Only One Survivor
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Espero que gostem, e já vão escolhendo seus personagens preferidos pois mais para frente vou perguntar uma coisa e quero que todos respondam ;)
Chace's POV
Minha mente demorou um segundo para entender o que Sam havia dito e ligar os pontos. Finnick Odair. Pelo que eu sabia, ele fora um dos rebeldes contra a Capital na rebelião de cento e cinquenta anos atrás, mais conhecida como Rebelião do Tordo, de Katniss Everdeen. Não poderia haver tantos sobrenomes Odair por aí de famílias diferentes.
– É descendente de Finnick Odair? — perguntei estupidamente.
– Exato – Sam disse.
– Certo, entendo que você possa ser conhecido para a Capital – eu disse. — Mas por que isso significaria que você vá ser escolhido para os Jogos?
– Como uma lição ou aviso. Me surpreende que não tenham feito isso na Primeira Edição.
– E como tem certeza disso? — eu perguntei. Sam abriu a boca para responder, mas antes que o fizesse eu interrompi: — Já sei: deuses.
– Está começando a entender as coisas – Sam disse, brincando, e eu confirmei minhas suspeitas de que ele era mesmo um amigo legal. Então ele voltou com a expressão séria de quando nos encontramos. — O que acha? Está comigo ou não?
– Sam, isso não vai dar certo – eu disse. — Mesmo que conseguíssemos, não sei, sair do Distrito. Nós não sabemos o que aconteceu com os deuses, onde eles estão, e mesmo que soubéssemos, o que faríamos? Nós dois sozinhos contra a Capital? Estaríamos mortos no segundo passo.
– Eu já disse que posso pensar em alguma coisa – Sam ressaltou, sem perder as esperanças. — E também há o oráculo. Os heróis o procuravam antigamente para missões. Se o acharmos, ele pode nos dizer o que fazer.
– Como começar uma nova rebelião? — eu perguntei, sarcasticamente.
– Se for preciso – Sam levou a sério.
– Isso é loucura, Sam. Você não está pensando direito.
– Estou pensando perfeitamente bem! Qual é, Chace! Há milhares de outras pessoas que devem pensar igual a mim. Gente passando fome enquanto outras da Capital desperdiçam comida e têm de sobra. Crianças tendo que lutar até a morte em frente a câmeras de televisão enquanto alguns que assistem riem e fazem apostas. Isso sim é loucura.
Sam continuou.
– Katniss Everdeen estava certa, Finnick Odair, Peeta Mellark, Gale Hawthorne estavam certos. Eles acabaram com os Jogos Vorazes e desestruturaram a Capital por um motivo e tudo isso não deveria estar se repetindo. Deu certo duas vezes, dessa vez pode dar também.
– Deu certo por um tempo e então agora está tudo de volta! — eu rebati. Não havia sentido em repetir mais uma vez os erros dos outros. — Você não vê que não importa o que a gente faça, tudo vai voltar de alguma forma. Muito mais pessoas vão morrer se acontecer outra rebelião, especialmente agora.
– Não! — Sam contestou, é claro. — É agora que pode dar certo de uma vez por todas. Metade dos distritos têm a maioria composta por metade deus, e nós podemos ter a ajuda dos próprios deuses se tentarmos, se nos esforçarmos!
– Eles não podem interferir nas nossas vidas, mesmo se quisessem. Você está imaginando coisas muito além do real, do que realmente pode acontecer se nos rebelarmos mais uma vez do que seria normal para alguém que supostamente é inteligente.
– Porque há soluções para tudo! — exclamou Sam. — Nós podemos conseguir mais gente e um lugar, se as pessoas perderem o medo de lutar.
– Elas têm medo por um motivo, que não é pouca coisa – eu disse. — Pense em quanto mais gente iria morrer do que o normal.
– Normal? No mínimo quarenta e sete crianças por ano, sem contar as mortes que a televisão não transmite nos distritos por fome e pelas mãos de Pacificadores. Poderíamos acabar com tudo isso.
– Não, não poderíamos. Não existe nenhum “nós” no meio do que você pensa. Para começo de conversa, não deveria ter me procurado. Eu não quero ter nada a ver com isso, Sam. Sinto muito.
Eu me levantei e virei de costas. Mas o que Sam disse a seguir me parou e congelou o sangue.
– Aposto que Diana Owen gostaria que fizesse isso. Lembra dela, não é? Foi por causa da Capital que ela morreu, e você não quer fazer nada para que o mesmo não aconteça com pessoas como ela.
Dei a volta na mesa tão rapidamente que Sam não teve tempo de reagir. Devo ter esbarrado em uma cadeira, pois algo caiu no chão com barulho e mais uma vez as pessoas no recinto nos encararam.
– Nunca mais toque no nome dela, entendeu? — eu rosnei. Empurrei Sam contra a parede com o braço em seu pescoço, reunindo o que restava de minha consciência prejudicada para não enforcá-lo. — Ninguém fala dela, nunca. Entrar no meio de uma guerra e matar mais de metade do país não vai trazê-la de volta.
– Poderia vingá-la – Sam insistiu mais no assunto, mesmo com meu aviso.
– Não. — Eu o soltei. Um garçom havia se aproximado o suficiente para ver se alguém estava sendo assassinado, mas a uma distância segura. — Eu não quero e não vou lutar, Sam. Chega disso.
Dei meia volta e fui para a porta da cafeteria. Quando estava com a mão na maçaneta, Sam falou uma última coisa, sem ligar se ouviriam ou não:
– Eu o procurei porque sei que as pessoas o apoiariam.
Saí e fechei a porta. O sol estava alto, o que indicava que minha conversa com Sam demorara mais do que eu pensara. As palavras dele ficaram reverberando em minha cabeça o caminho todo de volta a minha casa na Aldeia dos Vitoriosos. Eu não podia negar que a maioria das coisas que ele falara era verdade. Tudo isso mais uma vez poderia acabar, mas as chances eram remotas, principalmente sem a ajuda dos deuses. Poseidon já me ajudara aquela única vez na Arena, é claro, mas não acho que o faria de novo.
Sam me procurar porque sabia que as pessoas me apoiariam. Parecia a vida de outra pessoa, não a minha. Talvez fosse verdade, talvez não. Eu não queria descobrir. Não se isso significasse que eu teria que entrar em outra guerra e lutar melhor do que antes.
Cheguei em casa, mas parei na porta. Estava tudo silencioso demais. Meu coração disparou ao abrir a porta e ter a pior visão da minha vida.
Minha mãe estava estirada no chão, os braços abertos acima da cabeça. Não havia sinal de respiração.
Fale com o autor