Notas iniciais
Desculpe o atraso da postagem pessoal. Mas está aí mais um capítulo da nossa História. Aproveitem.

Antes de Adebirion e Edmund saírem da cidade, Ed sentiu um pequeno medo em seu peito, pois ele nunca tinha visto o mundo. Mas ao mesmo tempo, que ele tinha este medo, ele também se sentia feliz por ter a oportunidade de conhecer coisas novas. Então, Ed lembrou-se de seu amigo Tirion, que ele deixaria sem se despedir e logo pediu para que Adebirion o levasse para a casa de seu amigo para que Ed pudesse se despedir.

Adebirion, muito educado, dirigiu seu cavalo até a casa de Tirion, conforme as coordenadas que Edmund passava. Chegando perto da casa do seu amigo, Ed desceu do cavalo e se aproximou da porta, mas antes que ele pudesse bater-la, ela se abriu. E lá estava o irmão mais velho de Tirion, Bertrand.

— Pois não? – Perguntou Bertrand, um pouco surpreso com a visita. – Mas, se não se incomodarem, sejam rápidos, pois eu já estava de saída para o quartel.

— Eu só gostaria de saber se Tirion está. – Disse Edmund, falando rápido para não atrapalhar o irmão de seu amigo, pois ele tinha um pouco de medo deste irmão.

— Não. – Respondeu o jovem militar. – Achei que você soubesse da saída dele da cidade.

— Saída? – Pergunto Ed, completamente surpreso. – Como assim saída?

— Pois bem. – Bertrand havia percebido que iria demorar um pouco para explicar e já preparava um resumo do acontecido. – Hoje de manhã, quando ele voltou da sua casa, já tinha uns homens aqui com mantos azul-marinhos esperando por ele. Eles disseram que tinham sentido uma... Como eu posso dizer?... Manifestação de energia arcana nele. Disseram também que, tinham que levar ele para ser treinado em Heradorn. Pois ele era um mago. E foi isso, agora, com licença, até mais.

— Até mais. – Disse o jovem Edmund, completamente chocado pela notícia. Ed ficou cabisbaixo e silencioso, até que uma felicidade começou a aparecer no rosto do garoto. – Poxa, parece que eu não sou o único que vai sair de Ivygard. Que bom. Eu espero que Tirion se torne um grande mago e então nós iremos derrotar juntos, o Baldom.

— Muito provavelmente vocês irão se reencontrar de novo. – Disse Adebirion, após ter dado uma pequena risada. – Pois, nós paladinos e magos temos um conselho mágico, e geralmente nos unimos para ver algumas questões políticas que estão acontecendo.

— Nossa! Que legal, então se eu for a uma dessas reuniões é possível eu rever meu amigo?

— Tecnicamente sim. Mas você só verá, se você e ele forem convocados para uma reunião dessas.

Após saber que seu amigo também se tornaria alguém forte no futuro, Edmund se sentiu mais aliviado e pronto para encarar o que estava por vir. Cavalgando para fora de Ivygard, algumas dúvidas surgiam na mente do menino, como seria o mundo lá fora e que tipos de criaturas poderiam viver lá. Mas mesmo sabendo dos riscos que o menino poderia correr, ele não se amedrontava e seguia firme na sua viagem.

O céu daquele dia estava limpo, não havia nuvens no céu e, mesmo sendo o inverno de Ivygard, estava com uma temperatura agradável. Edmund sempre gostou mais do inverno do que o verão, pois no inverno ele podia vestir mais roupas que o normal e fingir que era sua armadura. Seus cabelos castanhos pareciam ficar como a cor do fogo quando a luz do sol tocava sua cabeça e, seus olhos verdes, que são de um tom mais escuro, ficavam mais brilhantes.

Edmund nunca se preocupou muito em saber de onde ele tinha herdado tanta força, mas agora tudo parecia fazer sentido para aquele garoto. Ele começou a se lembrar de todas as brincadeiras que havia feito junto de seu amigo Tirion na escola e de todo o treino duro que tinha tido com seu avô. Mesmo ele indo embora de lá, ele jamais iria se esquecer daqueles bons momentos.

— Senhor Adeberion, para onde vamos primeiro? – Por curiosidade perguntou Ed.

