Estoí

Estava numa carrinha preta, nesse momento entrou na auto-estrada e acelarou até ao ponto que parecia que tudo á minha volta estava a voar.

No parecia um minuto estava em Estoí.

Saí da carrinha cercado pelo o que parecia uns soldados vindos do futuro e ao mesmo tempo de um livro de ficção, as mulheres vestidas de cabedal preto, corpetes ou até "bodys" de latéx ou um material parecido, por instantes pensei que aquilo parecia um culto sadomasoquista.

Os jardins iluminados do palacete, faziam-me sentir como se aquela noite fosse mudar toda a minha vida.

Entrámos no salão em que estiveram as estátuas, mas agora remodelado, no centro uma mesa redonda, onde estavão sentadas, Freyja, Isthar e Isís. Ao lado delas três lugares permaneciam vazios e do meu lado, seis lugares também estavam vazios.

Eu fui sentado num dos pólos da mesa de frente de uma cadeira vazia onde as "supostas" deusas se encontravam. Mais soldados entravam e com eles mais pessoas.

Eu reparei logo na primeira, com uma pele lisa e bastante morena, notava-se nela uma ascêndencia africana e quando olhei para Isís, lotei que era a rapariga era idêntica a Isís, talvez a sua filha, ela deveria de estar nos seus vinte um anos. Havia uma pessoa que anunciava quem entrava.

" - Lady Thema, da Casa Isís."

Um dos mordomos indicava o lugar em que ela se deveria sentar.

" - Lady Ingride, da Casa Freyja".

Ingride, uma beldade nórdica, de cabelos loiros, olhos cinzentos, e era sua aparência era tão igual a Freyja que elas pareciam irmãs gémeas, deveria ter os seus vinte e dois anos.

" — Lady Ava, da Casa Isthar".

Ava tinha todo um ar poderoso, longos cabelos pretos, uma pele avermelhada, uns olhos castanhos claros mas no entanto apenas possuía uns traços de Isthar.

" - Lady Adisa e Exelentissima Graça Afrodite".

Elas vinham a rir, eram parecidissimas, ambas de cabelos loiros, porém Adisa tinha fortes traços mediterrâneos, como eu, uma pele mais bronzeada acompanhados por uns olhos castanhos-esverdeados.

Todos estavam sentados, ao meu lado estava Lady Ingride, que parecia estar sempre a olhar para mim, assim como todos as outras mas Ingride era a única que falava comigo.

" - Com que então este é que é o único homem que arranjaram no meio de este gajedo todo, coitado com tanto feminidade ele ainda se sente sufocado." — dissera ela.

Todas elas se riram, e foi nessa altura que todas se levantaram excepto eu.

" Excelentíssimas Graças..."

" - Sim, eles já sabem quem somos seu idiota, se te calasses podia ser que te tornasses mais suportável Hermes."

Olhei para Hermes, como é que um Deus, se era aquilo que ele era, se permitia ser tratado assim, as risadas aumentavam, mas Nyx seguia para o seu assento, mesmo á minha frente e a outra que entrara com ela, se sentava em frente do lugar vazio.

Todas olhavam para mim, eu estava a ser diferente delas.

" - Olhem o moço está a tentar se afirmar, no meio de tanta gaja." — gozava Ingride.

" - Ele não necessita de se afirmar, e um dia verás isso Ingride, Filipe porque não te levantaste?" — perguntava a outra ao lado de Nyx.

" - Porque não estou a perceber o que estou aqui a fazer, tiraram da minha vida para me forçar a estar aqui, mas porque que eu tenho ser sempre um freak, sonhos estranhos, e afins..."

" — Nyx, ele estava..." — começara Hermes." — Sim Hermes, estava a que?"" — Fredrika relatou-me que ele estava na presença do Duque Vampiro do Algarve."

Nyx olhava para mim e começara a rir como se percebera o que estava a passar.Mas Hermes continuara para minha vergonha ou assim eu pensava.

" - Ele e Godric estavam no meio de actos de fornicação"

Todas as cabeças se viraram para mim.

" - OMG, tu e o vampiro mais gostoso da Europa a fuderem, a sério bom partido" — disse Ingride.

