PDV Bella.


Pouco depois das cinco, papai estacionou a picape na frente da casa sede e eu tive um mau pressentimento ao avistar o carro de Tânia na garagem para visitantes em frente ao jardim lateral. O que aquele infeliz estaria fazendo ali?! Na mesma hora me dei conta de que Edward estava sozinho em casa e essa constatação me incomodou profundamente. papai percebeu meu desconforto.


–O que foi?


–Tânia está aí, respondi secamente sem tirar os olhos do carro reluzente. Ele coçou o bigode antes de responder.


–Ela é a secretária do Carlisle, filha. Vai ter que aparecer por aqui de vez em quando, falou tranqüilo.


–Mas o Senador está em Washington, papai, falei sentindo a irritação crescer.


–Tenha calma, ok? Sei que ela saiu com o Edward algumas vezes, mas ele também saiu com muitas moças aqui da região. E nunca quis nada mais sério com nenhuma delas.


Rolei os olhos contando mentalmente até vinte. Ele riu.


–Preciso concordar com o Edward. Você realmente tem um tique, Bells.


–Papai!


Ele riu e eu inclinei-me beijando sua bochecha, preparando-me para descer.


–Vai precisar de ajuda com os pacotes?


–Não, obrigada. Vai dar para levar tudo.


–Tem certeza? Seu velho pode descer para ajudar...


–Obrigada papai, mas não é necessário. Senti que ele estava querendo me dar apoio por causa das minhas inseguranças e fiquei feliz em tê-lo comigo.


–Ok.


–Tchau, pai.


–Tchau amor. Nos veremos amanhã. Esperei que ele saísse e comecei a andar devagar. Não estava disposta a permitir que aquela idiota estragasse os meus planos com o Edward e muito menos o dia maravilhoso que eu e papai tínhamos tido na vila. Equilibrando as sacolas que segurava nos braços procurei em vão pela chave da porta, mas antes que eu pudesse estender a mão e tocar a campanhia, Edward adiantou-se abrindo a porta, aparecendo na minha frente com uma expressão zangada em seu rosto. Seus músculos estavam tensos, sua boca crispada. Confusa, vi que Tânia e seu acompanhante estavam de saída. O rosto do rapaz era familiar, mas eu não conseguia recordar de onde o conhecia. Ele era muito bonito, alto, atlético, cabelos curtos e negros e tinha uma cicatriz enorme em seu rosto no lado direito. Quando passou por mim tirou o chapéu, cumprimentando-me com o qualquer cowboy faria, sorrindo amplamente e piscando um olho enquanto Tânia, que vinha imediatamente atrás me dirigiu um olhar arrogante, vitorioso e carregado de desprezo. Desconcertada olhei inquisitivamente para Edward que estava quieto parado junto à porta com o maxilar e os punhos cerrados, os olhos em fenda, com uma expressão irascível observando o casal se afastar. Segui seu olhar enquanto os dois entravam no carro, o motor eras ligado e instantes depois o carro saiu das nossas vistas.


–Edward...


Ele me ignorou. Engoli em seco, temerosa pelo que estaria por vir.


–O que está acontecendo?


Insisti perguntando e sentindo as borboletas se agitarem em meu estômago, meu coração apertando-se no peito.


Seu olhar era frio e aquilo me fez engolir em seco. Ele ajudou-me com os pacotes e me deu passagem, entrando logo atrás de mim.


Coloquei as mãos na cintura e fitei-o com o queixo erguido.


–O que foi desta vez?


Perguntei sem demora.


–De onde você conhece aquele cara?


Perguntou irado. Franzi o cenho, confusa. Varri a minha memória em busca de alguma coisa, mas não obtive sucesso.


–Não sei. Ele me é familiar, mas não sei de onde o conheço, não lembro, falei com sinceridade.


–Há! Muito conveniente Isabella, gritou começando a andar de um lado para o outro.


–Quer fazer o favor de ser mais claro Edward?!


–Ele me contou que vocês tiveram um rápido relacionamento e ficaram juntos algumas vezes em Washington! Descreveu até os detalhes do seu comportamento quando estavam na cama e disse que não conseguiu acreditar quando te viu naquela noite no bar do Riley! Que se dependesse da vontade dele vocês iriam reatar e ficar juntos novamente!


É isso! O rapaz havia me tirado para dançar aquela noite e eu tinha recusado. Mas a cada palavra que Edward proferia eu sentia a cor fugindo do meu rosto. Minhas pernas tremeram, minhas mãos suaram, meus olhos arregalaram-se numa descrença total... Engoli em seco outra vez sacudindo a cabeça com pesar de um lado para o outro.


–E você acreditou...


–Ele disse exatamente os lugares que você frequentava Bella. Os mesmo que você me falou quando começamos a ficar juntos.