— Bem... A minha meta é tentar chegar a Valfrij antes que anoiteça, mesmo nós saindo durante a manhã daqui, o caminho é bem longo. – Respondeu Adebirion, com um tom de preocupação. – Se não, nós vamos ter que acampar no meio da floresta mesmo, e isso é um pouco perigoso.

— Por mim tudo bem. – Respondeu cheio de energia o rapaz. – Eu saí de Ivygard para uma aventura, e é isso que eu vou ter.

— Rapaz, eu estou começando a me identificar com você. – Disse Adebirion enquanto dava uma leve risada. Naquele momento, Adebirion também se relembrou um pouco de sua infância e resolveu contar um pouco para o menino, mas o que era para ser uma breve história acabou se tornando na história da infância inteira dele. Adebirion acabou contando coisas demais. – Sabe? Quando eu era pequeno, eu morava em um orfanato. Valladhom nem sempre foi um lugar feliz, naquela época este continente estava sofrendo com uma crise de guerras e pestes que se espalhavam por todos os cantos. Era o caos, este tempo foi chamado de “Era das trevas”, havia tanta maldade na terra que ficava fácil para demônios escaparem do inferno.

— Nossa! Isso tudo é verdade?

— Infelizmente é, garoto. – Adebirion parecia meio cabisbaixo. – Eu tinha quatro anos de idade quando uma guerra invadiu Fyorian. Tropas de Pretoria haviam passado pela fronteira leste e derrotaram as tropas da cidade Lunarum. Lestia se fechou e preparou uma defesa ao ataque deles, mas eles não passaram por lá e vieram diretamente a Fyorian. Os soldados deles estavam sendo controlados por um poder das trevas muito forte, provavelmente era um demônio de classe altíssima que estava controlando todas aquelas pessoas. – Adebirion deu uma breve pausa, e logo depois prosseguiu com a história enquanto Edmund ouvia tudo atentamente sem quase respirar direito para poder ouvir melhor. – Minha mãe e meu pai lutaram para me defender, mas aqueles soldados estavam muito fortes. Eles não sentiam dor, eles não recuavam, mas podiam ser mortos. Foi naquela noite que aqueles monstros entraram na cidade e invadiram a minha casa. Eu não conseguia entender direito o que estava acontecendo, do porque as casas da rua estar pegando fogo. Lembro muito bem de ouvir a minha mãe gritando no andar de baixo para meu pai pegar as espadas.

— E então, o que aconteceu? – Quando Edmund percebeu, já havia feito a pergunta, ele nem se lembrou que Adebirion tinha dito que havia morado em um orfanato quando era pequeno.

— Minha mãe subiu até o meu quarto, colocou uma camisa de cota de malha bem resistente em mim e me deu uma faca. Ela me disse “Filho, Filho querido, não importa o que aconteça, a mamãe e o papai sempre estarão com você. Pegue essas coisas e se proteja, vá para a casa da dona Eleonor pela porta dos fundos, nós vamos ganhar tempo para você.” E então eu saí de casa pela porta dos fundos e ouvi a porta da frente de casa ser arrombada. Um daqueles soldados me achou enquanto eu passava por um beco, por sorte eu era um paladino e tive forças para matá-lo. Consegui chegar à casa da dona Eleonor, e foi ali que eu entendi que eu não veria mais meu pai e minha mãe, pois a dona Eleonor era a dona do orfanato. – Adebirion parecia firme enquanto contava a história, mas Ed conseguia sentir toda a dor que ele ainda sentia daquele ocorrido. – Nós dois e mais algumas crianças nos escondemos num porão secreto da casa dela e esperamos todo o caos passar. No dia seguinte, fiz a pior decisão da minha vida, fui até a minha casa durante a manhã para ver os meus pais. E quanto mais eu adentrava na minha própria casa, uma dor de tristeza enorme invadia o meu peito. As paredes estavam completamente queimadas e havia, mais ou menos, uma dúzia de mortos daqueles soldados endiabrados no chão da sala e mais uns jogados em cima da mesa e da escada. E no meio de tudo, estavam os meus pais, caídos no chão, meus pais haviam matado todos aqueles soldados para ganhar tempo para mim. – Adebirion engoliu os detalhes para não assustar mais o menino e finalizou. – Não vou citar detalhes, pois você já deve saber o que aconteceu.

