Oreland: O Coração do Mundo

5 Capítulo 5: A Gaivota Negra


O mar estava calmo aquela manhã, a brisa marítima levava o barco cada vez mais perto de seu destino e o sol estava radiante. Seria agradável, se o destino não fosse Oreland. Mesmo tendo acesso fácil, nenhum reino de Galabar ou de outro continente pode usufruir de suas terras e de seus recursos, pois a ilha é considerada sagrada. Pacjorn estava a estibordo olhando o oceano, quando Algustin veio a seu lado:

– E então? É isso? Nunca mais vamos nos ver depois de chegarmos lá?

– Sim, meu amigo. Mas, mudando de assunto, chegou um gavião essa manhã. O que ele trazia?

– Notícias. Apenas notícias. Você vai ter mais nove "colegas".

– Devem ser patéticos. — Cuspiu Pacjorn.

– Não sei não, tem uns que me parecem ser bastante impressionantes.

– Recebeu uma lista com nomes deles?

– Isso mesmo, e com características físicas e pessoais.

– Lá você terá tempo de me apresentar meus novos..."colegas". Você já tinha ouvido falar de Oreland?

– Sim meu senhor, mas não conheço sua história. Se importaria de conta-la? Parece que você sabe.

Quando ouviu isso, Pacjorn ganhou um novo brilho em seus olhos. Sempre ficava feliz em contar o que aconteceu naquela ilha, era fascinado pela lenda de Oreland e do Império do Dragão:

– Houve a muito tempo, um reino em Oreland, o Império do Dragão. — Falava alegremente — Ele foi o mais poderoso de Galabar. Era governado por Dracius, o Grande. Seu estandarte era um dragão dourado. Mais, em um dia, estourou uma guerra civil. Ninguém sabe por que. O lado rebelde era liderado por Kran e seu estandarte era um polvo gigante. A guerra durou dois anos, até que toda a civilização de Oreland desapareceu.

– É bem complexo, deve ser difícil de decorar essa história.

– Não seja idiota, se você ler, ou escutar, esse conto todo dia, você vai decorar.

Após dizer isso, o marinheiro viu um olhar diferente no príncipe, um olhar que todo navegador conhecia, o de ganância:

– O que você esta pretendendo? — Perguntou — Eu sei quando alguém esta querendo alguma coisa.

– Eu ainda não contei pro Mikel, mas... — Ele respirou fundo — Eu vou reerguer o Império do Dragão. Vou virar rei daquele lugar, pode apostar! E depois, quando ficar forte, vou atacar os Países do Sul e reclamar o trono que é meu por direito!

– Acho isso difícil meu amigo, você não pode mandar cartas ao exterior, também não terá ninguém em Oreland além de você e seus "colegas", então como vai ter um exército? Vai procriar? E além disso, ninguém disse que os outros irão concordar com você. Quem sabe eles tem o mesmo plano?

– Quanto ao exército eu já tenho planos, e quanto aos meus "colegas", eu irei convence-los.

– Quais seriam esses planos?

– Você saberá na hora certa, na hora certa.

– Então tá. — Algustin ia saindo até que se lembrou — Já ia me esquecendo! O café da manhã está na mesa. É melhor se alimentar.

– Já estou indo, vá na frente.

Enquanto Mikel, Algustin e os outros marinheiros comiam, Pacjorn olhava o seu. Foi aí que ele conseguiu ver algo estranho, uma gaivota negra. Devia ser um sinal. E era mesmo. Seguiu com o olhar a gaivota até que viu ao horizonte, os montes e a baía de sua prisão, estavam chegando em Oreland.