Open wounds, closed heart
11 Dia 11
Notas iniciais
15/07/2017
Para não perder o hábito, decidi escrever sobre o meu sábado apesar de hoje não ter tido uma reunião do GAPAD.
Como havia sido planejado, encontrei-me com Guang, Leo e Phichit no centro da cidade, num café recomendado por Guang. Fiquei feliz em ver que os dois se deram bem com Phichit, que, por ser meu melhor amigo, faz com que eu me sinta bem mais tranquilo quando saio em público. Ele tem um efeito calmante em mim, simplesmente não sei explicar.
Basicamente passamos a tarde conversando, tomando café e comendo biscoitos (apesar de eu ter me segurando muito para não exagerar). Foi interessante ver meus dois novos amigos em um ambiente diferente, e ver detalhes sobre eles que eu desconhecia até então; como que Guang adora postar fotos de comida no Instagram e que Leo não gosta de café puro. São coisas bobas, mas que eu só descobri por ter dado uma chance para nossa amizade amadurecer.
Tudo estava indo excepcionalmente bem até que Leo decidiu trazer Victor à tona.
Fingindo não ter me abalado pela súbita menção do homem que não saia de meus pensamentos há mais de uma semana, deixei que Guang e Leo conversassem sobre o sumiço de Victor, sem desejar me envolver naquela conversa. Mas então o assunto foi empurrado na minha direção e as palavras “Você ainda está preocupado com ele? A ausência dele pareceu te abalar mais que a qualquer outro.” (ou algo assim, não lembro as palavras exatas) foram suficientes para que Phichit se visse de repente interessado; porque aparentemente para eu me interessar por algo, esse algo tem que ser muito especial para mim, ou alguma baboseira do tipo. O que eu gostaria de deixar claro ser uma mentira.
Eu não gosto do Victor, eu só estou preocupado com ele.
Mas, apesar de minhas incansáveis explicações, Phichit não pareceu se convencer e, para piorar, Leo e Guang pareciam começar a também questionar sobre os meus sentimentos. Excelente (só que não).
Mas, graças a Deus, eles logo cansaram de discutir meu relacionamento imaginário com Victor e mudamos de assunto. Falamos de meu livro e de como às vezes eu odiava ser um escritor. Leo pediu meu pseudônimo, e eu disse que pensaria no caso. Phichit contou sobre como eu reclamava demais, e ficou contando sobre coisas do passado que eu desejava muito que ele não tivesse trazido à tona. Guang ficou quieto até que Leo perguntasse a ele sobre como andavam as coisas na faculdade, ao que ele respondeu que tudo estava na mesma.
Falamos sobre coisas sem importância e pedimos mais biscoitos, o tempo tornando-se mais frio ao que o céu assumia tons mais escuros. Logo foi hora de nos despedirmos, mas o adeus não foi dito até que uma promessa de repetir o passeio fosse feita. Adicionamos Phichit ao nosso grupo do WhatsApp e nos separamos, cada um seguindo seu caminho até em casa.
Indo junto de Phichit por boa parte do trajeto, vi-me sendo questionado novamente sobre o que eu sentia em relação a Victor. Pensei em enrolar meu amigo, não desejando tocar no assunto, mas seus olhos sérios foram suficientes para que eu admitisse algo que não sei se deveria. “Penso muito nele, só isso.”, foi o que eu disse. Phichit sorriu e disse que desejava ser mantido informado de minha vida amorosa, ao que eu repliquei falando que não era nada disso.
Separamo-nos, mas sem dizer adeus, pois estávamos ambos cientes de que iríamos nos falar mais tarde pela internet.
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