Only One Survivor
14 Capítulo 13
Notas iniciais
E só pra avisar que os dias não estão passando certinhos, então não é um seguido do outro.
Boa leitura! :D
Jill’s POV
Estávamos em marcha novamente. Pelas minhas contas, eu não tomava banho ou dormia direito por mais ou menos cinco ou seis dias. Eu sentia a lama por dentro das botas e imaginei que daqui a pouco estaria criando fungos nos meus pés. Minhas pernas não paravam de doer e eu respirava com dificuldade pelo cansaço. Minha mão estava criando bolhas de segurar o machado o tempo todo, já que não tinha lugar para amarrá-lo e não cabia em nenhuma mochila.
Eu ainda não entendia muito bem como todos os deuses do Olimpo haviam sido capturados. Na minha mente, eles eram poderosos demais para isso, podiam fazer qualquer coisa. Mas se o oráculo disse o contrário, eu iria esperar por uma resposta quando isso acabasse. O que me lembrava de que eu talvez não chegasse ao final disso.
No fundo, eu não me importava tanto. Eu tinha entrado no meio daquilo por vontade própria, e tive a opção de voltar.
Sam, na frente como sempre, parou, e eu quase trombei nele.
— Chegamos – anunciou.
Olhei para frente. Ainda não era totalmente possível ver o que estava ali por estarmos no meio do mato e à noite, mas depois de um tempo com os olhos semicerrados para conseguir ter uma visão melhor, eu entendi.
Os trilhos do trem passavam onde a mata terminava na parte de terra. Mais à frente, havia um tipo de barranco de terra com um buraco enorme no meio. Pelo menos vinte Pacificadores formavam uma linha de defesa na entrada, armados e atentos. Atrás deles, dava para ver uma rua começar e várias casas ao longo dela.
Chegamos à Capital.
Não achava que seria tão simples assim a entrada, então pensei que estávamos em outra, mais escondida. Bem, devia ser simples, mas agora estava cheia de vigilância. Eu não tinha ideia de como iríamos passar.
Demos alguns passos atrás para resolver esse problema e não corrermos o risco de sermos ouvidos.
— Como vamos entrar? – perguntou Allan.
— Você não pode usar o charme? – sugeriu Chace à Diana.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Não é permanente – respondeu. – Eles vão nos ver e quando o efeito passar eles vão vir atrás de nós.
— Que tal água? – disse Sam.
— Só tem encanamentos aqui perto, não iria adiantar muita coisa – Chace respondeu. – E não tenho força suficiente para trazer água da usina, muito menos do mar.
— Podemos matá-los – eu disse, já sabendo que não daria certo.
— Há quatro deles para cada um de nós e eles têm armas de fogo – disse Sam.
Ficamos em silêncio por uns segundos, pensando em outra alternativa. Era impossível entrar por cima. Eu não via como cavar um túnel por toda a cidade sem sermos descobertos e nem tínhamos equipamentos para fazer isso. Dar a volta não adiantaria. Só perderíamos tempo porque as outras entradas provavelmente também estariam cheias de Pacificadores.
Então uma ideia me veio à cabeça. Era a única coisa que poderia ser útil, e isso me atingiu como um soco no estômago. Também era loucura, claro. Mas me lembrei das palavras de Hestia, dizendo que cada um de nós saberia o que tinha que fazer quando precisasse. E eu sabia.
— Eu sei como podemos entrar.
Os quatro me encararam. Eu expliquei a eles o que tinha em mente e é claro que começaram a contestar imediatamente. Eu os cortei.
— Vocês sabem que só um de nós vai sobreviver – eu disse. – E com certeza não serei eu. Eu não tenho mais nada a fazer. – Olhei para cada um enquanto numerava as coisas. – Chace é o símbolo disso tudo, tem que ir até o fim. Allan é descendente do antigo símbolo e as pessoas vão apoiá-lo. Diana e Sam têm que desarmar a tal bomba da profecia.
Eles só me olharam, mas não havia pena no olhar de ninguém, e agradeci por isso.
