Only One Survivor

22 Capítulo 21


Notas iniciais
Faltam só mais três capítulos pra acabar a fic =/
Não se esqueçam de comentar o que acharam depois, certo? Por favor =D
Espero que gostem e boa leitura ♥

Chace’s POV



Meu próprio grito ecoava em meus ouvidos. Eu sentia que meus pulmões iriam explodir de tanto berrar, mas não conseguia parar. Eu me debatia involuntariamente na cadeira a que estava preso com correntes.

Quando me controlei parcialmente, encontrei o rosto do presidente me encarando com um sorriso. Respirei pesadamente, tremendo.

- Entendeu agora o que fazemos com quem não respeita as regras? – Henry perguntou. O rosto dele se fechou. – Você vai ficar aqui até implorar para morrer ou simplesmente não aguentar mais.

O veneno que eles tinham usado me atacou de novo e eu cerrei os dentes antes de soltar um grito abafado.

Eu estava cheio de cortes e sangue pelo corpo. Só respirar requeria um esforço enorme. O veneno que havia nas facas e na seringa me causava alucinações e relembrava imagens das piores coisas que eu já vivenciara. Era como se todos os meus pesadelos tivessem se tornado realidade. Fui eletrocutado, mas a uma voltagem bem menor do que a que usaram em Allan. Por isso, minha roupa estava com buracos queimados.

Minha mente e meus pensamentos se embaralhavam cada vez mais. Meus olhos giraram nas órbitas e eu pensei que ficaria louco. Meu coração estava acelerado demais. Minha respiração falhava e o ar parecia se solidificar antes de chegar aos pulmões. Eu estava rouco de tanto gritar e a garganta ardia.

Mentalmente, eu estava fazendo exatamente o que Henry queria que eu fizesse: implorando para ele me matar logo e acabar com isso. Só que eu nunca diria essas palavras. Seria humilhação demais, mais até do que a que eu já sentia no momento, preso a uma cadeira, inútil e sendo torturado.

Escutei a porta atrás de mim se abrindo e os passos de alguém entrando rapidamente.

- Senhor – disse um homem, provavelmente um Pacificador. – Aconteceu alguma coisa no subterrâneo. Pode me acompanhar?

- Claro. Mande alguém vir até aqui e continuar o trabalho.

- Como quiser.

Henry lançou um último olhar a mim e foi com o Pacificador para fora da sala.

Eu não me mexi imediatamente. Meu corpo parecia muito pesado para realizar qualquer movimento. Mas depois de alguns segundos, ergui a cabeça. Olhei ao redor com a visão girando para ver se havia algo que eu pudesse alcançar para sair dali rapidamente antes que o outro Pacificador chegasse.

Mas não havia nada. Não podia me mexer sequer um centímetro para chegar até uma das facas nas mesas ou qualquer outra coisa. Tentei forçar as correntes e senti uma fisgada de dor nos braços cortados. O sangue voltou a escorrer e eu fechei os olhos para ver se conseguia me fazer não sentir mais aquilo.

Então ouvi o barulho da porta se abrindo e fechando a segunda vez e os passos de outro Pacificador se aproximando. Abri os olhos e o vi na minha frente me encarando por breves segundos. O rosto dele estava coberto por um capacete, então eu não podia ver com clareza, mas ele dava impressão de estar horrorizado. Percebi que ele também era um pouco mais baixo do que a maioria dos Pacificadores.

Ele foi até uma das mesas e pegou um alicate capaz de cortas as correntes que me prendiam.

E foi o que ele fez.

Cortou as correntes e as jogou no chão para que eu ficasse livre.

Olhei atônito e perplexo para ele por um momento, boquiaberto. Aquilo era mesmo real? Ou só outra alucinação? Não podia ser verdade, era impossível.

Mas então o Pacificador tirou o capacete e revelou um garoto de catorze anos com olhos verdes e cabelos bronze arrepiados.

- Vamos – disse Sam.

- O... o-o que... – eu gaguejei.

- Temos que sair daqui, Chace. Libertei os deuses – ele explicou. – Mas a profecia ainda não acabou. Temos que sair daqui logo antes que voltem.

Eu me levantei devagar e cambaleando. Sam viu meu estado e passou meu braço por seu ombro para me ajudar. Olhei de relance seu rosto e achei que alguma coisa estava errada. Ele parecia tentar evitar me olhar nos olhos e a expressão dele dizia que estava horrorizado com o que fizeram a mim, mas tinha algo mais. Como se ele estivesse se esforçando para não chorar.

Porém, antes que eu dissesse alguma coisa, ele perguntou:

- O que fizeram com você?

- Não é óbvio? – falei, estranhando o comportamento dele.

Sam sorriu amargamente de lado.

- Certo, foi mal.

Andamos até a porta de madeira. Alguns passos antes de chegar lá, meus joelhos fraquejaram e eu caí. Sam só me encarou, como quem pensa que é o fim. Talvez fosse.

- Não dá, Sam – eu murmurei. – Desculpe. Você vai ter que continuar sem mim.

As feições dele se contraíram com o que parecia dor e ele se lembrasse de algo recente.

- Eu não vou deixar você também – ele afirmou. – Vamos sair daqui juntos.

Também.

Diana.

Eu ainda não havia perguntado nada dela porque achei que ela estava lá fora, talvez vigiando a porta ou algo do tipo.

- Cadê a Diana? – perguntei quase sem voz para pronunciar as palavras, ainda caído de joelhos.

Sam abaixou o olhar e o canto de sua boca tremeu.

- Desculpa, Chace, não foi culpa minha.

Isso me atingiu como um soco e eu fiquei sem ar. Senti como se estivesse caindo em um buraco que não tinha fim e meus olhos ficaram molhados.

- Você a deixou?

- Ela me obrigou – Sam se explicou. – Só um de nós podia passar e ela me obrigou a ir. Eu não tive escolha. Ela pediu para dizer a você que sentia muito.

Eu não acreditei. Eu tinha mesmo perdido Diana de novo, como havia temido desde que ouvira a profecia pela primeira vez. Quis chorar, mas não tinha mais força nem para isso. Como se fosse controlado, o veneno fez efeito e eu lembrei-me da primeira vez que eu a havia visto morrer. Por trás disso, as palavras de Hestia também voltaram, mais especificamente na parte em que ela dissera que acontecesse o que acontecesse todos nós devíamos continuar com a missão.

Respirei fundo e encarei Sam.

- Vamos acabar com isso de uma vez – eu disse.

O brilho nos olhos de Sam se reavivou e ele me ajudou a levantar novamente para sairmos da sala.

Notas finais
O que acharam? Posto o próximo na quarta, provavelmente.
Comentem, mesmo que seja uma crítica ou elogio =D e recomendem também se acharem que eu mereço kkkkk *-*