Notas iniciais
Encontro de Dimensões - Capítulo IV

—O que é esta luz vinda do arco? — Abelle observava com estranhamento. Morava ali há décadas e nunca antes tinha visto nada parecido.

—Deixa que eu vou ver o que é! — Sinneus correu, colocou os braços na frente de Luganno, ultrapassando o arco.

—Ei, Syn! Espera! — Luganno havia acabado de derrotar Pointers. Portanto, sua espada estava suja de sangue. Limpou a mesma e a embainhou. Ela também já estava descarregada de Ventos Navalha. Pensou em carregar naquele campo aberto até o qual Sinneus havia acabado de se dirigir.

—Rapazes!

—Ei, espera! — Louis correu logo atrás dos dois.

—Aquele monstro... o espadachim que se declarou rei conseguiu derrotá-lo com facilidade enquanto eu não pude sequer ferí-lo. — Sora já havia voltado à sua forma original. Seus cabelos dourados caídos sobre as ombreiras vermelhas de sua armadura. — Receio que seja a hora de minha partida. Não tenho mais o que fazer por aqui.

—O que vieste fazer aqui, então, cavalheiro? — O homem com anéis dourados que adornavam o pescoço aproximava-se do guerreiro, que estava ao lado de Robel.

—Pude presenciar, ao vivo, o poder de transformação de jóias como esta que possuo em minhas mãos — e levantou sua espada, mostrando o Rubi de Jigoku encaixado na guarda. — Transforma o usuário de acordo com o artefato que utiliza para catalisar sua energia.

—Entendo... — Robel, ao lado, parecia ter decidido — Por favor, guerreiro de Calisto. Fique com isto. — E retirou o pingente de seu cordão, o qual continha a Safira de Ulmo, que brilhava com um azul da cor do oceano.

—O que pensa estar fazendo? — A.Z. Tech parecia não entender.

—Esta jóia possui uma parte dos poderes de Ulmo, uma antiga entidade dos mares e oceanos. Após a luta contra Dot Sanders, quando o mesmo roubou meu poder e logo em seguida, após eu recebê-lo de volta, percebi que não preciso da joia para invocar os poderes de Ulmo. Não irei perder meus poderes, mas você poderá usar um pouco dele com sua espada.

Sora não sabia como reagir... Não podia imaginar como aquilo afetaria seu estilo de combate ao voltar para seu satélite, Calisto.

—Bom, então... obrigado, nobre rapaz.

—Me chamo Robel.

—Sim, obrigado, Robel.

O guerreiro vermelho subiu as escadas até o palácio de A.Z. Tech. Olhou para a plataforma circular, que brilhava com a mesma luz roxa de antes.

—Tome cuidado, guerreiro. — disse o astrólogo — o portal pode não estar funcionando da mesma forma de antes.

—Não se preocupe — disse Sora — Saberei me cuidar, então... até mais! — E subiu na plataforma, que brilhou ainda mais, envolvendo o corpo do rapaz com uma luz roxa, que sumiu, instantes depois, junto com seu semblante.

—Ele se foi... — A.Z. Tech parecia preocupado.

—Espero que ele faça bom uso da Safira de Ulmo!

—Certo e... ei, não estamos nos esquecendo de alguma coisa?

Os dois, então, saíram correndo do palácio, passando por frente do Totem de Yurek até chegarem ao arco de antes.

O brilho branco continuava a iluminar aquele vasto campo gramado. Louis, Sinneus, Presley e Luganno estavam um ao lado do outro, enquanto, na frente dos quatro, duas pessoas estavam suspensas no ar: um homem robusto de cabelos acinzentados que vestia um quimono também cinza, sobreposto por duas ombreiras de ouro. Ao seu lado direito, uma bonita mulher vestindo um longo vestido negro e cabelos negros. O homem estava com a mão esquerda para cima, sobre a qual flutuava um pequeno aparelho do qual a luz branca era emitida.

Pouco a pouco, os dois se aproximavam do chão.

—Ei, quem... quem são vocês? — Louis se apressou a perguntar.

—Olha só, olha só... que enorme coincidência! — a voz do homem era bem grossa, o que pegou todos ali de surpresa — vejo que tomamos a escolha certa em vir diretamente para cá, Lisanne. — O homem olhou para a mulher em seu lado.

