Notas iniciais
Desculpem a demora pessoal, mas finalmente escrevi mais um capítulo. Espero que gostem.

Depois de uma noite agitada, Ed e Adebirion passaram a noite em uma taberna bem barulhenta onde tiveram que dormir. Após o amanhecer, os dois juntaram suas coisas e partiram de lá.

— Você está pronto garoto? Muito provavelmente hoje, você vai conhecer seus colegas e o Santuário. – Disse o Paladino enquanto alçava seu pé no apoio do cavalo.

— Senhor... Para ser sincero, é o que eu mais quero. – Disse o rapaz com grandes expectativas.

— Excelente! Então vamos.

Os dois montaram no cavalo depois de colocar as tralhas em cima dele, e partiram de Valfrij. A cidade recém acordava e os pássaros nem tinham começado a cantar quando eles partiram. O sol se erguia lentamente no horizonte e começava a iluminar fracamente a estrada de rochas da cidade e os portões de lá, mas os guardas da cidade já estavam bem acordados e prontos para qualquer coisa, como abrir o portão da cidade. O garoto ainda oscilando entre o sono tentava manter-se acordado enquanto cavalgava, para se manter acordado apegou-se na sua euforia de chegar ao santuário.

— Mestre, eu estou ansioso para você me ensinar tudo que sabe – Disse o menino sonolento.

Adebirion olhou para cima com uma expressão de que o menino passaria por dificuldades, então baixou a cabeça de novo e logo disse ao menino:

— Vou te passar tudo o que sei. Mas por agora, pode dormir que eu te avisarei quando chegarmos.

Logo após, o menino pegou no sono e teve um sonho estranho, ele via uma espada igual a do seu mestre com letras um pouco diferentes em um suporte em cima de um altar todo de porcelana branca e, olhando ao redor, ele podia ver que estava em uma espécie de santuário com algumas colunas brancas que sustentavam o teto.

— Eu estou dormindo? – Perguntou para si mesmo Edmund. – Sim, mas parece diferente de um sonho normal, me parece como o pesadelo que tive no hotel antes, é como se fosse real.

O menino, depois de olhar em toda a sua volta, começou a andar na direção da espada no altar. Quando chegou bem próximo da espada, Edmund estendeu a sua mão para tentar empunhá-la, mas antes que ele pudesse tocá-la, a espada brilhou intensamente. O garoto botou as mãos na frente do rosto para impedir que aquele raio fulgido de luz o machucasse. Após o clarão, Ed voltou a olhar, mas no lugar da espada estava uma esfera flamejante de energia azul flutuando.

— Mas o que será que é isso? – Edmund observava curioso. – Porque algo assim estaria em um lugar como esse? Não há porta ou entrada alguma aqui. – O garoto voltou a analisar o local procurando qualquer tipo de entrada, mas logo em seguida fixou seus olhos novamente naquela esfera flamejante azul. – Certo. Então vamos ver se consigo pegar você...

O menino foi interrompido por uma voz que surgia do nada e ecoava pelo local:

— Edmund, acorde.

A voz se parecia muito com a voz de Adebirion, e aos poucos o lugar em volta do menino foi sumindo e ele foi acordando. Quando abriu os olhos, logo colocou a mão na frente, pois a luz do sol estava muito forte, entretanto podia sentir uma brisa fresca e um cheiro agradável de flores do campo. Quando ele finalmente conseguiu acostumar seus olhos com a luz e abri-los, viu um Santuário enorme com varias pessoas entrando e saindo, e até mesmo crianças de várias idades correndo por ali.

— Nossa! – Edmund abriu a boca e a esqueceu aberta por um tempo. – Isso aqui é inacreditável! Olha esse lugar. É tão incrível!

— Eu sabia que você ia gostar. – Disse Adebirion com tom de satisfação, enquanto descia do cavalo. – E agora vamos pra melhor parte, a de dentro.

O Santuário tinha quatro grandes torres que ficavam em volta, uma em cada ponta formando um quadrado e elas eram todas conectadas por pontes que eram sustentadas por pilares de rocha. As paredes todas eram feitas de uma rocha bege e algumas janelas tinham o formato de cruzes. Ao longe, se podia ver que mais pra traz do lugar havia várias fazendas. Na direita do Santuário havia um campo de treinamento onde crianças e adultos estavam treinando, cheio de equipamentos e outras coisas. E na esquerda daquele castelo enorme, havia um coliseu.

