One Night - Livro 1
21 Capítulo XXI
Notas iniciais
Assim que entramos em casa eu me joguei no sofá, sentindo-me aliviada por estar refugiada no meu larzinho e longe das vistas e principalmente, da presença de Gil. Pena seria que eu não estaria livre dele para sempre. Certamente, eu ainda toparia muito com ele em eventos familiares, já que aquele sujeito entraria para a família Sidle após casar com Maryane.
Que difícil ia ser isso! Teria que passar a evitar mais os eventos em família.
E ainda bem que ele não sabe onde eu moro para não ficar vindo aqui me importunar.
— Acho que devia ligar para os seus pais avisando da nossa chegada em casa. Eles devem estar preocupados por termos vindo às pressas e sem nos despedirmos pessoalmente deles.
Ela tinha razão.
— Vou fazer isso.
Dayse assentiu antes de sair arrastando sua mala pelo corredor do apê, que levava ao seu quarto.
Depois que minha amiga sumiu, eu abri minha bolsa e apanhei o celular que estava desligado. Liguei o aparelho e quando este ligou-se, o alerta de algumas mensagens indicando chamadas recebidas começaram a cair. A maioria eram dos meus pais, umas eram do meu irmão, outras até da Maryane e também algumas inúmeras do número que Gil havia me ligado na boate. Inclusive, apareceu até uma mensagem de texto dele. Eu pensei em excluir sem ler mesmo, mas a curiosidade foi maior e abri a mensagem.
"O que foi que houve, querida?"
Uma única pergunta. Será que ela era por conta de eu ter saído mais uma vez do seu quarto sem me despedir ou por ter vindo embora de Santa Mônica?
Seja por qual razão fosse, eu não estava interessada em saber. Assim como não estava interessada em saber nada daquele homem mais.
Excluí a mensagem de texto, pois não havia qualquer pretensão da minha parte em respondê-la.
Disquei o número do meu pai. No segundo toque ele já atendia. Preocupado quis saber que imprevistos foi esse que me fez sair na calada da madrugada e sem me despedir dele ou de mamãe.
No bilhete que deixei, eu dizia simplesmente que um imprevisto tinha acontecido e eu tive que voltar às pressas para casa.
Inventei para ele que meu chefe precisou de mim para revisar umas coisas que tinha de entregar amanhã. Meu pai não gostou nada disso. Chiou e reclamou, perguntando se esse meu chefe não exagerava demais no trabalho comigo. Eu neguei. Pedi mil desculpas a ele por ter vindo sem me despedir, mas aleguei que não quis acorda-los. E reforcei que Brooke realmente precisava muito de mim para antes do meio dia, deste modo, tive que sair de madrugada para estar cedo em casa.
Coitado do meu chefe devia tá bem aproveitando o domingo dele no sossêgo da sua casa e eu aqui inventando que ele me chamou de volta para trabalhar.
Meu pai mesmo desgostoso com a situação, aceitou-a. Até porque, não havia o que fazer, eu já estava longe mesmo.
Nos despedimos com a minha promessa de entrar em contato com eles mais freqüentemente.
— E aí, o que seus pais falaram?
Dayse já de volta do quarto dela jogou-se ao meu lado no sofá.
— Meu pai ficou puto com isso de ter vindo embora de madrugada e sem avisar.
— No lugar dele eu também ficaria.
— Mas eu precisava vir embora, Dayse. Não ia dar pra mim continuar lá depois do que houve com Grissom. Temia me trair na frente dos demais. Além do mais, não queria ver a cara desse sujeito, quando ele chegasse de volta do hotel onde eu o deixei sozinho. Tenho quase certeza que ele me cobraria explicações.
— Parece que a sina dele é acordar sozinho na cama depois das transas de vocês, né?
— Sim! Pra ele deixar de ser cretino!
Nós duas rimos.
De repente, meu celular começou a tocar sobre minhas pernas. Era ELE. Suspirei e olhei para Dayse que me questionou quem era que ligava. Eu contei que era Gil.
— Vai atender?
— Não.
Não queria dar confiança ou moral a ele atendendo sua chamada. Que ele e suas ligações vão para inferno.
— Ele não vai parar de ligar se não atender. Então deixa que eu atendo, já que não pretende atendê-lo mesmo, né?
