Open wounds, closed heart
12 Dia 12
Notas iniciais
22/07/2017
Fui para o GAPAD certo de que desta vez conseguiria me encontrar com Victor, mas quando cheguei ainda não haviam sinais dele. Incapaz de perder as esperanças, esperei até o último instante ao lado do portão, aguardando ansiosamente que ele aparecesse com um sorriso bobo e uma desculpa tosca. Isso, porém, não aconteceu. A sessão estava para começar e me vi sem opções além de abandonar meu posto e andar em direção ao salão, desiludido pelas expectativas que eu mesmo havia criado. Foi então que Leo e Guang chegaram, caminhando juntos pela rua e chegando em cima da hora.
Assim que me viram, eles me perguntaram como eu estava e eu respondi com um sorriso torto. Eles então olham um para o outro, falando entre si com olhos cheios de pena que não tive dificuldade de compreender. Leo perguntou pelo Victor e eu balancei a cabeça numa negativa silenciosa, ao que Guang falou que eu não me preocupasse porque Victor certamente apareceria semana que vem, e Leo complementou dizendo que ele devia estar ocupado ou coisa assim.
Aceitei as palavras de meus amigos, acenei em direção a eles e andamos juntos em direção ao grupo que se organizava no interior do salão; meu coração, porém, se negava a escutá-los e minha preocupação não me abandonou por sequer um instante.
Para a atividade, um objeto foi designado a cada participante e deveria-se buscar a pessoa correspondente, ou algo assim. Sinceramente, não entendi bem o que era para fazer porque, durante a explicação, estava distraído com meus pensamentos sobre o Victor e depois não tive disposição de perguntar a respeito. Por isso, acabei me atrapalhando e trazendo caos a uma atividade que deveria ser simples. Mas ninguém pareceu se importar, o que me fez sentir menos pior.
Quando o intervalo foi decretado, pensei em ir falar com Minako e minhas intenções não passaram despercebidas aos meus amigos, que me incentivaram a ir. Mas a doutora parecia ocupada e não consegui ir até ela enquanto pensamentos de que talvez eu a fosse incomodar me lotavam a mente. Eu não queria a incomodar com minhas preocupações bobas e desnecessárias, que provavelmente eram nada além de um exagero. Victor tinha uma vida, uma vida que não envolvia com o GAPAD e que talvez tivessem colidido e o incapacitado de comparecer hoje. Além de que, eu não queria que mais ninguém julgasse errado meus sentimentos em relação ao Victor. Assim, mudei de assunto e torci para que, nem Leo, nem Guang, comentassem algo sobre a minha óbvia falta de discrição.
A partir de então tentei me manter mais atento e pensar menos sobre coisas desnecessárias.
Durante a roda, não fui incomodado por qualquer pensamento sobre o homem que se fazia ausente, e talvez o fato da falta dele naquele momento não ser estranha tenha colaborado para isso.
Na hora de me despedir, prometi aos meus amigos falar alguma coisa aquela noite, no grupo, apesar de que eu teria algumas coisas do trabalho para resolver. Enquanto eu caminhava para o portão, cruzei com Minako e acenei em sua direção antes de sumir dentro do carro de minha mãe.
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