Notas iniciais
O Ritual.
Enjoy :D

In Bran

Fala Angelicca

" Hoje é o tal dia, em que Abraham é coroado Regius Sanguis Secularis. Haverá uma grande mudança na hierarquia dos vampiros. Todos os Grã-Duques passaram a Duques, os Duques a Condes, os Condes a xerifes e estes passaram a ser intermediários entre os comuns e os «intocáveis». Porém eu sei o ódio que Abraham tem pelos vampiros. Por um lado é bom que Circe não tenha feito Regius Maximus, esse seria um golpe que o mundo sobrenatural não aguentaria. Abraham era um Ancião naquela altura. O papel dos Anciões era coroar os nobres vampiros. E ele odiava. Porém devido á linhagem dele, ele seria o mais adequado.Desde que Circe disse que eu era irmã dele que ele desviava-se de mim. Por um lado eu sabia a razão. Eu menti-lhe por mais de três séculos, mas tinha as minhas razões. Eu jurei a minha mãe que nunca revelaria o segredo que a minha família carregava e como no meu mundo é o sangue da mãe que conta e não o do pai, eu seria a herdeira dela e Abraham o herdeiro do pai."

A noite chegara depressa por entre o nevoeiro espesso das colinas de Bran e logo ouviu-se o barulho da carruagem que trazia a "oferta" de Abraham. Maria encontrava-se nas janelas envidraçadas de Bran. Mas o que viu chocou-a. Era Morgan Politiè, a Duquesa Vampira da Califórnia.

Maria via o sofrimento de Morgan na cara dela. Morgan e Maria eram amigas desde muito tempo. Morgan tinha cerca de setecentos anos, mais velha ainda que Abraham e Angelicca. O seu criador foi um dos vampiros mais problemáticos da sua era, chamavam-lhe Ravenshadow e um dos seus hobbys era a tortura de raparigas, e acabava normalmente com a morte delas. Porém Ravenshadow acabou ter interese em Morgan, pois na sua família sobrenatural coexistiam os Lincatropos e os Metamorfos. Porque não juntar um vampiro á festa?

Morgan era uma mulher linda, de cabelos ruivos ondulados, vestia um vestido renascentista violeta com um decote discreto, o vestido parecia que fora feito especialmente para ela uma vez que realçava o verde profundo dos seus olhos. Ao lado dela estava os guardas de Bran, que a estavam a encaminhar para o Salão Ducal. Os seus olhos vertiam lágrimas que para Maria mais eram puros diamantes. Abraham não podia fazer aquilo com a sua amiga, com uma aliada de longa data.

Quando caminhava para o Salão Ducal, o seu caminho foi-lhe barrado por Angelicca:

— Não quererás ver isto decerteza! Vai para os teus aposentos e eu te farei companhia. — dissera-lhe ela.

- Como podes me dizer isso? Ela é minha amiga, conhecemos há mais de cem anos, partilhámos muito mais do que uma pessoa. Se é para ela morrer que ao menos eu esteje lá para facilitar a sua passagem para Hades! — respondeu-lhe Maria caindo aos pés de Angelicca.

- Maria, como tu és nova! Por vezes até eu me esqueço de quão nova és! Não te podes influenciar pelas amizades que fazes agora. O papel de Abraham no Reino Supremo é vital para a tua sobrevivência, tu és melhor que os vampiros! Tu és a única Sheyde de Abraham, não te esqueças que se ele morrer tu morres com ele. Maria eu te conheço há mais de quatro séculos, conheço Abraham desde que ele nasceu. Somos irmãos. Eu gosto de ti como se fosses uma irmã, e acredita que tenho muitos irmãos. Não digo para não chorares, pois nem sempre chorar é mau. Eu ensinei-te a Magia Pessoal, e através das tuas próprias lágrimas podes fazer inúmeros encantamentos. Em relação a Morgan e Abraham, até pode ser que tenhas uma supresa.- disse-lhe Angelicca enquanto levantava Maria do chão.

Angelicca decidira então levar Maria para o Salão Ducal.

Quando entraram, Abraham ocupava um dos tronos dos seus irmãos. Todos olhavam para Maria e Angelicca com um ar de desconfiança.

Tão depressa vieram elas como Morgan e os guardas de Bran. Assim que Abraham viu Morgan olhou logo para Maria e percebera então o porquê da angústia de Maria. Abraham nunca fora muito amigo de Morgan, mas não desejáva-lhe isto pois era uma boa Duquesa respeitava as ordens superiores e era muito amada pelos seus súbditos.

- SAIAM TODOS DO SALÃO! JÁ! — gritara Abraham e todos obdeceram. — Menos voçês as três! — disse apontando para Maria, Morgan e Angelicca.

Elas atravessaram o salão até chegar ao trono dos Duques. Abraham começara a falar.

- Como é que isto é possivel? Tu és a Duquesa da Califórnia. Tu tens inúmeros recursos para te mexer. Como é que deixaste apanhar nesta teia? — perguntava Abraham nervoso.

- Eu fui destíuida do meu cargo! Segundo o que o novo Ançião da Califórnia me disse, foi devido á minha presença no assassinato de Elizabeth. E troxeram-me para aqui, não disseram nada até que chegámos a Budapeste. O que tiveres de fazer faz-o depressa, sei que nunca gostaste muito de mim, mas ao menos na minha hora da verdadeira morte faz-me essa bondade! — pedia-lhe Morgan.

Abraham não conseguia reparar nos choros de Maria, e como ela estava tão transtornada.

- Minha querida Maria, tu sim foste a fonte dos meus sorrisos neste últimos anos. Nunca pensei que a Sheyde de Abraham me poderia fazer feliz, como nunca tinha sido na minha vida de vampira. A ti deixei tudo o tenho que não pertence ao Ducado de Califórnia, eu sim era a mais velha Duquesa daquele país e não tenho pena de o deixar. Adeus Maria.

Abraham pensava no que fazer. Se não a matasse, o seu lugar no Trono Secularis era-lhe interdito, se a matasse a sua Sheyde revoltaria-se e por muito que as Sheydes fossem leais, eram muitas vezes tratadas abaixo de cão e Abraham sempre fizera o máximo para que Maria fosse tratada com o respeito que ele próprio era tratado.

As portas do Salão se abriram e todos os outros entraram neste. Os dentes sairam-lhe e chegou-se ao pé de Morgan cheirou-a e ao seu ouvido murmurou umas palavras. Voltou-se de costas, para nínguem visse o que fazia, mordera a sua mão e sugara o seu sangue para a sua boca, voltara-se novamente para Morgan e disse-lhe bebe, e beijou-a. Assim que o beijo acabou mordeu-lhe o pescoço. Os gritos de Maria ecoavam pelo o Salão, Angelicca agarrava Maria pelos braços. As últimas palavras de Morgan ressoaram no ar:

- As palavras de me disseste aplicam-se a ti também. Que sejas Insubmísso, Incurvável, Inquebrável!

Assim os seus olhos verdes se fecharam e Maria deu um grito que era um feitiço, quebrou todas as vidraças do castelo, e caiu desmaiada no chão.

Acordava no dia seguinte com a visão enovoada, e o que conseguia distingir era uns rostos, um com cabelo preto, outro com cabelos loiros e outro com um cabelo ruivo e uns olhos violetas, e voltou a dormir.

Notas finais
Neste capítulo decidi inventar uma nova espécie: Os/As Sheydes.
Estas para mim são as que tem ligações de "parentesco" com feiticeiros que lhe deram o seu sangue a beber, matando-as de seguida.
Espero que gostem.
xOxO