Orgulho E Sedução.
67 Cap.67
Notas iniciais
67
A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de paz e aceitação plena. Estávamos em casa. Eu era a esposa de Edward Cullen, a mãe do seu filho. Instintivamente, eu soube que as novas lágrimas do meu coração seriam de felicidade. Aquela sensação ruim e incômoda; o medo que havia sido meu companheiro constante durante tanto tempo... Tudo havia passado. Era como se eu tivesse feito uma cirurgia. A cicatriz sempre estaria ali para que eu me lembrasse, mas ela não doía e não me fazia sua refém. Tudo o que eu havia sofrido simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo tornaria as coisas mais fáceis — isso era o que a minha terapeuta sempre havia me dito.
Quando eu acordei, não havia nenhuma desorientação. Eu abri meus olhos e vi que estávamos em casa, no nosso quarto. Encontrei o olhar ansioso e feliz dele.
–Ei. Bom dia, eu disse. Minha voz estava meio rouca. Eu limpei a minha garganta.
Ele não respondeu. Ele me observou, pacientemente.
–Perdi alguma coisa? Perguntei espreguiçando-me.
–Hum... Deixe-me ver... A metade do dia?! Falou zombeteiro. Meus olhos subitamente se arregalaram espantados.
–Como assim “a metade do dia?!”.
–São quase duas da tarde, gatinha, respondeu inclinando-se e roçando a ponta do nariz no meu pescoço. O cheiro másculo que exalava dele entrou em minhas narinas despertando-me completamente.
–Eu dormi mais de dez horas seguidas?! Questionei ainda sem querer acreditar.
–Sim. E segundo a minha mãe, a Rose e a Emily isso é perfeitamente normal na gravidez.
–Nossa!
–Então agora tenho que me preparar para usufruir da sua companhia o máximo possível, porque depois que você dorme, nem o Bom Jovi tocando vai ser capaz de lhe acordar, carinho, brincou.
–Já tomou café da manhã?
–Sim. Mas já estou com fome novamente. E a culpa é toda sua.
–Minha?! Por quê?!
–Por que eu estava esperando que acordasse para podermos almoçar juntos, ora essa! Explicou cruzando os braços sob a cabeça ressaltando seus músculos. Meus olhos foram atraídos como um ímã.
–E não me olhe assim, Isabella Marie Cullen!
–Assim como?! Falei enquanto me levantava da cama sendo observada por ele e caminhava para o banheiro.
–Querendo sexo. Não segurei o riso.
–Isso é sério?!
–Muito.
–Edward!
–Eu amo você e te desejo mais do que eu poderia imaginar, mas agora sou um homem de família. Tenho que alimentar vocês dois e planejei um dia maravilhoso hoje. Vamos aproveitar o fim do outono antes que o inverno cubra tudo isso aqui com a neve.
–Sim, senhor, coronel! Exclamei batendo continência. Foi à vez dele então explodir numa sonora gargalhada.
Quase uma hora depois nós estávamos nos acomodando no carro para sair. Edward colocou uma cesta de piquenique e um pequeno suporte térmico contendo as bebidas no banco traseiro da caminhonete, entrou e puxou-me para perto dele. Em seguida deu a partida e nós saímos. Ele não me disse para onde iria me levar, mas eu suspeitava que fosse para o lago onde ele me fizera mulher anos atrás. E eu estava certa. Cerca de vinte minutos mais tarde, ele estacionou o veículo nas proximidades do lago, fez a volta e me ajudou a descer. Depois estendeu um cobertor gasto sobre a relva para podermos sentar. A brisa estava fria e os pássaros cantavam nas proximidades. Uma borboleta cor de rosa chamou a minha atenção. Segundos depois ela se afastou e eu sorri tranquila, olhando a minha volta.
–É lindo aqui. Eu nunca me canso de olhar esta paisagem.
–Esse lugar sempre me fascinou. E depois que eu tive você sob o meu corpo, ele passou a me assombrar, afirmou.
–Edward...
–Estou falando a verdade, amor. Nem que eu viva mil anos vou conseguir me perdoar por ter deixado você partir.
–Você não tinha escolha. Eu precisava ir. Ele me fitou sem dizer nada. Eu sabia que a culpa o corroia por dentro. Na cabeça de Edward se eu não tivesse ido embora, não teria cruzado o caminho de James, tampouco o do Jacob.