Suspirei longamente.


–Eu nunca o tinha visto antes daquela noite. E aposto que a Tânia também não. Mas depois do escândalo que ela deu muitas pessoas aproximaram-se para ver o que estava acontecendo e esse cara estava lá, Edward. A Rose também sabia os lugares que eu freqüentava na capital, os pubs, as festas. Sempre que conversávamos, ela queria saber como eu estava o que ia fazer a noite... Com certeza minha prima deve ter comentado aqui algumas vezes na presença da Tânia, rebati irritada. Ele parou e me fitou a dúvida nitidamente estampada em seu rosto de anjo sedutor.


–Ele... Ele também descreveu em detalhes as suas preferências sexuais, dizendo exatamente do que você gosta ou não, concluiu observando-me com atenção. Ergui minhas mãos para o lato, exasperada, sem acreditar que eu estava tendo que passar por aquilo; por todo aquele interrogatório.


–Depois de tudo que passamos e de todos os momentos que vivemos você acreditou nele, acusei sentindo meus olhos começarem a ficar úmidos. Ele vacilou diante da minha reação.


–Bella, eu... A dúvida em seu rosto desapareceu dando lugar a uma expressão de remorso surgiu em seu lugar.


–Não, Edward. É melhor não falar nada agora.


–Me desculpe querida. Eu sinto muito. Sinto muito mesmo, falou aproximando-se.


–Pare. Fique onde está, exigi olhando para o chão sentindo o corpo trêmulo, esforçando-me para não cair no choro.


–Desculpe-me, por favor, pediu suavemente.


–Às vezes pedir desculpas não é suficiente!


Gritei correndo as mãos nervosamente pelos cabelos.


–O nosso casamento será assim?! Um novo inferno a cada mentira desta vadia ordinária?! Onde está a confiança e o amor que você diz sentir por mim?! Quem ama confia, Edward e eu nunca lhe dei motivos ou provas do contrário! Só tive dois homens na minha vida: Você e o meu ex-noivo! Eu te disse isso, Edward. Eu fiz questão de esclarecer tudo quando começamos a namorar!


Em pé as minhas costas ele acariciou de leve os meus ombros fazendo com que arrepios carregados de eletricidade percorressem a minha pele. Afastei-me bruscamente do toque. Se permitisse que ele me seduzisse agora perderia o meu auto respeito e se eu não me respeitasse ninguém mais o faria.


–Não me toque!


–Bella, por favor...


–Não. Tânia vai usar qualquer artimanha que esteja ao seu alcance para tentar nos separar. Só não sei onde o rapaz entra nessa história...


–Pois eu sei muito bem. Ele estava babando por você naquele dia e se nós nos separarmos ele vai tentar conquistar você.


–E você descobriu isso agora?!


Eu não poderia ter sido mais irônica.


–Desculpe. Eu senti ciúmes, foi isso. Fiquei louco, possesso, quando ele começou a dizer aquelas coisas... Sou humano. Cometi um erro.


Embora estivesse muito magoada, eu acreditava com todas as minhas forças no nosso amor e que um casamento com aquele homem maravilhoso e contraditório poderia sim dar certo. Que ele e somente ele seria capaz de me fazer feliz. Tomada por esse sentimento encarei-o com firmeza sustentando seu olhar.


–A maioria das mulheres tem um comportamento parecido na cama, apreciando inclusive as mesmas coisas. Posso não ter uma vasta experiência nessa área, mas tenho muitas amigas e nós mulheres conversamos sobre isto.


Foi à vez dele então dar um longo suspiro.


–Sei disso, mas na hora, eu... Eu não sei o que aconteceu comigo, juro... Não consegui pensar em nada. Na minha mente vinham as imagens de você e ele juntos na cama... E eu... Eu... Merda!


–Não percebe o que ela está fazendo Edward?!Perguntei sarcasticamente.


Ele assentiu.


–Agora sim. Ela ligou dizendo que precisava falar comigo com urgência, que era um assunto do meu interesse e sobre você. Cheguei até a pensar que ela sabia alguma coisa sobre o... Ice Eyes, emendou fazendo-me ficar paralisada no lugar a simples menção daquele horrível apelido.


–Vocês tiveram um caso e ela é a secretária do seu pai, Edward. Acha mesmo que Tânia vai desistir de você assim tão fácil?!


–Meu amor, me desculpe. Por favor, me desculpe Bella. Sei que agi como um imbecil, mas não pude evitar... Morro de ciúmes de você e vi como aquele bastardo olhou para você no bar do Riley. Ele estava te comendo com os olhos.


–Do mesmo jeito que muitos homens também olharam para a Rose e como muitas garotas também estavam olhando para você, Edward e nem por isso eu ou o Emmett saímos por aí como loucos, acreditando na primeira mentira que inventam!