" - Poderia ser um bom partido se tivesse conseguido mesmo fuder com ele, aqueles otários de fatos de latéx ou cabedal interromperam-nos."

" - Mãe, ele não nega mesmo quem é, ele tem a mesma essência e o mesmo espírito livre do Abraham."

" - Mas quem é ele?" — perguntava Adisa.

" - Lorde Filipe, da Casa Nyx, da descendência do Regius Secularis Abraham, da Casa Dracul, a última pessoa com magia na Real Casa de Nyx." — declarava Hermes.

Eu apenas ficava pálido, mas nisto olhava para a mulher loira ao lado de Nyx. Ela reparara que eu olhava para ela, pois ela me parecia uma atriz dos loucos anos 80, Angelicca Darcy.

" - Sim, estás a reconhecer-me, sim sou Angelicca Darcy, um dos meus alter-egos se os quiseres assim considerar, mas eu sou algo maior que uma simples atriz, modelo, cantora, princessa e rainha. Eu sou uma deusa, Hémera, filha de Nyx." — disse ela.

O ar pareceu condensar-se e todos olhávamos para ela, e ela voltara a tomar a palavra:

" - Bem pareçe que estamos todos! Que tal começarmos, pois tenho coisas a fazer!"

" - Mas filha não vês ali uma cadeira ali vazia? Ainda falta uma pessoa!" — disse Nyx.

" - Mas estamos todos!" — dizia Hermes.

" - Isso pensas tu! O Lorde Filipe não é a última pessoa com magia na Nobre Casa Nyx, ainda existe outra que irei necessitar." — respondeu Nyx.

Não sei como mas quando Nyx dissera aquilo na minha cabeça uma voz soou na minha cabeça e estava a pensar em Marcus, mas quando olhei para Angelicca, um outro nome me saiu da boca.

" — Angelinna!" — disse eu espontâneamente.

Angelicca olhou para mim, com um ar estupefacto, mas depois olhou para Nyx, como se quissese uma confirmação que obteve com a entrada de uma rapariga loira, de olhos verdes e a estrutura da sua cara era parecidissma com Nyx.

Angelinna primeiro chegou ao pé de Angelicca e ajoelhou-se e disse:

" - Minha Senhora, peço perdão, mas em Avalon as ordens de Nyx prevalecem sobre todas as outras, Lady Morgana disse que deveria seguir as ordens da senhora minha mãe, mas a Senhora do Lago disse que deveria de vir ter consigo e a senhora minha avó." — disse ela num tom angelical, tal como o seu nome revelava.

Angelicca chorava e abraçava-se a ela, Nyx olhava para aquilo com olhos de uma mãe. As outras deusas desprezavam aquilo, pois nas suas culturas, crianças mestiças eram como para os bastardos para os reis da Velha Era.

Eu apenas sentia triste, pois sempre pensei que um dia me reuniria com o meu irmão que perdi tão cedo. Mas Angelinna sentou-se ao meu lado e assim que cruzou o seu olhar com o meu falou-me.

" - Tu és o irmão de Marcus! Ele mandou-me entregar-te uma mensagem, para passares no teste e Avalon será o teu destino próximo e depois disso tudo está a teus pés." — susurrou-me ela.

Nyx começou a falar:

" - Bem, já estamos todos reunidos, pelo que vou começar! Como alguns devem de saber Javé está a tentar começar a sua mais importante guerra, o Apocalipse, onde as criaturas deles iram lutar pelo domínio da Terra, porém a Terra pertence-nos, e não a Javé nem ao seu filho que se virou contra ele, Lúcifer. Antes da profetisação dele em relação ao Armageddon, os Primordiais já tinham criado o ideal do Rei Supremo, um mestiço que irá derrubar as suspestições cristãs e árabes. O Vaticano irá pertencer á Royal Corporation, assim como Meca e Medina, todos os importantes santuários a Javé e Alá irão ser incorporados ao património do Reino Supremo. Os judeus que pensam que podem ter todo o dinheiro do mundo, controlarem o monopólio mundial irão cair em miséria.

