Notas iniciais
Espero que gostem!
E queria avisar que depois do capítulo 10 vou demorar um tempo para postar, pois tenho que organizar as ideias e escrever, mas não deixem de acompanhar e comentar! =D

Jill's POV

Eu morava no Distrito 7. Eu não tinha pais; meu irmão mais velho, de vinte anos, cuidava de mim. Eu tinha quinze e já trabalhava como lenhadora para ajudar na casa. E agora estava na praça principal, no dia da colheita para os Jogos Vorazes, esperando. Esperando e esperando. Alguma coisa me dava a sensação de que eu seria escolhida mais cedo ou mais tarde.

Nunca se está completamente a salvo quando se tem o sobrenome de Johanna Mason.

Fazia mais ou menos duas semanas que cartazes e anúncios de televisão apareciam por aí com uma foto e os dizeres “Chace Morrison: procurado. Perigoso para a população”. A desculpa mais ridícula que a Capital poderia arranjar. Eu havia até rido quando vira pela primeira vez.

Noite passada, eu havia tido um sonho incomum. Um homem de cabelos loiros muito bonito e um sorriso que cegaria qualquer um apareceu. Ele usava uma roupa grega ao estilo antigo e uma coroa de louros. O rosto dele estava sério.

— Você precisa ajudar – ele dissera.

Tentei abrir a boca para perguntar várias coisas, como “Quem é você?”, “Ajudar em quê e quem?”. Mas como sempre acontece em sonhos, não produzi som algum.

— Você é importante, Jill Mason. Ajude.

Então eu acordei, pensando claro, vou ajudar sim, vou ajudar o que não tem nome. E voltei a dormir, mas tudo bem. Eu nem sabia se o sonho era real ou não. Aquele cara tinha jeito de ser um deus, mas eu nem mesmo era filha de um. Era humana — ou mortal, como alguns chamavam, mas eu achava isso meio insultivo.

A mulher da Capital, Catelyn, que escolhia os tributos subiu ao palco. Eu estranhei, pois esse ano não havia bolas de vidro com os papeizinhos com os nomes em lugar nenhum. Em vez disso, a mulher estava com uma prancheta nos braços. Foi até o microfone.

— Sejam todos bem-vindos! Antes de anunciar os nomes dos tributos, gostaria de avisar que algumas mudanças foram feitas. — Isso arrancou murmúrios agitados de todos. — Os tributos já foram escolhidos pelo próprio presidente – Catelyn disse sorridente.

Ninguém a acompanhou. Ela continuou:

— Não haverá mais semanas de treinamento, entrevistas ou desfile dos tributos na Capital. Amanhã mesmo já entrarão na Arena.

O povo começou a comentar, nervoso. Ordas de Pacificadores entraram no meio da multidão e dispararam tiros para o céu. O silêncio se instalou novamente.

— A colheita será mostrada no trem e até chegarmos à Capital, armas estarão disponíveis lá dentro para um rápido treinamento – disse Catelyn. — Agora vamos a eles. — Olhou a prancheta e disse no microfone o nome da primeira garota. O sobrenome dela me era familiar, mas não consegui reconhecer imediatamente. A garota subiu ao palco e ficou esperando. — Jill Mason!

Ah, droga. Quero dizer, iupieee! Fui escolhida para os Jogos Vorazes, que novidade. Agora vamos fingir que sou uma pessoa meiga e simpática que não quer enterrar um machado na cabeça de todo mundo.

Fui guiada até o palco por quatro Pacificadores e fiquei esperando junto à outra garota. Os dois garotos foram chamados. Os sobrenomes deles também não me eram estranhos, mas não tive muito mais tempo para pensar nisso. Catelyn nos fez apertar as mãos e depois fomos conduzidos até o Edifício da Justiça para as rápidas despedidas. Meu irmão me desejou boa sorte, e foi só.

Nós quatro fomos para o trem que levava à Capital. Comemos alguma coisa e depois fomos até uma sala para ver as colheitas. Alguma coisa estava errada. Primeiro: a colheita do Distrito 4 não foi mostrada. Segundo: eu entendi por que havia achado familiares os sobrenomes de quem foi escolhido no meu distrito e também por que eu fui escolhida. Todos os tributos desse ano eram descendentes dos rebeldes da última rebelião. Era óbvio que não era coincidência, ainda mais porque não houve sorteio. Principalmente do 12: Everdeen, Mellark, Hawthorne.

E tinha mais. Eu podia muito bem estar imaginando coisas absurdas, mas a Capital também estava fazendo coisas absurdas. Chace Morrison estava sendo procurado, e a colheita do 4 não foi mostrada. Que eu me lembrava, Finnick Odair era do 4 e um dos rebeldes. Não era possível que ninguém lá tivesse o nome Odair.

Cortando minha linha de pensamentos, Catelyn se levantou e avisou que era hora de irmos treinar. Fomos para uma sala maior, que eu não tinha ideia de como cabia dentro do trem. Devia ser bem menor do que o Centro de Treinamento normal. Um único especialista estava lá para ensinar da melhor forma tudo sobre abrigo, nós, fogueira e sobrevivência.

No outro canto, as armas estavam penduradas. Mesmo assim, resolvi começar com o instrutor, já que os outros três foram se amontoar imediatamente nelas. Nós já estávamos vestidos com calças, botas e casacos resistentes. No meio da tarde, fui para as armas.

Escolhi um machado, pois era a única que eu já sabia como usar e achei que seria mais fácil. No momento em que pus as mãos nele, uma sineta avisando que deveríamos dar um tempo e ir comer soou. Estava tão desligada que fui com o machado até a metade do caminho, atrás dos outros.

Eu parei. Percebi que não estávamos mais em movimento. Olhei pela primeira janela que encontrei e vi o trem parado para abastecer. Dei as costas e continuei andando pelo corredor, mas uma rajada de vento me parou novamente. A porta para fora estava aberta, escancarada. E não tinha ninguém em volta ou lá fora vigiando.

Meus pés formigaram. Minha mente acelerou a mais de cem quilômetros enquanto eu pensava. Não ficaríamos parados por muito tempo e o caminho não ficaria livre também. Aquela seria a única chance existente. A única chance que eu poderia ter de fugir. Se eu fizesse isso, a Capital ficaria mais nervosa do que nunca, mas eu precisava. Minha sorte tinha resolvido atacar agora, então eu não tinha culpa.

Dei um passo à frente e olhei mais uma vez lá fora. Pelo que se podia ver, ao longe, estávamos quase na Capital. Vamos, Jill, essa é uma oportunidade única. Ouvi passos dentro de uma sala no corredor e meu coração disparou. Mais um segundo e você não tem mais como ir embora. Livre-se disso. Eu me sentia uma louca pensando comigo mesma desse jeito.

Ah, Deus, rezei. Isso não vai acabar bem.

Ainda com o machado em mãos, respirei fundo e pulei do vagão. Não era ali que estavam abastecendo e eu agradeci silenciosamente por isso. Sem esperar mais, saí correndo pela estrada de terra batida o mais rápido que consegui. Ouvi um homem gritando algo atrás de mim. Isso não me fez parar.

Entrei no meio do mato ainda correndo e arfando pelo esforço. Não escutei passos ou nada mais, mas mesmo assim continuei.

Então eu sorri. Estava livre, pelo menos por um tempo.

Notas finais
O que acharam da Jill e do capítulo? Comentem aí, vou ficar esperando *-*