Only One Survivor
2 Capítulo 1
Notas iniciais
E feliz Natal pra todos vocês, muitas felicidades *-*
Chace's POV
Faltavam duas semanas para a colheita da Segunda Edição dos Jogos Vorazes.
Eu estava na minha nova casa que dividia com minha mãe na Aldeia dos Vitoriosos, numa parte afastada e muito rica do Distrito 4. A única coisa que eu fazia atualmente era ir à escola, onde era mais observado do que nunca.
As coisas andavam normais, se é que pode-se dizer isso. Quer dizer, além do número de Pacificadores ter quadruplicado, eu ser vigiado pela Capital quase a todo minuto e ter minha casa grampeada, tudo estava como sempre fora. É claro que a Capital não mandou alguém chegar em mim e dizer “Ei, você está sendo vigiado porque acham que você é perigoso”, mas eu sabia.
Eu não tinha falado com muita gente desde os Jogos passados. Pelo menos não de verdade. Eu escutava, respondia e depois me deixava esquecer. Era o que eu tentava fazer com os flashes de lembranças da Arena. Desde que eu voltara, não vira as mães de Noah e Claire nem o pai ou irmãos mais velhos de Diana. E nem queria.
Eu andava tendo sonhos estranhos, como se alguém, ou vários alguéns – se é que essa palavra existe – tentassem me passar alguma mensagem. Mas meu cérebro estava muito confuso e eu não entendia ou lembrava metade do que ouvia. Resolvia deixar para lá.
A pior parte eram os pesadelos. Eram imagens confusas como todo o resto, mas bem vívidos. Eu acordara gritando diversas vezes, até que minha mãe ia me procurar para ver se eu não estava sendo morto ou algo assim, como se eu fosse uma criancinha assustada.
Desci as escadas e encontrei minha mãe pondo a mesa do café. Eu sempre abria um sorriso quando a via, talvez porque eu sentisse que alguém realmente estava comigo. Dei um beijo em sua testa e falei bom dia. Ela era mais baixa que eu e ficou na ponta dos pés para retribuir o beijo.
Depois que terminamos de comer e eu coloquei uma roupa normal, fui para a porta da frente e avisei:
- Vou sair, mãe. Volto à tarde.
- Cuide-se, filho – ela respondeu, como sempre.
Fechei a porta. Eu não sabia exatamente onde estava indo, só queria sair um pouco. Era fim de semana, então sem aulas. Ouvi uma pessoa falando comigo. Imaginei ser um cumprimento e respondi automaticamente:
- Bom dia.
Senti um puxão no ombro e me virei.
- Desculpe. Chace Morrison, certo?
Ah, alguém respeitava privacidade antes de cair em cima, afinal.
- Certo.
Um garoto estava parado a minha frente. Não parecia ter mais de catorze anos pelas feições, mas era alto, quase da minha altura. Tinha cabelos cor de bronze e olhos verdes brilhantes.
- E você é...? — não precisei terminar a frase.
- Meu nome é Sam – o garoto se apresentou. Esticou a mão e eu a apertei.
- Posso ajudar? — perguntei, confuso por ele estar falando comigo. Eu nunca o tinha visto na vida, não que eu me recordasse.
- Na verdade, pode – Sam confirmou, olhando por cima de meus ombros como se checasse se ninguém nos estava observando.
- Algo errado? — questionei.
- O assunto é meio particular. Se importa de vir comigo?
- Não. — Franzi o cenho.
Sam seguiu por uma direção e eu fui atrás. Passamos por um beco e entramos em um lugar parecido com uma cafeteria. Imaginei o que aquele garoto poderia querer comigo, mas não falei nada. Pessoas eram estranhas, principalmente agora. Nos sentamos numa mesa afastada no canto e Sam dispensou a garçonete. Olhei ao redor. Graças aos deuses, pela primeira vez não havia nenhum Pacificador atrás de mim.
- Olhe, Chace, para começar eu sou filho de Atena, ok? — Sam falou. Ele parecia agitado, coisa de semideus. Sam tinha aparência de ser uma pessoa legal para se ser amigo.
- Ok – eu respondi.
- Então, indo direto ao ponto: os deuses precisam de ajuda – disse Sam.
- Como assim?
- Eu não sei. Mas eu tive sonhos, e eles pediam ajuda. Algo sobre libertá-los e acabar com... a Capital – Sam olhou para baixo ao dizer isso.
- E por que veio contar isso a mim? — perguntei, sem querer ser grosso, mas sinceramente não queria mais nada com a Capital. Mas a parte do sonho com os deuses me chamou atenção. Então era isso que aquelas vozes eram.
- Cara, você ganhou os Jogos Vorazes, o primeiro deles em cento e cinquenta anos – disse Sam como se fosse óbvio. — E, sem ofensas e tal, mas você os desafiou. Era estritamente proibido para semideuses usar os poderes na Arena e você os usou mais de uma vez.
- Você não estava lá – eu disse, ficando com raiva. Acontecia facilmente agora, eu perder a cabeça por quase nada. — Como eles poderiam nos proibir? Iriam proibir você de pensar? Não deixar um filho de Ares lutar? Eu sou filho de Poseidon e a Arena era uma ilha, sem contar a Cornucópia no meio do mar!
Quando terminei de falar, percebi que gritei a última frase. As poucas pessoas que estavam na cafeteria me encaravam; não me dei o trabalho de pensar se era de medo ou sei lá o quê.
- Chace, eu não quero te forçar a nada nem brigar com você – disse Sam, tentando me acalmar. Imediatamente, me senti mal por ter falado desse jeito. — Eu vim passar a mensagem e pedir para ajudar. Não consegui pensar em ninguém melhor; achei que você era uma das pessoas mais poderosas do Distrito.
Eu suspirei.
- Nós não temos como ajudar, Sam. Não temos chance alguma contra a Capital. Não temos nem como sair daqui do 4, não comigo sendo vigiado praticamente a cada segundo do dia.
- Podíamos dar um jeito – insistiu Sam. — Eu posso pensar em alguma coisa. Ainda podemos salvar muitas crianças.
Eu comecei a admirá-lo por pensar desse jeito.
- E tem mais uma coisa – continuou. — Eu também queria fazer algo porque... não queria ser escolhido para os Jogos desse ano. Sei que parece covardia, mas todos te veem por aí e o quanto isso te mudou.
Isso não me abalou. Eu sabia mesmo que estava diferente do que costumava ser, apesar de ainda estar cheio de gente me amando ao meu redor.
- Como sabe de tudo isso? — perguntei.
Sam deu uma risada seca. Eu não tinha a mínima ideia do por quê, mas eu confiava nele; se não confiasse, já teria ido embora. Talvez fosse porque ele também era um semideus e parecia sincero no que dizia.
- Eu sou filho de Atena, dá para adivinhar algumas coisas, além do aviso dos deuses. E por outro motivo.
- Qual?
- Eu não te disse meu nome completo, disse? — perguntou.
- Não.
- É Samwell Odair. Já ouviu falar de um tal Finnick Odair? Um cara bem antigo.
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