Orgulho E Sedução.
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Cap. 10
Isabella Swan.
O dia seguinte amanheceu chuvoso e minha calcinha encharcada. Suspirei em desalento. Depois de uma noite repleta de sonhos eróticos com Edward, claro, o que eu mais precisava era de uma boa xícara de café bem forte. Entrei na cozinha no exato momento em que papai estava escutando as notícias no rádio:
“-E mais dois montanhistas foram atacados por pumas ontem. A polícia local está tentando capturar os animais, mas até agora não obteve sucesso.
-Um turista afirmou ter visto dois pumas, um amarelo e um negro na tarde de ontem na floresta.Mis informações a seguir...
-As patrulhas estão por toda a área de acesso, mas nós não conseguimos encontrar os bichos.
-Vão precisar de reforços?
-Provavelmente. Alguns moradores da região, com experiência em caça se dispuseram a nos ajudar e...”
Papai me viu e desligou o aparelho.
-Pumas?
-Sim. E já fizeram quatro vítimas.
-Fatais?
Meu assombro era visível.
-Duas moças tiveram sorte. Estavam fazendo trilha de bicicleta e foram atacadas por um dos animais, mas sobreviveram. O casal não teve a mesma sorte.
-Puxa, papai! E eles estão perto daqui?!
-Encontramos dois buracos na cerca no terreno final da fazenda, mas até o momento nem sinal deles.
-Jesus!
-Calma, filha, não é para tanto... Saímos com os rádios, sempre em grupo e armados.
-Tenha cuidado, falei abraçando-o.
-Eu sempre tenho. O que vai fazer hoje?
Dei de ombros.
-Ainda não sei.
-Vá dar uma volta na fazenda, andar a cavalo vai lhe fazer bem, filha.
-Na chuva?
Ele gargalhou.
-Você está virando definitivamente uma moça da cidade, retrucou sorrindo pegando seu chapéu e saindo. Fiz uma careta e liguei para Rose.
-Oi Bella!
-Papai sugeriu que eu fizesse um passeio. Vem comigo?
-Eu adoraria, prima, mas não posso. Eu e o Emmett estamos indo até Billings conversar com meu ginecologista. Sua voz soou cheia de entusiasmo. Fiquei satisfeita ao escutar aquilo. Quem sabe ela e Emmett não tinham tido uma conversa séria ontem a noite...
-Ok, saiba que estou aqui torcendo por vocês, falei.
-Eu sei Bella. Obrigada pelo apoio.
-Não por isso, Rose. Beijo. Tchau.
-Beijo.
Desliguei suspirando. Só me restavam duas alternativas: ir sozinha ou ligar para Edward e convidá-lo pra vir comigo. Optei pela primeira. Queria pensar em tudo que tinha acontecido no dia anterior e a presença dele não ajudari a por meus pensamentos em ordem.
Em pouco tempo eu já havia trocado de roupa, calçado botas e estava pronta para dar um bom passeio. Às vezes, pensava que, ao mudar de roupa, mudava também a personalidade. A elegante tradutora voltava a ser Isabella Swan, a moleca filha do capataz da fazenda Breakig Dawn criada no campo, com o vento desmanchando os cabelos. Ri para minha própria imagem no espelho e pegou o chapéu que usara durante anos, sentindo-se em casa.
Enquanto descia a escada uma sensação leve e agradável a invadiu. Passei pela cozinha para colocar ração para os gatos. Chequei se a porta que dava para o quintal estava trancada. Não fazia idéia de onde os bichanos estariam, mas logo mais iriam aparecer. Abri a porta da frente, fechei em seguida e fui até o carro. Vinte minutos depois cheguei aos estábulos.
-Bom dia, cumprimentei.
-Bom dia, senhorita, disse Mike tirando seu chapéu assim que me viu.
-Bom dia senhorita Swan, os outros peões responderam fitando-me com curiosidade. Havia seis deles conversando numa roda antes que eu me aproximasse.
-Posso ajudá-la, Bella?
