Ordem do Fogo livro 1 - Baldom o titã corrompido
10 Capítulo 10 - Um começo turbulento
Edmund continuou olhando para Klaus com o rosto sério. Klaus percebeu que Edmund estava encarando ele enquanto treinava. Então foi tirar satisfações do porque Ed olhava tanto para ele. Enquanto isso Godfrey já voltava depois de guardar as coisas de Edmund.
— O que foi? Nunca viu outra pessoa? – Disse Klaus enquanto se aproximava do menino.
— É que tem uma coisa que eu queria fazer. – Disse Edmund ainda sério.
— A é? E o que seria novato? – Disse Klaus com o nariz empinado.
— Eu quero uma luta contra vocês. – Afirmou Ed com convicção.
Godfrey deu uma leve risada encabulada e disse:
— Nós não podemos lutar agora, estamos treinando, e é um pouco fora das regras uma luta aqui.
— Aff, cala a boca Godfrey. Uma luta não é problema para ninguém não é mesmo... Edmund. – Klaus olhava com um pouco de raiva nos olhos para Edmund. – E, afinal de contas, se o novato quer tanto apanhar, eu não vejo problema.
— Então isso é um sim? – Perguntou Edmund serrando os punhos.
— Só, por favor, tentem não se matar, e você Klaus já fez problemas de mais. – Godfrey coçou a cabeça e se sentou.
— Que se dane, vamos começar? – Provocou Klaus.
— Quando quiser. – Retrucou Edmund.
Edmund se lançou contra Klaus, Enquanto ele ficava parado em posição de luta. Edmund tentou um soco com a mão direita, mas seu soco acabou sendo segurado pela esquerda de Klaus.
— O que foi? Essa é sua força? – Provocou Klaus.
Ed soltou-se da mão de Klaus e girou com um chute, mas Klaus se abaixou, deixando o chute passar por cima. Klaus avançou logo em seguida com uma cotovelada que acertou em cheio Edmund o jogando para traz.
— Você nunca tinha enfrentado alguém com a mesma força que você, não é? – Klaus se aproximava do garoto deitado no chão. — Eu cresci no santuário, diferente de você. Eu sempre convivi com pessoas com a mesma força, você não tem a menor chance.
Edmund se levantou rapidamente se impulsionando com os braços, e começou a desferir socos na direção de Klaus, que se esquivava e defendia alguns socos. Klaus desviou-se pelo lado de um soco de Edmund, e deu um soco com a mão esquerda. Mas Ed já estava preparado para isso, Ed agarrou o braço de Klaus e o arremessou por cima de seu corpo com a técnica de seu avô, martelando Klaus contra o chão. Klaus soltou um gemido quando bateu com as costas no chão.
— Eu sinto os seus golpes, essa luta vai ser demais. – Edmund se mostrava extremamente entusiasmado.
— Cala essa boca. Você não tem chance de me vencer. – Klaus se levantava e se preparava para mais.
Klaus partiu para cima de Edmund desferindo diversos golpes misturados com socos e chutes. Os golpes eram potentes demais e rápidos para Edmund conseguir defender todos, alguns golpes passavam pelas defesas e atingiam Ed. Edmund Fechou seus braços na sua frente, enquanto Klaus atacava sem parar. Então, Klaus deu um chute giratório voador contra Ed, que por um centímetro conseguiu desviar seu rosto. Edmund girou na mesma direção que o golpe de Klaus, e deu um coice de costas na barriga de Klaus, que foi arremessado para traz.
Edmund tinha recebido golpes demais e tinha acertado poucos em Klaus que, por sua vez, parecia estar com vigor muito maior que o de Edmund.
— “Caramba! Os golpes desse cara são realmente fortes”. – Analisou Edmund enquanto podia sentir os seus braços já dormentes dos golpes de Klaus. “Então eu não vou poder manter combate por muito tempo com ele, vou ter que dar meu máximo logo de cara”.
Klaus ainda deslizava para traz de pé. Quando parou, partiu para o ataque contra Ed, que não ficou parado e avançou também. Edmund tinha que ser mais esperto e criativo na luta para conseguir ter alguma chance contra Klaus, e era exatamente isso que ele faria.
Klaus desferiu um soco reto na direção do rosto, mas Ed colocou o cotovelo direito na frente do soco. Klaus sentiu a dor da pancada na mão, pois um cotovelo é muito mais duro do que uma mão. Klaus puxou a mão de volta para perto do corpo. Então Edmund fingiu desferir um soco com a mão esquerda, rapidamente Klaus levantou o braço direito para bloquear o golpe, porém era isso que Edmund queria que ele fizesse. Edmund abriu a mão que ele fingia desferir o soco e agarrou o punho direito Klaus, puxando o braço dele para baixo e pulando com uma joelhada no estomago de Klaus, que, mesmo levando o golpe ainda continuara na luta. Klaus agarrou a cabeça de Edmund com a mão esquerda e desferiu uma cabeçada nele. Edmund deu três passos para traz com aquele golpe, que tinha lhe deixado tonto.
