Notas iniciais
Música do capítulo: Far Away - Nickelback http://www.youtube.com/watch?v=Cw5SvvSL2rQ
Como eu tinha dito, acho que vocês vão gostar desse capítulo. Tava me segurando pra não postar ele antes kkk. Enfim, eu AMO essa música, então ouçam ela, mas antes ou depois de ler o cap, daí dá pra entender a que parte ela se refere =D.
Espero que gostem!

Chace's POV

- Está tudo pronto – disse Sam. Espalmou um pedaço de papel grande na mesa, que só depois entendi ser um mapa. Os olhos verdes sempre vivos dele brilhavam. O pai dele nos observava encostado ao balcão da cozinha. Do lado de fora, podia-se ver o céu escuro da noite. — Eu sei onde o oráculo pode estar.

- Pode estar? — eu perguntei, em dúvida. — Você não tem certeza?

- Ei, é melhor do que nada, certo? — disse Sam. — E também, é noventa por cento de certeza. Não reclame.

Ergui as mãos em um gesto de rendição, brincando.

- Tudo bem, continue então.

- Bem, ninguém teve coragem suficiente para se juntar a nós, mas todos prometeram não dizer nada sobre isso. Portanto, acho que estamos seguros por um tempo. Quanto a sair do Distrito, nós podemos nos disfarçar com muitas roupas e essas coisas e se não der certo, temos você não é, Chace? Estamos cercados de água.

Eu assenti, olhando para o mapa. Na verdade, o mar estava bem longe e usar tanta força poderia me matar, mas resolvi não comentar essa parte.

- Meu pai pode nos levar até os trilhos do trem e depois nós seguimos a pé. O 4 não é vizinho da Capital, e há um pedaço do 2 e 10 nos separando; vamos pelo caminho mais curto. — Sam apontou o local no mapa e fez uma trilha. — O oráculo vai estar em algum lugar por aqui. — Indicou um ponto mais ou menos no final da Capital.

- Sabe que metade disso pode não funcionar, não é? — eu disse, só lembrando.

- Shhh – fez Sam. — Não seja estraga prazeres, Chace. Vai dar tudo certo.

- Espero que sim. Não quero perder minha cabeça no meio do caminho.

- Você não vai perder. Nenhum de nós vai. Nossas coisas já estão arrumadas. — Sam apontou com a cabeça o sofá, onde eu só notara agora estava com duas mochilas grandes em cima. — É melhor irmos à noite. Pronto?

- Pronto – eu disse.

Mas algo nos parou. Um clarão dourado capaz de cegar qualquer um explodiu atrás de mim. Foi diminuindo aos poucos. Olhei para Sam e o pai, e os dois estavam boquiabertos, os olhos arregalados, encarando algo às minhas costas. Estava prestes a olhar também quando uma voz me paralisou.

- Chace? — uma voz doce, que eu não ouvia há muito tempo.

Eu me virei lentamente e quase desmaiei. Uma garota de quinze anos estava parada ali, no mesmo estado em que eu a vira pela última vez. Cabelos castanhos compridos ondulados desgrenhados e sujos, olhos multicoloridos; usava um macacão rasgado e cortado; seu rosto e pescoço estavam empapados de sangue, em alguns lugares secos e outros não.

- Diana – sussurrei o nome dela, incrédulo. Tive vontade de chorar, mas as lágrimas não vieram.

Diana correu até mim e me abraçou apertado. Eu a abracei de volta, enterrando o rosto em seu cabelo solto e cheio de nós. Diana respirava em meu peito. Percebi o quanto sentira falta dela todo esse tempo. Eu aproveitei o momento antes de murmurar:

- Como?

Diana balançou a cabeça, ainda grudada a mim.

- Não sei. Só disseram que eu seria um presente e tinha que voltar para fazer alguma coisa importante.

Eu beijei o topo de sua cabeça, tremendo.

- Você está mesmo aqui.

- Estou. Eu voltei – disse Diana me olhando.