— Posso fazer isso – completei.
— Sei que pode – disse Sam. Os olhos verdes lindos dele brilhavam.
Eu não sabia mais o que fazer, então me despedi de todos. Abracei Diana, e ela me desejou boa sorte. Apertei a mão de Allan. Foi meio estranho, mas era melhor que nada. Quando fui falar com Chace, ele falou primeiro.
— Obrigado por fazer isso por todos nós. E me desculpe se pareceu que eu não queria você no grupo.
— Não se preocupe. Eu entendo – respondi, sorrindo. Estranhamente, o que ele disse quase me fez chorar. Que coisa idiota.
Fui até Sam. Eu planejava apertar a mão dele como fiz com Allan, mas ele me puxou em um abraço que eu não esperava. De qualquer forma, eu gostei e retribui. Ele tinha um cheiro forte de madeira, mas não sei se era intencional ou porque dormíamos muito em árvores.
— Adeus, Jill – murmurou ele ainda me abraçando. Eu me afastei.
— Adeus, Sam.
Sam beijou minha bochecha delicadamente. Senti meu rosto queimar e vi o dele ficar vermelho logo depois. Mais uma vez, senti vontade de chorar; gostava de Sam. Eu me segurei.
— Boa sorte – falei para todos. – É melhor conseguirem ou eu vou espancar todo mundo no Mundo Inferior quando nos encontrarmos.
Eu dei as costas a eles e andei alguns metros para o lado. Fui até o limite das árvores e olhei os Pacificadores na linha perfeita impedindo a entrada na Capital. O plano era bem simples: eu os distrairia, dando tempo para Chace, Sam, Diana e Allan passarem. Eles não os veriam e não iriam atrás deles. Entretanto, era óbvio que me matariam.
Puxei o braço do machado para trás para pegar impulso. Eles ainda não tinham me visto pela escuridão, mas logo veriam. Mirei no peito de um como se fosse só mais uma das árvores que eu estava cortando no Distrito 7. Nada de medo, Jill Mason, eu disse a mim mesma.
Lancei o machado, e ele foi se alojar certeiramente no coração do Pacificador no meio da passagem. Ele tombou no chão com um barulho e os outros se assustaram, olhando ao redor. Dei um passo à frente e berrei:
— Estavam me procurando? Duvido que consigam me pegar.
Mentira, eu não duvido nem um pouco.
Não esperei por uma resposta ou qualquer outra coisa. Agora eu estava bem visível e sabia que todos me viam. Dei as costas e saí desembalada de volta à floresta.
Eu não imaginei que conseguiria correr mais rápido do que no dia em que fugi do trem que me levava para os Jogos. Eu estava errada, graças aos deuses.
Não percebi se tropecei ou não, só tinha consciência de que tinha que sair o mais rápido que podia de longe dos Pacificadores e quem sabe eu sobrevivesse mais um pouco. Sentia o vento batendo contra meu rosto como se fosse estilhaço de vidro.
Ouvi passos atrás de mim, vários. Mesmo que nem todos estivessem atrás de mim agora, Diana, Chace, Sam e Allan dariam conta dos poucos que deviam ter ficado.
Senti uma queimação no ombro. Gritei, mais de susto do que de dor. Ouvi outro disparo e quase caí de joelhos pela dor na coxa direita. Outro estrondo e eu fiquei sem ar. Inclinei involuntariamente quando senti a bala raspar nas costas. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu soltei um arquejo.
Escutei outros tiros, mas nenhum desses me acertou. É difícil mirar totalmente bem em alta velocidade.
Eu precisava continuar o máximo que conseguia. Ainda não estava longe o bastante. Eu tinha que fazer isso.
Respirei fundo, mesmo com a dor, aprumei o corpo e corri. Corri até tudo ficar preto.
A última coisa que me lembro de ouvir foi uma voz abafada e longe gritando com outra que eu ainda estava participando dos Jogos Vorazes e mais o resto da frase que não entendi.
Eu não tinha ideia do que aquilo poderia significar. Fechei os olhos e respirei uma última vez.
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