Mike sorria charmoso.
-Sim. Gostaria de cavalgar um pouco.
-Pois não. Temos cavalos excelentes aqui. Vou escolher um para você. Posso?
-Por favor.
Mike sorriu e afastou-se.
-Alguém viu o James?
Um dos peões questionou a um rapaz moreno e reservado com longos cabelos negros presos num rabo de cavalo.
-Laurent!
-O que?!
-O que há com você cara?! Estava no mundo da lua?! Perguntei pelo James, o outro rapaz insistiu.
-Ele foi fazer a vistoria das cercas, respondeu envergonhado.
-Sozinho?! Aquele imbecil está pensando que é o super homem?! E se ele der de cara com os pumas?!
-Não, Erick, ele foi com o Ben, respondeu apressado.
-Humpf! Menos mau, resmungou o tal do Erick.
Analisava aquela conversa quando vi um enorme cavalo baio castanho. Mike o trazia pelas rédeas enquanto montava um outro animal tão grande quanto o primeiro cinza, com longas pernas e pêlo brilhante, que eu nunca havia visto. Sem dizer nada, passou-lhe as rédeas. Subi com destreza fazendo-o trotar.
-Onde deseja ir?
Virei para ele surpresa.
-Você está pensando em ir comigo?
-Sim. É perigoso andar por aí sozinha, especialmente com esses ataques dos pumas, falou solícito.
-Obrigada pela preocupação, Mike, mas eu realmente prefiro ir sozinha, falei acelerando o trote do animal.
-Seu pai não vai gostar disso, ele falou contrariado.
-Não se preocupe, sei lidar com ele. Até mais, respondi deixando-o parado sobre a sela, ainda sem ação. Os outros começaram a caçoar, mas eu rapidamente me afastei. Observei a paisagem magnífica ao meu redor e respirei profundamente. Guiei o cavalo pela trilha secundária. A principal geralmente era usada pelos veículos. Segui sem rumo, apenas apreciando o passeio. Tudo me encantava. As montanhas ao longe com os picos recobertos pela neve. No inverno a neve crescia, descendo pelas encostas a baixo. Passei pelos pastos, pelas construções e acabei entrando na trilha que levava vinte quilômetros depois, ao lago. O mesmo lago onde eu nadei nua e onde Edward me encontrou. Sacudi a cabeça para afastar as lembranças daquela tarde. Eu tinha de me focar no dia anterior. Se Emmett e Carlisle não tivessem aparecido, onde eu estaria agora?! Engoli em seco com medo de responder. Covarde! Minha consciência acusou. Um pássaro cantou ao longe. Voltei ao mundo real continuando a admirar a beleza do local. Havia muitas fazendas de gado e cavalos de raça na região.
Percebi que meu corpo começava a sofrer as conseqüências de uma vida sedentária. Meus músculos começaram a doer. Olhei no relógio em meu pulso e constatei que estava cavalgando a mais de uma hora. Tirei uma cenoura fresca do bolso do casaco e entreguei ao animal que relinchou em agradecimento e começou a mastigar.
-Bom menino.
-Falando sozinha?!
-GAH!!!
Pulei de susto sobre a sela.
-Assustei você? Desculpe.
-Edward!
-É o meu nome, respondeu sorrindo.
-De onde você surgiu afinal?! Quase me mata do coração!
Ele sorriu ainda mais.
-Bom dia para você também, gatinha.
-Estava espreitando? Você não me respondeu, cobrei.
-Eu jamais a atacaria Bella. Você está segura comigo, falou.
-Não foi o que eu quis dizer, falei.
-Eu estava cuidando de um touro e vi quando você passou. Eu sabia que ele tinha muito serviço, especialmente se estivesse na época da vacinar os animais ou se algum adoecesse. Edward dava conta de muitas coisas: A compra de mercadorias, a criação de cavalos, os touros para rodeios, etc.
-Fechei o negócio e resolvi vir atrás de você.
-O touro está doente? Que negócio?
