Ordem do Fogo livro 1 - Baldom o titã corrompido
8 Capítulo 8 - A luz de um paladino
Edmund ficou esperando e torcendo do lado de fora da pousada maldita, enquanto o paladino Adebirion adentrava as trevas, envolto de sua armadura resplandecente com uma capa branca tremulante nas costas, e, em sua mão direta, carregando sua espada que parecia conter a própria luz divina.
Após pisar dentro daquele lugar que parecia um labirinto sem fim, a porta que estava atrás de Adebirion se fechou com força causando um grande estrondo. Mesmo assim, o paladino continuava avançando para dentro das trevas sem medo algum. Conforme andava para frente, várias ilusões apareciam de crianças, monstros e outros, mas ele ultrapassava como se ele pudesse ver a verdade.
Então, Adebirion viu uma porta cheia de cadeados e correntes lacrada no fim do corredor e se dirigiu até ela. Quando ele já estava chegando perto daquela porta lacrada, uma voz monstruosa começou a falar e sua voz ecoava através do corredor.
— Você tem muita coragem paladino. Avançando para a sua própria morte sem hesitar, ou é muito valente, ou é um suicida. – Depois de terminar sua frase, a voz soltou uma gargalhada tenebrosa e logo voltou a falar. – Se atravessar esta porta, será um homem morto. Mas você tem uma chance de viver, se virar as costas e sair pela porta que entrou e me deixar aqui, talvez eu deixe você viver.
— Acabei de descobrir uma coisa. – Afirmou Adebirion ainda avançando para a porta fechada. – O demônio que causa medo está com medo. Se você fosse realmente tão forte como diz ser, já teria mostrado a sua face e já estaria me enfrentando agora. Mas prefere ficar escondido atrás dessa porta se escondendo como um inseto.
— Cale essa boca seu humano fétido! Eu irei destroçá-lo como um simples graveto. – A voz começou a gritar e a ameaçar sem parar o paladino de uma forma desesperada.
— Ameaças vazias? – O paladino voltou a provocar o demônio. – Saia logo daí e venha me enfrentar criatura das sombras.
O paladino parou a alguns passos da porta. De repente, algo começou a bater por trás da porta com muita força. Adebirion observava com cautela o que acontecia. E então, a porta soltou-se do lugar e voou na direção do paladino que, com um só bofetão com a mão esquerda, destruiu-a.
Só se enxergava um local completamente escuro dentro daquele quarto. E de dentro daquele covil das trevas, uma sombra começou a se mover e parecia se preparar para correr na direção do paladino. Adebirion firmou uma base de defesa com os pés e pôs a espada a sua frente com as duas mãos.
Em um relance de velocidade, uma criatura com forma de humano saltou de dentro daquele lugar escuro. A criatura tinha dois chifres saindo de sua testa com cabelos oleosos negros, com garras afiadas de cor preta, tinha escamas de cor laranja que mais pareciam labaredas por todo o corpo. O monstro devia ter em torno de um metro e setenta centímetros de altura.
A criatura havia se disparado em um salto para cima de Adebirion enquanto gritava o mais alto possível para amedrontar o paladino. Antes que o demônio pudesse encostar as suas garras na armadura reluzente do paladino, Adebirion acertou um chute de baixo para cima no queixo do monstro, fazendo assim, ele atravessar o teto e cair no andar de cima.
Enquanto a criatura se arrastava para um quarto qualquer, ele ouvia os passos de Adebirion subindo a escada e dizendo:
— Onde está você criatura das trevas? Não se preocupe isso acabará rápido. – Com um tom mais aterrorizante do que o do próprio monstro.
A criatura entrou rapidamente em um dormitório. Adebirion caminhava lentamente pelo segundo andar olhando de quarto em quarto onde poderia estar aquele maldito demônio. O paladino usou a sua energia arcana para detectar onde estava a criatura. Ele fechou seus olhos e se concentrou. Com os olhos fechados, ele enxergava uma grande carga de energia negra por todo lugar, mas conseguiu localizar um ponto do local onde aquela energia se originava e tomava forma.
Quando Adebirion abriu seus olhos, o quarto inteiro estava envolto em trevas e nada se podia enxergar.
— Não saíra daqui com vida paladino maldito, irei me deliciar com a sua alma. – A voz monstruosa voltou a falar de dentro das trevas.
— Escuro? – Indagou ironicamente Adebirion. – Está achando que eu sou uma criança? Acho que estou sendo subestimado aqui. Você não pode se esconder de mim e eu vou te mostrar por quê.
A luz azul começou a subir novamente pelo corpo do paladino e o vento voltou a circulá-lo. A luz parecia se agitar de forma mais violenta em volta do paladino deixando de parecer uma fumaça e ficando mais semelhante a uma chama azul. De repente, a luz azul que o circulava começou a entrar na armadura dele fazendo reluzir uma luz branca muito intensa iluminando todo o lugar e revelando o demônio escondido no canto do quarto.
