e confusos para a boca feminina, onde os lábios vermelhos jaziam entre abertos, num convite mudo. Ele apreciou o corpo feminino envolto no vestido simples de algodão estampado, demorando um pouco mais que o necessário nas pernas longilíneas.
-Você não devia ter feito isso!
-Feito o que?
Disse presenteando-a com seu sorriso torto e irresistível. Bella apertou os lábios numa linha fina, cerrando os pulsos.
-Me beijado!
Cuspiu entre dentes. Ele deu de ombros, casualmente.
-Não vejo problemas em dar as boas vindas a uma velha amiga.
Respondeu empurrando o chapéu branco e novo ligeiramente para trás com dois dedos unidos. Bella contou até vinte mentalmente. Ele era insanamente lindo. Um perfeito cowboy saído diretamente das páginas dos romances mais sexys da face da Terra. O coração dela voltou a acelerar, mas desta vez por um outro motivo. Fitando o rosto querido há tantos anos, Bella notou que Edward havia mudado. Ele não exibia mais o ar rebelde de antigamente, com a barba por fazer sempre e uma jaqueta de couro negra. Havia cortado um pouco os cabelos cor de cobre, que antes alcançavam os ombros e apresentava algumas linhas tênues ao redor dos olhos verdes, mas o charme e o apelo sexual continuavam ali, inalterados. Concluiu sabiamente que ele havia amadurecido.
-Costuma sair por aí beijando todas as suas amigas?!
Perguntou com nítido sarcasmo.
-Apenas as que considero especiais, respondeu piscando um olho e dando mais um sorriso torto, o que sempre fizera o coração dela disparar.
-Idiota.
Murmurou baixinho.
-Gentil como sempre, Bella. E caso você não tenha gostado do beijo, saiba que eu gostei.
Ela ignorou a observação enquanto o olhar masculino descia para a bagagem que ela trazia.
-Trouxe mais alguma coisa?
-Não, respondeu fitando os próprios pés. Edward mexia muito com as suas emoções e agora ela não estava preparada para cair nos joguinhos dele. Inclinando o corpo levemente, ele segurou a mala pink com uma só mão e girou sobre os calcanhares andando a passos largos em direção aos hangares, no lado oposto ao que eles se encontravam no aeroporto. Bella não viu opção a não ser começar a segui-lo de perto. Edward sempre a traíra. Se não fosse assim, por que não conseguia desgrudar os olhos da figura masculina à sua frente, observando fascinada o homem viril que andava na frente dela. Os ombros largos, as pernas bem-feitas, a bunda firme destacada contra o tecido da calça jeans clara e surrada, as costas forte... Viu aborrecida várias mulheres virarem suas cabeças para fitá-lo com admiração, mas recusou-se a dizer alguma coisa. Se ele notou algum desses olhares, não demonstrou. Ele olhou para trás e fez uma piadinha referindo-se ao fato dela estar andando como uma tartaruga, mas ela não respondeu. Muitas vezes achava que as coisas entre ele funcionavam quando os dois ficavam de boca fechada. As palavras eram algo totalmente desnecessário.
Parando ao lado do bimotor potente, branco com detalhes azuis e o nome CULLEN pintado em letras brancas na lateral, ela estacou surpresa.
(Foto do Avião particular de Felipe Massa e outros pilotos da F1).
Seu olhar percorreu toda a aeronave, do início ao fim.
-Gostou?
Mesmo sem ter entrado, Bella sabia que o pequeno avião era novo e bastante luxuoso.
-Ele é lindo, respondeu com admiração.
-A última aquisição do meu pai, respondeu abrindo a aeronave e colocando a mala dela no compartimento destino a bagagens.
-Não posso negar que ele tem bom gosto, ela respondeu quando ele se aproximou, pegando a valise de sua mão com uma das mãos.
-Agora ele quer comprar um hidroavião e eminha mãe está quase surtando com a idéia.
-Posso imaginar...
-Não, você nem faz idéia, respondeu divertido, envolvendo-a pela cintura com um braço, ergueu-a do chão com extrema facilidade.
