Onze
5 Capítulo 5 - Acho que rola uma física entre nós.

Uma semana após nosso primeiro beijo, Alana, você disse que me amava. Como um segredo que não se deve revelar, você escondeu o rosto com as duas mãos. Você sempre faz isso quando está envergonhada, não é?
— Diz... O que você tem para me falar? – Perguntei, curiosa. Um pouco confusa, puxei a argola do piercing. Você odiava que eu fizesse aquilo, odiava meu piercing, mas nunca pediu que eu tirasse. Você me aceitava, Alana.
— Ai... – Seu sorriso me fez sorrir, até que ouvi você pronunciar: — Eu te amo.
Você... Me... Amava... Ninguém nunca me amou antes.
— Eu também te amo. – Respondi e era sincero. E queria ter te conhecido desde sempre. Ter você em cada minuto da minha vida, lado a lado. Ter e ser os melhores anos da sua vida, e se viessem coisas ruins eu as aceitaria também, porque não te trocaria por nada.
Você era minha e eu era completamente, perdidamente, loucamente sua. Uma semana depois de você dizer que me amava pela primeira vez, eu te pedi em namoro. Eu sei que não foi muito especial, foi com pressa, desajeitadamente, atropelei todas as palavras e não consegui dizer nem metade de tudo o que eu queria. Apenas disse, tremendo:
— Você quer namorar comigo?
E DEUS, não é que você aceitou? Você disse que sim, e... Alana, quando você veio me abraçar, eu pisei no seu pé e quase te derrubei. Você devia estar pensando que arrumou a namorada mais destrambelhada da face da terra.
É, eu era uma destrambelhada, mas uma destrambelhada apaixonada por você.
Aí veio aquele trabalho de física, você lembra, Alana? Sempre fui péssima em física e você me convidou para fazer parte do seu grupo no trabalho. Fomos até a casa de um de seus amigos. Para o trabalho, era necessário gravar um vídeo mostrando um experimento que provava a dilatação através do calor, pelo que me lembro, e o nosso projeto era derrubar uma fileira de dominós com a ponta de uma agulha aquecida.
Segredo: a maldita experiência não estava dando certo e alguém deu um empurrãozinho na agulha para que os dominós caíssem e, ufa, o professor não percebeu. Mas o importante desse dia não foi o trabalho, foi a oportunidade de ficarmos juntas.
Todos estavam na garagem concentrados no projeto e eu e você na sala, com a porta e as cortinas fechadas. Alana, você estava com uma regata branca e uma calça jeans azul, e é por isso que me lembro da música da Lana Del Rey:
Blue jeans, white shirt (Jeans azul, camiseta branca)
Walked into the room (Quando você entrou na sala)
You know you made my eyes burn. (Sabe que fez meus olhos queimarem)
Eu sentei no sofá e você sentou no meu colo, da mesma maneira que fez no cinema, nós começamos a nos beijar e aquela sensação de nunca querer desgrudar meu corpo do seu voltou.
Nos pertencíamos, Alana. Nos pertencíamos, porque todos os nossos gestos eram coordenados, combinados, sincronizados. Completados. As nossas línguas se moviam em sintonia e as suas mãos se encaixavam nas minhas. Eu tremia toda vez que você me tocava. Na barriga, no pescoço, no cabelo. Você me fez deitar no sofá e deitou em cima de mim, minha coxa pressionando o meio das suas pernas e nossas bocas que não desgrudavam.
PÁ, um barulho na porta e você levanta tão rápido que eu não consigo entender o que aconteceu, me sento como se nada estivesse acontecendo e sua amiga nos olha com uma cara de safada. Lembra disso, Alana? Fiquei com tanta vergonha que começamos a falar sobre o seu cabelo. Sobre os seus lindos cachos cor-de-mel que iam um pouco abaixo do ombro.
— Seu cabelo é tão lindo. Não corta, por favor.
Mas fazer o que, você cortou. E tudo bem, não mudava nem um pouco o meu sentimento.
Quando escureceu e eu estava indo embora sozinha, você me abraçou e não queria me deixar ir de jeito nenhum, como se eu quisesse sair dos seus braços. Nos beijamos mais algumas várias vezes, você disse que me amava muitas e muitas vezes, sorrindo e eu sorria e sorríamos juntas e nos amávamos.
— Você vai ficar bem? – Balancei a cabeça em sinal positivo. – Então me manda mensagem quando chegar, ok? Promete? Assim que chegar, você me manda mensagem.
Tão linda toda preocupada comigo, com as mãos no meu rosto, os olhos nos meus. E foi por isso que eu me apaixonei por você.
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