–Eu deveria ter engolido o meu orgulho e te procurado, Bella.
–E talvez naquela época eu tivesse rejeitado você. Quando saí daqui eu amadureci, amor. E precisei passar por tudo o que eu passei para me tornar a mulher que sou hoje. Eu sabia que não amava o Jacob, mas concordei em casar com ele porque seria mais fácil para mim. Seria tranquilo. Muito diferente da intensidade do nosso amor, da nossa paixão...
Ele ouvia a tudo com atenção.
–Espere um pouco, pedi, voltando até o carro e abrindo o porta-luvas. O livro estava lá e eu o peguei, sorrindo.
–Você não entende. Você pode ser corajoso o suficiente ou forte o suficiente pra tentar viver sem mim, se isso for para o melhor. Mas eu não. Eu não posso viver sem você. Não depois que eu voltei para Montana e vivi esse tempo com você, te amando, sendo amada.
Os olhos dele foram atraídos pelo exemplar antigo em minhas mãos e que já tinha visto dias melhores.
–Esse livro de novo?! Ele falou revirando os olhos quando viu que se tratava de “O Morro Dos Ventos Uivantes”.
–Ele mesmo.
–Você tem um sério problema com os clássicos, Bella.
Sorri antes de responder qualquer coisa e me acomodei ao ledo dele sobre o cobertor.
–Eu só queria encontrar uma parte da qual eu me lembrei... Para ver como ela disse...
Eu passei as páginas do livro, encontrando facilmente a página que eu queria. O canto estava parecendo uma orelha de cachorro pela quantidade de vezes que eu já tinha lido ali.
–Cathy não é uma das minhas personagens favoritas, mas algumas coisas que ela dizia faziam muito sentido para mim, murmurei. “Se todo o resto perecesse, e ele permanecesse, eu deveria continuar a existir; Se todo o resto permanecesse, e ele fosse aniquilado, o universo inteiro se transformaria em um poderoso estranho"...
–E...
Eu balancei a cabeça, de novo fitando-o profundamente. Os olhos verdes estavam turbulentos, agoniado, ansioso. Suspirei pegando sua mão.
–Eu sei exatamente o que ela quer dizer, Edward. Eu sei quem eu sou e sei que eu não posso viver sem você. Eu morreria aos poucos.
Numa fração de segundos, Edward pegou o livro das minhas mãos e o atirou em algum lugar ali perto. Ele passou os braços ao redor da minha cintura. Um sorriso iluminou o seu rosto perfeito, apesar de que ainda havia uma linha de preocupação em sua testa.
–Odeio esse livro, mas desta vez vou abrir uma exceção. Afinal de contas você é a minha vida. E eu não posso viver sem a minha alma.
–Viu? E disso que eu estou falando. E como foi a conversa com o Emmett? Perguntei mudando de assunto. Ele sorriu relaxado.
–Melhor do que eu poderia imaginar.
–É? O que ele disse?
–Me deu um abraço da porra, quase quebrando os meus ossos, como ele faz quando está empolgado.
–Essa eu queria ter visto.
–Quando eu protestei, ele me soltou dizendo que estava aliviado porque as meninas agora vão ter um primo para defendê-las e meter porrada nos garotos que ousarem se aproximar das duas.
–Não acredito que ele falou isso! Eu disse sorrindo.
–Falou sim. Cada palavra. Todo satisfeito. E pelo que eu pude ver, ele e a Rose estão se entendendo, concluiu.
–Graças a Deus. Já não era sem tempo! Nisso o meu estômago roncou alto.
–Meu filho está com fome. Vamos mulher, abra essa boca e trate de alimentá-lo bem, gracejou.
–Sim, senhor! Respondi rindo e aceitando o sanduíche que ele me oferecia.
Eu queria passar o dia com ela como um casal normal. Queria fazer um passeio especial e por isso escolhi aquele lugar. Eu tinha certeza que Bella iria gostar. Estacionei o carro, dei a volta e abri a porta para que ela descesse e em seguida peguei a cesta e um cobertor antigo que vivia dentro da mala do Volvo. Segurei sua mão e caminhamos até a beira do lago, onde estendi o cobertor para que nós nos sentássemos. Depois veio a culpa, o remorso, a dor e por fim, com aquela estória do livro, o alívio e a felicidade. Olhei para ela que devorava o sanduíche inteiro com apetite. Eu tinha terminado de comer o meu e agora tomava chá gelado.
