Notas iniciais
Espero que gostem!

Diana's POV

Dormimos demais. Acordamos pouco antes de o sol nascer no dia seguinte. Tomamos um café da manhã apressado do melhor jeito que podíamos, que incluía um pacote de biscoitos e mais água.

Descemos da árvore e esperamos para ver se as dracaena tinham realmente ido embora por um tempo. Sam foi na frente, nos guiando pelo distrito. Caminhamos em silêncio por uns vinte minutos antes de ouvirmos alguma coisa. Eu já estava pensando que era outro monstro ou Pacificadores para atrapalhar de novo. Felizmente, eu estava errada.

Uma garota surgiu no meio das árvores, arfando. Estava em péssimas condições. Os cabelos loiros estavam embaraçados e cheios de lama. Ela parecia não tomar banho havia alguns dias por causa das roupas rasgadas e amassadas. Segurava um machado em uma das mãos enquanto a outra apoiava em uma árvore. Ela olhou para nós e eu pude ver a surpresa e o medo em seus olhos castanhos.

— Por favor, não me machuquem – ela pediu, tentando recuperar o fôlego.

— Quem é você? — perguntou Chace.

A garota arregalou os olhos ao olhar para ele.

— Meu nome é Jill. Você... você é Chace Morrison – ela disse, sem acreditar. Então ela me viu e pareceu que ia desmaiar e começou a gaguejar: — Como...? Você... morreu.

— É uma... longa história – eu disse. Tirei uma garrafa de água do bolso e fui até Jill. Entreguei a garrafa a ela, que aceitou agradecida, mas ainda com medo. — O que aconteceu com você?

Jill terminou de beber toda a água para responder. Chace e Sam se aproximaram, segurando as armas.

— Eu fugi – disse Jill. — Fui escolhida para os Jogos, mas o trem parou antes de chegar à Capital e eu saí correndo. Dei sorte. Está tudo uma loucura por lá.

— Espere – disse Sam. — Qual é o seu nome completo?

— Jill Mason. É exatamente o que você está pensando. Escolheram todos que eram descendentes de alguém que lutou ao lado de Katniss no passado.

Sam olhou para Chace.

— Eu te disse.

Chace revirou os olhos.

— O que mais aconteceu, Jill?

— Bom, cancelaram o treinamento. Significa que os Jogos começaram ontem, acho. E não mostraram a colheita do Distrito 4. Falando nisso. — Jill nos analisou. Ela conhecia a mim e Chace dos Jogos passados, então encarou Sam. — Aposto que seu sobrenome é Odair.

— Na mosca – confirmou Sam. — Eles devem ter chamado meu nome e eu não estava lá.

— Então temos dois procurados entre nós – disse Chace. — Sabe qual foi a desculpa dessa vez? — perguntou a Jill.

— Não sei nada sobre Sam. Mas estão espalhando que você é perigoso para a “nação” e até ofereceram uma recompensa.

— Era só o que me faltava.

— Precisamos nos apressar – eu disse.

— Apressar para quê? — perguntou Jill.

Nós hesitamos. Jill não parecia capaz de fazer mal a nenhum de nós nem tinha aparência de ser má. Mas quanto menos pessoas soubessem o que planejávamos agora melhor. Poderia ser perigoso. Não só para nós, mas para ela também.

Sam, Chace e eu nos entreolhamos.

— Ela pode ajudar – argumentou Sam.

— Ou nos entregar e nos matar – retrucou Chace.

— Você mesmo disse que precisávamos de mais pessoas nisso – eu disse. — Não temos muito mais o que fazer.

O olhar de Jill alternava entre nós três. Ela continuou calada. Chace suspirou exasperado, mas acabou concordando. Sam contou a Jill sobre o que pretendíamos fazer e ela ouviu com atenção. Quando terminou, ficou esperando uma resposta de Jill.