-Não. Bandido é um dos melhores touros que a fazenda já teve.
-Bandido?
Ele sorriu torto. Eu quase morri. Quase.
-O nome é perfeito para ele. Além de dar conta de seis vacas de uma vez, já derrubou mais de trinta homens que tentaram montá-lo. E quanto ao negócio... Eu falava de cruzamentos. Para produzir touros fortes para rodeios são necessários vários cruzamentos. Os compradores são exigentes. O processo é cuidadoso e exaustivo, mas no fim vale à pena. E se você não tiver cuidado pode acabar se machucando.
-Por isso prefiro lidar com as letras. É mais seguro.
Começamos a andar lado a lado.
-Rose foi com o Emmett ao médico, falei tentando desviar a conversa para um assunto mais neutro.
-E daí?
-Não se preocupa com eles?
-Já me preocupei o suficiente. São crescidos o suficiente para resolverem os próprios problemas.
-Às vezes você me assusta.
Ele deu de ombros.
-Sou fazendeiro, não psicólogo. Não quer parar, desmontar e descansar um pouco?
Se eu concordasse com certeza iríamos acabar nos agarrando e rolando sobre a relva macia.
-Não. Prefiro parar quando voltar.
-Está exigindo demais dos seus músculos.
-Não precisa se preocupar comigo, rebati.
-Mas eu me preocupo, disse.
-Sem necessidade.
-Ontem nós fizemos amor, Bella. Não dá para fingir que não aconteceu nada.
-Você quer falar sobre isso agora?!
Meu rosto queimava. Ele notou.
-Tenho uma sugestão.
-Diga, pedi morta de vergonha.
-Prefiro ir para casa agora, fazer de novo e falar depois.
-Engraçadinho!
Ele arqueou as sobrancelhas.
-Tem idéia melhor?
-Sim. Você vai embora e me deixa em paz.
Por que eu estava sendo tão azeda com ele?! Não era do meu feitio agir assim, pensei comigo mesma. Edward me deixava nervosa, devia ser isso.
-Não vou deixar você em paz. Nem hoje e nem nunca.
-Posso saber por quê? Passei cinco anos longe, Edward e sempre me virei muito bem sozinha.
-Mas agora está aqui, Bella e eu não tenho mais forças para ficar longe de você. Não pode negar que existe uma forte atração entre nós. Além disso, sinto uma enorme necessidade de protegê-la.
-Edward, por favor...
-Eu quero você na minha cama Bella.
-Você disse que não iria falar sobre isso.
-Eu desejo você e você também me deseja. Para que resistir?
Para não me machucar outra vez, eu quase respondi.
-Eu disse que não falaria se nós dois fôssemos para casa fazer amor.
Céus! Ele deveria achar engraçado constranger-me daquela maneira.
-Podemos mudar de assunto?!
-Que tal falarmos sobre cada domingo dos últimos cinco anos? Eu conto o que fiz em cada um deles e depois é a sua vez.
Revirei meus olhos.
-Você é irritante, Edward.
-Adoro ver você Brava. Deve ser porque fica corada. Me excita.
-Não pode estar falando sério!
-Quer pagar para ver?!
Seu olhar era mais que malicioso.
-Não. Minha sugestão é voltarmos. O que me diz?
-Tudo bem, então. Bella?
-Sim?
-Desculpe-me por ter acredito nas idiotices do meu irmão. Eu deveria saber que você jamais se envolveria com ele.
Vi a sinceridade e o pesar refletidos nos olhos verdes. Um nó formou-se em minha garganta. Desviei os olhos e assenti. Fizemos os cavalos darem a volta e recomeçamos o caminho. Ao chegarem aos estábulos, meu rosto estava contraído de dor.
Desmontando, Edward colocou-se ao meu lado, segurando-me pela cintura e ajudando-me a descer. Imediatamente arrepios elétricos penetraram em minha pele. Baixei a cabeça. Eu sabia que ele também sentia. Mike fez menção de aproximar-se, mas por algum motivo recuou. Murmurou um agradecimento, afastando-me dele.