— Atender Grissom é a última coisa que quero fazer. — entreguei o celular a minha amiga.
— Alô! — Dayse atendeu a chamada de maneira seca e ríspida. — Não, não vou passar pra ela!... — só por essas suas palavras já imagino que ele tenha pedido do seu jeito nada autoritário que ela passasse o celular a mim. — ...Cara, deixa a minha amiga em paz. Você, vai casar com a prima dela, se liga!... — ela se calou, porque provavelmente ele deveria estar falando algo nada contente. — Ela não quer mais saber de você!... Tampouco falar com você!... Não liga mais para a minha amiga. Adeus!
Dayse encerrou a ligação na cara de Gil e me devolveu o celular.
— Bloqueia o número dele. E qualquer outro número desconhecido que te ligar.
Assenti já pegando o aparelho de sua mão. E enquanto fazia o que minha amiga disse, eu quis saber por pura curiosidade o que o Grissom disse a ela.
— Ah, ele pediu pra falar com você.
— Isso eu percebi.
— Queria saber o que houve pra você sumir sem dizer nada. Ainda foi capaz de dizer que ia insistir nas ligações quantas vezes fossem necessárias, até você atendê-lo.
Ele não ia me dar descanso. Mas que ele ligasse. Seu dedo ia cair de tanto tentar, porque eu não ia atender.
— Eu me meti numa furada.
— E eu me sinto meio culpada por isso.
Ela segurou minha mão e com o olhar pedia desculpas. Tratei de lhe livrar daquele peso.
— Você não tem culpa. A única culpada sou eu por ter me apaixonado por um homem que não é pra mim. Que merda! — reclamei, largando o celular sobre a mesinha diante de nós.
— Bota merda nisso!
Como eu queria voltar no tempo e ter recusado a companhia de Grissom. Teria me poupado todo esse estresse e confusão que eu estava passando. Mas, eu sobreviveria a isso. Me...
— Ai, merda, Dayse! — levei as duas mãos à cabeça e olhei com desespero para minha amiga, porque naquele exato momento, me dei conta de uma coisa bem preocupante ali.
— O que foi? — Dayse se assustou com minha fala repentina.
— Ás vezes que transei com o Gil em Santa Mônica, nós não usamos preservativo. E eu não estou tomando pílula. Parei depois do término com Elliot. — contei com desespero.
— Ah, não! Puta que pariu, Sara! Não acredito nisso!
A cara de desespero da Dayse deve ser a mesma que eu estou fazendo agora, diante de tal lembrança.
— Meu Deus! — cobri o rosto com ambas as mãos. — Era só o que me faltava. Eu ficar grávida do Gil.
Se isso acontecesse eu estava terrivelmente ferrada e a merda estaria armada na minha vida. Não queria nem imaginar o rolo que isso ia dar. Meus pais iam ficar decepcionados e Maryane ia me odiar até o fim da vida dela.
— Calma, Sara. — pude sentir Dayse afagar meus cabelos. — Não vamos entrar em pânico ainda. Você por acaso está no seu período fértil?
Retirando as mãos do rosto e ainda meio atônita com aquela suspeita, eu fiz as contas mentalmente as contas e cheguei a um resultado nada animador.
— Estou. — revelei, fechando os olhos.
Como eu pude ser tão imprudente, meu Deus! Eu não sou irresponsável assim, ainda mais, com aquilo.
— Ai, merda!
— E agora, Dayse? — abri os olhos e a encarei, querendo chorar de medo e desespero. — Se eu engravidar desse cretino o que eu vou fazer?
Tudo que eu não queria e precisava era de um bebê agora na minha vida. E ainda mais, um bebê do noivo da minha prima.
— Ai, Sara. Eu tô sem saber o que dizer agora. Mas olha... Aconteça o que acontecer, você pode contar comigo que eu vou está aqui do seu lado, amiga, para o que der e vier.
— Obrigada!
A vontade de chorar se tornou mais forte, mas segurei a onda e abracei Dayse.
O resto do meu dia foi terrível. Fiquei em meu quarto direto. Se não bastasse a preocupação de uma iminente e desesperadora gravidez, eu ainda tive que aturar as insistentes mensagens que Gil mandava. Ele não ligou mais, porém, em compensação, encheu minha caixa de mensagem de texto com seus SMS.