Edmund aproveitou aquele golpe para poder encenar que estava mais ferido do que o normal, e fingiu continuar tonto. Klaus avançou cegamente para cima de Edmund, que percebeu a movimentação de Klaus e se preparou para o contra-ataque. Klaus atacou dessa vez com um soco com mão direita, mas Edmund Girou de costas por fora do ataque e acertou uma cotovelada com o braço direito na nuca de Klaus. Zonzo com o ataque, Klaus dá dois passos para frente e se vira. Porém quando ele olha para traz, Edmund já está em cima dele. Ed desferiu dois socos no rosto de Klaus, mas Edmund não pararia por ali e tentou acertar um coice frontal com a perna direita. Entretanto, Klaus tinha visto o movimento da perna, e bloqueou o chute com os dois braços fechados na frente do corpo e foi arrastado para traz com o impacto.
Edmund já estava cansado, as forças que ele tinha reunido para atacar já tinham ido embora e o inimigo ainda estava de pé. Aquele chute teria usado todas as forças que Ed ainda tinha guardado, e os golpes que ele recebera antes doíam mais, além de começar a ficar ofegante. Klaus, depois que parou de deslizar para traz, fincou os pés no chão e foi rapidamente contra Edmund, mas Ed também avançou contra ele. Os dois se acertaram ao mesmo tempo um soco com a mão direita no rosto do outro. Edmund sem forças cambaleou para o lado, enquanto Klaus girava com um chute com o calcanhar, que acertou o outro lado do rosto de Ed o derrubando no chão.
— Sabe? Você... Não é fraco... E por causa dessa luta... Agora te conheço melhor, novato. – Falou Klaus ofegante, reconhecendo a força de Edmund. – Bem vindo a nossa equipe.
Klaus se aproximou de Edmund ainda caído e o Agarrou e o levantou. Naquele momento Edmund soltou uma risada dolorida por conta dos danos sofridos.
— Caramba! Você é forte mesmo. – Disse Edmund com o braço direito sobre os ombros de Klaus. – Obrigado pela luta.
Quando os dois tinham ficado de pé, a porta do galpão se abriu. Era Adebirion que abrira a porta.
— Pessoal, está na hora de ir para o... – Adebirion percebeu os ferimentos nos dois meninos e analisou tudo. – Será que eu não posso deixar vocês sozinhos por um minuto sem que vocês comessem a se matar seus cabeçudos?! Agora vocês vão ter que comer na frente de todo mundo com a cara amassada. Vamos logo. – Adebirion botou a mão no rosto e respirou fundo para aliviar o estresse, e levou os meninos até o grande salão.
Edmund ainda mancava de vez em quando por conta da luta que teve, mas estava extremamente feliz. Aquele ambiente completamente diferente o deixava tranqüilo e animado ao mesmo tempo. Até que Edmund deu um pulo após se lembrar de seu avô Erick.
— Senhor Adebirion, eu preciso mandar uma carta para meu avô. – Disse Ed puxando a mão de Adebirion.
— Tudo bem, depois de almoçar, eu te levo até o pombal para você enviar a sua carta. Pode ser?
— Ok senhor. – Edmund ficou mais tranqüilo, e estava ansioso para contar tudo para seu avô e seu amigo Tirion.
Chegando ao grande salão, havia quatro grandes mesas retangulares que se estendiam por todo o lugar. Ao fundo do salão, uma grande janela com vidro de tipo martelado, que se estendiam por toda a parede com desenhos de anjos e nuvens. E a frente da janela um pequeno altar para as declarações do líder dos paladinos, e duas cadeiras de cada lado do altar, sendo elas dos conselheiros.
O salão estava lotado, tanto de jovens adultos quanto de crianças e adolescentes. As mesas estavam repletas de comidas, pães de todos os tipos assim como queijos também, verduras, legumes, e pratos especiais como: risoles, lasanhas, bolinhos de queijo, entre outros. Além de ter sucos de diversas frutas, também tinham doces variados.
— Uau! Caramba. É muita comida, o cheiro já está me dando água na boca. – Disse Edmund admirado com tudo o que via. – Parece que ser paladino tem suas vantagens.
— Acho que um de nós só pensa com o estômago. – Disse Godfrey com tom de comédia, e logo após deu uma risada.
Os três meninos sentaram juntos perto de um dos pontos da mesa com maior quantidade de comida. Então Adebirion se encaminhou para o altar enquanto os meninos ficavam sentados na mesa. Ed foi colocar a mão em um dos bolinhos de queijo, mas antes que ele pudesse tocar, um tapa de leve tirou a mão dele do bolinho. Edmund olhou para o lado pra ver quem tinha feito aquilo, e era Viktor.
— Ei seu mal educado, nós temos que esperar a mestra Glenda falar para depois comermos. – Ensinou Viktor para Edmund.
— Ops, foi mal, eu não sabia. – Ed botou a mão atrás da cabeça e deu uma risada sem jeito.
