Oráculo
11 Capítulo 11: O amor é igual à força da memória
Notas iniciais
— Sei exatamente aonde ir, como eu não tinha pensado antes?... Arruma suas coisas, partimos em 1 hora – Disse e correu em direção ao seu quarto, ele parecia preocupado, sei que a situação exigia tal preocupação, mas tínhamos que manter a calma.
Subi até meu quarto e encontrei uma mala em cima da cama, provavelmente ele a trouxera aqui. Peguei algumas roupas e tênis, nunca fui muito de gostar de salto, joias, muito menos maquiagem, mas a antiga Ana parecia gostar. Coloquei o papel com a profecia em uma mochila e também a preparei com suporte básico, não sabia o que iria acontecer, mas se tudo piorasse, uma mala me atrapalharia bastante de correr, se fosse o caso. Desci as escadas e também coloquei algumas barrinhas de cereais, água e comida enlatada, com o caos que estava lá fora, não poderia esperar menos que isso. Quando acabei o Louis já estava na porta me esperando, fomos até a garagem e suas coleções de carros luxuosos estavam expostas do lado de fora, para minha surpresa ele se dirigiu até um jeep.
— Prático e pequeno, além de poder andar na terra sem atolar – Disse enquanto colocava as malas no fundo, entramos no carro e seguimos viagem.
— Para onde estamos indo exatamente? – Perguntei enquanto observava o vento soprando entre as árvores.
— Quando namorávamos e você começou a pensar essas loucuras de voltar no tempo... – Arqueei as sobrancelhas e ele sorriu – Não que você seja louca, mas pensa comigo, voltar no tempo seria loucura. Enfim, quando finalmente percebi que era possível e que você estava realmente determinada a isso, eu procurei formas de desfazer, não aceitava o fato de te perder. Então eu encontrei uma xamã, ela mora em uma tribo na floresta amazônica, e é para lá que estamos indo. Mas na época você descobriu, e me fez prometer que nunca iria atrás dela – Seu olhar estava triste, pareciam tentar entender a situação, mas ao mesmo tempo se culpava por estar quebrando a promessa de sua amada, que no caso era eu.
— E aqui estamos nós...
— Não sou de quebrar promessas Ana, mas seria muito egoísmo ignorar tudo que esta acontecendo com o mundo, pessoas estão morrendo, eu espero que consiga um dia me perdoar, apesar de nem lembrar quem sou – O silêncio pairou no ar, a viagem seria longa, ele queria evitar aeroportos então iriamos de carro, para poupar tempo, iríamos até seu barco e atravessaríamos o mar. O caminho era longo, acabei adormecendo com o cheiro de chuva exalando pela janela. Acordei com Louis me chamando, já estávamos no barco, era enorme, estilo Titanic e bem sinistro pelo fato de só estarmos nós dois dentro dele. — Mudança de planos, vamos de helicóptero – Ele disse e eu me afastei.
— Ficou doido? Eu não entro em um helicóptero nem amarrada!
— Você não tinha medo de altura quando nos conhecemos – Disse
— Quando vai cair a ficha que eu não sou quem você conheceu? Porra, você vive me comparando ao meu eu do passado, mal me da chance de mostrar quem sou agora, isso desgastante. – Gritei e ele se afastou – Me desculpe eu...
— Não, você está certa, eu que lhe devo desculpas. Por favor, nós temos que ir, sei que tem medo, eu vou estar com você o tempo todo, se quiser parar eu desço até você melhorar – Com certeza aquelas palavras me fizeram sentir muito mal pelo que eu acabara de dizer a ele, não podia culpa-lo, deve ser muito difícil pra ele toda essa situação. O segui até o helicóptero, nesse momento agradeci por ter trazido a mochila, não teríamos como levar as malas.
Louis foi muito prestativo, segurou minha mão o tempo inteiro, enquanto pilotava com a outra, sua calma fez com que eu ficasse calma também, foi uma viagem bem tranquila. Não podíamos aterrissar na floresta, então fomos para uma de suas casas no Brasil.
— Pode ir entrando, quiser tomar banho ou comer fique a vontade. Aconteceram alguns problemas na empresa, vou precisar resolver, assim que eu terminar nós vamos. – Ele saiu com o telefone na mão e eu entrei, como sempre a casa era de tirar o folego, Louis tinha muito bom gosto quando se tratava desse quesito. Mas como pode ter tanto dinheiro assim? Sabia que a Cia era uma empresa grande, de investigação e tudo mais, mas ele era bilionário... Fui até a cozinha comer algo, acabara lembrando que não comia desde noite passada. Preparei alguns ovos mexidos, única coisa que eu sabia fazer.
— Nossa, o cheiro está incrível, o que fez para comer? – perguntou ele enquanto se aproximava
— Ovos – Respondi rindo, ele pegou um garfo em uma gaveta e pegou o prato com os ovos.
— Os melhores que já comi – Disse e voltou para pegar mais um pouco.
— Estava mesmo com fome – Caminhei em sua direção e sentei-me na bancada da cozinha, ele se aproximou e limpou a sujeira que estava sobre meus lábios. Nossos corpos eram como imã, não conseguiam ficar muito tempo separadas, sempre atraídos para outro. Nossos lábios estavam tão perto, nossos olhos se encontraram e eu o afastei. – Precisamos ir, não podemos perder tempo. – Ele concordou comigo e fomos em direção a garagem, colocamos nossas coisas no carro e novamente seguimos a estrada.
