One and only
15 Promessa.
Notas iniciais
Duas semanas depois...
_Bia você precisa se alimentar melhor, desde que acordou que você só escreve e escreve, eu estou muito preocupada com você, você ainda está viva e precisa superar isso. –disse Melissa sentada ao lado de Beatriz na cama da garota.
_Eu não me importo Mel, me deixe em paz por favor, eu só... eu só preciso escrever, okay? –falou sem tirar os olhos do notebook.
_Mas eu me importo Beatriz, e todas as pessoas que te amam também se importam, você não pode se anular dessa forma, você acha mesmo que o Mateus iria gostar de te ver dessa forma? –perguntou exaltada ficando de pé.
_Não toca no nome dele, por favor! –disse erguendo o olhar para a ruiva.
_Beatriz, até quando isso vai durar? –perguntou Melissa com o rosto molhado pelas espessas lágrimas que dançavam sobre ele.
_Me deixa Mel, mas que droga! Vai embora, por favor! –disse apenas elevando a voz fazendo a ruiva sair em disparada do quarto da amiga.
Beatriz não se conformara com o que havia acontecido, ela não conseguia aceitar, e o pior é que ela se culpara por tudo ter acabado daquela forma. Ele havia dito “Pra sempre”, ele havia prometido um “pra sempre” ao seu lado, mas Mateus mentiu, ele não cumpriu com sua palavra, e aquilo havia deixado a morena furiosa, tudo o que ela sempre sonhou se dissipara naquele acidente, ela não conseguia viver com a ideia de não poder viver o seu “pra sempre” ao lado do grande amor da sua vida, aquilo estava consumindo-a, exterminando qualquer resquício de alegria que havia dentro dela.
Mateus estava internado na ala de Uti de um dos melhores hospitais de São Paulo, seu estado era crítico porém estável, o rapaz havia fraturado a coluna numa região delicada mas precisamente entre a C4 e C5, o que era inoperável e sem chances de recuperação dos movimentos. Sim, Mateus estava tetraplégico e em coma, ele não acordara desde o acidente, Beatriz ia visita-lo todos os dias desde que recebera alta, mas todas as vezes que olhava para o seu rosto adormecido ela chorava compulsivamente.
Era quarta-feira da terceira semana após o acidente, Beatriz estava a caminho do hospital, ela finalmente havia acabado a carta que escrevera carinhosamente para Mateus, ele não podia ouvi-la mas isso não importava, ela queria apenas ler aquelas palavras para o seu amor, ou talvez pronunciar aquelas palavras em voz alta para que ela mesma conseguisse ouvir o quanto ele era importante para ela e o quanto ela sentia por ter feito aquilo com ele.
Beatriz chegou ao hospital por volta das 14:00Hrs, ela subiu para a ala de UTI, e caminhou em direção ao quarto do rapaz, chegando lá ela colocou as flores que havia comprado num vaso e puxou uma cadeira para ficar sentada próxima a cama de Mateus.
_Oi, boa tarde! Eu já disse que amo você hoje? Acho que não, então, eu amo você mais do que tudo, porém, eu quero que você ouça algo que escrevi pra você, bom, digamos que é uma forma mais detalhada de dizer o quanto te amo. Eu preciso que você preste atenção, okay? Okay, então vamos lá! –disse com a voz um pouco embargada segurando uma das mãos do rapaz.
Querido Mateus,
Sei que estamos enfrentando uma situação difícil, mas algo me diz que iremos superar tudo isso juntos, eu ainda não sei como nem quando mas você me prometeu lembra? Você disse “ Pra sempre” e você também disse que costuma cumprir com sua palavra lembra? Você tem que lembrar, Mateus. Bom, ai vai um pequeno relato de como eu era antes de você.
Mateus, eu não tenho muito o que falar sobre quem eu era antes de você, por que a grande maioria das minhas lembranças já se apagaram, digamos que é um pouco difícil lembrar de tudo quando você tinha apenas 6 anos de idade. Então, posso dizer que minha vida sem você praticamente não existiu, você foi meu visinho, meu colega de classe, meu melhor amigo, e meu primeiro e único amor. Ainda consigo lembrar da primeira vez que dormi ao seu lado, você com 16 anos e eu com 14, havíamos acabado de assistir a um filme de comedia, e acabamos cochilando no sofá da sua casa, você me abraçou e disse pela primeira vez que me amava, eu hesitei em perguntar qualquer coisa sobre aquilo, por que ouvir você dizer aquelas três palavras já era demais pra mim, então a única coisa que eu consegui dizer foi “eu também amo você, seu bobo!”. Mateus, eu quero dizer que ainda consigo ouvir sua voz sussurrar aquela bela canção pra mim, mas você não cantou a canção inteira, você escondeu a parte onde falava de saudade, mas agora aqui te olhando eu posso canta-la por completo, pois tudo o que sinto é saudade.