Eu não abri nenhum. Mas vontade não faltou para saber o que tanto ele mandava. Porem me mantive forte. Fui só deixando chegar as mensagens e ia excluindo-as assim que chegavam.
Eu não entendo qual é a desse cara. Ele vai casar com a minha prima e fica me perseguindo.
O que ele quer?
Casar com ela e me ter de amante?
Pois se for isso, ele vai ficar querendo. Eu não vou me sujeitar a tal situação. Nem morta!
E ainda tinha essa suspeita de gravidez que me rondava agora. Por que merda, eu não fui lembrar do preservativo na hora?
Se tivesse lembrado, provavelemente, não estaria vivendo este pesadelo de possivelmente estar grávida daquele cretino que vai casar com a minha prima.
— Sara!!
Ouvi Dayse chamar e aparecer logo em seguida pelo vão aberto da porta do meu quarto.
— Oi!! — respondi, me virando na cama para ver minha amiga.
— Vou naquele japonês da quinta, comprar algo pra gente jantar, ok?
Sinceramente eu não estava com apetite.
— Dayse, eu tô sem fome alguma. Essa história da gravidez, me roubou o apetite e me deixou hiper preocupada.
Enquanto eu não descobrisse se que àquela história de gravidez ia vingar — o que esperava muito que não — eu não ia ter sossego.
Minha amiga entrou no quarto e sentou-se perto de mim na cama.
— Olha... Vamos torcer para aquele cretino ter uns espermatozóides bem escrotos, que não tiveram a chance de chegar no seu óvulo e fecundá-lo, para deste modo, você não ter engravidado dele, está bem?
Eu não queria mais acabei involuntariamente rindo da fala da minha amiga.
— Só você para brincar numa horas dessas, Dayse.
— Eu sei que a fala pode ter soado como brincadeira, mas ela tem seu fundo de verdade. E caso, nossa torcida não dê certo e já tenha um bebê crescendo aí dentro de você, nós duas vamos cuidar dele ou dela. E eu vou ser a dinda mais louca que esse baby podia ter. — Dayse deslizava a mão pelo meu braço.
— Disso eu não a menor dúvida mesmo, sua louca. — sorri para ela que me sorriu de volta, mas depois nossos sorrisos foram se desfazendo aos poucos e ficamos sérias.
— Teremos que esperar o tempo e fazer um teste de gravidez. E se der positivo, você pretende contar pra ele?
— Eu não sei. Acho que não. Vai ser só meu esse bebê. — respondi com sinceridade.
— Você sabe que isso não é certo, mas se quiser assim, eu vou te apoiar. Independentemente da decisão, você tem o meu apoio incondicional, Sara. Sempre!
— Você é a melhor amiga do mundo, Dayse.
Ela na verdade era mais que uma amiga. Dayse era a irmã que Maryane devia ser para mim, mas não era e muito menos se esforçava em ser.
— Você também é a melhor amiga do mundo, Sara. Que amiga ia me aturar e cuidar tão bem de mim como você faz nas minhas bebedeiras loucas? Nenhuma que não fosse amiga de verdade!
— Você também me atura e cuida bem de mim nas minhas bebeiras.
— Mas não com tanto cuidado e jeito como você tem comigo.
— Mas cuida do seu jeito estabanado.
Nós duas rimos.
— Bom... Vou atrás do nosso jantar. Trarei uma barca daquelas com várias coisas pra nós, ouviu? E a senhorita vai comer.
— Ok, mamãe! Então traz também uma sobremesa.
— Qual?
— Fica por sua escolha. Confio no seu gosto.
— Beleza! Vou lá. Não demoro.
Assenti e vi minha amiga sair em seguida do quarto. Eu tinha muita sorte em ter uma amiga como Dayse. Ela sabia me pôr para cima e me dar conforto nas situações de pânico e estresse.
Acho que não passou-se nem uns dois minutos da saída dela e escuto a campainha soar.
Revirei os olhos. Aposto que Dayse esqueceu a carteira e as chaves do carro dela. Essa daí só não esquece a cabeça largada por algum canto do apê, porque a mesma está pregada no pescoço dela.