Por uma breve fração de segundos seus corpos ficaram colados, seus rostos a centímetros um do outro. O coração dela começou a bater num compasso forte e acelerado, mas Edward portou-se como um verdadeiro cavalheiro, colocando-a no interior da aeronave, subindo imediatamente trás dela, fechando a porta, sentando no comando do bimotor e tirando o chapéu. Os olhos castanhos imediatamente foram atraídos como um ímã para a massa de cabelos cor de cobre bagunçados, enquanto ele passava a mão por entre os fios, tentando em vão domesticá-los. Sua vontade era esticar o braço e tocá-los, sentir os fios deslizando entre seus dedos, como fizera cinco anos atrás a beira do lago. Enquanto Edward a possuíra por duas vezes consecutivas, ela enterrara os dedos em seus cabelos, maravilhada com a sensação do contato dos fios macios em sua pele. Sacudiu a cabeça desejando que aquelas lembranças sumissem, desaparecessem. Olhou fixamente para frente, voltando a realidade.
Em seguida ele colocou os fones nos ouvidos, entrou em contato com a torre de comando pelo rádio e pediu autorização para levantar vôo. A torre pediu que esperasse alguns minutos e quando tornaram a entrar em contato, deram a Edward a aguardada autorização.
O avião foi ligado, os motores aquecidos e em poucos minutos o aparelho deslizava suavemente pela pista. Bella aproveitou para olhar a paisagem tão querida e verdejante dos vales montanhosos que não via há anos. Em meia hora estariam na fazenda. O avião decolou e ela suspirou fechando os olhos, apreciando a sensação de estar no ar pairando por entre as nuvens.
Edward Cullen.
Eu estaria sendo um reles mentiroso se dissesse que a mulher sentada ao meu lado mexia comigo. A verdade era que Bella me deixava em polvorosa. Era como se todos os meus instintos de macho aflorassem quando ela estava por perto. Eu tinha prometido a mim mesmo que não a tocaria, mas quando a vi andando no meio do saguão do aeroporto com aquele vestido de algodão azul que mesclava sensualidade e inocência, os cabelos soltos pelas costas e botas... Mandei minha decisão às favas. Não pude resistir e acabei beijando-a.
Suspirei... Tudo o que queria agora era ligar o piloto automático, trazê-la para o meu colo e dar uns bons amassos. Correr minhas mãos e boca por aquele pescoço alvo e delicado, baixar as alças do vestido... Meu pau gritou desesperado e eu trinquei os dentes, engolindo um gemido que já estava quase escapando por minha boca.
Não dava para nós transarmos ali. Eu estava pilotando e não queria jamais provocar um acidente, mas meu desejo por ela era intenso e com certeza chegaria em breve a um limite insuportável. No mesmo instante bateu a velha vontade de fumar um cigarro. Praguejei baixinho, chamando sua atenção. Ela me fitou com curiosidade e algumas sombras no olhar que eu não consegui decifrar exatamente o que seriam.
-Me dê um chiclete anti fumo, pedi apontando o local em que a cartela estava. Ela inclinou-se e pegou, tirando um do invólucro e de entregando. Baixei minha boca até sua mão pegando o chiclete, roçando minha língua em sua pele macia. Ela retirou a mão como se houvesse levado um choque forte, ajeitando-se no assento e eu senti arrepios de tensão sexual descendo certeiro na direção da minha virilha. Meu pau latejou pulsando, me fazendo praguejar comigo mesmo. Mastiguei o chiclete com uma força totalmente desnecessária.
-Está deixando de fumar?
Perguntou casualmente, puxando conversa.
-Estou tentando, respondi concentrado na goma de mascar.
-Suas mãos têm marca de nicotina, ela disse. Era verdade. Manchas amareladas podiam ser vistas entre os meus dedos.
-Prometi a minha mãe que este seria o presente de Natal dela, falei checando os instrumentos de vôo. Tudo estava bem.
-Então tem três meses para conseguir cumprir a promessa, falou enrolando uma mecha de cabelos entre os dedos.
-Quanto tempo pretende ficar desta vez?