Ele levou uma das mãos à ponta do nariz reto apertando de leve, fechando os olhos.


–Não sei mais o que dizer...


–Não precisa dizer mais nada.


–Como não? Vamos ficar assim nesse impasse?!


–Você algum dia amou Tânia?


Perguntei de supetão.


–Não. A única mulher que amei em toda a minha vida foi você. Falou sem titubear.


–Pensou em casar com ela?


–Não.


–Nunca?


–Nunca! Atração física jamais seria o suficiente para que eu me casasse, respondeu olhando diretamente em meus olhos. Vi a sinceridade refletidas nos olhos verdes esmeralda e em seu semblante. Ele estava sério e honestamente arrependido, mas precisava de uma lição.


–Estou perdoado? Poderia agora me dizer o que tanto andou comprando?!


Perguntou olhando na direção das sacolas e pacotes espalhados sobre a mesa.


–Em primeiro lugar, não. Você não está perdoado até que a minha mágoa passe, falei frisando cada palavra. Ele baixou a cabeça como se estivesse envergonhado ou constrangido. Continuei:


–E em segundo, também não. Não vou contar nada a você, exceto que eu iria fazer um jantar especial para nós dois hoje à noite, tipo uma comemoração íntima, mas você conseguiu estragar todos os meus planos. Então vou levar tudo o que comprei para fazer um jantar especial para o meu pai.


–Bella!


Bradou exasperado.


–E também pretendo dormir lá, portanto...


–Não. Não pode dormir lá. Não sem mim, falou segurando em meu braço. Virei minha cabeça para trás, erguendo minhas sobrancelhas e encarando-o com frieza.


–Vou dormir lá sim, Edward e nem você, nem ninguém vai conseguir me impedir! Exclamei decidida soltando-me do seu aperto com um safanão.


–Bella, não seja teimosa!


–Sempre fui!


Devolvi pegando as coisas, mas deixando a sacola que continha a lingerie, pois eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria bisbilhotar e veria com desgosto a surpresa que eu havia preparado e que ele tinha perdido.


–Escute, você não pode ir, não é seguro, advertiu. O tom de seriedade em sua voz me fez parar e voltar-me em sua direção. Não precisei perguntar nada. Ele sabia exatamente o que eu estava pensando e apressou-se em responder.


–Ele foi visto hoje cedo rondando a casa do seu pai, falou sem preâmbulos. As sacolas escorregaram das minhas mãos, alcançando o chão com um baque surdo. Envolvi meu corpo com meus braços tentado inconscientemente me proteger. Em dois segundos seus braços me envolveram e eu deixei as lágrimas caírem livremente.


–O que mais? Quem o viu?


–Um dos peões viu um homem alto afastando-se da casa depois de colocar um envelope por baixo da porta de entrada.


–O que tinha no envelope?


Meu coração batia descompassado, estava difícil respirar.


–Fotos nossas e suas. Ele está vigiando, Bella.


Estremeci violentamente. Quando será que aquele pesadelo iria terminar?! Seus braços estreitaram-se ainda mais.


–Está tudo bem. Não vou permitir que nada de ruim aconteça a você.


–Mas e o meu pai...


Murmurei com a cabeça enterrada em seu peito.


–Não é o Charlie quem corre perigo aqui, minha linda, é você.


–Preciso ir até lá.


–Vou com você.


–Vai me deixar lá, Edward. Não pense que só porque estou com medo esqueci o que você fez.


–Quantas vezes eu vou ter que pedir perdão?! Quer que fique de joelhos e suplique? Pois bem, eu o farei!


–Talvez nem um milhão de vezes seja suficiente. Agora vamos porque eu quero preparar uma massa caseira especial e preciso de um pouco de tempo para isso.


–Não vai nem me convidar para o jantar?


Sua expressão desolada me deu uma louca vontade de rir. Ele parecia como uma criança de quem se toma um brinquedo novo e que foi ansiosamente esperado.


–Não. Hoje seremos só eu e o meu pai.


–Tudo bem então. Ficarei esperando no carro até que vocês terminem e te trarei de volta.


–Não, Edward. Você me deixa e volta para cá. Seu irmão deve chegar a qualquer momento e é importante que você esteja aqui para recebê-lo.


Ele não gostou da minha sugestão, mas no fim acabou cedendo e concordou.


–Está certo, mas pego você as oito. Em ponto. E vamos dormir aqui no nosso quarto, enfatizou.


–Sim, mas eu não vou dormir com você hoje de jeito nenhum. Se estiver com alguma idéia pervertida nessa sua mente, pode esquecer. Fui clara?!


Ele apertou os lábios numa linha fina, visivelmente contrariado.


–É pegar ou largar. Ou então vou dormir no meu antigo quarto na casa de papai. Você escolhe.