Todos os instrutores entraram e se posicionaram em uma mesa retangular que se encontrava na frente do altar, menos Adebirion, que veio a sentar-se na cadeira do lado direito do altar do líder. Então outros três instrutores se sentaram nas outras três cadeiras de conselheiros. Todo o barulho de conversa dentro do salão se extinguiu no momento que Glenda, A líder dos paladinos, entrou no salão e se dirigiu até o altar.
— Peço a atenção de todos agora neste momento caros paladinos. Estamos em tempos complicados, pois estamos sob um juramento de guerra da qual não sabemos quando irá se iniciar. – Glenda passava os olhos por todos que se encontravam naquele lugar atentamente e com o rosto sério. – Entretanto, conseguimos nos restaurar muito bem após a guerra da era das trevas, e nos encontramos prontos para combater qualquer inimigo que surja e ameace a segurança da população. Novos recrutas chegaram hoje, e já estão inclusos em equipes dos instrutores. Alguns esquadrões de reconhecimento serão enviados após o almoço para saída a campo, para tentarmos localizar onde Baldom pode estar escondido. – Glenda parecia ter total controle da situação mesmo com o fato do inimigo sendo um titã. – Por hora, aproveitem o almoço e descansem, bom apetite.
Edmund se lembrou que seu avô tinha lhe alertado sobre a possível guerra contra Baldom. Por um tempo ele havia esquecido, pois tudo aquilo novo acontecendo não deu espaço para pensar nesta horrível possibilidade. Edmund agora parava pra pensar com mais calma deixando a empolgação de lado, que se os paladinos estão procurando Baldom, então uma hora ou outra ele teria que enfrentá-lo. Edmund foi salvo de seus pensamentos quando um toque de uma mão chegou no seu ombro.
— Ela disse: Bom apetite. Pode começar a comer cara. – Disse Viktor sorrindo, logo em seguida, ele tirou a mão do ombro de Ed e começou a comer.
— É você tem razão. – Edmund deu uma risada e colocou a mão na cabeça. – Acho melhor eu comer antes que falte para mim.
Após o almoço, Adebirion levou o garoto até o Pombal. Durante o caminho os dois conversavam um pouco mais sobre o que Edmund estava achando do Santuário.
— Mestre, isso tudo aqui é incrível. – Disse Edmund, então seu rosto ficou sério. – Mas... Eu estou aqui por um único motivo, que é derrotar o Baldom.
Adebirion olhou para o garoto, e então olhou para frente.
— Se essa é sua missão de vida, então a única coisa que eu posso fazer é te guiar pelo melhor caminho. – As palavras de Adebirion pareciam tristes, mesmo assim ele não transparecia tal sentimento. – Até lá, não deixarei que nada de ruim aconteça.
— Não diga coisas que não pode cumprir mestre, você tem suas responsabilidades com os paladinos. E, além disso, meus também disseram que voltariam da guerra... – Naquele momento, Edmund ficou cabisbaixo e uma singela lágrima caiu. Então ele enxugou as lágrimas do rosto. – Mas eles cumpriram sua missão, e por isso, eu irei cumprir a minha sorrindo. Porque se eu estiver sempre sorrindo, meus companheiros não sentirão medo, diferente dos inimigos. – Edmund Deu um sorriso ainda limpando o rosto. – E essas... Serão as últimas lágrimas que alguém me verá derramar.
— Você é incrível Edmund, espero que você siga sempre assim. – Adebirion soltou um sorriso.
— Claro que vou, não se preocupe. Mas agora me deixe escrever estas cartas.
— E você sabe escrever? – Perguntou Adebirion.
— Bem... Não. – Ed olhou para Adebirion e riu sem jeito. – Você pode escrever para mim? E depois me ensinar?
— Posso escrever. Você aprenderá a escrever na academia com os outros instrutores. – Confirmou Adebirion.
— Ok.
Os dois passaram um bom tempo no pombal para escrever aquelas duas cartas. Edmund pedia toda a hora para corrigir algumas coisas e colocar outras, parecia completamente perdido nos seus pensamentos. Mesmo assim Adebirion escreveu tudo para o rapaz.
Longe do Santuário, Próximo a Heradorn, Tirion ainda cavalgava junto de outro mago na direção da torre dos magos. Chegando lá, Tirion pode perceber que a torre ultrapassava as nuvens com facilidade. A torre era feita de uma rocha com uma tonalidade bordô e as telhas de algumas outras partes que saiam da torre eram azuis.
— Então é aqui senhor Miort? – Perguntou Tirion para o mago.
— Sim, é aqui. O treinamento será rigoroso, e os outros meninos são muito individualistas e competitivos aqui, então tome cuidado com o que fala. – O mago retirava seus pertences do cavalo e se dirigia ao portão daquela imensa torre.
— “Carambolas, aposto que o Edmund deve estar em um lugar excelente. Espero que, pelo menos, tenha comida pra mim aqui” – Tirion pensou chateado enquanto descia do cavalo.
Os portões se abriram e não havia quase ninguém no primeiro andar. Então uma voz rouca disse:
— Bem vindo a Heradorn rapaz.
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