— Eu sinto muito, senhor Adebirion. – Disse Edmund com um tom triste.

— Está tudo bem garoto. – Adeberion acabou com aquele clima triste que havia sido criado em volta deles. – A guerra acabou graças aos paladinos e os magos. E hoje, eu sou o braço direito da líder dos paladinos, Glenda.

Em torno do meio dia, os dois resolveram parar para almoçar. Edmund tirou de sua bolsa, a comida que tinha trazido enquanto o paladino colocava uns troncos para eles se sentarem. Edmund também pegou água de um pequeno lago que tinha ali perto e deu para o cavalo de Adebirion junto de algumas maçãs. Os dois comeram bastante, e Ed percebeu que o paladino não estava comendo carne, apenas legumes, frutas, derivados de leite e alguns grãos. Edmund ficou curioso e não conseguiu segurar a sua pergunta.

— Senhor Adebirion, Por que o senhor não está comendo carne?

— Nós paladinos não comemos carne garoto. Nós paladinos respeitamos a vida e a protegemos. – Adebirion respondeu com um tom muito sábio.

— Mas, as plantas também não têm vida? – O garoto perguntou para tentar confundir o paladino. – Porque você também as come?

Adebirion deu uma risada e respondeu. – Sim, as plantas têm vida, mas o Criador disse para que nós, mortais, desfrutássemos da natureza, e as frutas e os legumes são alimentos que a natureza nos fornecesse, nós não precisamos matar uma árvore para comer uma maçã. Existe energia em tudo rapaz, mas o segredo está em não extinguir o verdadeiro fornecedor desta energia.

— Acho que o senhor tem razão. Vou parar de comer carne a partir de hoje.

— Bom garoto.

Passaram um bom tempo perto do lago enquanto comiam, mas o tempo não espera e quanto mais eles conversavam, mais as chances deles de chegar a Valfrij antes que anoitecesse diminuía. Mas, Edmund estava extremamente curioso para saber a força de Adebirion, pois ele também era como Edmund. Então o garoto desafiou o paladino para uma queda de braço. Ele aceitou. Os dois se posicionaram um de frente para o outro e apoiaram seus braços em um tronco cortado ao meio que estava entre eles.

— Você está pronto garoto? – Perguntou Adebirion com um tom brincalhão enquanto fazia uma cara de vencedor. – Acho que você não dura cinco segundos.

— A é? Eu vou te mostrar toda a minha força então.

A disputa começou. Os braços não saíam do lugar. Edmund gemia de tanta força que estava fazendo, enquanto o paladino gargalhava. O tronco começou a tremer, e Ed soltou um grito estrondoso de força. E então o tronco que estava debaixo de seus braços quebrou com a pressão que os dois estavam colocando em cima dele. Após mais algumas risadas, Adebirion teve que reconhecer a força do menino.

— Tenho que admitir que você é muito forte, você conseguiu fazer pressão o suficiente para despedaçar o tronco inteiro.

— Eu sou forte? – Perguntou em tom irônico o rapaz enquanto botava a mão no seu ombro direito por causa da força que havia feito. – Se eu tivesse competido com um dos garotos da escola, ele teria saído voando com a força que fiz. O senhor que é extremamente forte.

Adebirion deu mais uma risada e começou a arrumar as coisas para ir embora.

— Passamos tempo demais aqui menino. – Disse o paladino enquanto guardava as coisas nas sacolas do cavalo. – Vamos logo se não vamos dormir na rua.

— Sim senhor.

Logo depois de arrumarem as coisas, montaram no cavalo e partiram novamente para Valfrij. Os dois pareciam irmãos, o mais novo desafiando o mais velho, e o mais velho sempre ensinando os segredos da vida. Aqueles dois haviam encontrado um no outro a família que haviam perdido. Já passava das cinco horas da tarde e eles ainda estava cavalgando pela trilha.

— Veja rapaz. – Adebirion acordou o menino que tinha dormido com a viagem. – A cidade está lá à frente.

Meio sonolento, o rapaz olhou para frente e deu um leve sorriso de comemoração. – Finalmente chegamos.