O demônio gemeu de dor com a intensidade daquela luz e ficou extremamente revoltado. A luz parecia queimar a pele da criatura. O demônio começou a caminhar de quatro pela parede e subir no teto, e esticou sua língua enorme para cima do paladino. Adebirion pulou para trás e cortou, com sua espada, a língua do monstro.
— A! Seu desgraçado! Eu juro que vou matar você e depois vou expor as suas tripas na frente da minha pousada para os ratos comerem! – Urrou de dor o Demônio enquanto colocava as mãos na língua cortada. – Já chega. Eu vou matar você agora.
A criatura voltou ao chão olhando nos olhos do paladino, com olhos amarelos e com o globo ocular completamente negro enquanto descia lentamente levitando. Ao pousar, todas as sombras do ambiente viraram uma fumaça negra que começou a entrar pela boca do demônio, conforme aquela energia maligna era engolida por ele, ele ficava cada vez maior e mais forte, a pele da besta mudou sua coloração para um vermelho forte e seus chifres ficaram maiores.
— “Droga. Eu sabia que ele estava escondendo o jogo.” – Pensou Adebirion enquanto observava o que acontecia. – “Ele não era fraco, estava apenas dividindo seu poder para criar uma realidade abstrata. – E naquele momento uma ideia horrível surgiu na mente do paladino. – “Espera, se ele sugar de volta todo o poder que estava usando para manter esse lugar assim, isso significa que a ilusão irá acabar e as pessoas vão poder vê-lo.”
Adebirion tinha que agir rapidamente para impedir uma possível catástrofe em Valfrij. Logo em seguida, já era possível ver como estava o real estado daquela pousada por dentro, e a criatura estava aparentemente muito mais forte.
A criatura avançou correndo muito rápido para cima de Adebirion. O demônio envolveu suas garras com aquela fumaça negra e fez uma espécie de luva energética em volta de suas garras e atacou o paladino. Adebirion recuava enquanto defendia aquelas talhadas com sua espada até voltar para o corredor. O monstro preparou um poderoso corte com o braço esquerdo, então Adebirion rolou por debaixo do golpe e deu um corte na perna da criatura, que ajoelhou a perna cortada. Naquele instante, Adebirion pulou atrás da criatura para cravar sua espada nas costas dela, mas antes que ele pudesse acertar a criatura, ele foi atingido por uma cauda na altura das costelas e foi arremessado na parede.
Adebirion não havia percebido que o demônio agora possuía um rabo e foi atingido. O paladino ia se levantando após ser atirado na parede. Quando Adebirion ficou de pé, a criatura veio para cima dele e o agarrou pela cabeça e começou a atravessar as paredes da pousada com o corpo dele na sua frente. O paladino firmou os dois pés no chão, agarrou o braço que estava em seu rosto com o braço esquerdo e girou o corpo arremessando o monstro contra a parede.
— “Ele está bem mais pesado e mais forte, deve estar com uns duzentos e cinquenta quilos, vou ter que bater com mais força” – Pensou Adebirion enquanto soltava um leve sorriso irônico.
Adebirion esperou o monstro sair do buraco da parede que estava a sua frente, mas o demônio quebrou a parede do lado e atacou de surpresa o paladino, acertando-lhe um bofetão, arremessou o paladino para o lado. Adebirion deu um giro no ar e parou de pés derrapando para traz.
O monstro deu uma risada de quem tinha vencido.
— Você perdeu paladino estúpido. – Disse o demônio enquanto continuava rindo.
— Porque você diz isso? – Perguntou Adebirion
— Porque eu sei, que o poder dos paladinos vêm da conexão com sua espada, entretanto, ela não está com você.
Adebirion olhou para suas mãos, e realmente sua espada não estava mais com ele. O paladino olhou em volta e a sua espada estava fincada na parede perto da janela.
— “Ufa, ainda bem que não foi lá para fora” – Pensou com alívio o paladino. – Mas eu sinto em lhe informar, mas eu não sou um paladino comum.
— Mas o que? Do que você está falando? – Desesperado e enraivecido perguntava o monstro.
— Eu sou um paladino original, eu não preciso da minha espada para usar meu verdadeiro poder, e, além disso, eu sou mais forte do que um paladino comum.
A fumaça azul começou a subir novamente pelo corpo e armadura do paladino.
— Minha vez de mostrar meu verdadeiro poder. – Disse Adebirion aumentando cadê vez mais seu poder, os destroços da casa começaram a ser arrastados com o vento que emanava da grande força arcana dele.
— “Eu estou sentindo a pressão do poder dele. Maldito paladino” – Pensou angustiado o demônio enquanto botava um pé para traz.