Charlie não soube dizer quanto tempo ela ficaria em Breaking Dawn e a incerteza estava me matando. Ela tinha rompido o noivado com um jogador musculoso, idiota, famoso e bastante assediado pelas mulheres. Um tal de Black. Certa vez eu estava numa livraria em Billings, cidade próxima à fazenda e uma foto dos dois no final da capa de uma dessas revistas especializadas em fofocas me chamou a atenção. Eles estavam em um restaurante, Bella com uma blusa sexy vermelha, ele com o braço em torno dos seus ombros... Não sei porque mas aquela maldita foto havia me incomodado até hoje. Agora ela estava de volta e eu não sabia o que iria o futuro nos reservava. As coisas entre nós aconteceram num atropelo e logo em seguida ela viajou. O amanhã era uma verdadeira incógnita, mas de uma coisa eu tinha absoluta certeza: Eu a desejava muito e a queria na minha cama, gemendo sob o meu corpo novamente.
-Ainda não decidi.
Ela respondeu afastando-me dos meus pensamentos.
-Então a vida na cidade grande não é tão atraente como parece...
A veia do rebelde Cullen sempre aflorava quando ela estava por perto. Bella empertigou-se na cadeira quando ouviu aquilo.
-A capital é um excelente lugar para se viver, fazer amigos e conseguir trabalho. Eu me sentia muito bem lá, respondeu olhando para frente, os olhos fixos. No céu azul da manhã de outono. O inverno chegaria em poucos meses.
-Se você diz...
Debochei e contei até cinco pausadamente, pois eu sabia que a resposta não tardaria.
-Você viveu enfurnado numa fazenda durante toda a vida bradando aos quatro ventos que odiava a agitação das grandes metrópoles, o que acha que pode dizer sobre a vida na cidade?!
Falou com a voz carregada de ironia.
-Fui para a faculdade, rebati dando um sorriso preguiçoso. Ela mudou de posição novamente.
-Sua idéia de diversão resume-se a montar cavalos bravos ou a derrubar novilhos em rodeios, Edward. Portanto não comece a falar sobre algo que não sabe, retrucou começando a ficar irritada.
Eu poderia ter me calado, mas não o fiz.
-Isso significa que você é uma freqüentadora assídua das baladas noturnas que agitam as noites nas grandes cidades?!
Devolvi usando o mesmo tom jocoso.
-Se sou ou não é problema meu, respondeu firmemente.
-Com certeza, mas agora que rompeu seu noivado com o macaquinho mestiço musculoso e está voltando para casa saiba que vou ficar de olho em você, respondi com secura.
-Como assim?! O que está querendo dizer?!
-Que para mim o seu ex-noivo literalmente parece um macaco. Um gorila recém saído da selva africana, para ser mais exato, falei satisfeito com o comentário.
-Ex- noivo. E deixe Jacob fora disso, Edward. Que história é essa de ficar de olho em mim?!
-Estou dizendo que a Rosalie está tentando engravidar, portanto fique longe do Emmett. O processo de fertilização a deixa muito fragilizada e eles já tiveram problemas demais com o casamento este ano, Bella. Não vou permitir que você estrague as coisas entre eles!
Ela me olhos com um misto de espanto e assombro.
-Que maluquice é essa?! Sobre o que você está falando?! Rosalie é como se fosse minha própria irmã, fomos criadas juntas e Emmett eu considero o meu melhor amigo, Edward!
Dei um sorriso carregado de cinismo.
-Sua noção de amizade é bem diferente da minha, então, concluí.
-Que tipo de problemas eles estão tendo?
Olhei-a de relance, mas não respondi de imediato.
-Nenhum casamento é um mar de rosas, rebati.
-Apesar de não ter voltado a Breaking Dawn nesses cinco anos, eu falo com Rose quase todos os dias e com o meu pai também.
-Então deveria saber dos problemas que sua prima tem enfrentado, falei num tom acusatório.
-Se está insinuando que eu não me preocupo com a minha família, está enganado Edward! Não tenho culpa se a Rose não me disse o que está acontecendo!
-Garota maravilhosa...
-Vá para o inferno, disse tensa.
-Você está me dizendo que nada mudou e que Rose é como se fosse sua irmã, emendei.
-Exato.
Meu sorriso não poderia ser mais cínico.