–Tudo bem, Isabella Marie Swan. Será como você quiser. Mas nem pense que vou dormir no chão ou algo parecido. Vamos dividir a cama, rebateu.


–Mas de jeito nenhum. Eu faço questão de dormir na poltrona reclinável.


–Que seja!


Explodiu pegando as sacolas do chão, praguejando alto e saindo em direção ao volvo prateado. Respirei fundo algumas vezes para controlar a iminente crise de risos e o segui até o veículo. O caminho todo até a casa do meu pai foi feito no mais absoluto silêncio.



PDV Narrador.


Assim que ouviu o carro aproximando-se Charlie veio para o terraço, curioso. Ao ver quem estava chegando abriu um grande sorriso.


–Ora, ora... Não pensei que fosse sentir saudades do seu velho tão cedo filha, brincou. Mas ao ver o clima tenso entre o casal, preocupou-se.


–O que houve?


–Nada, papai, disse Bella cortando-o antes que tivesse a chance de prosseguir. Entendendo o recado ele recuou respeitando-a.


–Bella vai fazer um jantar para você dois, disse Edward fazendo uma careta. Charlie gargalhou alto.


–Não sei o que você fez para perder o jantar Edward, mas estou adorando a idéia de comer uma comidinha caseira e deliciosa preparada pela minha filha. Bella sorriu e entrou desaparecendo no interior da casa. Charlie pegou o restante dos pacotes e acenou para Edward que antes de sair contou-lhe o que havia acontecido na ausência dele.


–Desgraçado! Eu juro que vou matar esse infeliz com as minhas próprias mãos, bradou o homem mais velho indignado com a audácia do perseguidor de sua única filha.


–Não se eu encontrá-lo primeiro, respondeu Edward sombrio.


–Não posso deixá-lo vivo, emendou Charlie.


–Ninguém disse que faríamos isso, completou seu futuro genro.


–Então temos um acordo.


Edward assentiu e Charlie concordou.


–Venho pegá-la daqui a algumas horas. Suas armas estão aqui?


–O trinta e oito e a espingarda, respondeu.


–Ótimo. Não deixe que ela saia de casa sozinha.


Despediram-se e ele caminhou até seu carro, entrando e saindo em seguida. Charlie desconfiado ainda deu uma volta em todo o terreno em torno da casa, mas não observou nada fora do normal. Suspirando inconformado com aquela situação, marchou para dentro de casa certificando-se de fechar a porta com as duas trancas assim que entrou na tranquilidade sagrada do seu lar.



PDV Edward.


Enfiei o pé no acelerador e apertei a direção com força até que os nós dos meus dedos ficassem brancos! Não iria para casa inda. Estava de cabeça quente e o único culpado por tudo era eu mesmo. I.N.F.E.R.N.O! Se pudesse chutaria minha bunda por ter sido tão estúpido. Tânia me manipulara como um fantoche e eu caí em sua armadilha como um pato! Droga! Mas aquilo não ficaria assim. Ela pagaria caro por ter tentado enganar-me.


–Maldita!


Esbravejei sentindo uma dor lancinante ao lembrar que quase coloquei tudo a perder com Bella. E agora ela iria dormir na poltrona e eu sozinho na cama.


Porra, Caralho, Merda, Puta Que Pariu!


Praguejei alto sentindo as veias pulsando em meu pescoço, inconformado com o rumo que as coisas haviam tomado. Ela ia fazer um jantar especial para mim e depois viria a sobremesa. Ela deliciosamente vestida numa sexy e provocante lingerie, pois uma das sacolas que tinha trazido consigo era de uma loja da vila especializada em roupas íntimas. E eu desperdicei tudo isso, droga!


Manobrei o carro tomando a direção do lago onde estivemos juntos anos atrás, onde a fiz mulher e dei algumas voltas pôr ali, acelerando o carro ao máximo testando todos os limites do motor, deixando que a velocidade servisse como válvula de escape para a minha raiva, frustração e irritabilidade. Minha mãe, meu irmão e Rose estariam em casa em breve e com certeza precisariam de mim, então era melhor colocar todo o estresse para fora antes de retornar a sede da fazenda, pensei, segurando o freio de mão, puxando com firmeza e dando um grande cavalo de pau, que fez com que uma grande nuvem de poeira subisse em torno do carro.



Continua...


\"\"


Notas finais
Bom bom bom, Espero que todas vocês tiveram um bom momento de dias dos namorados ou namoriudos rsrsrrsrsrrs. meu namoriudo não me deu nada (bico enorme) deixa ele comigo.

Beijos meninas até quinta com a postagem de Traídos pelo Desejo.

http://fanfiction.com.br/historia/369715/Traidos_Pelo_Desejo/ageconsent_ok

Bjs
Kiki