How come you don't want to see me?
How come you've gone and left me alone?
How come you took a slow boat to China?
What can I do if I — I can't get through to you?
Baby, blue on blue
I want you more than I ever wanted
Than I ever needed
Anyone I ever knew
I love you more than ever
Thought that I would never feel the way that I do
Por que você não quer me ver?
Por que você se foi e me deixou sozinho?
Por que você pegou um barco pequeno para a China?
O que posso fazer se eu não posso estar lá com você?
Baby, tristeza na tristeza
Eu te quero mais do que já quis, do que já precisei
de alguém que já conheci
Eu amo você mais do que nunca, pensei que nunca me sentiria desse jeito
Eu preciso que você acorde Mateus, eu não vou conseguir sobreviver sem ouvir você dizer essas palavras, por favor volte pra mim, você disse que iria me proteger de tudo pra sempre, que nunca me abandonaria, por favor, volte! Pois a cada minuto eu penso em você, a cada segundo da minha vida você está presente, e eu projetei um futuro ao seu lado, mas se você não voltar será o fim pois sem você eu não vivo!
Com amor,
Bia.
Beatriz já se debulhava em lágrimas no final da carta, ela infelizmente nutria a esperança de que ele acordaria quando ela terminasse a leitura mas não foi isso que aconteceu, segurando um pouco mais forte a mão do rapaz, ela deitou em seu peito e continuou chorando, apenas sentindo o vai e vem que a respiração tranquila de Mateus causava em seu peito.
_Por que você não responde? Você me prometeu! Acorda Mateus! Olha pra mim! Volta pra mim! –Num ato de completo desespero Beatriz começou a gritar e socar levemente o peito do rapaz, tudo o que ela queria era que ele acordasse.
_Bia, para com isso! Para! –disse Victor em voz alta tirando a garota pela cintura de perto do irmão.
_Por que ele não me responde Victor? Ele prometeu que não iria me abandonar! –dizia em meio ao turbilhão de lágrimas.
_Calma, respira fundo! Vai ficar tudo bem! –disse Victor enquanto acalentava a morena.
_Não, não vai, ele não poderá se mexer, ele está tetraplégico Victor! –disse soluçando.
_Bia, me ouça! O Mateus está vivo, e logo acordará, ele ainda tem uma mínima possibilidade de recuperar os movimentos, então se controla! Mantenha a calma, ele vai precisar de você quando acordar! –disse calmamente segurando o rosto vermelho da garota em suas mãos.
_Eu... eu preciso ficar sozinha, não dá mais! –disse apenas saindo do quarto de hospital, correndo para o estacionamento.
Beatriz dirigia numa velocidade acima da permitida pelas ruas de São Paulo naquele final de tarde, ela estava completamente absorta em suas lembranças, e de repente ela lembrou de uma tarde ensolarada que ela e Mateus passaram num parque de diversões, ela havia acabado de se formar no ensino Médio e ele estava comemorando por ter passado numa prova muito difícil da faculdade, eles sorriam alto e Beatriz comia algodão doce, então os dois resolveram entrar na fila para dar uma volta na roda gigante.
_Você vai explodir de tanto comer esse troço, Beatriz, larga isso! –disse Mateus sentado ao lado da moça enquanto esperavam o maquinista da a partida para a roda começar a girar.
_Não vou não, e larga de ser chato, se você não sabe se divertir, eu sei! –disse rapidamente enquanto se lambuzava com o doce.
_Ah é? –perguntou empurrando o Algodão doce da garota, fazendo o mesmo cair com tudo no chão de barro.
_Por que você fez isso? –perguntou olhando para o garoto com os olhos estreitados.
_Por que sim, u é... –disse sorrindo com o canto dos lábios.
_Mesmo? –perguntou colocando as mãos na cintura com um leve sorriso no rosto.