Me dei conta de Sam nos encarando e voltei à realidade. Bem, mais ou menos.

- Diana, esse é Sam – eu disse. — Sam, acho que você sabe quem ela é.

- Sei – disse Sam. — É um prazer.

- Igualmente. — Diana olhou para suas roupas. — Desculpe por... aparecer assim de repente. Eu sei que não estou no meu melhor estado.

- Não se preocupe com isso – tranquilizou-a Sam. — Então... quer nos ajudar com uma coisa? — Eu revirei os olhos. Sam não perdia tempo.

Diana sorriu, e meu estômago deu uma cambalhota.

- Claro.

Eu resolvi interferir, antes que Sam a convencesse de se matar de novo.

- Sam é descendente de Finnick Odair – eu disse. — Um dos rebeldes contra a Capital na última revolução.

- E nós pretendemos fazer a mesma coisa agora – Sam interrompeu de uma vez só e eu não consegui terminar de falar.

- O quê? — perguntou Diana.

Eu abri a boca para explicar, mas Sam se adiantou. Senti vontade de bater a cabeça daquele garoto na parede para ver se ele conseguia ficar quieto por mais de um minuto, mas me controlei.

- Chace está sendo perseguido pela Capital, mas depois ele te conta a história completa. Acontece que os deuses precisam de ajuda e nós não sabemos com certeza o que houve com eles. Então nós decidimos iniciar uma nova revolução para acabar de vez com os Jogos Vorazes. O que acha?

Diana estava com a boca meio aberta e as sobrancelhas franzidas, mas não parecia tão surpresa. Olhou para mim em busca de confirmação. Eu dei de ombros, porque era exatamente aquilo que pretendíamos fazer.

- Tudo bem. Estou dentro – disse Diana. Eu arregalei os olhos enquanto Sam fazia um gesto de comemoração.

- Está falando sério? — eu perguntei.

- Estou, por quê? — Diana perguntou, se divertindo. — Pela sua reação foi o Sam que deu a ideia, então eu digo que ele está certo. Eu vim para ajudar. Vou ajudar.

- E nós precisávamos exatamente de uma voz para convencer a todos – disse Sam feliz.

- Não precisam mais – disse Diana. — Qual é o plano?

Sam parecia querer sair dando pulinhos de felicidade por aí.

- Primeiro vamos atrás do oráculo, a pessoa que fazia profecias para os heróis. Daí seguimos a profecia e... é isso. Seguimos o que ela disser.

- Ótima explicação, Sam – eu disse. — Isso parece tão bom e fácil quando se diz assim. Por que vocês dois não se casam e vão ser presidentes juntos depois que tudo acabar? — eu perguntei sarcasticamente.

- É uma ótima ideia, Chace – disse Sam sorrindo. — Se você não se importar de dividir Diana comigo, eu aceitaria de bom grado. Ela parece bem mais animada com isso do que você.

- Cala a boca, Sam – eu disse.

- Relaxa, Chace – Diana disse, também sorrindo. Então acrescentou, só para me provocar: — Se bem que o Sam é bem bonito.

Sam começou a rir. Aqueles dois só podiam estar brincando. Acabaram de se conhecer e já agiam como melhores amigos querendo me tirar do sério. Mas no final eu também comecei a rir junto. Era bom se distrair.

- Certo. Quando nós vamos? — perguntou Diana.

- Amanhã à noite – respondeu Sam.

- Pensei que fôssemos hoje – eu disse.

- É, mas sua namorada acabou de voltar e acho que vocês dois têm que passar um tempo juntos antes. E ela precisa se limpar. Sem ofensa – Sam acrescentou rapidamente.

- Não ofendeu – disse Diana.

- Então estejam prontos amanhã, sem falta. — Faltando três dias para a colheita.

Notas finais
Comentem aí o que acharam, e sejam carinhosos com o review nesse capítulo, sim? Me deem esse presente de aniversário *-*