-Mike, cuide dos cavalos. Vou levar Bella para casa.
-Não é necessário, Edward. Nós nos vemos depois. Tchau, falei acelerando meus passos. Em dois tempos ele me alcançou segurando firme em meu braço, fitando-me com cara feia.
-Deixe de ser teimosa, mulher! Você está dolorida pelo esforço, e eu vou levá-la para casa.
-Se não me soltar agora, eu vou gritar, ameacei.
-Grite à vontade se é isso que deseja, mas você vai comigo!
Disse enquanto me conduzia a contra gosto, até o carro. Ele abriu a porta e ordenou:
-Entre.
-Não sou um dos peões Edward, você não manda em mim, esbravejei.
-Entre no carro.
-Suma da minha frente, seu arrogante!
Praguejando, ele aproximou-se segurando em meus ombros.
-Se não entrar por bem vai entrar na marra!
-Vai me bater?!
Perguntei erguendo meu queixo, desafiando-o.
-Se for preciso, sim! Lhe darei umas boas palmadas e o melhor é que vai ser na frente dos peões!
Cuspiu entre dentes. Olhei em volta e vários olhares curiosos estavam pousados sobre nós.
-Você me paga!
-Vou esperar a conta, rebateu.
Exclamei baixinho cedendo a tentação de fazer um escândalo, entrando no veículo e fazendo questão de esfregar as botas no carpete aos seus pés, sujando-o de areia e poeira. Ele contornou o carro e acomodou-se na direção. Virei meu rosto para a janela. Edward, mais uma vez tinha conseguido estragar o meu dia.
No consultório do Dr. Alec...
-O que? Como assim?
Perguntou Rose em choque, sentindo como se tivessem jogado uma granada em seu colo. Vira a boca do médico se movendo, mas não conseguia assimilar e muito menos processar tais palavras. Era como se os acordes da morte de sua fertilidade estivessem ressoando no silêncio daquela sala.
-Fibroma uterino?!
Repetiu desnorteada enquanto Emmett remexia-se desconfortavelmente na cadeira.
-Sim.
-Mais espera...
-Cirurgia.
“Possível miomectomia”
As palavras rodopiavam dentro de sua mente e uma tristeza profunda apoderou-se de sua alma. Ao receber os exames que ele próprio havia solicitado, o Dr. Alec achaara o útero dela um tanto crescido e a presença de um tumor dentro do seu útero acabara de ser confirmada pela ultrassonografia transvaginal.
-Como isso pôde acontecer?! Não sinto nada, dor nenhuma!
-Muitas mulheres não apresentam sintomas, Rosálie. Como se trata de um tumor pequeno, nós não notamos sua presença antes, disse gentilmente o especialista em fertilidade.
-Céus!
Emmett cobriu a mãos dela com a dele, solidário. Rose estremeceu com o toque, aceitando-o, entrelaçando os dedos nos dele.
-Vai tirar o meu útero?
Perguntou com a voz trêmula.
-Não. Trata-se de um procedimento simples. Vamos tentar diminuir o fibroma com radiologia. Se ele não responder ao tratamento vamos fazer uma miomectomia, onde removeremos apenas o tumor e o seu útero permanece intacto.
-E como ficam as chances dela engravidar, Dr.?
Ele sabia o quanto aquilo era importante para sua esposa e talvez ela não suportasse a dureza cruel de mais um golpe.
-Seria mais difícil sim, Emmett, mas tenho casos semelhantes aqui onde minhas pacientes conseguiram engravidar após a cirurgia e hoje são todas mães de gêmeos ou trigêmeos.
Olhou para Rose e viu a desolação que tentava disfarçar estampada em seu semblante. Aquela era mais uma barreira a ser superada. Sabia que sua esposa estava arrasada interiormente, mas desta vez não mediria esforços e faria tudo o que estivesse ao seu alcance para ajudá-la. Não queria perdê-la.
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