Edmund avançava para dentro do santuário completamente surpreso com tudo o que estava vendo. Parecia que seus olhos verdes brilhavam com tudo o que ele enxergava. Entrando no Santuário, Edmund podia ver seu reflexo no chão de porcelana do hall de entrada, e os grandes pilares de rochas lá dentro que sustentavam o telhado, com uma grande escadaria que se separava em duas para levar para os outros andares, o hall tinha também várias portas e saídas dos lados e mais para o fundo.

— Nossa... Isso aqui tudo... É tão incrível. – Disse euforicamente Edmund, enquanto seus olhos devoravam tudo o que ele enxergava. – Eu nunca ia imaginar que um lugar assim existisse.

— O que eu mais gosto daqui é a abóboda. – Disse Adebirion olhando pra cima.

O garoto olhou para os lados procurando algo e então perguntou:

— O que é uma abóboda mestre?

— É o telhado. – Explicou Adebirion depois de dar uma leve risada.

O menino olhou para cima e abriu a boca mais uma vez e a esqueceu aberta, pois o que ele via lá em cima era nada mais, nada menos, do que o mapa inteiro de toda Valladhom.

-É como se eu estivesse olhando de cima toda Valladhom. Isso é fascinante, eu nunca tinha visto um mapa deste tamanho. – Falou o garoto paralisado com a imensidão e beleza da pintura.

— Essa Abóboda tem história rapaz, ela foi pintada na era das trevas, para todos que estavam indo para as batalhas se lembrarem de como Valladhom era antes da guerra e das pestes, para todos lutarem com mais força para tentar restaurar o que era tão precioso, nossa terra. – Disse uma mulher com uma túnica branca. – Adebirion, eu preciso do seu relatório de viagem, deixe o rapaz com seus colegas.

— Entendido Glenda. – Confirmou o Paladino.

— Espera. Você é a Glenda? Você é a líder dos paladinos? – Perguntou Edmund com entusiasmo.

— Sim menino, mas agora que você me conhece, preciso que diga seu nome. – Perguntou Glenda com um rosto sério e firme. Ela, mesmo querendo ser simpática, parecia estar séria.

— Ah, sim... bem, meu nome é Edmund de Ivygard. – Disse o rapaz estufando o peito e ajeitando sua postura.

— Bem... Seja bem vindo Edmund, espero que se esforce e se torne um grande paladino. – Glenda estendeu a mão para o menino e o cumprimentou.

— É pra isso que estou aqui senhora. – Edmund lacrimejou um pouco no momento que apertou a mão da Líder dos paladinos, mas disse com convicção.

Glenda virou-se e saiu. Edmund enxugava discretamente suas lagrimas quando Adebirion começou a falar para onde o garoto devia se dirigir. Mas logo no início da explicação, um menino apareceu, um garoto com um cabelo um pouco comprido de cor loira bem clara, que mais parecia um bege.

— Olá senhor Adebirion, este é seu novo aluno? – Perguntou o menino do cabelo bege.

— Sim Viktor. E aproveitando, que bom que você chegou, você poderia mostrar onde fica o dormitório da minha turma para Edmund? – Perguntou Adebirion com um pouco de pressa para entregar seu relatório.

— Claro senhor, sem nenhum problema. Vou gostar de puxar um pouco de assunto com o aluno novo. – Viktor olhou para Edmund e deu um sorriso.

— Ótimo! Obrigado, então eu já vou indo. – Adebirion se virou e começou a andar, mas parou no meio do caminho e olhou para Edmund. – Nós nos vemos depois rapaz.

Edmund acenou com a cabeça e começou a andar com Viktor, que se dirigia para o dormitório da turma de Adebirion.

— É sempre muito bom quando chegam alunos novos. Eu gosto de conhecer gente nova. Quantos anos você tem? – O menino de cabelo bege, Viktor, falava bastante. – De onde você veio? Do que você gosta?

— Ah... – Edmund parecia zonzo com a quantidade de perguntas que o garoto lhe fazia. – Ok... Eu tenho 5 anos, e farei 6 amanhã. Eu vim de Ivygard, e eu gosto de treinar pesado. – Após terminar de responder deu um soco com a mão direita em sua mão esquerda aberta.