E é ai que voçês entram, o meu filho mestiço Abraham, já se senta no Trono Secularis e espera pela aparição do Rei Supremo, um dia se o virem ele adoptou o nome do pai dele, Dracul. Porém ele tem um grande ódio á nação vampiresca, e isso não pode ser pois os vampiros são os únicos que já sairam do oculto e todos os olhos estão em cima deles, uma mudança na hierarquia poderá acabar com o Reino Supremo ainda antes de este começar. Voçês irão infiltrar os Negociadores da Morte, farão de tudo para subir nos rankings e por fim infiltrarão Avalon, derrubando mesmo a Dinastia Rothlinar e destronar Radagast o Primeiro. Mas mantenham-o vivo. "

Assim que ela pronunciou o nome de Radagast estávamos noutro sítio, á beira de um enorme lago envolto em brumas, grandes árvores que nos estavam a rodear-nos, cipestres, cedros enormes.

Angelinna começou a dirigir-se para o interior do bosque, na direcção de uma velha sequóia, grande, magnífica e com um ar místico.

" - Mas onde estamos?" — perguntava eu na minha mais perfeita ignorância.

" - Nas imediações de Avalon. Eu e Ingride teremos de vos abandonar, pois aqui fomos criadas e temos deveres a cumprir com a Senhora do Lago, Níníane. Voçês depois de nós irmos embora irão seguir o caminho para as Ruínas de Camelot, lá irão conheçer o actual Lorde Comandante dos Death Dealers, Sir Otávius Tibérius. Ele dirá-vos o que fazer. Mas para lá chegar dirigem-se para Este e lá estará a estrada para Camelot e para o Castelo Pendrágon, sigam sempre em frente e depois quando chegarem ao cruzamento, sigam para a direita."

Eu apenas pensava que aquilo era mais uma visão, beliscáva-me, magoava-me para ver se tudo isto real, todas as outras estávam a concordar com Angelinna.

Ela começou a dirigir-se para o lago de novo, mas agora havia um cais cheios de jangadas, e numa estavam dois homens vestidos de creme, mas o tecido parecia pobre, parecia malha forte, nas suas cabeças uma lua crescente estava tatuada.

Ingride entrou na jangada porém Angelinna fez sinal aos barqueiros para esperarem e separou-se do grupo, puxando-me pelo braço.

" - Tu tens de criar uma outra personalidade, ou vais ser sugado para um mundo onde todos vão tentar aproveitar-se do teu título, e tens de fazer de tudo para subir nos rankings, tu tens de chegar ao lugar de Otávius, tens de ser Lorde Comandante, bem neste caso, Lady Comandante." — dizia ela, antes de eu a interromper.

" - Lady?"

" - Sim, aqui neste mundo terás de te disfarçar de mulher, é a única maneira de tu sobreviveres, apenas elas é que saberão quem tu és realmente, elas e quem te conseguir ver pelo que realmente és. Aqui tens uma poção, transformarás-te numa mulher conforme tu quiseres aparentar ser, mas tem cuidado com o teu nome, ele não poderá ser pronunciado em Camelot. E lembra-te que vais encontrar gente que nunca pensarias ser possível encontrar." — disse ela já andando para a jangada.

Adisa, Thema e Ava juntaram-se a mim e acenaram-me.

Eu peguei no frasco e bebi o seu conteúdo doce e aromático, todo o meu corpo doía, ouvia os meus ossos a latejarem, o cabelo a crescer, certas partes do meu corpo a regredirem, e quando acabou olhei para baixo e vi a minha roupa desfeita. Tirei as minhas calças e vi que o meu querido pénis desaparecera e dera lugar a uma racha.

Adisa olháva para mim de olhos muito abertos, com uma expressão de admiração.

" — Mas porquê que..." — estava a dizer eu quando Thema fez apareçer um espelho gigante.

E naquela reflexão via a razão da admiração.

Ali estava eu, alto(a), lindo(a), de cabelos rubros, olhos azuis e seios proeminentes. Era assim que a minha mente me via na forma de mulher. Parecia mais velha, mais ou menos da idade de Adisa, ou seja na casa dos vintes.

" — O meu nome é Trinity!" — disse eu naturalmente

E seguimos para Este em direcção á estrada.