O paladino avançou tão rápido que parecia ter se tele-transportado para frente do monstro, que ficou espantado com a velocidade, e acertou-lhe um soco poderoso no meio do estomago com a mão direita. No momento que a criatura se curvou com o golpe, o paladino agarrou o monstro pelos chifres e acertou uma joelhada no meio do rosto do monstro com a perna esquerda. Assim que o demônio levantou o rosto com aquele golpe, Adebirion começou a desferir diversos socos pelo corpo todo da criatura com uma velocidade absurda, cada soco que o paladino dava rasgava o vento com tanta força que parecia o som de um trovão e os golpes eram tantos que parecia uma saraivada de flechas.
O demônio tentou acertar uma talhada no paladino, mas o paladino se abaixou e energizou uma esfera de energia em sua mão esquerda e a disparou a queima-roupa das costelas do monstro, arremessando o monstro contra a parede e explodindo a esfera de energia. O demônio saiu com um salto da explosão para cima do paladino. O paladino cruzou os braços na frente de seu corpo para se proteger e o monstro acertou um soco nos braços do paladino fazendo-o derrapar para traz.
A criatura avançou mais uma vez tentando cortar Adebirion com suas garras da mão direita. Adebirion esquivou por debaixo do golpe, mas outro da mão esquerda vinha rápido e não daria para se esquivar, então o paladino posicionou os braços do lado que seria atingido em posição de defesa e foi arremessado para o lado contra a parede com o golpe. A criatura atacava sem parar, e acertou novamente a defesa dos braços de Adebirion com a sua cauda fazendo o paladino atravessar a parede.
Adebirion foi arremessado através da parede, mas novamente deu um giro no ar para se estabilizar e fincou a mão no chão para parar de derrapar para traz arrancando o resto de piso que a pousada tinha. O monstro avançou rapidamente e desferiu um soco com o braço direito. Adebirion desviou o golpe com seu braço esquerdo, e energizou sua energia arcana no punho direito dando um soco no queixo do demônio quebrando o maxilar dele e arremessando ele tão forte para cima, que fez com que a criatura saísse da pousada pelo teto atravessando os outros dois andares que tinham.
Antes que a criatura caísse, a capa branca de Adebirion se transformou em duas asas parecidas com a de um anjo. Então, Adebirion bateu suas asas e passou pelo monstro no ar, em seguida, o paladino bateu suas asas para descer desta vez, na direção da criatura. Chegando perto do monstro, Adebirion girou para frente e desferiu um chute com o calcanhar de cima para baixo, junto com o giro, na barriga do demônio, Arremessando-o para a pousada novamente.
Edmund, que estava do lado de fora da pousada, viu os dois no céu e Adebirion acertando o golpe. O impacto da criatura batendo no chão do primeiro andar da pousada foi tão forte que fez os vidros das janelas estourarem e a poeira sair. O paladino caía na direção do monstro, quando esticou a sua mão direita e sua espada levitou até a mão dele. Adebirion girou a sua espada e a segurou com as duas mãos mirando-a para baixo, e cravou sua espada no meio do peito do demônio nocauteado.
— Malditos... Sejam... Os paladinos. – Disse o demônio cuspindo uma espécie de sangue pela a boca. A criatura começou a virar pó preto que se junto e virou algo parecido com uma bola de fogo de cor vermelha viva que, por fim, entrou no chão.
Adebirion soltou um suspiro de cansaço e disse:
— Menos um para incomodar.
Do lado de fora, Edmund esperava ansioso por seu mestre. De repente, A porta da pousada se abre novamente e quem sai por ela é Adebirion. Edmund correu de encontro ao paladino e parou na frente dele.
— Caramba mestre! Que golpe foi aquele que você deu? – Disse Ed com um brilho especial nos olhos por conta daquele ataque. — Você detonou ele no chão com aquele chute.
— Sabe? eu não sou muito de dar nomes aos meus golpes. – Deu uma leve risada o paladino.
— Então eu vou dar um nome pelo senhor. – O garoto botou a mão no queixo e pensou por uns três segundos. – Hm, que tal... Chute de martelo giratório.
— Pode ser rapaz, eu até que gostei do nome. – Adebirion começou a rir após saber o nome do ataque e por causa da criatividade do menino. – Você sabe qual é o verdadeiro problema agora?
— Não senhor. Qual?
— Ainda não temos um lugar para dormir. Acho que vou pegar as minhas moedas que ficaram lá dentro. – Disse Adebirion enquanto olhava para a pousada destruída.
Os dois se olharam e começaram a rir. Então o paladino e o garoto foram buscar as suas moedas de dentro daquela pousada maldita, só que, desta vez, um pouco mais descontraídos.
— Mestre, e aquela moça que havia nos atendido? – Perguntou Edmund preocupado.
— Digamos que ela era o mordomo vampiro. – Disse em tom sarcástico o paladino enquanto voltava a rir com o garoto. – Era uma ilusão. Não se preocupe rapaz.
— Tudo bem. Se o senhor está dizendo, quem sou eu para duvidar?
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