— A tribo não é muito longe, eles tem algumas tradições que você não vai gostar- Disse com um sorriso malicioso.
— E você vai gostar não é mesmo? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
— Depende do ponto de vista. Lá, eles dizem que as roupas as roupas são impuras, só permitem entrar...
— Não, não mesmo, eu não vou ficar nua na frente de um monte de gente que não conheço – Cruzei os braços.
— Ana, é a tradição deles, e não é totalmente nua, ele dão aquelas folhinhas – Ele gargalhou – Você não tem do que se envergonhar isso eu garanto.
— Louis seu pervertido – Disse rindo. Chegamos a um ponto que o carro não passava mais, era uma floresta bem fechada, sempre tive vontade de conhecer o Brasil, mas nunca pensei que seria nessas circunstâncias. Foram cerca de 20 minutos de caminhada até chegarmos. Havia uma linda tribo, com muitas crianças indígenas, havia uma placa pendurada entre as arvores “Roboris virtutisque aequalis amor memoriae”.
— O amor é igual à força da memória – Respondeu Louis apontando para a placa. Um senhor veio em nossa direção e nos entregou duas “folhinhas”.
— Não estou acreditando nisso — Disse enquanto ele sorria, fomos até a floresta tirar as roupas. – Olha só quem também não tem do que se envergonhar — Ele me olhou e se aproximou – Não não, vai indo para trás, quero você bem longe de mim agora – Disse rindo e ele sorriu.
Depois de cobrirmos nossas intimidades, voltamos até a tribo, o mesmo senhor nos recebeu e o seguimos até uma das ocas. Ao entrar, uma mulher estava sentadano chão com várias cartas de tarô.
— Viemos aqui para jogar? – Sussurrei
— Ana, por favor...
— Okay, já entendi – Respondi e nos sentamos, ela tinha um cabelo engraçado, preso por vários pedaços de tecidos. Era cega de um olho e parecia não pertencer aquele lugar, não era indígena, mas com certeza era importante para eles.
— Menina, você está em uma baita confusão não é mesmo? – Ela perguntou enquanto segurava minhas mãos, concordei com a cabeça – O que veio fazer aqui?
— Eu perdi minha memória e não sei como consegui voltar no tempo – Disse e ela sorriu
— Sim sim, vocês iam se casar – Ela disse e Louis franziu a testa.
— Não, eu apenas fiz o pedido, mas ela não me deu resposta – Ela sorriu e concordou com a cabeça.
— Isso não foi uma pergunta senhor Houston – Ele olhou para mim e abaixou a cabeça – Enfim, você quer sua memória, tudo que esta acontecendo é consequência dos seus atos, a perca de memoria, à volta no tempo, seus olhos, tudo isso mudou a estrutural temporal. Só você sabe desfazer o que fez, está dentro de você, na sua cabeça, vocês podem não acreditar em magia ou mitologia, mas vão ter que acreditar desta vez.
— O que isso significa? – perguntei e ela se levantou, foi até um armário e pegou um livro antigo.
— Esse era Mnemosine, ela era uma titânide, filha de Urano e Gaia. Era a deusa que personificava a memória. Nesse livro ela mostra como perder e recuperar a memória de alguém, mas é muitíssimo perigoso, vejam só, a página que ensina como retirar a memória foi arranca. Creio que tenha sido você ou alguém a seu comando.
— Meu deus, me desculpa
— Não se preocupe menina! Bem, existem três fatores amor, força e coragem eles foram divididos ao redor do mundo em três pedras vermelha, azul e amarela. Quando conseguirem as pedras vão coloca-las nesse colar – Ela nos entregou um colar de ouro maciço com três buracos, os lugares onde coloríamos as pedras.
— E onde podemos encontra-las – Louis perguntou e ela se sentou novamente.
— Cada uma tem um enigma, cada enigma revela a localização de outra pedra. O primeiro é “o que é dá muitas voltas e não sai do lugar?” É a única coisa que posso dizer, vão embora estou muito cansada. – Concordamos e nos levantamos
— Uma ultima coisa, sabe algo sobre o oráculo? – Perguntei e seu olhar se tornou sombrio, dois homens vieram em nossa direção.
— Vocês precisam ir embora – Disseram nos puxando pelo braço.
— Espera, por favor... — Supliquei e ela se aproximou.
— “Quando a mulher se lembrar, sua memória retornará, só assim então o oráculo se revelará”— Era a mesma profecia do meu sonho, mas como ela saberia? Não tivemos tempo de perguntar mais nada, fomos arrastados pelos homens e jogados na floresta, já era noite. Caminhamos até onde havíamos deixado nossas roupas, nos vestimos e continuamos andando até o carro.
— Eu não entendo, o que é dá muitas voltas e não sai do lugar? – Louis me parou com o braço. – O que foi?
— Fique quieta – Disse e apontou para o lado com a cabeça, haviam vários leopardos ao nosso redor, esses rosnavam como se fôssemos a única refeição deles, e realmente éramos.
— Puta que pariu...
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