Oráculo
10 Capítulo 10: Diagnóstico
Notas iniciais
Eu não fazia ideia do porque em todos os meus sonhos eu aparecera correndo. Sempre que acordava questionamentos invadiam minha cabeça “de quem corria? E porque?, talvez nunca seriam respondidos, mas esses levantamentos me faziam acreditar que alguém estava por trás de fundo, entretanto, no fundo eu sabia que parte de mim também estaria envolvida.
Louis apareceu quando eu mais precisava de alguém, e apesar de tudo conspirar ao nosso favor, eu ainda não conseguia confiar nele, sempre tinha algo por trás, assim como foi com o Isaac. Era difícil acreditar que meu amor de adolescência havia mentido tão profundamente para mim, e o homem cujo foi prometido a minha mão, eu mal me lembrava. Não sabia que peça o destino estava me pregando, mas eu já estava de saco cheio, todo mundo merece ser feliz um dia, e neste momento eu sentia que isso fora roubado de mim, precisava descobrir quem foi.
O quarto onde eu estava parecia ter sido exclusivamente feito para me acomodar, tudo refletia minha personalidade, mas ainda era tão diferente. Levantei-me e peguei o papel que estava em cima da escrivaninha:
“Quando a mulher se lembrar, sua memória retornará, só assim então o oráculo se revelará”.
Claramente estava relacionado à minha falta de memória perante as situações, além da falta de conhecimento, porém como recuperaria minha memória? Apesar de não confiar no Louis ainda, ele sabia mais sobre mim do que aparentemente eu mesma. Desci às escadas a procura dele, e acabei encontrando um bilhete em cima da mesa:
“Bom dia minha querida, tive que ir resolver umas coisas no trabalho, mas não se preocupe chego antes do jantar! Ps: adorei nossa tarde ontem”.
Eu me sentia péssima por estar arrependida pela noite passada, ele era incrível e o sentimento que compartilhamos era intenso e fervoroso, mas ainda sentia que algo estava errado. Aproveitei que ele estava fora para obter respostas, comecei vasculhando a casa, se tinha algo errado provavelmente algum rastro ele deixaria. Subi as escadas em direção ao quarto dele, sabia que o que eu estava fazendo era errado, porém necessário. Assim que abri a porta havia um bilhete colado na maçaneta.
“Espero que consiga as respostas que está procurando – L”
O fato dele me conhecer tão bem e saber que eu iria vasculhar seu quarto realmente me surpreendeu, e com certeza eu estava envergonhada. Quando entrei, várias pastas estavam sobrepostas em sua escrivaninha, provavelmente já teria deixado para que eu as encontrasse. Eram casos clínicos e o meu estava entre eles, à ficha continha meus dados pessoais e o laudo médico:
“A paciente solicita o uso da droga U0126 que até então era usada somente em animais, para a anulação parcial da sua memória. Ela alega descobrir uma maneira de voltar no tempo para que consiga cumprir seu destino, contudo para que isso aconteça, sua memoria atual deverá ser apagada. Com isso o diagnóstico é Esquizofrenia aguda, solicito a internação imediata de Ana Waker, 22 anos”.
22 anos... eu não entendo, como isso é possível? Esquizofrênica? Eu sou maluca? Continuei a procurar entre os papéis, mas nada daquilo me ajudava a lembrar de alguma coisa, estava cada vez mais confusa. Minha cabeça doía demais, comecei a sentir um peso em minha mente que fez com que meu corpo cedesse ao chão. Acordei com os olhos castanhos de Louis me olhando, ele chamava meu nome, mas estava tão distante que era difícil entender o que dizia. Minha consciência foi voltando aos poucos, me sentei no chão escorando as costas na parede, e ele me entregou um copo de água.
— Estou bem, me desculpe por ter entrado aqui – Disse e ele sorriu se sentando no chão.
— Eu sabia que viria, não precisa se preocupar com isso – Seus olhos ainda emanavam preocupação, olhei para a janela e já era noite.
— Eu não entendo... esquizofrênica? – Perguntei e ele segurou minha mão.
— Você me pediu que te levasse a essa clinica, é a única do país com depósito de U0126, mas quando eles te diagnosticaram tudo mudou, você se tornou agressiva, foi a ultima vez que a vi. Você fugiu e conseguiu roubar alguns frascos da droga, depois disso desapareceu – Disse e abaixou a cabeça.
— Voltei no tempo...
— Sim, mas Ana, você nunca foi esquizofrênica, eu sabia dos seus poderes, sabia o que podia fazer, eu estava la quando seus olhos mudaram de cor. Mas eles não entenderam, tentei várias vezes tirá-la da clinica, eles te esconderam, fizeram testes em você, foi a cobaia deles. Eu nunca vou me perdoar por ter permitido tudo isso, eu vi você sofrer demais, e depois a perdi. Fiquei sem rumo por muito tempo, até que assumi os negócios do meu pai. – Ele se levantou e foi em direção a janela, eu o segui.
— Como você tem isso tudo apenas de uma boate? – Perguntei e ele sorriu.
— Ana, aquilo nunca foi uma boate, ela é só o disfarce, é embaixo dela que a mágica acontece. Minha família fundou a CIA, nós temos milhares de andares subterrâneos de treinamento.
— Espera... – O interrompi – Se sua família fundou a CIA, então foi você que contratou Isaac? – Perguntei e ele negou.
— Eu o treinei sem nunca saber a ligação entre vocês, mas quem o contratou foi meu pai. Hoje fui conversar com ele sobre isso, ele me contou que não sabia do envolvimento dele com Jennifer e que ele saiu da CIA por deslealdade. – Com certeza deslealdade, nada mais me surpreenderia vindo dele. – Você precisa ver uma coisa – Disse e me puxou pela mão até a sala de estar, a televisão estava ligada no jornal oficial.
— O que aconteceu – Perguntei e ele aumentou o volume.
“Depois de o céu ter se tornado violeta no mês passado, hoje todo o mundo foi coberto por uma fumaça preta no céu, é impossível distinguir o dia da noite, o governo dos Estados Unidos orienta que ninguém saia de suas casas se não for de sublime importância. Qualquer atividade suspeita relacionada aos acontecimentos será declarada como traição ao país, tenham uma boa noite!”
— Precisamos agir rápido, mas não temos nenhuma pista para seguir no momento. Depois que você sumiu, eu procurei o Oráculo por todo lugar, nunca cheguei nem perto de encontrar. – Disse indo em direção a cozinha.
— Na verdade temos uma pista, eu parei de ter visões quando meus olhos se tornaram violetas, mas tenho tido sonhos muito estranhos, um deles me trouxe até você, e o outro me deu isso. – Entreguei o papel com a profecia em sua mão.
— Sua memoria...
— Sim, mas não tenho ideia de como recuperá-la — Disse e ele olhou em meus olhos.
— Sei exatamente onde ir, como eu não tinha pensado antes?... Arruma suas coisas, partimos em 1 hora...
Fale com o autor