—O que quer dizer com isso? Conhece algum deles, Caldus?

—Caldus!? — Luganno deu um passo em frente — Você disse Caldus!?

—Ei, ei! Olhe o tom de voz o qual utiliza para falar com minha mulher, irmão...

—Irmão, ele disse... — todos pareciam muito surpresos.

—Então, então é realmente você!

—Caldus... Então é ele, Luganno? Aquele garoto do torneio que ficava sempre ao lado do gorila Alfillopp? O qual foi teleportado antes de nós dois por Pedro.

—Hahahahahahahahaha! — Uma estrondosa gargalhada fez com que todo o local tremesse por um instante. — Boas lembranças você me trouxe agora, rapaz! Também me lembro de você. Costumava usar um cachecol e uma jaqueta, e estava sempre ao lado de seu irmãozinho, que, aonde está...?

Caldus colocou o braço direito por cima da testa, como se estivesse procurando por alguém.

—Aqui, seu tolo! — Louis gritou. Não estava usando seu capacete e sua adaga estava guardada, então seus longos cabelos loiros faziam uma franja na frente de seu rosto e esvoaçavam.

—Você? Você é aquele garotinho de antes? E aquele ali... também lembro dele...

—Estranho... mesmo com a meu tamanho, naquela época, hoje em dia você parece bem mais velho até do que o Luganno.

—Eu estava sob um feitiço. — disse Caldus. — Ele fazia com que eu parecesse mais jovem.

—Então é isso! — Robel deu um passo em frente. — Então foi você, naquele dia! Foi você que deixou meu pai e meu irmão naquela situação!

—Tsc.. você está se referindo àqueles dois.. Sim, foram eles também que me deixaram naquela condição de criança! Mas o que quer dizer?

—Depois daquele dia, eles nunca mais puderam se mexer... Ficaram estáticos! Até hoje!

—Muito estranho... se foi uma maldição dupla, deveria ter sido quebrada quando consegui quebrar a minha.

—Hm.. que estranho, eu...

—Não se preocupe. Isso haverá de ser resolvido. — disse Luganno, retirando sua espada de sua bainha e enfiando sua lâmina no chão. Ao mesmo tempo, os ventos do local entravam dentro da bainha de sua espada.

—O que quer dizer com isso, Luganno?

—Quer dizer que irei te derrotar aqui, agora!

—Ei, calma lá! — Lisanne olhava para o rapaz de cima a baixo. Viu a coroa brilhar sobre sua cabeça, sua máscara branca que cobria metade de seu rosto, suas vestes verdes como se tivessem sido feitas de folhas. — Por acaso é algum tipo de rei? Por quê usa uma coroa sobre a cabeça?

—Esta coroa é minha por direito. Venci o torneio de Orehalion, há dez anos atrás.

—Hum... então és o portador das chamas de Orehalion. — Lisanne se apoiou nos ombros de Caldus como se quisesse alcançar seus ouvidos, então cobriu seus lábios com a mão direita e sussurrou algo que os outros não puderam escutar.

—Entendo... Não podemos mais perder tempo aqui. Foi bom revê-los e conversar pela primeira vez mas agora realmente temos que ir.

—Aquela nave realmente nos vai ser muito útil...

O objeto que flutuava sobre a mão esquerda de Caldus brilhou intensamente com a luz branca e, instantes depois, nenhum dos dois se encontrava ali.

—Ele disse nave. — A.Z. Tech falou, rapidamente. — Eu sei para onde eles foram, por favor, sigam-me!

—Vamos de moto! — disse Sinneus, ativando seu motociclo com um aparelho.

—De acordo! — Louis fez o mesmo com sua moto dourada, subindo em sua garupa.

Fiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuu

Luganno estava com dois dedos entre os lábios, que emitiu um assovio muito agudo. Segundos mais tarde, um Pégaso Camelo desceu dos céus e encostou ao seu lado.

—Uau! — Todos estavam impressionados.

Abelle subiu na moto com Sinneus. Presley subiu na moto com Louis. Robel subiu na corcova do Pégaso Camelo, atrás de Luganno.

A.Z. Tech subiu em seu próprio veículo, uma espécie de moto sem rodas, que flutuava a meio metro do solo. Em sua lateral, um adesivo dizendo: Condor.

—Vamos, Condor! — E engatou o motor, que rugiu com um barulho energético.