_aham! –disse olhando nos olhos azuis da morena que com a luz do sol estavam ainda mais hipnotizantes e claros.
_Pois prepara-se para morrer Mateus! –disse avançando em cima do moreno para lhe torturar com uma surra de cocegas, Mateus tentava se desvencilhar mas o espaço ali era pequeno demais, então ela só parou quando ele pediu desculpas e disse que compraria mais dois algodões doces pra ela. _Seu molenga! –disse por fim.
_Eu amo você! –disse sorrindo e passando o braço pelos ombros da garota que deitou a cabeça no ombro dele.
_Eu também te amo! –disse sorrindo.
_Pra sempre? –perguntou levantando o rosto da morena para olhar em seus olhos.
_Sim, pra sempre! –disse sorrindo largamente.
Beatriz não conseguia respirar corretamente, ela precisava saber que ele ficaria bem, para sua sorte ela já estava a uma quadra do condomínio onde morava, então em poucos minutos ela entrou na garagem e estacionou o carro, logo após subiu em disparada para o apartamento do moreno. Ela abriu a porta com suas chaves e entrou, caminhou exalando o cheiro de Mateus que ali havia mas não demorou na sala ou em qualquer outro cômodo, ela correu direto para o quarto, chegando lá, encontrou a cama por fazer assim como ele havia deixado, e sem pensar duas vezes ela deitou na cama do rapaz, puxando um edredom para si, exalando profundamente o perfume amadeirado de Mateus que ela conhecia tão bem.
_Volta pra mim, eu amo tanto você! –disse como num sussurro, enquanto chorava silenciosamente.
Beatriz não se importou se alguém iria encontra-la daquela forma, ela apenas se permitiu ficar ali, e depois de quase uma hora chorando ela pegou no sono dormindo profundamente.
Victor sofria com tudo aquilo, mas ele sabia que seu irmão poderia se recuperar e ele mesmo junto com a ajuda de um amigo iria cuidar da recuperação do irmão, ele sabia que não seria fácil e muito menos rápido mas iria dar certo, tinha que dar. Enquanto Victor arrumava a coberta de Mateus ele viu um papel no chão, então ele abaixou-se e pegou o mesmo, quando viu a assinatura de Beatriz ele apenas dobrou e guardou o papel em seu bolso prometendo para si mesmo que quando seu irmão acordasse ele mesmo o entregaria.
Carolina chegou ao hospital as 18:00Hrs afim de passar a noite com o filho, ela entrou no quarto e sorriu suavemente para seu filho mais velho pedindo que ele fosse para casa descansar pois o mesmo estava exausto. O moreno saiu do quarto deixando sua mãe e seu irmão para trás. Carolina passou a noite inteira acordada velando o sono profundo do filho mas por volta das 02:00Hrs da manhã ela viu algo diferente acontecer, as pálpebras do moreno começaram a se agitar como se ele estivesse tendo um pesadelo e seu batimentos aceleraram, então como num rompante seus olhos castanhos se abriram lentamente, ele respirava pesadamente, e num sussurro ele disse:
_Bia? Onde você está? –sua voz era rouca e sonolenta, Carolina se assustou e rapidamente se aproximou do filho.
_Mateus, querido, você acordou. –disse com a voz embargada e os olhos marejados.
_Onde está a Beatriz, mãe? –perguntou exasperado.
_Ela está em casa meu filho, não se preocupe, está tudo bem com ela, mas e você como está se sentindo? –perguntou preocupada acariciando os cabelos negros de Mateus.
_Bem, mas... –hesitou enquanto se esforçava para mexer as mãos. _Eu não consigo me mexer. –disse rapidamente olhando para sua mãe.
_Meu filho, mantenha a calma, okay!? –disse nervosa sabendo qual seria a reação do rapaz.
_Mas mãe eu não consigo me mexer, o que está acontecendo? –perguntou completamente atordoado.
_Filho, você sofreu um acidente de carro com a Beatriz... –disse quando foi interrompida pela voz exasperada do rapaz.
_Certo, dessa parte eu sei, eu quero saber o que está acontecendo com o meu corpo. –disse com a voz elevada.
_Filho, eu sinto muito mas você está tetraplégico. –disse por fim, com o rosto molhado pelas lágrimas.
_Como é que é? –Mateus não conseguia acreditar no que acabara de ouvir, como uma pessoa como ele poderia estar nesta situação?
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