– É divertido ver você comer assim.
Falei. Ela sorriu entre uma mordida e outra.
– Se eu continuar comendo assim vou acabar parecendo com uma baleia Jubarte.
– Bobagem.
– Você diz isso agora, mas em bem pouco tempo eu não terei mais cintura. Vou parecer um barril, retrucou olhando para o ventre.
–Meu barrilzinho lindo e amado, brinquei. Ela sorriu feliz. Esperei que ela terminasse de comer. Ela acabou e me fitou com interesse.
–Quer mais?
–O que temos aí?
–Muitas coisas gostosas.
–Ainda estou com fome, retrucou olhando a cesta.
–Outro sanduíche ou salada de frutas com iogurte?
–Salada. Assenti e passei o pote descartável para ela que comeu tudo em minutos. Disfarcei um sorriso. Não queria que ela começasse a se preocupar com a silhueta. Não agora. Bella precisava se alimentar bem para gerar o nosso bebê com saúde.
– Fazia muito tempo que eu não me sentia tão relaxada assim.
– Sei disso, gatinha. E foi exatamente por este motivo que eu programei o dia de hoje. Nós dois precisamos esquecer um pouco a nossa rotina. Trabalho, afazeres, família, obrigações... Somos um casal jovem e normal. Temos que fazer mais coisas juntos, passar mais tempo livre um com o outro.
Falei fitando-a.
– Você gostaria?
– De passar mais tempo com você?
– De passarmos mais tempo jutos, — respondi.
– Muito. Mas eu entendo que você é o braço direito do seu pai aqui em Breaking Dawn, Edward.
– Mas eu sempre posso tirar um tempo para ficar com a minha esposa Bella. Meu pai sempre faz isso. Quantas vezes ele e a minha mãe viajavam sozinhos para o Brasil?! Você lembra?
–Sim. A ilha de Esme. Como será lá?
–Não sei, mas um dia nós iremos. E a ilha será toda nossa.
–Uma segunda lua de mel?!
–Segunda, terceira, quarta... Por mim podemos ter quantas você quiser, eu falei satisfeito por vê-la tomar uma caixinha de suco de morangos.
Ela sorriu, mas não respondeu. Dobrou as pernas e trouxe-as para mais perto de si, tirando as sandálias e suspirando.
– O que está fazendo? Perguntei divertido, enquanto ela levantava e andava descalça de um lado para o outro.
– Sentindo a grama sob os meus pés, disse fechando os olhos, andando e abrindo os braços. Ela parecia uma moleca. A mesma menina sapeca que havia crescido ali e me enfeitiçado.
– Me descreva a sensação. Eu estava completamente envolvido pelo momento.
– Macia. Suave. E faz um pouco de cócegas.
– Sério? O que mais?
– O cheiro.
–O que tem ele?
– A relva tem cheiro e sentimento de liberdade.
–Por que não tira as botas e experimenta?
– Apenas para não ter o trabalho de calçar depois.
Ela jogou a cabeça para trás e gargalhou alto.
– Edward Cullen você é impagável!
– E também porque eu posso me empolgar e querer tirar o resto das roupas. Os olhos dela abriram-se como pratos. Sua respiração ficou suspensa, presa na garganta. Deliciei-me com aquilo. Bella e eu tínhamos um apelo sexual incrível. Nossos olhares se fixaram um no outro e ela voltou a sentar ao meu lado.
– Quando éramos crianças você vivia implicando comigo.
– Você mexia demais comigo. E a melhor defesa sempre é o ataque, respondi.
– Eu achava que você me odiava naquela época.
– Eu nunca poderia te odiar Bella. Você e Rósalie eram como irmãs caçulas para mim.
– E quando você deixou de me ver assim? Ergui-me e segurei seu rosto entre as minhas mãos.
–Quando eu fiz dezessete anos.
– Eu estava apaixonada por você Edward. Meu primeiro amor.
–Primeiro e último. Você é o meu presente e o meu futuro, falei enquanto descia uma mão para sua cintura, afagando de leve sobre o tecido do vestido. Nossos corpos estavam muito próximos. Meu pau reagiu imediatamente.
– Sua pele é macia com seda Bella, disse enquanto levava minha boca ao pescoço alvo, passando os lábios vagarosamente sobre a jugular, sentindo sua pulsação acelerar.
– Edward...