A campainha soou de novo. E contra a minha vontade eu levantei da cama e fui atender a porta à esquecida da minha amiga.
— Dayse, você...
Estanquei nas palavras ao abrir a porta e dar de cara com Gil e não minha amiga.
— Oi, Sara!
Será possível que esse homem não vai me deixar em paz mesmo?!
— Como foi que conseguiu meu endereço, e mais ainda, subir sem o porteiro interfonar?
— Seu irmão me deu seu endereço. Inventei uma desculpa qualquer e ele acreditou. E quanto a subir sem interfonar, foi porque encontrei uma senhora na portaria e entrei pra ajudá-la com as sacolas. Deixa eu entrar pra gente conversar, Sara?
— Não! Vai embora.
Eu fui bater a porta na cara dele, mas Gil impediu isso ao colocar seu pé no batente.
— Por favor, Sara. Conversa comigo, querida. — pediu de um jeito doce.
Sua mão se esgueirou pelo vão da porta aberta, repousando sobre a minha que estava segurando a maçaneta.
Suspirei.
Por que ele era tão insistente assim?
Resolvi ter essa conversa de uma vez para ver se assim, ele me deixaria em paz. Abri a porta e dê passagem a ele.
— Você mora em um belo apartamento. — Gil comentou ao olhar ao redor da sala após eu fechar a porta.
— O apartamento não é meu. É da Dayse. Eu moro aqui com ela a seu pedido.
— Ah, sim. — ele sorriu.
— O que você quer conversar comigo, Grissom? — acomodei-me no sofá e encarei o Sr.Gostoso.
— Eu quero saber o que houve? Por que...
— Não se aproxima! Fica aí. — pedi, esticando a mão para ele, quando o vi caminhar em minha direção enquanto falava.
Se ele chegasse mais perto de mim ou se ele me tocasse por mínimo que fosse o contato, eu não ia ter forças para resistir a ele. E, certamente, cederia a uma possível investida sua. E eu não queria isso.
— Eu fiz alguma coisa de errado ontem enquanto estávamos juntos, Sara, pra você está agindo assim comigo?
— Desde que eu te conheci, você só tem feito coisa errada não para mim, mas comigo.
— Como assim?
— Grissom, você transou comigo quando era namorado da Maryane.
Não é possível que ele não ache que isso seja errado?
— Ela não era minha namorada. Já expliquei a você isso. Minha relação com ela não tinha rótulos.
Aquela sua justificativa me irritou.
— Merda! Ainda assim, você tinha algo com ela, Grissom. — explodi e levantei do sofá. Ele arquear a sobrancelha diante da minha reação. — Sendo rotulado ou não, vocês tinham algo. E você dormiu comigo mesmo assim, seu canalha. — apontei para ele indignada. — E se não bastasse isso, dois dias depois, pediu minha prima em casamento.
— Pois saiba que se eu pedi Maryane em casamento a culpa em parte é sua também!
Ao dizer isso ele elevou um pouco o tom de voz para mim. Eu fiquei momentaneamente estática diante dessas suas palavras.
Como assim a culpa era minha?
Ele é louco?
— Não me jogue uma culpa que eu não tenho.
— Tem sim. — ele insistiu, dando um passo em minha direção. Eu dei outro para trás evitando a aproximação.
— Como a culpa pode ser minha? — eu nem estava lá no momento. — Você não está casando com ela por que essa foi a condição que seu paizinho impôs pra que assumisse o controle da empresa da família de vocês? — fiz questão de jogar isso em seu cara.
— Também! — ele confirmou sem parecer se abalar nenhum pouco com aquilo. — Mais há uma segunda razão disso estar acontecendo. E essa razão é sua culpa.
— Minha? Você é louco. Vai embora eu não quero te ouvir.
— Agora você vai ouvir até o final.
— Não. Eu não sou obrigada.
Quando eu me dei conta ele já estava perto de mim, segurando-me pelos cotovelos.
— Mas você vai ouvir, Sara.
— Me solta! — ordenei, mas ele não acatou.
— Saiba que se você não tivesse me deixado acordar sozinho na porra daquela cama, na manhã seguinte a noite que passamos juntos. Hoje, a minha noiva, possivelmente, seria você e não a sua prima?
— Como é que é?
Fale com o autor