-Mas apesar de tudo isso, não hesitou em “ficar” com o meu irmão quando vocês se encontraram por acaso num vôo comercial para Boston, falei alfinetando-a.
Ela esbugalhou os lindos olhos castanhos escuros e ficou boquiaberta com o comentário. Sua reação foi tão inesperada que por instante eu comecei a duvidar da história relatada pelo meu irmão.
-Como é que é?!
Falou com as narinas frementes e os lábios trêmulos.
-Não banque a sonsa comigo, meu bem.
-Quem te falou que eu “fiquei” com o Emmett?
Senti uma coisa esquisita dentro do peito quando ela proferiu tal palavra.
-Então você admite?!
Perguntei sentindo uma sensação horrível se apoderar do meu ser. Uma mistura de raiva, frustração, irritação e mais alguma coisa indefinida. Remexi-me na poltrona voltando minha atenção para os controles da aeronave crispando os lábios, frustrado e irritado.
-Enlouqueceu?! Lógico que não! Nunca aconteceu nada entre mim e o seu irmão e jamais, ouviu bem?! Jamais vai acontecer! Ele é o marido da minha prima, criatura! Por quem você me toma?!
Precisei de alguns segundos de silêncio antes de dar uma resposta apropriada.
-Me pergunte isso daqui a algumas semanas novamente que eu lhe responderei com prazer.
-É incrível como depois de todo esse tempo você continua o mesmo caipira imbecil e egocêntrico de sempre, Edward! Depois de tanto tempo estou voltando para a fazenda em busca de paz. Não pretendo desperdiçar meu tempo com discussões inúteis e malucas como essa!
Brindei-a com um magnífico sorriso.
-Vai começar a me elogiar agora?
-Você me ofendeu, retrucou com os braços cruzados sobre os seios.
- Não vou engolir essa sua pose de mulher ofendida. Você já está bem crescidinha para usar e abusar das artimanhas femininas brincando com os homens.
-Com certeza você enlouqueceu, despejou.
-Garanto que continuo sendo o mesmo Edward que você conheceu.
-Posso saber de onde você tirou essa idéia ridícula e tão estapafúrdia a meu respeito?!
Desta vez meu sorriso veio carregado de desdém.
-Emmett me contou.
Falei olhando-a de relance. Bella empalideceu, enrijeceu, piscou diversas vezes e respirou com dificuldade.
-O QUE?! Não acredito nisso!
Ela estava muito surpresa com a revelação.
-Pode acreditar. E não poupou ninguém dos detalhes. Disse que vocês quando se encontraram a conversa fluiu intensa e que você estava linda. Que começaram a relembrar os velhos tempos e como as saudades eram muitas acabaram cedendo aos impulsos, beijando-se.
-Jesus! Eu não posso acreditar no que você está dizendo!
Exclamou mortificada.
-Isso é insano. É um absurdo!
Prossegui:
-Depois falou que depois as carícias evoluíram “naturalmente”, mas tudo não passou disso. Foram beijos e toques.
Por que raios minha voz estava tão tensa?! E por que eu estava apertando o manche com tanta força?!
-Dentro do avião?!
Questionou atônita.
-Mais precisamente nas últimas poltronas já próximas à entrada para o banheiro.
Bella levou uma mão à boca, como se estivesse enjoada.
-Palavras dele: Beijos, carinhos e mãos bobas correndo soltas. Se não acredita em mim, pergunte pessoalmente quando nós chegarmos, afinal não se fala em outra coisa na fazenda...
-Meu Deus do céu... Minha nossa... Céus...
-Ouvi os peões comentando hoje cedo sobre como vai ser a relação da esposa com sua prima, amante do marido, que está chegando hoje à fazenda.
Bella virou a cabeça na direção da janela e cerrou os lábios afundando o corpo na poltrona, numa posição de tensão, mastigando o lábio inferior inconscientemente. A jugular em seu pescoço saltava a olhos vistos. Ela estava com muita raiva, eu podia sentir. Senti pena dela naquele momento. Se o meu irmão havia mentido e inventado tudo aquilo, mesmo sendo maior e mais forte, eu não me importaria em quebrar o nariz dele na primeira oportunidade.
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