– E você tem o cheiro do Paraíso, de sol com terra molhada, do amanhecer nas montanhas... Completei afundando minha cabeça no vão do seu pescoço, lambendo a extensão abaixo da orelha deixando-a fraca, mole. Ela gemeu e buscou os meus lábios. Correspondi prontamente. Apenas o barulho dos pássaros, o sopro suave da brisa fria e o farfalhar das folhar das árvores estavam a nossa volta.
Interrompi o beijo aos arquejos.
–Acho melhor pararmos por aqui, falei ofegando.
–Por quê?
– Como assim “Por que”? Estamos ao ar livre, a céu aberto e qualquer pessoa que passar pela trilha poderá nos ver, emendei.
– Hum... Você é deliciosamente desejável, gatinha. Inocentemente desfrutável. Eu apenas não consigo resistir.
Revirei os olhos, divertida e abri a cesta encontrando duas generosas fatias de bolo de chocolate com nozes. Meus olhos brilharam. Eu amava aquela sobremesa. Estiquei a mão pegando um pedaço e entregando a ele. Peguei o outro e comi com prazer. Estava deliciosa, de dar água na boca. Depois se foram os dois iogurtes de frutas vermelhas e o restante do chá gelado. Edward havia caprichado no nosso almoço. Quando ele terminou de comer e guardou todos os invólucros e descartáveis de volta na cestinha, eu deitei minha cabeça em seu colo.
– Isso aqui é tão lindo que não dá vontade de ir embora, falei.
– Não precisamos ir agora, — ele respondeu acariciando meus cabelos.
–Precisamos sim!
–Por quê?
–Tenho um milhão de coisas para combinar com a Alice. Ele sorriu amplamente.
–Acha que ela vai dar conta?! Olhei para ele espantada.
–Está brincando?! Mary Alice Brandon é capaz de dar conta de qualquer coisa, Edward! Ainda mais se tratando do casamento de sua melhor amiga.
–E você vai ajudar em tudo?
–Em tudo o que eu puder. Eu imagino e ela providencia.
–Vocês duas formam uma bela parceria.
–Obrigada.
–E quanto à data?
–Daqui a um mês. O que acha?
–Por seria amanhã mesmo, respondeu rindo. Eu revirei os olhos.
–E nós iríamos da cerimônia diretamente para o hospital, com a Alice prestes a ter um infarto, com toda certeza. Ele gargalhou, mas levantou em seguida.

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Alguns dias depois...
–Obrigada, Bella! Gritou Alice assim que nos avistou no saguão do aeroporto de Helena. Desta vez eu havia ido com o meu pai. Edward estava muito atarefado na fazenda com a aproximação do inverno rigoroso em Montana.
–Espere Alice, eu avisei a ela, levantando uma mão pra parar a alegria dela. -Eu tenho algumas limitações pra você.
–Tudo bem. Qualquer coisa que você quiser Bells.
–Ok. Agora vamos porque temos muito que fazer.
–Sim, sim! E não se preocupe Bella, será perfeito. Você quer ver o seu vestido?
Franzi o cenho.
–Como assim ver o meu vestido?!
–Conheço seus gostos, esqueceu?!
"Claro". Pensei. O sorriso de Alice era presumido.
–Você comprou meu vestido?!
–Claro que não! Mas deixei um modelo reservado com Perrine Bruyere. Você sabe que lá sempre tem uma lista de espera.
Eu era maluca por aquele estilista. Golpe baixo!
–Bella não vá dar um piti, por favor! Meu pai disfarçou um sorriso.
–Eu não estou dando piti, rebati.
–Então espera só até chegarmos em Breaking Dawn para você ver a foto do vestido. Ele é lindo, deslumbrante, perfeito. A sua cara.
Foi a minha vez de sorrir. Aquela ali não tinha jeito mesmo...
–É claro que se você não gostar, nós podemos escolher outro.
–Tudo bem. Vou dar uma olhada assim que nós chegarmos em casa. Se eu gostar, você confirma a compra. Se não vamos sair em busca de outro.
–Perfeito! Exclamou batendo palmas e saltando. Passei meu braço sobre os ombros dela e caminhamos até o hangar onde o avião estava. Meu pai acomodou as malas, depois nós entramos, sentamos, afivelamos os cintos e ele entrou em contato com a torre pedindo em seguida permissão para decolar.
CONTINUA.....
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