— Se não quiser vir com a gente tudo bem – eu acrescentei, ansiosa pelo silêncio dela. — Mas não pode contar sobre isso.

Jill olhou para Chace, que não olhava para nenhum de nós diretamente.

— Estou com vocês – disse ela por fim. — Não vou ficar fugindo enquanto tentam me matar. Quero fazer alguma coisa útil.

Sam e eu abrimos um sorriso.

— Bem-vinda ao grupo – Sam disse.

— Ótimo – disse Chace, o que pareceu mais um resmungo. — Agora somos três procurados pela Capital.

— Eu não vou trair vocês – garantiu Jill a ele. — Podem confiar em mim.

— Nós confiamos – eu assegurei, antes que Chace dissesse mais alguma coisa. — Vamos, temos que continuar.

— Certo – disse Jill pegando seu machado. — No caminho você pode me explicar melhor essa história e como voltou dos mortos.

Eu comecei a contar. Chace olhou para Jill com raiva, como se não quisesse ela ali, e era óbvio que não queria. Nós duas ignoramos. Sam foi na frente seguindo o mapa; Jill e eu em seguida, conversando; e Chace na retaguarda.

Jill me contou de seu sonho na noite antes da colheita. A descrição do homem batia com uma imagem que eu já havia visto de Apolo. Era difícil dizer; deuses podem assumir a forma que desejarem. De qualquer modo, a mensagem que ele havia passado a Jill era parecida com o que Afrodite me dissera. Do que Sam e Chace haviam me contado, os dois também ouviram coisas parecidas.

Não era comum um deus pedir ajuda a um mortal. Imaginei que as coisas deveriam estar bem ruins para eles se chegaram a esse ponto.

Eu contei a Jill sobre como eu voltara do Mundo Inferior e ela ficou admirada. Fiquei agradecida por ela ter perdido o medo de ficar perto de mim, como se eu fosse arrancar o pescoço dela a qualquer minuto. Depois contei a ela sobre o oráculo de Delfos, que supostamente nos daria uma profecia dizendo o que fazer. Isso se o encontrássemos antes que a Capital nos encontrasse.

Caminhamos até anoitecer. Nossos pés e barrigas começaram a doer e tivemos que parar.

— Tem certeza de que estamos no caminho certo, Sam? — eu perguntei, cansada.

— Sim, tenho certeza – respondeu Sam. Investigou mais o mapa detalhado de Panem. — Tem alguma coisa errada...

— Talvez seu senso de direção – sugeriu Chace. Sam o ignorou.

— O oráculo vai estar nos arredores da Capital. — Sam suspirou. — Acho que vamos demorar para o acharmos, principalmente nesse ritmo.

— Você acha? — disse Chace ironicamente.

— Quieto – eu disse.

— O quê? — perguntou Chace confuso, como se não acreditasse que eu o mandara ficar calado.

— Shhh! – eu fiz. — Todos fiquem quietos.

Eu tinha ouvido alguma coisa. Dava impressão de ser uma voz sussurrando, mas era complicado saber. Estava abafado. Porém, mais ou menos duzentos metros a nossa frente havia um clarão laranja, que reconheci como sendo fogo.

Chace, Sam e Jill me encaravam. Eu apontei.

— Olhem aquilo.

Eles seguiram meu olhar.

— Quem é idiota o bastante para acender uma fogueira à noite? — disse Chace com descrença.

— Nenhuma pessoa em sã consciência – sussurrou Jill.

Algo cutucou minha mente.

— É, você tem razão. Nenhuma pessoa – eu concordei. Nas redondezas da Capital, com os Jogos Vorazes acontecendo, gente sendo procurada e Pacificadores a cada dez metros, quem seria capaz de acender uma fogueira à noite? Não era natural. Qualquer um poderia pensar nisso.

— Vamos ver o que é – disse Sam por mim.

Concordamos com um aceno de cabeça e pegamos as armas.

Notas finais
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