— Hm, interessante. Um dia eu quero ser um grande paladino também... – O garoto deu uma pausa, e percebeu que estava falando demais. – Desculpe, eu falo demais mesmo. Não é por mal.

Edmund deu uma risada e disse:

— Tudo bem cara, não tem problema. Por acaso, você conhece os dois meninos que vão ser meus colegas?

— Se me disser os nomes deles, talvez eu saiba. Espera... Você vai ser aluno do mestre Adebirion então seus colegas são... – Viktor botou a mão no queixo e pensou por pouco tempo. – A sim! Serão, Godfrey e Klaus.

— Então você os conhece? – Endagou Edmund.

— Um pouco, Godfrey é um cara muito legal, tudo o que você precisa ele vai te ajudar, ele tem cabelo castanho mais escuro que o seu, os olhos são castanhos também e ele não quebra regra nenhuma, diferente de mim. – Viktor deu uma risada maliciosa. – Agora o Klaus... Vou começar pela aparência dele, ele tem cabelo preto curto, parece uma tigela, ele é um pouco alto, mas não é muito magro. Ele é chato, arrogante, prepotente e outras coisas que eu nem sei se tem nomenclatura. Infelizmente ele é um dos mais fortes, ele quer sempre ser o melhor, não vou muito com a cara dele. – Finalizou Viktor com os nervos a flor da pele.

— Acho que eu entendi. Seria legal fazer uma luta contra ele então. – Edmund fechou o punho direito e demonstrou estar ansioso.

— Você só pode ser louco. — Viktor parou no meio do caminho segurando o ombro esquerdo de Edmund. – Acabei de dizer que o cara é malvado e é um dos mais fortes, e você quer enfrentar ele?

— Sim, isso mesmo. Sabe? Eu sempre venci as minhas lutas, nenhum garoto da minha idade tinha força pra me enfrentar, e isso era extremamente chato pra mim. Mas agora, com o Klaus, eu finalmente vou ter uma luta justa que eu possa perder. – Desabafou Edmund enquanto voltava a caminhar.

Os dois meninos continuaram conversando e indo para o dormitório. Eles saíram do Hall de entrada e foram para a parte de traz do Santuário, onde se encontravam as fazendas. Passando por aquele vasto campo cheio de plantações e animais, estavam as cabanas de madeira onde os alunos ficavam. Cada cabana era cercada, e tinha seu próprio galpão de treinamento. Era uma estrada grande, e de cada lado ficavam as cabanas dos alunos ao longo dela.

— Pronto, chegamos. – Disse Viktor botando as duas mãos na cintura. – é aqui que a gente se despede, mas daqui a pouco a gente vai se ver de novo pra hora do almoço.

— Hora do almoço? Que horas são? – Perguntou Edmund confuso no tempo.

— É meio dia. Ao meio dia e meia hora é hora de almoçar, daí todos se reúnem no salão em cima do Hall de entrada. – Explicou Viktor.

— Ok. – Edmund cumprimentou Viktor, e os dois se separaram.

Edmund não conseguia segurar sua ansiedade para entrar na cabana. Edmund entrou rapidamente, mas não havia ninguém dentro da cabana.

— Que estranho... Era para eles estarem aqui – Edmund ouviu sons que vinham do galpão de treinamento, então saiu da cabana e foi até lá.

Conforme ele se aproximava do galpão os sons ficavam mais fortes e mais fáceis de reconhecer. Chegando lá ele pode ver quem estava fazendo os barulhos. Klaus treinava em um boneco de treino, enquanto Godfrey treinava com uma espada de madeira acertando alguns objetos. Godfrey percebeu a presença de Edmund e foi logo cumprimentá-lo.

— Hey Klaus, o aluno novo chegou. Muito prazer eu sou Godfrey. – Godfrey apertou a mão de Edmund, e olhou para a mala dele. – Parece que você ainda nem largou as suas coisas. Me da aqui, eu vou lá guardar pra você. – Se dispôs com boa vontade Godfrey, que logo pegou as coisas de Edmund e as levou para a cabana.

— Obrigado, Godfrey. – Edmund ficou um pouco sem jeito com a cortesia, então olhou de volta para Klaus, que já estava de frente para ele. – Olá Klaus, é um prazer conhecer vocês.

— Só vê se não atrapalha nosso treinamento. – Disse Klaus com um pouco de desdenho. – Seja bem vindo... Edmund.