Only Parts
3 Sandor
Notas iniciais
— O que quer Vossa Graça? – Rosnou irritado, estavam na sala do trono,a rainha tinha mandado o chamar novamente, e tinha o desprazer de ter que encarar seu sorriso insolente no rosto, tentara contar a lobinha o que estava pra acontecer, mas quando vira a daquela maneira, obrigou a si mesmo a sair de perto dela.Quando tentou voltar, Cersei havia colocado guardas para vigiar, e o impediu de falar com ela.
— O casamento será amanhã. Achei que gostaria de saber- seu tom não sugeria que se importava, parecia estar sorrindo por dentro –Nem se dê ao trabalho de tentar novamente contar á ela , eu já o fiz, não poderia perder a oportunidade de ver aquele rostinho lindo se desfazer em prantos ao saber que nunca mais pisaria naquele fim de mundo congelado, não é engraçado que ela vá trocar o manto de lobo por um manto de cão?
Ela riu, “deve estar bêbada, como sempre ultimamente” e por um segundo pensou no que fariam com ele se estrangulasse aquela mulher ali mesmo.
— Ela sabe que serei eu o seu marido?- Essa era a pergunta que tinha receio de fazer, o passarinho deveria estar arrasado de saber que teria que se casar com um monstro que não conseguia ao menos olhar o rosto.
— Sabe- respondeu secamente- e não sei dizer se ela chorou mais pela casa ou por você. Pobre menina...
A mulher tinha o dom de lhe irritar, seus comentários eram sempre desagradáveis,maldosos, só ela conseguia perceber algum humor no que dizia.
— Tenho a permissão de falar com ela, Vossa Graça?- aquela cortesia não era algo que estava acostumado, mas achou que era apropriado, se quisesse ver sua futura esposa antes do casamento, nunca pensou que teria uma esposa, quanto mais uma esposa bem nascida, todavia agora que não tinha alternativas, deveria tentar agir agradavelmente com a garota.
— Sim, vá-Cersei concedeu- se ela quiser falar com você, o que eu particularmente duvido muito. A garota deve achar que você pediu isso ao rei,e que é tão culpado quanto nós.
Sandor fingiu não se importar com o comentário, os Deuses sabiam que tinha tentado contar para ela , mas depois de ver ela se banhando ficou tão incomodado que não conseguiu, ela era tão linda e tão ingênua, como poderia ser minimamente feliz com ele, que gostava de sangue, armas, bebidas e prostitutas.
Ele se retirou e foi até o quarto de Sansa, bateu na porta algumas vezes não obtendo resposta.
— Sansa sou eu posso entrar.- pediu.
A garota não respondeu, mas agora podia ouvir os sons de dentro do quarto,a lobinha estava chorando e a muito tempo á julgar pelos soluços altos que emitia.
— Sansa, se não abrir eu vou arrombar, preciso falar com você.- berrou batendo forte na porta, toda sua força de vontade já tinha ido embora, começava a se enfurecer com a Stark, afinal ele queria esse casamento tanto quanto ela. Os dois estavam sendo punidos.
Se preparava para derrubar a porta, quando viu ela se abrir.
Estava com o rosto vermelho , e os cabelos desgrenhados, exatamente como depois que Joffrey decapitara seu pai, deu um passo para trás para que ele entrasse, porém o cão apenas tocou seu braço.
—Passarinho... Eu não pedi isso ao contrário do que possa pensar.- confessou tentando demonstrar-se amigavel.
—Mas também não disse que não,eu suponho-desafiou em tom de escárnio.
—Não, não disse, nunca questionei ordens do rei- ele sorriu um sorriso triste- sou o cão dele apenas obedeço.
Ela recomeçou a chorar, então ele segurou seu rosto, forçando-a olhar em seus olhos.
—Nunca vou voltar pra casa.-murmurou.
—Não. — Ele assentiu- Mas vai ter a liberdade que o passarinho perdeu.
Sansa o encarou com firmeza e disse com raiva:
— Não sou um maldito passarinho.
—É e você sabe,um passarinho preso na gaiola, e espancado pelo dono.
—E continuarei sendo- cuspiu as palavras como veneno-apenas mudarei de dono.
A realidade expressa naquelas palavras o atingiram em cheio, ele sempre a protegera como podia,tentando amenizar a ira, do Rei, mas sendo o cão dele a garota supunha que ele a espancaria, não era de se admirar, visto o que ela sofreu desde que viera para o sul.
Ele a pegou pelos ombros com a maior delicadeza que conseguiu e disse:
— Não percebeu ainda que eu não sou como Joffrey.- exasperou-se.
— Não, não é, mas também não pode deixar que eu vá para casa.- as lágrimas haviam parado, ao contrário do ressentimento que nunca sumiria.
—Infelizmente, não. — ele a fitou longamente completando a seguir -mas não será tão ruim quanto estar preso aqui eu posso garantir.
Com descrença a loba ergueu o olhar e desabou novamente em seu choro convulsivo. Aquilo acabou por irritá-lo.
— A cerimônia é amanhã, depois do casamento iremos para a minha Fortaleza, se quiser ficar aqui aquele maldito do Joffrey vai querer te dar um bastardo, antes mesmo do septão dizer as preces.- reagiu com raiva.
Sua futura esposa não respondia apenas,chorava, soluçava, e nem mesmo podia o encarar.
— Fique com suas lástimas e tristezas,passarinho, se te faz tão infeliz eu poderia desertar novamente, e te deixar aos cuidados Lannisters,não seria adorável?- perguntou desdenhosamente, as palavras tiveram o efeito desejado, Sansa passou as mãos pelos olhos em uma tentativa fracassada de limpar as lágrimas.
— Não faria isso?- perguntou hesitante.
— Não duvide, não sabe como fico tentado, quando ouço essa choradeira.
Sansa encarou os pés em silêncio.
— Não vou fazer nada disso- cedeu ao ver que causava dúvidas na garota- mas vou precisar que colabore, nossas vidas não precisam ser um inferno á não ser que deixemos, e se você tiver sorte seu irmão chegará amanhã e te salvará desse destino.
— Eu nunca tive sorte- respondeu amargamente.
—Bom então amanhã nos vemos na cerimônia.
Dito isso deu as costas a ela e partiu, iria desfrutar da sua última noite de solteiro aproveitando o que as mulheres tem de melhor para oferecer, só imaginava se algum dia conseguiria consumar seu casamento, á julgar pelo choro antecipado, teria que enfrentar sua pior luta.
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